quinta-feira, maio 31, 2007

"Vamo-nos pirar daqui..."

.

Calvin&Hobbes

In Público online


terça-feira, maio 29, 2007

Nada no horizonte

.

«Estava realmente perdido de todas as maneiras. Passara a vida a sonhar um Portugal melhor numa península melhor e num mundo melhor. Para que essa aspiração fosse verdade, julgava que bastaria o desaparecimento das tiranias que aqui e ali oprimiam os povos.

Ora a verdade é que os tiranos carismáticos, um a um, iam desaparecendo (…) e, quanto mais parecia debelada, mais a opressão se enraizava no corpo social e mais sólida e subtilmente se implantava nele. E olhava sem antolhos os horizontes promisssores da democracia. Cada vez se tornavam menos nítidos no meu desespero.»


Miguel Torga “A criação do mundo”

sábado, maio 26, 2007

Parvoíces

.
Parvoíce nº1

Sindicato diz que ministro devia «ficar calado»


O Sindicato dos Metalúrgicos diz que Manuel Pinho ganhava mais se estivesse calado já que os 250 postos de trabalho que a Delphi criou em Castelo Branco já estão preenchidos. Postos de trabalho que o ministro anunciou, esta segunda-feira, como sendo destinados a trabalhadores da Guarda que vão ser dispensados até final do ano.


Esta parvoíce não surpreende, Pinho já é versado na arte da parvoíce. Já gabou a mão-de-obra barata portuguesa junto dos chineses. Agora faz falsas promessas aos desempregados da DELPHI… ignorância, incompetência, tentativa desesperada de enganar alguém? Quem sabe? Mas já ninguém estava à espera que resolvesse o problema, como Zapatero fez aos 1600 trabalhadores da Delphi, despedidos em Espanha...


Parvoíce nº2


«O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou hoje, no final de um almoço promovido pela Ordem dos Economistas sobre a Ota, que "a margem sul é um deserto" e por isso seria "uma obra faraónica" fazer aí o futuro aeroporto de Lisboa.


"Na margem sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio", disse o governante, acrescentando que, de acordo com um estudo recente, "seria necessário deslocar milhões de pessoas" para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto.


Segundo Mário Lino, fazer um aeroporto no Poceirão ou nas Faias seria o mesmo "que construir Brasília no Alto Alentejo". (…)

Mário Lino não resistiu ontem a comparar a opção sul do Tejo a um doente aparentemente de boa saúde, mas "com um cancro nos pulmões".»


Já era tempo de alguém tirar protagonismo a Pinho. Eis um ministro que pensa que tem muita piadinha, só porque uma gracinha à custa da licenciatura do Primeiro-Ministro lhe correu bem… Mas... vamos lá ver, para esta declaração ter graça teriam que estar reunidas algumas condições:

  1. A Ota teria de ser uma grande, movimentada e populosa“urbe”
  2. Um ministro das Obras Públicas teria de ser totalmente alheio à construção de infra-estruturas na margem sul ou à falta delas
  3. Um cancro nos pulmões poder ser considerado um facto de alguma comicidade

Parvoíce nº3


«O presidente do PS, Almeida Santos, invocou esta noite os riscos de segurança para rejeitar a construção de um aeroporto a sul do Tejo, advertindo que a destruição de uma ponte num atentado terrorista poderia cortar a ligação entre as duas margens do rio.


"Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o norte do sul do país", declarou Almeida Santos no final da reunião da Comissão Nacional do PS.»


Quando se pensa, que ninguém pode bater Mário Lino, eis que surge um novo concorrente: Almeida Santos. "Cuidado que a ponte pode ser dinamitada!". O próprio aeroporto, não…

Portugal até tem sido alvo de variados ataques terroristas. Aliás, eles só estão indecisos entre a Vasco da Gama e a 25 de Abril. E porque não as duas, em simultâneo? Assim como assim, ninguém precisa de visitar o deserto…


Será que alguém consegue defender o aeroporto da Ota, sem cair no ridículo?


quinta-feira, maio 24, 2007

"Enjeitados"


Hospital católico inaugura "roda dos enjeitados"


O Japão inaugurou este mês um serviço público para recolha de bebés indesejados e a polémica estoirou. A estrutura – que permite que os pais depositem, de forma anónima, a criança para adopção na “caixa dos bebés” construída nas imediações do hospital católico-romano Jikei (na cidade de Kumamoto) – foi criada com o objectivo de desencorajar o aborto ou evitar o abandono, infelizmente comum, de recém-nascidos em locais de risco tais como caixotes do lixo. Mas a primeira criança a dar entrada na “caixa” foi um menino de três anos, perfeitamente consciente da viagem que fez com o pai até ali.


A notícia chocou os líderes políticos do país e levou mesmo o Primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a defender publicamente que “depositar uma criança de forma anónima é inaceitável”. Ainda assim, a “caixa dos bebés” está em funcionamento, num conceito que parece recuperar a “roda dos enjeitados”, existente nas Misericórdias dos países do Sul da Europa, entre os séculos XVI e XIX. Os órgãos de comunicação japoneses fizeram bandeira do caso dando conta da história do menino de três anos que se identificou pelo nome e contou como o pai o levou até ali de comboio, o depositou na caixa e de como as enfermeiras o foram buscar depois de soar o alarme que indica que está uma criança no “depósito”.


Este caso devia levar muita gente, a pensar nas consequências de levar a termo uma gravidez não desejada. Qual é o maior crime, interromper uma gravidez até às dez semanas ou deixar uma criança de 3 anos numa roda de enjeitados?


Note-se que esta iniciativa tem como pretexto desencorajar o aborto, com que fundamento ético ou moral, pergunto eu?


terça-feira, maio 22, 2007

Amanhecer

.


Foto de Mark Tucker

"Sunrise Field 3" - Eastern Kentucky Trip

domingo, maio 20, 2007

“Especiismos”

.

Não tenho por hábito escrever posts de reacção a textos de outros blogs, até me deparar com um post, que me suscita tantas dúvidas e divergências. Já há algum tempo que visito o Esquerda Republicana, com bastante gosto e deve ser a primeira vez que discordo profundamente de um texto deste blog. O texto em causa tem como título “Grandes touradas” e deve ser lido na íntegra aqui.

Pelo que percebi quem se manifesta contra as touradas é anti-humanista e sofre de alguma desorientação ética, porque considera que os animais podem ser sujeitos de direito. E mais, quem é anti-tourada é um puritano que investe contra a liberdade fundamental do ser humano de se divertir, só porque o espectáculo lhe desagrada pessoalmente.

Em primeiro lugar, acusar de puritanismo quem se insurge contra espectáculos que se baseiam, em infligir sofrimento aos animais, por diversão é tão ridículo, como dizer que pornografia e boxe é o mesmo que uma luta de cães ou uma tourada. Qualquer espectáculo proveniente do mútuo consentimento dos seres humanos envolvidos, nunca é comparável, com o que envolve uma outra espécie, incapaz de manifestar uma vontade e de reagir contra o sofrimento.

Em segundo lugar, o que tem de anti-humanista a defesa dos direitos dos animais? O meu conceito de humanismo implica uma responsabilidade ética para com os outros seres vivos, que coexistem com o homem neste planeta. Os animais não são capazes de processos mentais superiores, logo não podem ser sujeitos de Direito? Não interessa que sintam e que sofram, não merecem ser protegidos do sofrimento que lhes é inflingido por pura diversão, pelo ditos seres capazes de processos mentais superiores?

O que está na base desta linha de argumentação é o especiismo, ou seja, o homem considera-se superior a qualquer outro animal, baseando-se nos processos mentais superiores. Logo os seus direitos e liberdades fundamentais estão acima de qualquer outro não humano. É preciso ter a espécie humana em grande conta, no mínimo. Qualquer argumento que alegue superioridade mental, moral ou rácica é sempre dúbio, na minha opinião.

Não reconheço superioridade à espécie, que mais danos tem causado ao planeta, para já não falar nos danos que causa no ceio da sua própria espécie. Um pinguim, um elefante ou um gato doméstico sem processos mentais superiores, não lançaram bombas atómicas, não são responsáveis pelo aquecimento global, nem pela guerra no Iraque. Não posso ser especiista, porque as consequências das acções humanas são tão evidentes que desmentem qualquer primazia relativamente a qualquer outra espécie.

O que seria de esperar da espécie humana, era que usasse os seus processos mentais superiores, com sentido ético e responsabilidade, em prol das outras espécies que não têm essa capacidade. Nesse sentido, seria de esperar que o homem percebesse que é moral e eticamente condenável infligir sofrimento a uma outra espécie por diversão.

segunda-feira, maio 14, 2007

10 mitos sobre a pobreza

.

Las 10 falacias sobre la pobreza

1- La negación o minimización de la pobreza (no es tan importante como lo cuentan)

2- La falacia de la paciencia. (Los pobres deben esperar el crecimiento económico para recibir los beneficios que hoy disfrutan las elites)

3- Con el crecimiento económico basta (no es necesaria una política de Estado. El crecimiento por si mismo se ocupará de hacer llegar los beneficios a los menos favorecidos)

4- La desigualdad es un hecho de la naturaleza y no afecta el crecimiento económico.

5- La desvaloración de las políticas sociales. (La única política social es la política económica. En su momento el Mercado resolverá todos los problemas)


6- La maniqueización del Estado. (El Estado es ineficiente, corrupto e incapaz de llevar adelante ninguna política)

7- La incredulidad frente a las acciones de la sociedad civil. (las organizaciones sociales son un mundo de segunda en comparación con el "mundo de las soluciones importantes")


8- La participación, si, pero... (A pesar de que se proclama la importancia de la participación popular en los temas públicos, la realidad demuestra que muy pocas veces los caminos de la participación están allanados)


9- La elusión ética. (La ética no tienen nada que ver con la economía)


10- No hay alternativa. (las medidas que se toman son las únicas posibles, las otras propuestas no son serias)


In: Periodismo Social

Legenda da imagem: "Poverty" de Picasso


Nota: Um agradecimento especial à Sabine, por ter chamado a atenção para este artigo.

sábado, maio 12, 2007

Sozinha, até ao fim dos tempos

.
Há muitos, muitos anos...

num país muito longe e triste,

havia uma enorme montanha

de pedras escuras e ásperas.

Ao cair da tarde,

no topo dessa montanha,

florescia todas as noites uma rosa

que tornava imortal quem lhe tocasse.


Mas ninguém ousava

chegar perto dela

porque os seus espinhos

estavam envenenados


Os homens conversavam entre si

sobre o medo da morte,

e da dor, mas nunca

sobre a promessa

da imortalidade.

E todas as tardes,

a rosa desabrochava

sem poder oferecer os seus

dons, a ninguém...

Esquecida e perdida no topo

daquela montanha de pedra fria,

Para sempre sozinha,

até ao fim dos tempos.

In: "El Laberinto del Fauno"

quinta-feira, maio 10, 2007

Thinking blogger award

.
Para minha surpresa, o O Bico de Gás presenteou este blog com um “thinking blogger award”. Resta-me agradecer a distinção, mas o My Hopes and Dreams limita-se a aspirar, um dia, fazer pensar alguém. Até porque os posts são feitos mais de interrogações do que factos e conteúdos, que possam considerar-se material pensante.


E a maioria dos posts, que vão desde poemas, a músicas e a fotos, têm mais o objectivo de apelar aos sentidos, convidam à abstração e mais ao não pensar, que ao pensar. Ou melhor, não sei se convidam alguém, sei que é o que eu sinto quando os publico, em vez de publicar qualquer outra reflexão minha…


Mas, deixando as divagações da parte, e apesar de existirem milhares de blogs mais pensantes que este, deixo aqui o meu muito obrigado ao C3H8. Já não estou tão grata pela árdua tarefa, de ter que atribuir o prémio a 5 “thinking blogs”. Ao que parece, faz parte do protocolo da cerimónia…


Começo por pedir desculpa aos blogs que não estão nesta lista. Existem milhares de blogs com certeza de grande qualidade, que eu nunca descobri. E depois, existem os blogs de grande qualidade, mas que não prendem a minha atenção. E por fim, estão os blogs muito bons, que eu gosto de visitar, mas que têm de competir com os 5 que conseguiram levar-me a visitá-los com maior regularidade. Não sei se é o critério mais justo, porque conseguir captar a minha atenção, é um acto tão subjectivo, que não me atrevo a tentar explicá-lo…


Enfim, todo um parágrafo para dizer que esta escolha é pessoal e subjectiva. E sem mais delongas... porque se isto fosse a cerimónia dos óscares, já me tinham cortado a palavra há muito tempo... Os blogs que me fazem pensar são:

Devaneios Desintéricos

Altermundo


O Bico de Gás


Armadilha para Ursos Conformistas


Arrastão


Infelizmente não pude incluir “A Macambúzia Jubilosa”, porque o blog já não está activo, mas não deixo de o referir porque também me fez pensar. Numa tentativa de ser isenta, deixei de fora os blogs dos meus amigos que também visito com frequência. Eles sabem quem são, fica um beijinho e desculpem lá não vos nomear… ;))


quarta-feira, maio 09, 2007

Death from breathing outdoor air

.

Roy, the Toxic Boy

To those who knew him
-his friends-
we called him Roy.
To others he was known
as that horrible Toxic Boy.


He loved ammonia and asbestos,
and lots of cigarette smoke.
What he breathed in for air
would make other people choke!


His very favorite toy
was a can of aerosol spray;
he'd sit quietly and shake it,
and spray it all the day.


He'd stand inside the garage
in the early-morning frost,
waiting for the car to start
and fill him with exhaust.


The one and only time
I ever saw Toxic Boy cry
was when some sodium chloride
got into his eye.


One day for fresh air
they put him in the garden.


His face went deathly pale
and his body began to harden.


The final gasp of his short life
was sickly with despair.
Whoever thought that you could die
from breathing outdoor air?


As Roy's soul left his body
we all said a silent prayer.
It drifted up to heaven
and left a hole in the ozone layer.


In: "Tim Burton's: Roy the toxic boy"

segunda-feira, maio 07, 2007

A França de Sarkozy?

.No comments

sexta-feira, maio 04, 2007

É este senhor, que querem? De certeza?

Em França, as sondagens publicadas após o debate entre os dois candidatos, continuam a dar vantagem a Nicolas Sarkozy. Apesar de não ter conseguido ver o debate Ségolène/Sarkozy na íntegra, pareceu-me que Sarkozy tentou esconder a faceta da brutalidade e Ségolène insistiu temática das políticas sociais.

A candidata de esquerda insistiu no combate ao desemprego, pela criação de 500 mil empregos para os jovens (onde é que eu já ouvi isto?), construção de mais esquadras e centros de reabilitação, aumento da eficácia dos hospitais públicos e a manutenção das 35 horas de trabalho. Sarkozy desvalorizou estas questões pelos custos que acarretam, sobretudo as 35 horas de trabalho que admite não eliminar, mas vai incentivar as horas extraordinárias, posicionou-se claramente contra a adesão da Turquia à União Europeia. Portanto, nada de novo…

O momento mais caricato do debate, na minha opinião, é quando Sarkozy fala das crianças deficientes e na sua integração no sistema de educação. É acusado de imoralidade politica pela sua adversária, porque anulou a medida socialista de colocação de 7 mil funcionários públicos a acompanhar estas crianças. Ségolène disse mesmo: «Je suis en colère!». Eu por acaso, também fico um pouco colérica quando ouço isto:

«Que tipo de educadores seríamos nós, se não pudéssemos chamar vadios aos vadios?»


E mais colérica fiquei, quando li isto:




Ségolène não será a candidata perfeita, e no debate faltou-lhe explicar como iria assegurar a concretização das políticas sociais que propõe. Mas como podem os franceses colocar no poder aquela figura de ar agressivo e autoritário, que diz isto do Maio de 68?


Talvez não seja motivo, para ficar colérico... Mas, se os próprios franceses rejeitam a herança de 68, o que será dos ideiais de esquerda no futuro?

Nota: O cartoon é de David Miège

quarta-feira, maio 02, 2007

"Mais papistas, que o Papa..."



O beijo do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na mão de sua antiga professora provocou a revolta do jornal islamista Hezbollah, que representa a tendência mais radical.


"Ahmadinejad tomou a mão da ex-professora e a beijou. Depois esta mulher de meia-idade o tomou em seus braços. O povo muçulmano iraniano não recorda tais atos contrários à sharia durante o reino islâmico", afirma o jornal, que publica três fotos do presidente e da professora.


A cena aconteceu na terça-feira, por ocasião do dia do professor. A mulher usava luvas e não houve contato direto entre ela e o presidente. Segundo a lei islâmica, qualquer contato físico entre um homem e uma mulher está proibido, exceto se são casados.


"Este ato incrível do presidente acontece quando os fiéis ainda não esqueceram sua decisão de autorizar as mulheres a entrar nos estádios de futebol", acrescenta o jornal.

Estas críticas da imprensa são tão injustas, o Sr. Ahmadinejad esforça-se tanto...

segunda-feira, abril 30, 2007

Eleições em França: em jogo o futuro da esquerda?

.

Os franceses preparam-se para escolher um novo presidente. Está em jogo, na minha opinião, uma orientação política para a Europa. A França sempre constituiu uma espécie de barómetro ideológico e político para os restantes países da União Europeia. Joga-se uma ideia de esquerda e de direita, mas também um estilo pessoal de fazer política.


À direita, Sarkozy radicaliza a luta contra a imigração, com um discurso intolerante e agressivo em nome da identidade nacional. O liberalismo económico é levado ao extremo e a nível internacional, há uma colagem à política externa da administração Bush. Definitivamente, não é esta a ideologia política que eu gostaria de ver como referência, até porque a actuação de Sarkozy, enquanto ministro do Interior, só endureceu a violência e as clivagens sociais. Espero que os franceses não esqueçam o contrato do primeiro emprego, e a tentativa de impor a precariedade laboral como norma.


À esquerda, Sególene Royal, propõe uma ideia de esquerda renovada, próxima do “socialismo de Blair” (e friso, entre aspas…), que contesta, por exemplo a semana de 35 horas de trabalho, mas simultaneamente mantém o discurso social. A proximidade a Blair, assusta-me em Sególene, mas a convicção com que defende um projecto de esquerda que promova a integração e a coesão social, leva-me a dar-lhe o benefício da dúvida. Um motivo de confiança, será sem dúvida, porque a alternativa é Sarkozy. O outro motivo é o meu desejo de ver uma política efectivamente de esquerda na Europa, à semelhança do que fez Zapatero.

Se Sarkozy ganhar, será uma longa caminhada no deserto para a esquerda europeia. Se Sególene ganhar, a esquerda poderá adquirir um novo alento, mas só se, a política que levar a cabo não for a falsa esquerda de Blair e Sócrates. Só o futuro o dirá, para já prefiro manter-me optimista e acreditar em Sególene. A ideia de esquerda precisa definitivamente de ser encarada com seriedade. Apesar das minhas reservas, espero que o seja com Sególene Royal.

Adenda: A ler o Manifesto dos Intelectuais de Esquerda no Libération, ou a tradução aqui.

sexta-feira, abril 27, 2007

"Little Road Trip"

.

Foto de Mark Tucker

"Whirly gigs 2" - Atlanta Road Trip

terça-feira, abril 24, 2007

Pedras como pessoas?

Conversa com a pedra


Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar, quero ver-te por dentro,

saber como és,

respirar-te.


Vai-te embora - diz a pedra.

Estou fechada a sete chaves.

Mesmo feitas em pedaços

estaremos fechadas a sete chaves.

Mesmo reduzidas a areia

não deixaremos ninguém entrar.

Bato à porta da pedra.

Sou eu, deixa-me entrar.

Venho por pura curiosidade.

Só em vida tenho esta oportunidade.

Gostaria de passear-me pelo teu palácio,

depois visitar ainda a folha e a gota de água.

Não tenho muito tempo para tudo isto.

a minha mortalidade deveria comover-te.

- Sou de pedra — diz a pedra

e isso obriga à seriedade.

Vai-te embora.

Não tenho os músculos do riso.


Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Dizem que dentro de ti ha grandes salas vazias,

nunca vistas, belas para nada,

surdas, sem eco de quaisquer passos.

Confessa que pouco sabes a esse respeito.

Grandes salas vazias - diz a pedra,

mas lá não há lugar.

Belas, talvez, mas para além do gosto

dos teus pobres sentidos.

Podes conhecer-me mas nunca desfrutar-me

A minha superfície esta voltada para ti

mas o meu interior permanece de costas.

Bato a porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Não venho em busca de eterno asilo,

não sou infeliz

nem desabrigada,

o meu mundo é digno de regresso.

Entrarei e sairei de mãos vazias.

E como prova autentica da minha presença,

terei para exibir meras palavras

nas quais ninguém acreditará.

Não entrarás - diz a pedra.

Falta-te o sentido da partilha.

E nenhum outro sentido te substituirá o sentido da partilha.

Nem uma visão apurada e omnividente

te há-de valer sem o sentido da partilha.

Não entrarás, em ti esse sentido é mera concepção,

o gérmen, imaginação.

Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Não posso esperar dois mil séculos

para entrar sob o teu tecto.

- Se não acreditas em mim - diz a pedra -

vai ter com a folha, dir-te-á o mesmo.

Com a gota de água, o mesmo te dirá.

Por fim, pergunta a um cabelo da tua cabeça.

Estou prestes a soltar uma enorme gargalhada

mas não tenho o dom do riso.

Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.


- Não tenho porta - diz a pedra.



Poema de
Wislawa Szymborska

In “Alguns gostam de poesia: antologia” p.125-129

segunda-feira, abril 23, 2007

Um ano de esperanças e sonhos

.

Para mim os aniversários são sobretudo momentos de reflexão. Aproveito para olhar para trás e rever o que foi este blog. Será que as minhas expectativas foram goradas? Aquilo que eu disse que seria este blog, foi-o de facto? Há um ano atrás comecei o My Hopes and Dreams. Os meus motivos foram bastante egoístas, eram as minhas reflexões, as minhas ideias, a maneira como vejo o mundo. Na altura escrevi o seguinte:

Eu não acordei de repente a pensar, quero ser lida, quero passar uma mensagem ou quero alimentar o meu ego. Não é isso, eu não quero ser escritora, nem tenho talento e também já muito me convenci que não posso mudar o mundo.

Provavelmente só quero que as palavras deixem de rodopiar indefinidamente na minha cabeça e fiquem imóveis num écran… Isto dito assim até parece uma coisa séria, desiludam-se… na minha cabeça rodopiam muitas observações idiotas, muitas ironias e uma ou outra vez, há uma reflexão crítica e pertinente sobre a nossa sociedade (ainda que a maioria seja pouco reflectida e muito menos pertinente...)


Um ano depois e olhando para o que fui escrevendo, foi exactamente isso que aconteceu, muitas observações, ironias e uma outra vez uma reflexão mais ou menos pertinente sobre o mundo e a sociedade. Já a primeira frase, enfim… no fundo eu quero passar uma mensagem e acho que de alguma maneira posso mudar o mundo, se não fosse assim as minhas palavras ficariam só comigo. É triste e utópico, eu sei, mas por algum motivo este blog se chama “as minhas esperanças e sonhos”…

Mas é engraçado que nem tudo neste blog são utopias de quem quer mudar o mundo, existem análises muito duras e críticas da realidade, há aquilo que eu gosto de chamar angústia existencial com toda uma panóplia de poemas, músicas e fotos. E neste aspecto, o blog reflecte os altos e baixos da minha vida, de uma forma que eu não imaginei que acontecesse. Recordo os posts que eu gostei de escrever, os que saíram muito razoalvezinhos, os que geraram grandes discussões, os que me fizeram rir e os que não tendo sido escritos por mim, me tocaram de alguma forma.

O mais interessante deste ano que passou foi a surpresa. Eu nunca esperei que chegassem ao meu blog, perfeitos desconhecidos, que se tornaram comentadores e leitores frequentes. A sua presença traz um enriquecimento especial ao blog e a para mim tornaram-se figuras misteriosamente queridas e familiares.


Foi uma surpresa que outros blogs me linkassem e que achassem por bem referir os meus posts. Elogios como este, deixaram-me boquiaberta. Mas a maior surpresa foi um um ano de blogger, 250 posts, mais de 4000 visitas no contador. Podia ser um motivo de orgulho, mas sinto mais preocupação que alegria, porque não é fácil manter um nível mínimo de qualidade. E ao rever os posts mais antigos, senti essa perda de qualidade nos últimos 2 meses. Suponho que um blog, tal como a vida tenha altos e baixos, mas as boas memórias que acabei de escrever, são um incentivo para continuar e esperar por momentos mais inspiradores.

sexta-feira, abril 20, 2007

Novas oportunidades para quem?

.

A mais recente campanha do governo de José Sócrates, chega a ser ridícula ou então vivemos em países diferentes. Em Portugal existem 56 mil licenciados desempregados e valoriza-se a qualificação? Estamos a incentivar as pessoas a investir na sua qualificação, quando não existe uma política de emprego que valorize essa qualificação? Incutir falsas expectativas é muito feio… E como se sentem as pessoas licenciadas, que se viram obrigadas a aceitar empregos que nada têm a ver com a sua formação académica, perante esta campanha do governo?

Este cartaz do BE, parece mais em conformidade com o país onde eu vivo…




quarta-feira, abril 18, 2007

Uma boa notícia

.
Felizmente recebemos boas notícias. Não precisam de ser nossas, mas trazem um alento que nos contagia. É extremamente gratificante saber que há sonhos que se concretizam!

Neste post, quero desejar as maiores felicidades ao "Fio da Voz" e ao seu autor.
O livro deve sair nas próximas semanas e tem poemas tão bonitos, como este:

Morada

Não serei estrangeiro para nenhuma estrada
depois de atravessar
o limite onde tudo fica
depois de desaparecer na distância
do que nunca tinha visto.

Podem passar os séculos
sobre nebulosas de luz
e poderei esquecer o dorso
da terra suave que habito.





Nenhuma estrada me esquece
à sombra da sua rama.

Basta segui-las até à margem
onde vive o instante
e pisar as suas pedras
como se fossem minhas soberanas.


Joel Henriques

terça-feira, abril 17, 2007

"Gun control"??

.
Será que o massacre na universidade da Virgínia, vai levar a um debate sério sobre a questão da posse de armas nos EUA? Estima-se que anualmente nos EUA, mais de 10 mil pessoas sejam baleadas mortalmente. Mas ao que parece os problemas sociais internos não são uma prioridade. Afinal, preocupante, preocupante é o terrorismo. E porquê afrontar o poderoso lobbie ligado à indústria do armamento e a influente NRA - National Riffle Association?


Talvez seja o momento adequado para rever o excelente documentário “Bowling for Columbine”… Aqui fica um pequeno excerto:



E fica a minha curiosidade, será que o tema “Gun Control” vai regressar ao debate político nos EUA?

Adenda: A resposta à minha questão:

«With so much violence occurring inside institutions that are supposed to house no violence at all, the same question comes up over and over again, still with no answer: What is being done in the U.S. for gun control?

The same question was asked right after the Virginia Tech massacre, in an interview held by the White House in Washington, and the same vague answer was given by the White House spokesperson:

"We've had a consistent policy of ensuring that the Justice Department is enforcing all the gun laws that we have on the books, and making sure that they're prosecuted the fullest extent of the law."

An even more evasive response was given by the spokesperson when asked if there should be a federal age of restriction to buy guns -- recently a law was approved in Texas where there's basically no age restriction on who can buy guns. Basically it means that nothing will change in terms of gun control policy in the U.S., arguably the easiest country to legally buy a weapon in.


In America's recent history, it seems that the people are more worried about gay marriage and immigration laws -- both attracted massive demonstrations with thousands of people in major American cities -- than with the safety of their families. For the 24 shootings that took place after Columbine, how many demonstrations took place and how many people went to them? How much coverage did they get in the news?»

domingo, abril 15, 2007

Mais tiques totalitários?

Além disso, o Governo australiano está a estudar o endurecimento das normas actuais quer para os trabalhadores estrangeiros quer para quem solicite asilo político no país, admitindo poder haver excepções por "considerações humanitárias", disse Howard à ABC.
.

"Creio que deveríamos ter exigências o mais restritivas possível à escala nacional", acrescentou Howard, informando que o ministro da Saúde, Tony Abbot, está a ultimar essa política.»

.

«A Austrália, um dos países com leis de imigração mais restritivas em todo o mundo, poderá vir a recusar asilo ou visto de imigração a portadores de HIV. A proposta é do primeiro-ministro John Howard, preocupado com o crescimento alarmante das taxas de infecção no país.
.

Howard sublinha que esta norma não seria muito diferente da que proíbe a concessão de visto a doentes com tuberculose, mas David Puls, responsável centro de apoio jurídico a doentes de sida do estado de Nova Gales do Sul lembrou que o HIV não é considerado uma ameaça à saúde pública, tanto mais que, ao contrário do bacilo da tuberculose, não se transmite por via aérea.»

In Publico online


Compara-se a SIDA à tuberculose, como se o processo de contágio fosse idêntico. Será que as campanhas de prevenção do HIV, são assim tão dispendiosas? Mas isto é uma questão de saúde pública ou de restrição à imigração?
.

Quando qualquer pretexto serve para discriminar, devemos começar a preocupar-nos…

sexta-feira, abril 13, 2007

Acontece… na Polónia

.

Na Polónia vão se sucedendo medidas que atentam contra os direitos humanos, em especial contra a liberdade de expressão. Instalou-se uma atmosfera de intolerância que penaliza quem não perfilha uma determinada ideologia ultra-conservadora e católica. Assim na Polónia, existe uma lei que obriga todos os titulares de cargos públicos, professores, juízes, advogados e jornalistas a declararem se alguma vez colaboraram com o anterior regime comunista, sob pena, caso não cumpram este "registo de interesses", de serem impedidos de exercer a sua profissão.


Os professores estão expressamente proibidos a fazer qualquer referência à homossexualidade nas aulas, correndo o risco de serem despedidos ou presos se admitirem ser homossexuais. A homossexualidade é considerada pelo governo, imoral e contra-natura, daí a perseguição de associações de apoio aos direitos gay e a recente invasão de algumas delas por supostas ligações com pedofilia e pornografia infantil.


Imoral é também o divórcio e o aborto, mesmo em caso de violação ou de ameaça à saúde e vida da mulher. Ainda há bem pouco tempo, uma mulher que ficaria cega, caso levasse até ao fim a sua gravidez, foi impedida de proceder à interrupção voluntária dessa gravidez. Já a pena de morte não apresenta nada imoral, e todos os esforços estão a ser feitos para que seja introduzida no país.

Legenda: Os gémeos Kaczynski, respectivamente Primeiro-Ministro e Presidente da República da Polónia, brilhantes responsáveis pela "limpeza moral do país"

Os discursos anti-católicos são acerrimamente condenados, até porque se discute a consagração de Jesus Cristo como rei eterno da Polónia. Laicidade do Estado para quê? Porque não Buda, a rei eterno da Polónia? Maomé, não? Desculpem sair do registo sério, mas esta medida é tão eminentemente gozável, que eu não resisti…


Tudo isto é feito perante a passividade da União Europeia. Como o tema tem sido ignorado pela imprensa portuguesa, aconselho uma visita ao Devaneios Desintéricos, que tem imensos posts sobre o assunto. Basta clicar na tag Polónia. No Altermundo também encontram uma excelente síntese desta questão.


É precisamente do Devaneios, que parte uma iniciativa que eu aplaudo e passo a apoiar, trata-se de fazer chegar ao embaixador da Polónia o seguinte protesto, manifestando a nossa discordância com tudo o que tem acontecido naquele país:


"Exmo Sr Embaixador da Polónia,


Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos.


As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.


Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."


A enviar para o seguinte endereço de email: politica.embpol@mail.telepac.pt.
.
Se não podemos impedir, podemos pelo menos demonstrar indignação.
.

quarta-feira, abril 11, 2007

"Era tão bom dormir!"




Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.


Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.


Falem pouco, devagar.

Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.



O que quis? Tenho as mãos vazias,


Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.


O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.


O que vivi? Era tão bom dormir!





Poema de Álvaro de Campos

sábado, abril 07, 2007

Para quem tem dúvidas sobre a imigração

.
Uma semana depois do cartaz xenófobo colocado no Marquês de Pombal, o Diário Económico revelou que os imigrantes que trabalham em Portugal contribuem 7% para a riqueza nacional, o equivalente a uma Portugal Telecom por ano ou a cinco Auto-Europas, ou seja, cerca de 11 mil milhões de euros. Isto apesar da exploração a que estão sujeitos, das dificuldades em obter a legalização, e da recusa dos bancos em fornecer empréstimos os imigrantes para compra de casa.

Segundo notícia do Diário Económico, os imigrantes em Portugal contribuem para 7% do PIB. Eduardo de Sousa Ferreira, professor catedrático do ISEG, explica que, apesar de só existirem dados concretos até 2005 que «apontavam para um contributo de 5% a 6%, mas a partir daí pode considerar-se os 7%, até porque os imigrantes ocupam agora funções mais qualificadas». O especialista lamenta no entanto a falta de informação causada pela ilegalidade em que muitos dos imigrantes permanecem.


Cartoon de Mike Keefe

Maria Lucinda Fonseca, investigadora do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, sustenta que os imigrantes, que deverão atingir o meio milhão este ano, «têm uma taxa de actividade mais elevada do que a restante população activa portuguesa, em parte devido à sua estrutura etária». A investigadora especifica que «os imigrantes representam actualmente cerca de 9% a 10% da população activa nacional apesar de serem menos de 5% da população portuguesa». Este facto determina que os imigrantes contribuam mais do que aquilo que beneficiam em termos de segurança social, pois apenas 2,5% dos pensionistas são imigrantes.


Também o contributo dos imigrantes enquanto consumidores tem permitido alimentar a procura interna, "indicador que até 2006 foi fundamental para sustentar o crescimento económico. Helena Rato, directora do departamento de investigação do Instituto Nacional de Administração, lamenta no entanto o facto de os imigrantes não poderem comprar casa, devido à atitude dos bancos que "temem incumprimentos nos empréstimos". A directora classifica essa atitude de "irracional" já que "a casa fica sob hipoteca", acrescentando que "a residência fixa é um requisito para a legalização". De facto são dezenas de milhares os imigrantes que não estão legalizados, ficando assim à mercê da exploração fácil e sem direitos sociais fundamentais.

sexta-feira, abril 06, 2007

Os marinheiros britânicos

.

Cartoon de Petar Pismestrovic

CagleCartoons.com


terça-feira, abril 03, 2007

Falta de preparação

.
Não estamos preparados para nada:
certamente que não para viver
Dentro da vida vamos escolher
O erro certo ou a certeza errada

Que nos redime dessa magoada
Agitação do amor em que prazer
Nem sempre é o que fica de querer
Ser o amador e a coisa amada?

Porque ninguém nos salva de não ser
Também de ser já nada nos resgata
Não estamos preparados para o nada:
Certamente que não para morrer

Gastão Cruz



In: A moeda do tempo, p.26.

Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 02, 2007

Devidamente visado pela Comissão de Censura

.
Eu sei que ainda há poucos dias, fiz referência ao Gato Fedorento. Mas tenho que o fazer de novo, o programa é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa, e diria mais, na sociedade portuguesa. Com uma carga irónica, deliciosa, foi uma bofetada de luva branca nos saudosistas do Estado Novo.
Desde o carimbo visado pela censura no canto do écran, à adaptação “fedorenta” do célebre “Portugal Ressuscitado”, magnificamente interpretado por um Fernando Tordo, visivelmente emocionado. Genial, como sempre!! Um motivo de orgulho, sem carga irónica…

Mas pelos vistos, não fui só eu que achei o programa inspirador. O blog “O Bico de Gás” resolveu agradar aos salazaristas mais saudosos e foi revisto pela comissão de censura. Devidamente carimbado. Eu achei a ideia óptima e como também gosto de agradar… Cá está o carimbo. Este blog foi devidamente visado pela censura. Ironicamente…

Será que a moda pega? Quem apreciou a ironia, esteja à vontade para surripiar o carimbo… ;))

sábado, março 31, 2007

Mais um motivo de orgulho

«Entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2005 , os gabinetes governamentais movimentaram, em "práticas sistemáticas e anómalas", e muitas vezes "sem a mínima contrapartida", verbas quase quatro vezes superiores ao custo previsto para o novo aeroporto da Ota, que é de 3,1 mil milhões de euros. (...) Segundo uma "auditoria aos gabinetes governamentais" ontem revelada pelo Tribunal de Contas, e que abrangeu os governos de Durão Barroso, Santana Lopes e o primeiro ano do actual governo de José Sócrates, "as despesas [dos gabinetes governamentais] com transferências correntes totalizaram 12,5 mil milhões de euros ". »



É bom saber que os mesmos governos que têm exigido sacrifícios aos portugueses, em nome do défice, são os protagonistas destas notícias. São os mesmos que fazem dos funcionários públicos bodes expiatórios, congelando carreiras e ingressos, que efectuaram centenas de nomeações generosamente remuneradas. Se as nomeações publicadas em Diário da República já são um escândalo, quando o comum dos mortais presta provas e vai a entrevistas antes de ser seleccionado para um lugar. Maior é o escândalo quando ficamos a saber, que a maior parte destas nomeações, nem sequer foram publicadas em Diário da República:


«Uma trapalhada. A primeira auditoria realizada pelo Tribunal de Contas (TC) aos gabinetes ministeriais e dos primeiros-ministros dos últimos três governos revela falta de transparência nos processos de admissão, total discricionaridade na tabela salarial e mesmo situações ilegais.

Entre as críticas apontadas, relativas a uma análise do período entre 2003 e 2005, está “a opacidade do teor e conteúdo de múltiplos despachos de recrutamento de pessoal dos gabinetes (...) e até da sua não publicação no Diário da República”. Por outro lado, o TC constatou também que o número de colaboradores recrutados para apoio aos gabinetes, durante o triénio, “não obedeceu a quaisquer limites” e que a sua selecção “nem sempre” assentou em critérios “claros e objectivos”. No mesmo sentido, lê-se no relatório, “observaram-se as mais díspares remunerações para funções idênticas”.

O Governo de Sócrates é o que sai melhor do retrato, apresentando cerca de 36,5 milhões de euros de despesas com pessoal, bens e serviços, contra 36,7 do Governo de Santana Lopes, e 77 milhões de euros do executivo de Durão Barroso. Mesmo tendo em conta que o período analisado em que Barroso foi primeiro-ministro é cerca do dobro do dos seus sucessores, o estudo indica uma contracção da despesa em 2005. Por outro lado, no entanto, o relatório indicia que o Governo de José Sócrates terá sido aquele que mais admissões permitiu e que mais recorreu a formas pouco transparentes no processo de recrutamento. Numa amostra de 30 gabinetes analisados com mais pormenor, verificaram-se 484 admissões, sendo que, de entre estas, 74 foram de especialistas.»


.
Lá por não ser uma surpresa, não deixa de ser lamentável. Exige-se seriedade política!!
Ou pelo menos os portugueses deviam exigir, em vez de clamar por Salazares... talvez fosse melhor ideia!

terça-feira, março 27, 2007

Terrenos pantanosos, lodos e aluviões

.

A propósito da OTA, diz que é uma espécie de um lodaçal!!



Gato Fedorento de 25/03/2007