Mostrar mensagens com a etiqueta TV. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TV. Mostrar todas as mensagens

sábado, setembro 15, 2007

A Polónia na televisão pública

Ontem pela primeira vez na televisão pública, vi uma reportagem sobre a situação política que se vive na Polónia. A reportagem da Sandra Felgueiras no programa “AVENIDA EUROPA” foi muito interessante, para grande surpresa minha (confesso que não sou grande fã do trabalho dela). Foram abordadas questões como a lei da Lustração, a homofobia, a proibição do aborto mesmo em casos de violação ou de graves riscos para a saúde da mulher, a não aceitação da Carta Europeia dos Direitos humanos. Até o passado dos gémeos, enquanto jovens actores num filme chamado "O dwóch takich, co ukradli ksiezyc" de 1962, foi mostrado. Realmente o pormenor dos gémeos terem interpretado, dois meninos extremamente ambiciosos e egocêntricos que queriam roubar a lua, é no mínimo curioso…



Interessante foi também a forma atabalhoada como a Ministra dos negócios estrangeiros tenta explicar o inexplicável… «Os professores homossexuais não são discriminados, apenas são afastados os que tentam incutir nos alunos esses comportamentos», disse ela. Muito esclarecedor, acrescento eu... Na minha opinião, nesta reportagem só faltou mesmo ouvir a posição oficial da EU, perante tais atropelos à Carta Europeia dos direitos humanos.


Um aspecto muito positivo, foi a forma como os cidadãos polacos demonstraram o seu descontentamento com o actual governo, repudiando este tipo de política. Parecem dispostos a eleger um governo diferente, vamos ver…


Agora que os portugueses ficaram um bocadinho mais informados sobre o que se passa na Polónia, veremos como vão reagir a eventuais cedências do Eng. Sócrates ao executivo polaco só para aprovar o Tratado Constitucional. Eu por mim, estou bastante curiosa, até que ponto se desce, em nome da "real politik".

domingo, junho 17, 2007

"Gimme tha power"

.

Há coisas curiosas… A TVI tem usado como jingle de promoção do Europeu de sub 21, uma adaptação portuguesa da música “Gimme tha power” da banda mexicana Molotov. Não vou falar da questão dos direitos de autor, porque parto do principio que a TVI tenha pensado nisso. O que acho curioso, é a adaptação, não se utilizou o original.


Não queremos que os tugas se ponham a questionar o regime político, enquanto vêem a bola? Pobreza, desigualdade, corrupção, não há cá disso… “O povo unido jamais será vencido”? Molotov, levem a vossa mensagem revolucionária para outro lado. Fiquem com a letra, que nós aproveitamos o resto…

Não é justo, pois não? Tudo isto parece-me muito mal, por isso aqui fica o vídeo original dos Molotov e um excerto da letra.



(…) hay que arrancar el problema de raíz
y cambiar al gobierno de nuestro país.
a la gente que está en la burocracia,
a esa gente que le gustan las migajas.

(…) que nos guachan los puestos del gobierno
hay personas que se están enriqueciendo.
gente que vive en la pobreza,
nadie hace nada
porque a nadie le interesa.

dámele, dámele, dámele, dámele todo el poder


(…)que nos llevan por donde les conviene
y es nuestro sudor lo que los mantiene,
los mantiene comiendo pan caliente,
ese pan, ese pan de nuestra gente.

el pueblo unido jamás será vencido.

segunda-feira, abril 02, 2007

Devidamente visado pela Comissão de Censura

.
Eu sei que ainda há poucos dias, fiz referência ao Gato Fedorento. Mas tenho que o fazer de novo, o programa é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa, e diria mais, na sociedade portuguesa. Com uma carga irónica, deliciosa, foi uma bofetada de luva branca nos saudosistas do Estado Novo.
Desde o carimbo visado pela censura no canto do écran, à adaptação “fedorenta” do célebre “Portugal Ressuscitado”, magnificamente interpretado por um Fernando Tordo, visivelmente emocionado. Genial, como sempre!! Um motivo de orgulho, sem carga irónica…

Mas pelos vistos, não fui só eu que achei o programa inspirador. O blog “O Bico de Gás” resolveu agradar aos salazaristas mais saudosos e foi revisto pela comissão de censura. Devidamente carimbado. Eu achei a ideia óptima e como também gosto de agradar… Cá está o carimbo. Este blog foi devidamente visado pela censura. Ironicamente…

Será que a moda pega? Quem apreciou a ironia, esteja à vontade para surripiar o carimbo… ;))

segunda-feira, março 26, 2007

A Grandeza dos Portugueses?

.
Por várias vezes, estive prestes a pronunciar-me sobre o concurso “Grandes Portugueses” e não o fiz, porque discordo profundamente com os princípios fundamentais do programa. Parte-se do princípio que se podem comparar personalidades de épocas históricas e mentalidades tão diferentes. Parte-se do princípio que há domínios do saber melhores que outros, ou qualidades melhores que outras. Parte-se do princípio que existem Super-heróis e não seres humanos, com qualidades e defeitos, inseridos num determinado contexto histórico.


Na minha opinião, não é intelectualmente honesto. A isto acresce, o associar uma personalidade actual à personagem histórica, o que acarreta simpatias e antipatias e deturpa ainda mais a visão da realidade. Por isso não votei, não assisti ao debate e limitei-me a ver alguns documentários. Mas não pude deixar de assistir aos resultados da votação. Quem é afinal o Grande Português?

Os portugueses que participaram na votação do concurso da RTP elegeram Salazar como vencedor. Confesso que não fico surpreendida. Parece-me o resultado de anos de maus governos, de políticas incompetentes e de elites políticas que descredibilizaram a própria democracia. A reacção é um voto de protesto, contra a forma como se tem vindo a fazer política. Os portugueses que votaram, são os portugueses que se debatem com a pobreza, o desemprego, a inflação, o agravamento das desigualdades sociais, a precaridade, a insegurança. Só a vivência dramática diária com estes problemas, pode explicar que os portugueses se tenham esquecido dos assassinatos, das torturas, das prisões políticas, da censura, da humilhação das mulheres, da pobreza extrema, do analfabetismo e da baixa escolaridade que o Salazarismo lhes trouxe. É um sinal de alarme que os nossos políticos deviam saber interpretar.


O que eu lamento, enquanto defensora da democracia é que os portugueses prefiram olhar para o passado, em vez de olharem para o futuro. Tenho pena que se admire um regime autoritário e fascista e não se olhe para os resultados das democracias nórdicas, por exemplo. É triste que peçam uma ditadura, em vez de exigirem uma democracia melhor, mais solidária, que fomente a igualdade social e o bem-estar. Enfim, um regime político que fomente a felicidade de todos e não só de alguns.


Grandeza seria exigir mais e melhor democracia.


P.S. Um aspecto positivo a sublinhar, o 3º lugar de Aristides de Sousa Mendes, os portugueses valorizam o humanismo, a capacidade de defender o que está certo, mesmo quando isso significa o prejuízo do próprio. Aí reside a grandeza e quem sabe a esperança…