quinta-feira, setembro 14, 2006

"Poema"

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Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

António José Forte
in Poemas de amor e abandono, Coimbra-Castelo Branco, Alma Azul, 2002, p. 55

terça-feira, setembro 12, 2006

Burocracia



Cartoon de Quino

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro


Hoje não quero tecer grandes considerações sobre o problema do terrorismo e as consequências do que aconteceu no dia 11 de Setembro de 2001. Só me apetece lamentar as mortes que ocorreram nesse dia e as mortes que continuam a ocorrer, em nome desse dia.

sábado, setembro 09, 2006

"Loose Change": um documentário para reflectir

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Ontem à noite, passou na RTP 2, o documentário Loose Change. Para quem não viu ou não conhece, trata-se de um documentário que alega que o 11 de Setembro não partiu de um ataque terrorista, mas sim do próprio governo dos EUA. O documentário coloca uma série de questões, sobre as quais vale a pena reflectir. Sem querer ser exaustiva, vou dar só alguns exemplos de questões levantadas no filme:

No caso do ataque ao Pentágono, alega-se que era impossível ter sido provocado pelo Voo 77, quer pelo tamanho do buraco no edifício, quer pela ausência de destroços do avião. As características da explosão e os testemunhos parecem demonstrar que a explosão foi provocada por um míssil ou por um pequeno avião militar.

Relativamente às torres do World Trade Center, apresentam-se testemunhos e imagens que pretendem mostrar que as torres desmoronaram não pelo impacto dos aviões, mas por explosivos detonados dentro dos edifícios.

O voo 93 teria aterrado em segurança no aeroporto de Cleveland, uma vez que não há destroços do avião em Shanksville. Quanto às chamadas de telemóvel, teriam sido simuladas porque em 2001 era tecnicamente impossível efectuar chamadas de voos da American Airlines.

E perguntam vocês, tudo isto porquê? O filme mostra quem ganhou muito dinheiro com o 11 de Setembro, desde o dono do WTC, Larry Silverstein, que convenientemente fez uma apólice de seguro que contempla ataques terroristas, no valor de 7 biliões de dólares, às entidades/empresas privadas cujos processos de investigação criminal estavam num dos edifícios destruídos nos ataques.
Por fim, a cereja no topo do bolo, o realizador denuncia a forma como o 11 de Setembro se encaixa perfeitamente no Project for the New American Century, com citações do manifesto, Rebuilding America's Defenses, uma pérola neo-conservadora, da autoria de Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Jeb Bush, Paul Wolfowitz, e John R. Bolton. O grande argumento é que o 11 de Setembro foi o pretexto para concretizar o manifesto, nomeadamente a actuação militar no médio-oriente e controlo estratégico das reservas de petróleo do golfo pérsico.

O filme pode ser visto aqui e se quiserem saber mais, há um artigo na wikipédia sobre o assunto. Para terminar, não posso deixar de dizer que de vez em quando, até se faz serviço público. Apelar ao exercício da massa cinzenta é serviço público! Independentemente do documentário corresponder ou não à verdade, coloca as pessoas a pensarem criticamente e a verem a realidade de uma perspectiva diferente.

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quinta-feira, setembro 07, 2006

Da bronca do PCP com as FARC às microcausas

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Ao que parece vários blogs juntaram-se em torno da causa aqueles-sacanas-do-PCP-convidaram-as- FARC-para-a-festa-do avante-era-apanhá-los-a-todos. É bonito ver blogs ideologicamente ligados ao PS na mesma causa de blogs de extrema-direita. Momento enternecedor (pausa para lágrima...). Até a comunicação social destaca esta questão e refere o nome dos blogs em causa. Não deixa de ser curioso, que com tantas questões tratadas por vários blogs em simultâneo, é o ataque ao PCP que merece destaque nos jornais...
Atenção que eu não defendo o PCP nem a sua conivência com as FARC, se há movimento terrorista que eu abomino particularmente é esse, sobretudo por causa da Ingrid Bettencourt, que é uma figura política que eu admiro imenso. Por isso utilizo o termo bronca no título deste post e condeno vivamente a presença das FARC e a posição do PCP. O que eu questiono é o porquê do envolvimento em torno da questão vamos-todos-bater-no-PCP e não em torno de outras causas tão pertinentes como a luta contra o desemprego, contra a pena de morte, a favor da Amnistia Internacional ou da questão do Darfur, ou da extinção do lince da serra da Malcata e por aí fora...
A união dos vários blogs na crítica ao PCP, originou um debate muito interessante no blog Armadilha para ursos conformistas, em torno da questão das causas, e como a imagem sugere, vale a pena ler aqui.
E já que estamos a falar de microcausas, eu lembrei-me das seguintes (uma vez que as que eu já referi, não considero micro... bem, talvez a do lince... seja mais pró-micro que as outras). Como tal, neste blog, consideram-se microcausas a abraçar:
Defesa dos pequenos-blogs-esquecidos e ostracizados-que-têm-menos-de-15 leitores/ dia-isto-num-dia-bom
Campanha a favor dos trabalhadores precários-que-têm-que-levar-com-tudo-o-que-os-que-ganham-o-dobro-deles-e-nunca-vão-ter-que- trabalhar-a-recibo-verde-não-querem-fazer

Haverá mais, mas agora não me ocorre nenhuma... Vou deixar este post em aberto e vou acrescentando microcausas à medida que elas surjam nesta cabecinha iluminada...

Ah e já agora, não tentem fazer o jantar e escrever um post ao mesmo tempo, quem sai prejudicado é quem vai comer o jantar que fica intragável (no caso, eu...)

"When the Levees Broke"

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«No ano passado, o Festival de Veneza assistiu pela televisão à tragédia do furacão Katrina em Nova Orleães. Um ano depois, o Festival de Veneza viu, na secção paralela Horizonte, When The Levees Broke, o enorme (mais de quatro horas) documentário de Spike Lee sobre o Katrina e os seus efeitos em Nova Orleães, produzido pelo canal de televisão HBO.
(…) Spike Lee declarou, na antestreia do filme nos EUA, há poucos dias, que "o Katrina marcou para sempre a história dos EUA. Quis fazer qualquer coisa: dar voz a quem o viveu e ainda o vive, na própria pele, todos os dias. Não creio que o documentário seja classificável como um filme simplesmente político, acho acima de tudo que é um filme necessário". É certo que Lee não resiste aqui e ali a jogar a cartada racial, sobretudo quando dá voz a alguns habitantes negros de Nova Orleães que estão convencidos de que os diques foram dinamitados de propósito por "especuladores de terrenos" brancos, mas esta é apenas uma gota no oceano de depoimentos contidos em When the Levees Broke, que nunca desliza para o panfleto primário e imediato.
(…) Desta massa de depoimentos de cidadãos anónimos, figuras públicas, políticos e peritos, acaba por surgir um retrato claro, detalhado e impressionante de uma tremenda catástrofe natural que foi ajudada e agravada por uma sucessão de falhas, erros, descoordenações, burocracias, politiquices, incompetências e negligências. Começaram com as deficiências na construção dos diques que deviam proteger a cidade, erguidos por engenheiros do Exército dos EUA, e foram por aí acima, até à desastrada actuação da Administração do insondavelmente asinino George W. Bush, passando pelo descontrolo do presidente da câmara e do chefe de polícia de Nova Orleães, ambos negros e ferozmente criticados de todas as direcções, e pela criminosamente ineficaz Protecção Civil, liderada por um amigo do presidente especializado na "organização de eventos" e em cavalos árabes, em vez de catástrofes.
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In http://dn.sapo.pt/2006/09/02/artes/o_longo_lamento_spike_por_nova_orlea.html
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Fico ansiosamente à espera deste documentário de Spike Lee. Lendo a crítica parece-me que vale a pena ver...

quarta-feira, setembro 06, 2006

30 anos depois, um português ganha uma etapa na Vuelta

«Sérgio Paulinho obteve ontem o segundo êxito mais importante da sua carreira, depois da medalha de prata na prova de estrada nos Jogos Olímpicos de Atenas'2004: a vitória na décima etapa da Volta a Espanha. Um resultado que lhe possibilitou a subida de oito lugares, encontrando-se no 10.º lugar da geral.

O vice-campeão olímpico sucede a Joaquim Agostinho - que obteve três triunfos (dois em 1974 e um em 1976) - em vitórias portuguesas em etapas da Vuelta, registando-se ainda êxitos de João Lourenço (1946), de João Rebelo (1945), de Alves Barbosa (1961) e de José Sousa Cardoso (1959). »
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in http://dn.sapo.pt/2006/09/06/desporto/sergio_paulinho_vence_e_entra_top_te.html




terça-feira, setembro 05, 2006

domingo, setembro 03, 2006

Criacionismo e incentivo à ignorância

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Folgo em saber que a Igreja Católica discute a questão do criacionismo. Questão altamente pertinente! De facto, a paz, a fome no mundo, a solidariedade, o amor ao próximo são questões meramente secundárias. Discutir a contracepção, a posição das mulheres, a homossexualidade, enfim demonstrar um certo espírito de abertura, era pedir demais... O importante é chamar mentiroso ao Sr. Darwin, questionar o progresso científico e estupidificar os poucos crentes que ainda frequentam a igreja. Realmente, porquê falar de progresso e do séc. XXI, quando a idade média foi uma época tão bonita. Aquelas missas em latim... qual obscurantismo! Olha que bela ideia para um próximo concílio, o regresso da missa em latim...
Já estou a ver os papás católicos portugueses a exigirem que se retire o evolucionismo dos currículos das escolas, ou então não... Se calhar vão fazer, o que têm feito em relação à contracepção...
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P.S: A propósito desta questão, não podia deixar de colocar aqui este vídeo do Ricky Gervais... está demais!

Ricky - The Bible (animals)

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sábado, setembro 02, 2006

Fim de férias

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Não me apetecia voltar. Que bom foi estar uma semana sem saber de nada. As únicas coisas que existiam eram as dunas, o cheiro da vegetação, o sol, a praia e o mar. Depois era ficar ali a sentir o sol, a ouvir as ondas, como se naquele momento não existisse mais nada… desses dias deliciosos, só ficaram mesmo as fotografias. Deixem-me continuar a saboreá-las, deixem-me continuar nesta preguiça de fim de férias, naquele vazio de espírito… Não me peçam para reflectir, para criticar, nem para me informar, não me apetece… Talvez amanhã… até lá, fico a olhar melancolicamente para as fotografias que partilho convosco…

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Almograve, Costa Alentejana

quinta-feira, agosto 24, 2006

This blog is on standby...

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Até Breve!

Quantas?!

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1000

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É o número que marca o contador de visitas deste blog às 12:00 de 24/08/2006. Desde Abril, 1000 visitas... Claro que também contam as minhas visitas, mas ainda assim supera as minhas expectativas. A todos os que vieram a este blog, sorriram, criticaram, comentaram, riram, blasfemaram, zombaram, reflectiram, pensaram ou se comoveram… Aos que ficaram mais felizes ou infelizes, ou aos que ficaram exactamente iguais, muito obrigado por terem aparecido!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ainda não...

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Ainda não
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço de mais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar

ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem

ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer

ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer à frente de quem quer que desça

ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração

António José Forte

terça-feira, agosto 22, 2006

Ganda Hit de Verão...

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One Time Child - Ganza Na Areia


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Isto é imperdoável, eu aqui preocupada com a questão do Médio Oriente, quando houve um tipo que perdeu a ganza na areia... O drama, a tragédia, o horror! Lamento imenso, não ter divulgado antes esta questão intelectualmente pertinente... Ela tem sido divulgada na rádio desde o ínicio do verão e só agora lhe dou o destaque que ela merece. Podem chamar-me insensível, que eu mereço...
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Nota: Desculpem lá, mas este blog estava muito sério e a parvoíce tinha que vir ao de cima, mais cedo ou mais tarde...

segunda-feira, agosto 21, 2006

Quem ganhou com a guerra no Líbano?

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Muito se tem dito sobre vencedores e vencidos, mas para mim, de uma guerra, não sai ninguém vencedor. Parece-me evidente que este conflito veio radicalizar velhos ódios, destabilizando o já de si instável, médio oriente.
Israel viu todos os seus objectivos frustrados, nem o Hezbollah foi desmantelado, nem os soldados sequestrados foram libertados, nem os israelitas estão mais seguros no seu próprio território... Mais preocupante, são os derrotados desta guerra, as vítimas civis e os que sobrevivendo, se vêem sem infra-estruturas básicas que lhes permitam regressar à normalidade. É neste terreno que o Hezbollah se movimenta alegremente, cedendo apoio financeiro aos desalojados, estabelecendo estranhos laços de fidelização e chamando a si mais apoiantes.
Esta estratégia não é nova, os movimentos terroristas, actuam localmente colmatando as necessidades económicas e sociais das populações, que o poder político não consegue suprir. Veja-se como o Hamas, conseguiu ganhar as eleições com esta estratégia “sinistra e manipuladora”, mas pelos vistos eficaz.
É questão para perguntar quem vai desarmar um Hezbollah militarmente tão poderoso e com uma enorme plataforma de apoio junto dos libaneses (que não tinha antes, acrescente-se). O débil exercito libanês? A força da ONU, sobre a qual ninguém se entende? Quem?
Entretanto, a maioria dos políticos ocidentais continua convencida que é pela guerra que o terrorismo se combate. Quando o que torna as populações islâmicas sensíveis à ideologia fundamentalista e radical, são sobretudo as carências económicas, sociais e educacionais de que são vítimas (sobre esta questão, veja-se o meu post sobre o artigo de Fernando Belo…).
E com esta guerra, o que foi conseguido? Vítimas civis, vidas destruídas, manifestações requintadas de desrespeito pelos direitos humanos, uma ONU de mãos atadas, uma força internacional que ninguém quer dirigir… Ninguém ganhou, ninguém está mais seguro, nem os que perderam tudo, nem os ocidentais, que a milhas do médio oriente, foram apanhados na onda de pânico (paranóico ou não?) que varreu os aeroportos internacionais…
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domingo, agosto 20, 2006

Bidés, Merche Romero e 24 horas

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Quem disse que um bidé não dá um magnífico post?

O Bruno Nogueira no seu melhor...

Leiam aqui.

sábado, agosto 19, 2006

Já vos disseram que Sintra é linda?

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Parque de Monserrate

quinta-feira, agosto 17, 2006

"Rei invisível de tudo o que não é meu"

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Se me ponho a trabalhar
e escrevo ou desenho,
logo me sinto tão atrasado
no que devo a eternidade,
que começo a empurrar pra diante o tempo
e empurro-o, empurro-o à bruta
como empurra um atrasado,
até que cansado me julgo satisfeito;
e o efeito da fadiga
é muito igual à ilusão da satisfação !














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Em troca, se vou passear por aí
sou tão inteligente a ver tudo o que não é comigo,
compreendo tão bem o que não me diz respeito,
sinto-me tão chefe do que é fora de mim,
dou conselhos tão bíblicos aos aflitos
de uma aflição que não é minha,
dou-me tão perfeitamente conta do que
se passa fora das minhas muralhas
como sou cego ao ler-me ao espelho,
que, sinceramente não sei qual
seja melhor,
se estar sòzinho em casa a dar à manivela do mundo,
se ir por aí a ser o rei invisível de tudo o que não é meu.

José de Almada Negreiros

quarta-feira, agosto 16, 2006

Sentido de humor

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Calvin&Hobbes in Jornal "Público"

domingo, agosto 13, 2006

Chamas e mais chamas

À medida que saia de Lisboa e entrava no distrito de Santarém, sentia o intenso cheiro a queimado e olhava o fumo que cobria o horizonte. Os incêndios são um tema recorrente todos os verões, infelizmente. Porquê? A explicação do povo é bem simples, “os incendiários”, e eu pergunto quantos pirómanos há em Portugal por m2? Qual é a probabilidade de 1 em cada 10 portugueses virar pirómano? Não seria melhor, que as pessoas que falam à boca cheia dos incendiários olhassem para as suas próprias atitudes?
Porque é que não deixam de usar as matas como lixeira pública? Caso não saibam colchões, electrodomésticos e sofás são um bocadinho inflamáveis… isto para não falar dos vestígios de piqueniques e das beatas acesas atiradas das janelas dos automóveis.
Mas este é só um dos lados da questão. Onde está o chamado ordenamento florestal, sucessivamente prometido, por governo atrás de governo? Porque é que nunca foi esclarecida e investigada a fundo, a questão dos privados que enriquecem à custa dos incêndios?
Falo nisto, porque recordo uma reportagem da RTP há uns anos, que revelava as quantias astronómicas cobradas ao estado português por empresas privadas, pelo aluguer de meios aéreos de combate aos incêndios. Aliás essa reportagem, continha testemunhos muito interessantes de engenheiros florestais, que explicavam até que ponto a nossa floresta propiciava a propagação de incêndios, pela falta de planos de ordenamento florestal.
Em suma, nada foi feito. O que foi dito há 4 ou 6 anos, podia ser dito hoje… Entretanto a nossa floresta vai sendo tristemente consumida pelas chamas! Por quanto tempo, mais?

sábado, agosto 12, 2006

Erros desculpáveis e erros indesculpáveis

Quem diz que ler o Código do Procedimento Administrativo, não é um exercício interessante? Eu! Mas isso foi antes de chegar ao artigo 34º! A parte que fala sobre o que acontece à "vítima da administração pública", que apresente um requerimento ou reclamação, à entidade errada. Ora leiam lá, que todos nós somos possíveis vítimas da administração pública:


Artigo 34º - Apresentação de requerimento a órgão incompetente

1 - Quando o particular, por erro desculpável e dentro do prazo fixado, dirigir requerimento, petição, reclamação ou recurso a órgão incompetente, proceder-se-á da seguinte forma: a) Se o órgão competente pertencer ao mesmo ministério ou à mesma pessoa colectiva, o requerimento, petição, reclamação ou recurso ser-lhe-á oficiosamente remetido, de tal se notificando o particular; (etc... não interessa)
3 - Em caso de erro indesculpável, o requerimento, petição, reclamação ou recurso não será apreciado, de tal se notificando o particular em prazo não superior a quarenta e oito horas. 4 - Da qualificação do erro cabe reclamação e recurso nos termos gerais.

Isto é, o vosso pedido só é atendido, se o erro for desculpável. E perguntei, eu, qual é a diferença? Aqui está a anotação a explicar:

O erro deve considerar-se desculpável se, face às circunstancias concretas, uma pessoa de capacidade média pudesse, com um grau razoável de probabilidade, ter incorrido nele (…) Indesculpável é, por seu turno, o erro crasso (…) resultante da falta de diligência exigível a uma pessoa com o discernimento e a inteligência normais.

In Código do Procedimento Administrativo: Anotado / Diogo Freitas do Amaral et al. P.87


Portanto, antes de reclamarem com a administração pública, certifiquem-se que são pessoas de capacidade média, caso contrário, não há desculpa! Humm… Como é que eu provo que tenho um discernimento e a inteligência normais? Será que o funcionário me vai obrigar a fazer um teste ao QI?

sexta-feira, agosto 11, 2006

Este blog é interactivo

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Caros leitores, graças a esse grande blog de referência que é o Devaneios Desintéricos (a graxa descarada é para o Max não me chamar de copiona, ou macaquinha de imitação ou coisas piores...), eu descobri o meebo. E o que é o Meebo? É um serviço tipo messenger, que permite a quem estiver a ver o blog, entrar em contacto comigo, se eu estiver online.
Assim podem colocar questões ou fazer comentários em tempo real. Até podem dizer "your blog sucks!!" Mas se eu receber mais de 5 mensagens a dizer "your blog sucks!!", reservo-me no direito de encerrar o serviço... lol
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quinta-feira, agosto 10, 2006

Sobre o cessar-fogo: bem visto...

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O Conselho de Segurança da ONU não dedicou uma só palavra à Faixa de Gaza, onde decorre, vai para mês e meio, uma ofensiva israelita sem precedentes. O lugar do começo e do fim deste conflito não merece uma só linha.
(..) As pretensões americanas e francesas ficaram no papel - nem fim da guerra, nem Força Multinacional para concluir o que o Tsahal não consegue. Paris e Washington concordam que discordam e remetem o Líbano para mais tarde. Eis o que, naturalmente, não é aceitável para Beirute. Ainda por cima quando duas pequenas alterações podiam resolver o essencial:
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A primeira, definindo o "cessar das hostilidades" como obrigação das duas partes e não só do Hezzbollah. Não é preciso ser-se militar para compreender que se Israel apenas fica proibido de "operações militares ofensivas de grande amplitude", a fórmula deixa toda a "amplitude" para a continuação da guerra. Se for esta a formulação final da ONU, não cessa rigorosamente nada. Apenas desacredita ainda mais a instituição.
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A segunda exigência é mais difícil, mas não menos justa: o fim das hostilidades deve reconduzir Israel à sua fronteira, repor o papel de separador dos capacetes azuis, dando às FFAA libanesas, que se têm mantido fora do conflito a missão de se posicionarem na "terra de ninguém". Isto, enquanto se negoceia uma segunda resolução.
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A pretensão libanesa é realista. Na verdade, o Tsahal não criou qualquer "linha avançada" que possa reclamar. O que um dia declara "limpo" de milícias, no outro, "ressuscita" como plataforma de resistência e lançamento de roquetes. Ao fim de 27 dias de guerra, Israel quer obter na Secretaria até o que se revela incapaz de garantir no terreno...
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Tudo isto é muito estúpido. Estúpida é uma resolução que nada resolva; estúpida é uma guerra em nome de objectivos irrealizáveis; estúpido é, principalmente, o sofrimento provocado a libaneses e, em menor escala, a israelitas, quando é evidente que nenhuma solução militar resolveu alguma vez um conflito no Médio Oriente.
Sobre as "culpas" da estupidez, tenho as minhas opiniões. Mas estúpido seria invocá-las no momento em que a urgência é um real cessar-fogo...
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quarta-feira, agosto 09, 2006

Breves momentos

O brilho nas pedras do passeio. Pontos de luz tremem sobre a água fina que a noite, a chuva, deixou sobre as pedras. Eu caminho sobre a organização das pedras do passeio. Diante de mim, um manto de pontos de luz que se acendem e que se apagam. A sua vida é breve. A minha vida é breve. São pontos de luz que abrem caminhos para que avance. As minhas botas pousam entre esses pontos de luz a nascerem, a viverem durante um instante e a morrerem para sempre. Mil pontos de luz a morrerem em instantesdiferentes, em sítios diferentes, ignorando-se e fazendo parte da mesma ordem. Pelos muros do jardim, escorre uma camada fina de água, pele cristalina de cálice, água límpida como veneno. A repousar no topo do muro, a escorrer como uma avalanche suspensa, há plantas, folhas, ramos de árvores: braços verdes que pararam no momento em que se lançavam para agarrar alguém que, como eu, caminhava no passeio.

José Luís Peixoto, Lunar in "Antídoto" p.55.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Modernidade e terrorismo

No blogue Altermundo li este texto que me chamou a atenção e que vai ao encontro da minha opinião sobre o problema do terrorismo e do conflito no Médio Oriente:

"(...) só quando as sociedades árabes chegarem à modernidade é que poderá desaparecer o síndroma do 'choque das civilizações' (o qual só tem sentido do ponto de vista da impotência deles, da raiva que esta dá)...A contradição deste tipo de guerras é visível a qualquer espectador de telejornais, quer a mortandade absurda de gente civil, quer a destruição de estruturas civis de modernidade de todo o género que haverá em seguida que reconstruir, sabendo-se que os meios para tal faltam cruelmente. Isto é, estas guerras matam gente inocente, geram jovens com ódio e impedem a modernidade dos países que não podem contar ainda com gente suficientemente escolarizada. Enquanto a estratégia for de guerra, esta eternizar-se-á. A questão do fim da contradição do Médio Oriente pode colocar-se, em termos teóricos, da seguinte maneira, difícil, senão utópica: que Israel colabore decididamente na construção da modernidade palestiniana, crie uma rede de instituições e práticas de tal maneira forte que nenhuma das partes, capital e empregos, possa querer guerra. (...) Utopia hoje, é certo, mas estrita condição de possibilidade da paz. (...)"
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Fernando Belo, «Israel e a Lei da Guerra» in Público 7/08/2006
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Este texto chama a atenção para um factor fundamental para a questão do terrorismo. A deficiente escolarização da população, a falta de infra-estruturas básicas, de instituições que gerem capital e emprego, agravada pelo clima de violência, tendem a gerar um clima de insatisfação e de ódio, que em última instância levam ao apoio e incitamento do terrorismo. Não seria mais eficaz auxiliar os povos islâmicos a reunir condições socioeconómicas favoráveis ao desenvolvimento ou «à construção da modernidade»? Será que reunidas estas condições os terroristas teriam eco junto da população? Não estarão os ataques israelitas e a aniquilação destas estruturas básicas, a fomentar o ódio e o terrorismo, em vez de o combater?

domingo, agosto 06, 2006

Um presentinho para a Verónica

Damien rice "The blower 's daughter"


Ok, Verónica, a canção é linda. Mas a mim deixa-me incrivelmente melancólica, ora eu já estou suficientemente deprimida... portanto a escolha é perfeita! Vou ouvi-la outra vez.
Agora é que este blog já não se livra da fama de blog de gaja! As coisas que nós fazemos pelos amigos...

sexta-feira, agosto 04, 2006

A indiferença da comunidade internacional


Cartoon de Martin Rowson
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Por quanto tempo irá a comunidade internacional assistir impávida e serena ao agravamento do conflito no Líbano? A sinistra contagem dos danos colaterais revela 900 mortos libaneses , 68 mortos israelitas, 3 mil feridos e 913.760 deslocados. O Hezbollah não demonstra sinais de fraqueza e os ataques a Israel aumentam de intensidade. Onde está a eficácia da realpolitik ? Alguém acredita que esta guerra será o fim do Hezbollah? Cá para mim a realpolitik vai funcionar tão bem aqui, como está a funcionar no Iraque...

quinta-feira, agosto 03, 2006

Em tempo de guerra...

Soldier's poem

Throw it all away
Lets lose ourselves
Because there's no one left for us to blame
It's a shame we're all dying
And do you think you deserve your freedom?


How could you send us
So far away from home
When you know damn well that this is wrong
I will still lay down my life for you
And you think you deserve your freedom
No I don't think you do


There's no justice in the world
There's no justice in the world
And there never was


Muse
Black Holes and Revelations, 2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

A floresta


Gustav Klimt
Beeches, oil on canvas 1902