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quinta-feira, dezembro 24, 2009

Feliz Natal!

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.




Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

terça-feira, dezembro 23, 2008

Feliz NATAL!!!

NATAL NA ALMA


Nem uma estrela
Nem uma estrada
Nem quem se atreva
Nem quem se atarde
a abrir as portas
da sua casa
A esta hora
só emboscadas

Nem uma vela
nem uma trave
A chuva geme
o vento estala
Quem nos acode
E Jesus nasce
a esta hora
mas embuçado


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Nem uma prece
Nem uma praga
Ao menos era
melhor que nada


David Mourão-Ferreira

quarta-feira, dezembro 26, 2007

A Lista de Bush


Cartoon de Daryl Cagle

In "Today's best cartoons"

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal a todos!

Natal à beira-rio


É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...




Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.

E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira


domingo, dezembro 23, 2007

Crónicas Natalícias

«A crónica natalícia moralista costuma apresentar duas ou três críticas recorrentes. Uma diz respeito ao consumismo acéfalo das pessoas. (...) O consumismo acéfalo dos outros é repugnante, sobretudo na medida em que me impede de praticar o meu. Milhares de pessoas embrenhadas no seu consumismo acéfalo, dificultam-me a tarefa de consumir acefalamente, que é extremamente retemperadora para da alma, o que raras vezes se admite.

Outra crítica: a vontade artificial de sermos bondosos, que é tão hipócrita porque dura apenas uma semana e desaparece o resto do ano. A verdade é que a preocupação dos cronistas com a hipocrisia é igualmente hipócrita, porque também dura apenas uma semana e desaparece no resto do ano.»


Ricardo Araújo Pereira, “O fantasma do Natal analisado” in Visão de 20/12/2007


Mas, mas... eu ia escrever um post natalício moralista, que chatice... Mas eu até não consumo muito acefalamente, talvez um bocadinho vá... E quanto à hipocrisia, eu armo-me em moralista o ano todo, não é só durante uma semana. Ah pois, aí é que a carapuça não serve... Por isso vou postar um cartoon extremamente moralista. E mais, vou deixar um link para o post natalício moralista que escrevi o ano passado!


Cartoon de Plantu

quarta-feira, dezembro 20, 2006

"It’s the season to be jolly, falala,la,la,la..."

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Será que o Natal é mesmo sinónimo de alegria? Salvo raras excepções, não vejo sorrisos nos rostos das pessoas. O Natal está de tal forma associado ao materialismo, que só vem lembrar-nos do que não temos e que socialmente deveríamos ter. A sociedade consumista associa a felicidade, a uma panóplia de bens que é suposto termos, independentemente do facto de necessitarmos deles ou não.

E o que acontece às pessoas que não têm essa panóplia de bens, não se sentem inferiorizadas, esmagadas por uma realidade que os ultrapassa? Neste sentido o Natal esta a incutir alegria ou complexo de inferioridade? E o que dizer das caras sorridentes das pessoas que esperam e desesperam nas intermináveis filas de transito, junto aos centros comerciais? Alegria estampada também, na cara das super-donas de casa que passam o fim-de-semana natalício a cozinhar para 20 e tal pessoas, metade das quais nem queriam lá em casa...

Até o próprio conceito de passar o natal em família, é doloroso para as pessoas que por qualquer motivo se encontram sós. O imperativo social do Natal em família, não é psicologicamente tormentoso para quem tem de enfrentar a solidão? Para estas pessoas, o Natal acaba por ser uma quadra muito infeliz.

Esta análise pode dar a entender que não há um resquício de espírito natalício em mim. Não é verdade, eu gosto do Natal, não gosto é do que a nossa sociedade fez ao Natal. Gosto de ver um sorriso na cara das pessoas, quando se sentem felizes e agradecidas porque se lembraram delas. Dar é bom, é gratificante. Quando esquecemos estes sorrisos e a oferta é só uma hipocrisia ou uma troca de favores, não é Natal.

Eu quero um Natal diferente, o Natal dos pequenos gestos que façam as pessoas felizes!!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Avalanche publicitária natalícia

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Cartoon de Plantu