segunda-feira, novembro 28, 2011
terça-feira, setembro 09, 2008
Afinal a injustiça mata mesmo...
A edição portuguesa do "Le Monde Diplomatique" tem um artigo muito interessante sobre as conclusões do Relatório da OMS. Passo a transcrever alguns excertos do artigo e deixo o link para as conclusões da OMS:(...) Este documento de 256 páginas lê-se, no fundo, como um requisitório contra as políticas económicas exortadas pelas instituições financeiras internacionais e levadas à prática em numerosos países. Nele faz-se, nomeadamente, a recomendação de se «lutar contra as desigualdades na distribuição do poder, do dinheiro e dos recursos, ou seja, dos factores estruturais de que dependem as condições de vida quotidiana aos níveis mundial, nacional e local».
Ligando saúde e trabalho, os membros da Comissão distanciam-se em particular das preconizações liberais da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): «O pleno emprego, a equidade em matéria de emprego e condições de trabalho decentes devem ser objectivos comuns das instituições internacionais e devem situar-se no centro das políticas e estratégias de desenvolvimento nacionais, devendo os trabalhadores estar mais bem representados aquando da elaboração das políticas, da legislação e dos programas que incidam sobre o emprego e o trabalho». Com efeito, «um trabalho seguro, sem perigo e correctamente remunerado» reduz os factores de risco. Tal como um emprego estável, uma vez que «a mortalidade é sensivelmente mais elevada entre os trabalhadores temporários do que entre os trabalhadores permanentes».
O relatório da OMS recomenda que, para sanar as desigualdades em matéria de saúde e as disparidades nas condições de vida quotidianas, seja instaurada «uma protecção social universal generosa» – funcionando de preferência «por redistribuição» –, bem como investimentos significativos no sector da saúde. Uma tal construção «exige um sector público poderoso, determinado, capaz e suficientemente financiado».
Numa altura em que os governos dos países capitalistas avançados delegam no sector mercantil uma parte cada vez mais importante das actividades de saúde e transferem para as seguradoras privadas segmentos inteiros da cobertura na doença, os autores do estudo recordam que «a saúde não é um bem negociável». O provimento dos bens sociais essenciais, como o acesso à água e aos cuidados de saúde, «deve ser gerido pelo sector público e não pela lei do mercado».
Parece óbvio, mas pelos vistos não é... Talvez pareça mais óbvio se forem os investigadores da OMS a dizê-lo. Nunca é demais falar das consequências da injustiça social, pode ser que um dia os avisos não caíam em saco roto...
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Descritores: Desigualdade, Inclusão Social, Saúde
quinta-feira, junho 21, 2007
Tão revolucionários que eles são…
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O movimento Compromisso Portugal lançou ontem o livro “Revolucionários”, com as propostas apresentadas na sua convenção o ano passado, para mudar o modelo sócio-económico. Recordo que estes senhores são "reputados empresários e gestores" e propõem o fim do Estado providência, passando as situações de de invalidez, desemprego, doença e outras situações semelhantes a serem abrangidas por subsistemas privados, baseados em seguros individuais a serem pagos conjuntamente por patrões e trabalhadores. Defendem ainda a redução de 150 mil a 200 mil funcionários públicos, o congelamento de salários e de progressões na carreira, uma maior flexibilização da legislação laboral e outras medidas mais específicas, como a presença de um gestor em cada tribunal.
Em entrevista ao Jornal 2, António Carrapatoso, esclareceu que o conceito igualitário se encontra obsoleto, e que o Estado se deve preocupar apenas em promover o acesso à educação, e existindo essa oportunidade o mérito garantirá o sucesso. Não tendo o Estado que gastar parte do orçamento, em subsídios sociais tão mal aplicados. Os burrinhos preguiçosos que não têm mérito, não têm direito a ajuda social, é dinheiro mal gasto, depreendo eu.
Este conceito de associar mérito/sucesso financeiro/bem-estar social, dá-me sinceramente vontade de rir. Numa sociedade de oportunidades desiguais, em que quem nasce com carências sócio-económicas está excluído à partida, por muito mérito que tenha. Não me falem de sucesso de quem tem mais mérito, numa sociedade de jogos de influência que beneficia, não o mais competente, mas o conformista, bajulador melhor relacionado. Quem me pode garantir que uma sociedade que discrimina raça, género e orientação sexual, premeia o mérito individual?
E o mais interessante é que a cultura do mérito, que torna obsoleta a ideia igualitária e o Estado Social, é vendida pelo Compromisso Portugal, como uma ideia revolucionária. Revolucionário seria termos um modelo social capaz de promover a inclusão, minorando as desigualdades, olhando para todos, alcançando uma prosperidade económica que pode e deve servir a todos. A injustiça social nunca poderá ser, na minha opinião, algo de aceitável ou de natural. No dia em que o progresso social, não passe pela fraternidade e a solidariedade, estaremos numa sociedade desumanizada, que se limita a premiar o mais forte. Parece-me que é já essa a realidade que temos, há muito tempo e de revolucionária não tem nada…
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Descritores: Desigualdade, Inclusão Social, Sociedade
segunda-feira, maio 14, 2007
10 mitos sobre a pobreza
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Las 10 falacias sobre la pobreza
1- La negación o minimización de la pobreza (no es tan importante como lo cuentan)
2- La falacia de la paciencia. (Los pobres deben esperar el crecimiento económico para recibir los beneficios que hoy disfrutan las elites)
3- Con el crecimiento económico basta (no es necesaria una política de Estado. El crecimiento por si mismo se ocupará de hacer llegar los beneficios a los menos favorecidos)
4- La desigualdad es un hecho de la naturaleza y no afecta el crecimiento económico.
5- La desvaloración de las políticas sociales. (La única política social es la política económica. En su momento el Mercado resolverá todos los problemas)
6- La maniqueización del Estado. (El Estado es ineficiente, corrupto e incapaz de llevar adelante ninguna política)
7- La incredulidad frente a las acciones de la sociedad civil. (las organizaciones sociales son un mundo de segunda en comparación con el "mundo de las soluciones importantes")
8- La participación, si, pero... (A pesar de que se proclama la importancia de la participación popular en los temas públicos, la realidad demuestra que muy pocas veces los caminos de la participación están allanados)
9- La elusión ética. (La ética no tienen nada que ver con la economía)
10- No hay alternativa. (las medidas que se toman son las únicas posibles, las otras propuestas no son serias)
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Descritores: Inclusão Social, Pobreza, Sociedade
domingo, dezembro 03, 2006
Democracia, conhecimento e estupidificação
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«As ditaduras opõem-se ao progresso do conhecimento em geral e ao das ciências humanas
Porque continua a haver um certo divorcio entre conhecimento e democracia e, mais especificamente entre, conhecimento da democracia e prática democrática. (…) Um diagnóstico sumário é bastante para pôr em evidência o divórcio parcial, ainda existente no nosso país, entre conhecimento e democracia:
A ausência de um espaço de transmissão horizontal e vertical de conhecimentos no campo social. Horizontalmente, traduz-se pela falta de canais de comunicação entre os membros de uma comunidade científica, por exemplo. Verticalmente pela falta de mediações entre camadas sociais que permitam que o conhecimento especializado seja filtrado, traduzido em termos simples («vulgarizado»), transmitido e sedimentado na cultura «geral» popular. Por várias razões, esse espaço não existe em Portugal.»
Será que 40 anos de ditadura se inscreveram de forma tão dura na mentalidade portuguesa, que ainda hoje não sabemos discutir, trocar ideias, pensar livremente. Por isso somos tão conformistas, nunca estamos bem, vamos andando e isso é o natural. Vamos aceitando o que nos impingem, não nos permitimos querer mais, querer alguma coisa diferente, melhor?
Estupidificamos? Não temos acesso ao conhecimento, porque não há um espaço de mediação, em que o conhecimento seja filtrado, isto é, que se torne acessível ao comum dos mortais. O que se passa é que existe uma camada social da população que está excluida socialmente à partida e que não reune as ferramentas cognitivas para lutar contra a estupidificação.
A mim pessoalmente preocupam-me estas vítimas de um processo de inclusão socio-cultural que nunca foi feito. Podemos questionar se existirá vontade política para encetar esse processo de inclusão... Até aí, continuaremos a estupidificar, mas não há problema, vamos andando…
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Descritores: Inclusão Social, Info-exclusão, Sociedade, Totalitarismo



