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quinta-feira, março 19, 2009

Coisas difíceis de engolir


O que seria de esperar de um líder religioso que se desloca ao continente Africano? Devia mencionar os problemas da fome, da pobreza, da exploração de uma globalização desigual, da necessidade dos países mais ricos se responsabilizarem por esse facto. Não seria certamente aniquilar a campanha contra a SIDA, cujo meio mais eficaz é de facto o incentivo ao uso do preservativo. Mas foi exactamente o que o Papa não fez. Numa atitude perfeitamente irresponsável, prejudicando o trabalho de milhares de pessoas realmente preocupadas com a vida das populações, vem re-afirmar a não utilização do preservativo e a sua ineficácia no combate à SIDA. O que interessa se quem lhe der ouvidos, acabar contaminado e morto?

Felizmente há quem de facto, não lhe dê ouvidos e aplique umas boas bofetadas de luva branca, que só pecam por não serem internacionalmente unânimes:

«O Ministério da Saúde espanhol revelou hoje que vai enviar mais de um milhão de preservativos para África num esforço de combater a propagação do vírus do HIV-SIDA e para fomentar a prevenção da doença.»

Há coisas dificieis de engolir, não há? Facto bem ilustrado no genial cartoon do Pedro Vieira, que eu gentilmente surripiei do Arrastão...


sábado, dezembro 01, 2007

Dia mundial da Luta contra a Sida


É importante lembrar, até porque os números não mentem...

domingo, abril 15, 2007

Mais tiques totalitários?

Além disso, o Governo australiano está a estudar o endurecimento das normas actuais quer para os trabalhadores estrangeiros quer para quem solicite asilo político no país, admitindo poder haver excepções por "considerações humanitárias", disse Howard à ABC.
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"Creio que deveríamos ter exigências o mais restritivas possível à escala nacional", acrescentou Howard, informando que o ministro da Saúde, Tony Abbot, está a ultimar essa política.»

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«A Austrália, um dos países com leis de imigração mais restritivas em todo o mundo, poderá vir a recusar asilo ou visto de imigração a portadores de HIV. A proposta é do primeiro-ministro John Howard, preocupado com o crescimento alarmante das taxas de infecção no país.
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Howard sublinha que esta norma não seria muito diferente da que proíbe a concessão de visto a doentes com tuberculose, mas David Puls, responsável centro de apoio jurídico a doentes de sida do estado de Nova Gales do Sul lembrou que o HIV não é considerado uma ameaça à saúde pública, tanto mais que, ao contrário do bacilo da tuberculose, não se transmite por via aérea.»

In Publico online


Compara-se a SIDA à tuberculose, como se o processo de contágio fosse idêntico. Será que as campanhas de prevenção do HIV, são assim tão dispendiosas? Mas isto é uma questão de saúde pública ou de restrição à imigração?
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Quando qualquer pretexto serve para discriminar, devemos começar a preocupar-nos…

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia Mundial da Luta contra a Sida

World AIDS Campaign PSA


A propósito de SIDA, este testemunho tocante e dramático, publicado hoje no DN:
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«Não sabe de quando data a infecção. Só sabe que quando há cinco anos mais os tais quatro meses estava de férias no Alentejo come-çou com febres altas que não passavam. Foi ao hospital, fizeram-lhe análises e mandaram-na tomar aspirina e consultar o médico de família. Resolveu antes "ir para a terra", a ver se a mudança de ares funcionava. "Encontrei lá um doutor amigo e ele examinou-me, apalpou-me debaixo dos braços e nas virilhas e escreveu uma carta à minha médica de família. Disse-me: 'Espero que não seja o que eu estou a pensar'."
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Era. "A médica disse que era preciso fazer análises a tudo e perguntou-me se não me importava de fazer as do HIV também. E acusou. Depois disse-me que ficou um fim-de-semana inteiro às voltas sem saber como me dizer. Quando finalmente me deu a notícia fiquei em choque. Até que ela disse: 'Está a olhar para mim e não diz nada?' Aí desatei num pranto."A seguir, mandou chamar o marido. "Só lhe disse: estragaste a tua vida e a da tua mulher. E ele: 'O que é que eu fiz? É impossível."
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O rosto de Ana segura-se na dureza para não derrapar. "Vê bem com quem andaste", respondi-lhe. Sabe que ele nunca me pediu perdão? Nunca directamente. Até negou, nos primeiros dias. Depois já não dizia que sim nem que não. Não aceita conversação sobre isso." Suspira. O seu grande anseio, confessa, é que o marido fosse franco com ela." Mas não consegue olhar para mim cara a cara.
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(...) "Ele foi infiel muitas vezes e eu sabia. Temos uma intuição, não é? Naqueles dias em que ele nem me deixava dar-lhe um beijo, rejeitava-me, percebia logo que se passava alguma coisa. E no início, depois de ter o meu primeiro filho, ele saiu de casa durante um mês. Tive um esgotamento nervoso, fiquei toda partida por dentro. Uma vizinha viu-me naquele estado e disse-me: 'Quando ele voltar, nunca lhe pergunte por onde ele andou. Dói muito, mas tem de ser'.
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"Tinha de ser? "Nunca pensei que fosse possível fazê-lo mudar, confrontá-lo. Entreguei-me menina a ele, com 19 anos. Nunca tive outro homem. Nem sei se queria ter tido, o amor por ele é muito grande." Ainda? "Ainda." E ele, ama-a? "A mim não me diz, nunca. Mas diz a outras pessoas que é a coisa que mais adora." Suspira, faz silêncio. "Às vezes acho que não, que está comigo porque precisa de mim."
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Um longo caminho a percorrer na luta contra a SIDA e um longo caminho a percorrer pelas mulheres na luta pelos seus direitos e pela sua dignidade...