sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Relações que não devem ser feitas...

Desde sábado, que as imagens que nos chegam da Madeira nos têm chocado e provocado a nossa consternação e solidariedade. Mais uma catástrofe natural, consequência das alterações climáticas, facto a que ninguém parece ligar desde a Cimeira de Copenhaga. Cada vez é mais óbvio que se trata de uma relação, que não se pretende que as pessoas façam. No caso da Madeira, também se tem notado uma preocupação em evitar temas como o ordenamento do território e a existência de radares meteorológicos. Claro que não seria boa ideia que os cidadãos pensassem que os interesses económicos estão em primeiro lugar, colocando em causa as suas vidas e segurança.

Como não podia deixar de ser, Alberto João Jardim, tudo tem feito para que esta relação não seja perceptível, chegando a insultar os especialistas que se atreveram a apontar falhas no ordenamento do território e a inexistência de um radar meteorológico. Qualquer inquérito judicial é um ultraje! Qualquer leigo percebe que são factores menores. O importante mesmo é garantir que o turismo não seja afectado, que não se dramatize e se prejudique a imagem internacional da região. Se isto não é insultuoso para as vítimas e seus familiares e para as pessoas que perderam tudo, então não sei o que é. Nem as catástrofes mudam as pessoas... mas aparentemente mudam as relações entre as pessoas, o Sr. Silva afinal é um tipo porreiro e aquele fascista do continente é o melhor dos governantes. Hipocrisias à parte, espero que os governantes cumpram o que é da responsabilidade do Estado e se recordem do que é o bem público. Há um grande trabalho de apoio às populações e à reconstrução de infra-estruturas que terá de ser feito, sendo que só será eficaz se as instituições funcionarem e se organizarem.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Actos dispensáveis

Que este país tem profundos problemas estruturais, sistematicamente deixados por resolver por sucessivos governos e que culminaram numa grave crise económica e social, já todos sabemos e lamentamos. O que se dispensava era uma serie de encenações dramáticas, ameaças veladas, escândalos, fugas ao segredo de justiça e tentativas de manipulação da comunicação social. Já não bastava as agências de rating a embelezarem a imagem do país, colocando Portugal, Itália e Grécia num simpático acrónimo PIGS, precisam também os nossos políticos de demonstrar imbecilidade e desonestidade grosseira? Parece que todos se juntaram e estão divertidíssimos de pá na mão a enterrar o país. Enquanto se divertem, os portugueses tentam sobreviver no desemprego ou com um salário precário, vendo a vida cada vez mais difícil e os seus problemas longe de ser resolvidos. Ao mesmo tempo, outros apresentam os lucros magníficos que obtiveram no ano da recessão. A comunicação social diverte-se com escândalos e escutas, vitimiza-se, omitindo os problemas reais de uma crise social profunda. Esquece-se a comunicação social de referir, que grupos económicos a sustentam e alimentam...

Todos dispensávamos um Primeiro-Ministro que se preocupa mais com a imagem que a comunicação social passa, do que em resolver os problemas do país. Era preferível que explicasse aos senhores do FMI e das Agências de rating como se podem congelar salários já de si miseráveis ou como se vive com uma reforma de 200 euros. É mais interessante jogar outros jogos, colocando em causa a imagem da democracia. Preferíamos não ver, à custa da brincadeira, levantarem-se movimentos a defender a liberdade de expressão encabeçados por monárquicos e radicais de direita. Não precisávamos disto, já temos problemas suficientes.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Nothing's gonna change my world



"Across the universe"
The Beatles

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Orçamento de Estado e os sacrificados do costume

Ontem foi entregue na Assembleia da República, o Orçamento de Estado para 2010. Eram 22:30 e houve mais uma vez um substancial atraso, mas como não estamos a falar do cidadão-trabalhador comum, não houve qualquer problema. Também não me consta que o Ministro e o staff tenham que ir buscar os filhos à creche, dar-lhes o jantar e por aí fora. Mas enfim, o meu post não é sobre igualdade de estatuto ou falta dela. É mesmo sobre o orçamento de estado e a distribuição desigual de sacrifícios pela sociedade. Lá por ser hábito, não quer dizer que seja correcto ou que não existam alternativas.

Em vez de se sacrificarem sempre os mesmos, podia-se exigir mais de sectores privilegiados da sociedade. Não é aceitável que qualquer comerciante pague 27% de IRC e a Banca pague só 12,8%, quando em ano de recessão tiveram 5 milhões de euros de lucro. E o que dizer do mercado bolsista? Em ano de recessão e ao contrário do que aconteceu noutros países, a Bolsa portuguesa teve uma actividade lucrativa. No entanto, as mais-valias adquiridas através destas transacções, não pagam qualquer imposto, ao contrário do que acontece noutros países europeus e nos EUA. Portanto não nos digam que isto é uma irresponsabilidade da esquerda radical, existem de facto alternativas.

Porque é que a despesa para além da massa salarial e da segurança social, não é repensada? Continuamos com regalias abusivas a gestores públicos, desde aquisições irreflectidas com concursos por ajuste directo pouco transparentes, frotas de carros topo de gama, parcerias público-privadas que privatizam lucros e nacionalizam prejuízos... Os exemplos podiam continuar. Pelo menos a verba gasta em salários aumenta a receita em IRS e acaba por ser injectada na economia de novo, estimulando o consumo e o IVA. Não digo um aumento generalizado, porque existem de facto escalões salariais elevados, mas os salários até 1500 euros deviam e podiam sofrer aumentos.

O que é certo é que, ano após ano, com orçamentos PS ou PSD, as injustiças se repetem. As receitas do Estado Português assentam nos impostos pagos pelos trabalhadores por conta de outrem, enquanto outros sectores se mantêm intocáveis. Talvez não seja alheio a tudo isto, o facto de vários ex-ministros acabarem como dirigentes de topo da Banca e de outras grandes empresas. Para as grandes obras públicas também não existem cortes, não será porque cargos de topo na Brisa e outras que tais, estão à vista no futuro? Não é esta escandalosa cumplicidade, que mina a nossa democracia e qualquer tentativa de acção em prol do bem público?

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Ética para a Internet?


São muitos os casos de pessoas acusadas judicialmente, pelo simples facto de expressarem uma opinião crítica na Internet, acerca de uma entidade privada ou pública. Um blogger fez uma referência crítica ao Primeiro-Ministro e acabou acusado judicialmente. Aquando do incidente terrorista no avião para Detroit, alguém proferiu um tweet sarcástico sobre o tema e acabou na prisão. Agora é um grupo de pilotos da TAP, que terá manifestado opiniões ofensivas para a empresa através do Facebook. Em blogs, no twitter e agora no Facebook, até que ponto é legitimo que a expressão de uma opinião pessoal seja controlada, vigiada e em ultima instancia eliminada? Porque é que uma crítica fundamentada ou uma manifestação de descontentamento, passa a ser considerada difamação/ofensa?

Imaginemos que cada cidadão utilizador de Internet, resolve publicar online um episodio em que foi incorrectamente tratado numa determinada instituição. Que impacto teria essa acção? Não seria um impacto menor, certamente. Há que dissuadir este tipo de iniciativa, antes que o cidadão comum perceba o seu potencial poder. O que se pretende é inibir o espírito crítico e o inconformismo, tentando dissuadir os cidadãos de usarem a rede para manifestar a sua opinião.

O medo de incorrer num processo judicial dispendioso, o receio de perder o emprego ou sofrer represálias socioeconómicas, são fortes elementos dissuasores. Comecemos por criar cursos de formação em ética para o Facebook, regras de conduta empresarial que dificilmente um trabalhador que quer manter o emprego, pode recusar. Assim se controla, assim se manipula, assim se disciplina no séc. XXI.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Inadaptado

«Terei uma única ideia original na cabeça?
Na careca cabeça?
Talvez se fosse mais feliz, o meu cabelo não caísse.
A vida é curta, tenho de aproveitá-la ao máximo.
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
Sou uma frase-feita ambulante...
O médico vai mesmo ter de me observar a perna,
há nela um caroço qualquer.
O dentista voltou a ligar, já lá devia ter ido.
Se não adiasse coisas seria feliz,
mas passo a vida de cu sentado.
Se o meu cu fosse menor era mais feliz,
não tinha de usar fraldas da camisa para fora.
Como se enganasse alguém...
Devias voltar ao jogging, bucha,
correr uns quilómetros por dia.
Correr a sério, desta vez.
Ou fazer alpinismo.
Tenho de mudar mesmo de vida.
Mas como? Tenho de me apaixonar,
de arranjar uma namorada.



Tenho de ler mais, de me cultivar.
E se aprendesse russo?
Ou um instrumento?
Podia aprender chinês,
Seria o guionista que fala chinês
e toca oboé. Ia ser giro.
Devia usar o cabelo curto
e parar de fingir a mim e a todos
que tenho montes de cabelo.
É tão patético...
Devo ser verdadeiro, confiante,
Não é isso que atrai as mulheres?
Os homens não têm de ser bonitos.
Hoje-em-dia isso não é verdade,
Agora há quase tanta pressão
sobre nós como sobre elas.
Por que sinto ter de pedir
desculpas por existir?
Talvez o meu problema seja
a química errada no meu cérebro,
todos os meus problemas e ânsias
serem devidos a um desequilíbrio
químico ou dissociação de sinapses.
Tenho de consultar um médico...
Mas continuaria a ser feio,
Quanto a isso, nada a fazer.»

"Adaptation" 2002

sábado, janeiro 16, 2010

Haiti:Tentar compreender a tragédia

A tragédia que se abateu sobre o Haiti, deixou-nos consternados e as imagens que nos chegam diariamente são dramáticas. Mas há mais a dizer sobre a situação do Haiti. Se um sismo é impossível de prever e de impedir (se bem que nunca houve um empenho em financiar uma investigação cientifica profunda sobre o assunto, há domínios mais lucrativos onde investir suponho... ), o mesmo não se pode dizer da capacidade do Haiti em resistir à catástrofe. Se tivesse ajuda na devida altura, este país estaria hoje em melhores condições de lidar com a destruição, não deixaria de ser uma tragédia, mas não teria estas proporções assustadoras.

O Haiti é um país extremamente pobre, sacudido por uma grande instabilidade politica, ditaduras militares, golpes e contra-golpes o que gera violência, mas também a ausência das mais elementares formas de organização económica e social. Não há sistema agrícola, a saúde e a educação são muito débeis. a única fonte de rendimento é a floresta, que tem sofrido uma devastação tal, que provocou erosão dos solos e cheias destrutivas. Apesar da presença da ONU no território desde 1994, nunca houve ajuda económica que permitisse resolver os graves problemas do Haiti:

O pretexto da crise politica levou os EUA e a União Europeia a bloquearem a verba destinada à ajuda económica, impedindo o Haiti de contrair empréstimos junto de outros bancos. E mais grave, está a ser cobrado ao país juros e comissões de um dinheiro que nunca recebeu, aumentando a divida haitiana. Como em qualquer situação de embargo, quem sofre são as populações. Uma catástrofe desta dimensão num país tão débil, redundou em tragédia. Vemos agora, os países que no passado podiam ter resolvido os problemas existentes, mobilizarem uma ajuda insuficiente e tardia. Agora a grande questão é, até que ponto esta ajuda não serve para endividar ainda mais o Haiti e colocá-lo à mercê de politicas que só beneficiar as grandes corporações internacionais.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Bem-vindos a 2010

Começamos 2010 com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na Assembleia da República, o que é sem duvida um enorme passo na igualdade de direitos. Ao menos que no acesso ao casamento, uns não sejam mais iguais que outros, já que outras discriminações socioeconómicas se mantêm e se aprofundam. A percentagem de desempregados bate recordes, sem que um plano sério e rigoroso de criação de emprego seja colocado em prática. Com tantos desempregados sem qualquer apoio social, não se compreende porque existe dinheiro para financiar grandes obras públicas e não para estender o acesso ao subsídio de desemprego. São tantas as famílias afectadas, que se antevê uma grave crise social.

2010 também trouxe ao hemisfério norte uma vaga de frio como há muito não se via, que já provocou milhares de euros em prejuízos. Será um alerta para não brincarmos com as alterações climáticas? Ou será mais uma daquelas coisas da Natureza que não se resolve com cimeiras e cortes nas emissões de CO2? De qualquer forma, é o cidadão comum que sofre as consequências e isso não muda com as décadas...

Em matéria de direitos humanos, também começamos da melhor forma. Na Itália de Berlusconi, centenas de imigrantes foram perseguidos, em violentos confrontos raciais dos quais resultaram vários feridos. Na cidade de Coccaglio, teve lugar uma operação chamada “Natal Branco” que tinha como objectivo a busca casa a casa de imigrantes ilegais, até dia 25 de Dezembro. Explorados, perseguidos e agredidos na Europa da Carta dos direitos humanos, fantástico? Claro que tudo isto é apenas o culminar da politica xenófoba do inarrável Berlusconi, perante a passividade da EU e que dá aso a este tipo de atropelos aos direitos humanos.

Entramos em 2010 com o pé direito, sem dúvida!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Um Natal às escuras que não foi culpa de ninguém

O Natal de 2009 foi passado sem água, nem electricidade por largas centenas de famílias, o que deve ser uma maravilhosa experiencia de regresso ao inicio do sec. XX. Tudo por culpa desse sujeito de costas largas chamado “catástrofe natural”, mais concretamente um ciclone tropical, fenómeno meteorológico naturalíssimo e habitual no nosso país, historicamente documentado. A culpa não foi certamente das alterações climáticas provocadas por emissões excessivas de CO2 e aquecimento global, que gerações de políticos incompetentes ignoram, em hilariantes e ridículas cimeiras, como a de Copenhaga... Diga-se também que os próprios cidadãos que levam com as catástrofes naturais, dão tanta importância a esta realidade como os políticos incompetentes que elegeram. Sendo que os primeiros se podem queixar da desinformação, enquanto que os segundos se limitam a fazer o que sempre fizeram, que é assegurar os interesses dos grandes grupos económicos, em detrimento do cidadão comum.

Mas voltando aos culpados ou melhor aos inocentes, quem também não teve culpa foi a EDP cujos responsáveis já descartaram qualquer responsabilidade, passando a bola ao sujeito de costas largas chamado “catástrofe natural”. Seria pedir muito que parte dos lucros milionários da EDP fossem canalizados para a manutenção da rede eléctrica e para o reforço das estruturas existentes, ou até para um impensável plano de emergência em caso de danificação da rede eléctrica. Era pedir muito claro, a EDP precisa de capital para investir nos EUA, não vai agora preocupar-se com um serviço que tem por compromisso prestar aos clientes e que para mais é essencial. Que raio de ideia achar que os clientes/cidadãos vêm antes do lucro…É que a manutenção e renovação da rede eléctrica ainda custa dinheiro, assim como a contratação de mais técnicos (é mais rápido e eficiente vir uma equipa técnica do Minho para Torres Vedras…). Há que ser compreensivo, até era Natal... Ninguém poderia prever que anos e anos de medidas ambientais adiadas, tivessem consequências no clima, não é? E o lucro faz tanta falta…

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Feliz Natal!

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.




Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Capitalismo: Uma história de amor

Michael Moore voltou a fazer um excelente filme, "Capitalism: a love story" que recomendo vivamente. É analisado todo o sistema capitalista, o que ele representa e quais são as consequências da orientação para o lucro que estão na sua essência. O realizador começa logo com um excerto de um documentário sobre a Roma Antiga, as semelhanças são mais que muitas. Pão e circo, corrupção e manipulação da Lei, tudo bastante actual. Daí passamos aos dias de hoje, afinal o que acontece num sistema em que prevalece a orientação para o lucro? Temos pessoas sem trabalho, sem casa, com histórias de vida tocantes e verdadeiras apenas porque o que estava em causa era o lucro, de uma determinada instituição bancária.

A dura realidade das expropriações e das execuções de hipotecas, de alguma maneira já eram conhecidas. Mas o capitalismo tem facetas mais arrepiantes. São denunciadas duas situações que eu desconhecia e que de facto, são vergonhosas e mostram o culminar de um sistema deixado à rédea solta, onde o lucro está acima das pessoas. Numa pequena cidade dos EUA, uma casa de correcção juvenil estatal foi encerrada e substituída por uma instituição privada com o mesmo objectivo. Estranhamente muitos jovens começaram a ser condenados a uma reabilitação na dita instituição, pelos motivos mais insignificantes, como criticar o director da escola no myspace ou por discutir com um familiar. A reclusão era prolongada sem que houvesse ordem judicial. O estranhamente desaparece da equação, quando se descobre que os dois juízes encarregues destes casos, recebiam avultadas quantias para ajudar a empresa privada a ser lucrativa. Centenas de jovens sacrificados em nome do lucro, lindo não? Por algum motivo o interesse público existe e devia estar acima do lucro.

Mal refeitos desta enormidade de um capitalismo levado ao extremo, Michael Moore passa a mostrar como muitas empresas americanas fazem seguros de vida aos seus trabalhadores sem que eles e as famílias saibam. Estamos a falar de milhares de dólares, até contemplados nos orçamentos das empresas como “Dead peasants insurance” (sim é verdade, o nome é camponeses mortos!!), documentos onde até se lamentam as taxas de suicídio, que não são lucrativas. Lucrar com a morte de alguém? Isto é inarrável, mas permitido por lei e praticado nos EUA! Como é que isto passa? É fácil de perceber, basta ver quem foram os secretários do Tesouro nos últimos anos nos EUA, tão só a elite financeira, os gestores de topo da Goldman Sachs

O realizador interroga-se (e eu também…) como perante tudo isto, as pessoas pensam que este é o melhor dos sistemas. A resposta é propaganda, manipulação pelo medo e mais propaganda. Ele quer o fim do capitalismo e o regresso à democracia e conta com a ajuda de todos. Vê na eleição de Obama um sinal de mudança. Eu não consigo ser tão optimista, de qualquer forma a minha ajuda é este post. Espero que quem leia perceba melhor a gravidade de viver com um sistema onde o lucro está acima das pessoas e o governo é um mero fantoche da elite financeira, e não deixem mesmo de ver o filme!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Indicadores

Durante esta semana, surgiram dois indicadores económicos que convém realçar. O primeiro revela o poder de compra dos diferentes países europeus. Numa altura em que se recusam aumentos salariais e que os empresários fazem uma tremenda birra ao crescimento do salário mínimo para 475 euros, este indicador demonstra a profunda injustiça destas propostas. Apesar do custo de vida estar ao nível de outros países europeus (Lisboa já ultrapassou Londres no ranking das capitais mais cara da Europa), os nossos salários são ridiculamente mais baixos. Esta realidade não só tem consequências sociais, como nos afasta da célebre convergência europeia e ainda compromete a dinâmica do consumo e da procura interna.

O segundo indicador diz respeito aos prémios atribuídos aos gestores financeiros. Aqui curiosamente não há falta de convergência com o que se faz no resto da Europa, excepto pela diferente tributação a que estes prémios estão sujeitos. Em França, são tributados a 50%, porque afinal foi a mestria destes génios da gestão financeira que deu origem à crise que atravessamos. Mas em Portugal, não, parece que não houve conduta irresponsável dos gestores financeiros. Talvez o BPN e o BPP tenham sido apenas um sonho mau e o dinheiro dos contribuintes lá injectado, uma mera nuvem de fumo...

Estamos a falar de 300 milhões de euros em prémios, valor que é aceitável para a Banca Portuguesa. É bom recordar que a Banca é tributada na mesma percentagem que as pequenas e médias empresas, algo impensável em qualquer outro país europeu. Não admira que exista dinheiro para prémios chorudos, independemente da recessão e da responsabilidade assumida. Mas o que indigna é um aumento de 15 euros no salário mínimo...

A semana termina com a aprovação da proposta do governo de união entre pessoas do mesmo sexo, medida com a qual me congratulo e que consagra uma igualdade efectiva de direitos. nesta matéria. É sempre bom saber que pelo menos no acesso ao casamento, existe igualdade de direitos. Era óptimo poder dizer o mesmo para a igualdade no acesso ao emprego, à justiça, à saúde e à educação.

sábado, dezembro 12, 2009

A desilusão de Obama

Foi lamentável que Obama surja a defender a guerra, numa sessão de atribuição do prémio Nobel da Paz, ao ponto de ter ouvido Luís Delgado elogiar-lhe o discurso. Se a insistência em levar a cabo o Plano de Saúde, contra todo o tipo de lobbies, me levou a tecer-lhe elogios, a inversão do discurso da paz e do diálogo é uma profunda desilusão. Começa logo na manutenção da estratégia de guerra no Afeganistão. Não digo que fosse possível já uma saída das tropas, mas uma estratégia assente, não no envio de mais tropas, mas no apoio às populações com infra-estruturas, a nível da educação, da agricultura, do abastecimento de agua, era certamente possível.

Em relação ao conflito israelo-árabe, nem um esforço mínimo foi feito para obrigar as duas partes a regressar ao diálogo. Mas talvez mais grave, passando até quase despercebido, foi a renovação do “Patriot Act”. Para quem não se lembra, o “Patriot Act” é um pacote legislativo da Administração Bush, que esmaga todas as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, permitindo que sem ordem judicial ou base concreta de suspeita, se possam colocar escutas, aceder a mails, a tráfego de Internet e todo o tipo de dados pessoais. Esta legislação expirava no final do ano, mas vai ser mantida.

Quem não se lembra dos discursos inflamados de Obama a defender a constituição e os direitos dos cidadãos? Ao que parece a realidade é bem diferente, o “Patriot Act” é para continuar, assim como a guerra no Afeganistão. Para quem, como eu, acreditou em Obama, tudo isto é de uma enorme desilusão que nem o Plano de Saúde pode fazer esquecer. Espero que Obama recorde os seus discursos de paz, diálogo e respeito pelos direitos dos cidadãos e reformule a estratégia que agora está a seguir. Mais do mesmo, não… já são demasiados os exemplos.

domingo, dezembro 06, 2009

Castração não!

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

sábado, dezembro 05, 2009

Bons negócios

Ontem passou na SIC uma reportagem que analisava as aquisições de helicópteros e submarinos pelo Estado Português, que envolviam milhões de euros em contrapartidas que nunca foram efectuadas. O negócio dos helicópteros pressuponha 400 milhões de euros em negócios para empresas portuguesas, mediante a autorização de comercializar certos produtos e tecnologia fornecida pela empresa italiana que vendeu os aparelhos. A realidade é que as empresas portuguesas nunca viram lucro nenhum e dos 400 milhões só 87 milhões chegaram efectivamente. Grande negocio, não? A coisa ainda melhora, porque não houve qualquer compromisso para garantir a manutenção dos helicópteros, por falta de peças sobressalentes 6 estão inactivos e a sua reparação terá que ser feita em Inglaterra, tudo suportado pelo contribuinte.

Só falta referir que o responsável por este compensatório negócio foi Paulo Portas. Extremamente zeloso, no que diz respeito ao dinheiro gasto com o rendimento mínimo garantido, o ex-ministro da Defesa não parece tão preocupado com as contas do Estado, quando o que esta em causa são helicópteros e submarinos e não pessoas carenciadas. Para além disso, a reportagem faz-nos pensar na forma como os negócios do Estado se realizam, muito pouca importância é dada ao dinheiro que é de todos, porque é mais fácil baixar salários e aumentar impostos, do que racionalizar despesas e planear devidamente as aquisições que se fazem.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Sublime

Ontem tive o prazer de assistir ao concerto dos Muse no Pavilhão Atlântico e todos os adjectivos são poucos para descrever aquelas duas horas de espectáculo. O som e a musicalidade são de uma qualidade que muito poucos conseguem atingir. Mas o que impressiona mesmo é corropio de emoções que os Muse nos conseguem transmitir, é impossível ficar indiferente.



"Uprising" abriu o concerto como seria de esperar e o refrão a vermelho no écran gigante, ecoa nos nossos ouvidos: «They will not force us/ They will stop degrading us/ They will not control us/We will be victorious». Arrepiante no mínimo! Resistimos e nascemos de novo. E porque é que não percebemos que quando sangramos, sangramos da mesma forma? Nesta altura somos sugados para um buraco negro... «they are breaking through/ they are breaking through/ now we are falling/we are losing control/ Invisible to all/ The mind becomes a wall».

Mas nós queremos mais. Chama-se "Hysteria", pedem-nos o coração e a alma e nós damos! «Grating me/ And twisting me around/ Yeah I'm endlessly/ Caving in/ And turning inside out». E também há inquietação, «must we do as you're told?». E logo da inquietação, os Muse nos levam ao que a vida tem de bom e é impossível não nos sentirmos bem... «the fish in the sea/they know I feel/ it's a new day/ it's a new life for me!». Não falta a paixão, há uma luz que nos guia, revelam-se undisclosed desires: «I want to reconcile the violence in your heart/ I want to recognise your beauty is not just a mask/ I want to exorcise the demons from your past/I want to satisfy the undisclosed desires in your heart» e não é isso que nós queremos?Ligados à corrente, electrificados, o nosso tempo está a terminar, mas ainda há tempo para um alerta: «I am hungry for some unrest/ I want to push this beyond a peaceful protest/ I wanna speak in a language that they'll understand». E poderá ser mais claro que isto:

quinta-feira, novembro 26, 2009

E a solução é..... Congelar os salários e aumentar os impostos!!

Ao discurso do congelamento de salários, junta-se agora as sábias vozes do governador do Banco de Portugal e dos ilustres economistas que em coro defendem um aumento de impostos. Como se os portugueses não tivessem os salários mais baixos da Europa, sendo que os que efectivamente pagam impostos têm uma carga fiscal substancial. Estas vozes ilustres não falam do aumento de receitas que traria um combate efectivo à corrupção. Basta pensar que só os préstimos do Sr. Oliveira e Costa e companhia custaram ao país 6% da riqueza produzida. Nem o plano Cravinho foi tirado da gaveta.

Mas existem mais alternativas para aumentar a receita, porque não taxar as grandes fortunas e as transacções em bolsa, para já não falar da carga fiscal sobre a Banca que é inferior à exigida a uma pequena e média empresa. E do lado da despesa? Porque é que as vozes ilustres não se insurgem contra as grandes obras públicas?

Não saberão as vozes ilustres, que os baixos salários e a elevada carga fiscal, vão levar a uma diminuição do consumo e da procura interna que estiveram na base do parco índice de crescimento, que levou Sócrates a proclamar que não estamos em recessão. É pena que não tenham lido o artigo de Stewart Lansley, que eu citei no último post. Talvez assim percebessem os perigos do declínio salarial das classes média e baixa e da canalização da riqueza produzida para o pagamento de salários de topo e bónus na área financeira. Se calhar o problema, não está no desconhecimento mas nos poderes que se iam afrontar.

quarta-feira, novembro 18, 2009

O papel da politica salarial na recuperação económica

Assim começa um interessante artigo sobre as consequências do decréscimo dos salários no Reino Unido e o seu impacto na crise económica global. Muito se tem falado da crise financeira, dos créditos, das dívidas, da especulação e muito pouco no papel dos salários, que têm estado em declínio desde os anos 60. Este gráfico compara a percentagem do PIB gasta em salários desde os anos 60 no Reino Unido e é evidente o declínio, em 2005 só 53% do PIB se traduz em salários. O autor explica a tendência pelo aumento do poder negocial dos empregadores, que se deve à erosão dos direitos laborais, ao aumento da procura de emprego e à distribuição global do trabalho. Nota-se até um aumento da produtividade superior à proporção salarial.

O mais preocupante é que o declínio salarial é mais evidente para os trabalhadores que menos ganham, das classes média e baixa. Só as classes mais altas conseguiram um nível salarial idêntico ao índice de prosperidade da economia. Para além de uma sociedade mais desigual, mais endividada e baseada em baixos salários, a consequência é a diminuição do poder de compra que perante custos de vida elevados, leva ao crescimento do endividamento das famílias. Em 1980, 45% do rendimento das famílias era emprestado, em 2007 esse valor triplica para 157% do rendimento!

A par do declínio salarial das classes media e baixa, temos um direcionamento dos lucros obtidos para o pagamento de salários de topo e bónus na área financeira, em detrimento do investimento industrial, que traria largos benefícios a longo prazo. Em vez de financiar a industria e o consumo, o investimento fluiu para produtos financeiros duvidosos e o resultado é o que está à vista. «Little of this financial merry-go-round strengthened Britain’s economic base or helped create sustainable businesses and jobs. Most of it simply encouraged financial speculation aimed at building even larger personal fortunes.»

O congelamento e declínio salarial originou a actual crise económica e comprometeu os níveis de procura necessários a uma recuperação sustentada da economia. Os desequilíbrios e o endividamento só geram instabilidade económica. Já era tempo dos decisores políticos perceberem que enquanto os salários não voltarem a constituir 60% do PIB, a solução para a crise não estará à vista.

domingo, novembro 15, 2009

Repetições

Porque será tão difícil escrever algo de novo? Será porque os problemas se repetem, indefinidamente, sem solução aparente. Ou melhor a solução aparente existe, nunca existe é a coragem politica para a levar a cabo, porque há sempre algum tipo de poder que não pode ser afrontado. Os problemas perpetuam-se e eu repito-me. Repetem-se os casos de corrupção que nunca serão julgados e que custam milhares de euros. Repetem-se os discursos a favor do congelamento de salários, no país com o nível salarial mais baixo da Europa e os maiores índices de pobreza. Repetem-se as vozes da hierarquia católica a querer hipocritamente imiscuir-se na vida privada dos cidadãos, como se os direitos pudessem ser referendados ou negados em nome de qualquer religião. E eu repito-me a manifestar a minha indignação, contra a falta de coragem politica e contra os poderes que não podem ser afrontados.

Estes são os nossos problemas à espera de solução, mas outros há mais graves por esse mundo fora, todos à espera de solução. Hoje acordei com um documentário sobre a faixa de Gaza, com os efeitos das bombas de fósforo em pessoas de carne e osso. Sabiam que o fósforo corrói a pele, os tecidos até chegar ao osso, até em ultima instancia o paciente ter que ser amputado. É cruel demais para ser verdade, mas é verdade. Quase tão cruel como dizer a uma família que se aloje numa só casa onde estarão a salvo, para depois os bombardear e dizimar todos. Menos cruel será construir muros e privar as pessoas do acesso à água, com racionamentos e preços incomportáveis. E lá estou eu a repetir-me, já falei do médio oriente tantas vezes. E são mais os poderes que não podem ser afrontados.

sábado, novembro 14, 2009

Invisible to all The mind becomes a wall

The wavelength gently grows
Coercive notions re-evolve
A universe is trapped inside a tear
it resonates the core
creates unnatural laws
replaces love and happiness with fear

how much deception can you take
how many lies will you create
how much longer until you break
your mind's about to fall




and they are breaking through
they are breaking through
they are breaking through
we are losing control
they are breaking through
they are breaking through
they are breaking through
now we are falling
we are losing control
Invisible to all
The mind becomes a wall
All of history deleted with one stroke

how much deception can you take
how many lies will you create
how much longer until you break
your mind's about to fall
and they are breaking through
they are breaking through
they are breaking through
now we are falling
we are losing control

MK Ultra
Muse "Resistance"
2009

segunda-feira, novembro 09, 2009

20 anos depois, outros muros

Muro construido pelos israelitas para separar localidades palestinianas dos colonatos, condenado pelo Tribunal de Haia

Muro que separa Ceuta de Marrocos, financiado pela UE

Muro na fronteira dos EUA com o México

Muro que separa a zona grega e a zona turca em Nicósia - Chipre


E estes são apenas quatro exemplos....




sexta-feira, novembro 06, 2009

Direitos que se perdem

Concretizou-se o que já aconteceu em França e que eu temia neste post. Sob a definição arbitrária de “pirata”, qualquer utilizador de Internet, poderá ver o seu direito de acesso à informação suspenso. Nem é necessária a intervenção de um juiz, isto é, não há sequer direito à presunção de inocência. O cidadão é dado como culpado, não se sabe muito bem baseado em quê e caso discorde, terá ele que recorrer a um juiz e provar a sua inocência.

Ainda bem que eu enumerei os direitos consagrados na Carta Europeia dos Direitos Humanos há dois atrás. Não preciso de me repetir para concluir que os direitos, liberdade e garantias só se concebem se não ameaçarem um qualquer lobbie económico. Quando o que está em jogo é o lucro da poderosa industria do audiovisual, o direito à presunção de inocência e à liberdade de informação são negados ao cidadão comum. Estamos a caminhar para a aniquilação de direitos conquistados duramente ao longo do século passado, serão reconquistados ou perdidos de vez? É esta geração conformista, consumista e mal informada que vai conquistar esses direitos? O futuro adivinha-se sombrio...

Nota lateral: Tenho que destacar o que escrevi no referido post, porque resume muito bem esta questão e continua a fazer todo o sentido:

Podemos questionar se a partilha de conteúdos é de facto crime. Podemos perguntar-nos se o acesso à informação e à cultura que a Internet proporciona, não trouxe uma mais valia cívica e um crescimento pessoal a cada indivíduo, que traz benefícios socioeconómicos. Não podemos porque isso não é medível. O que é medível é a capacidade de lobbie de uma poderosa indústria audiovisual, que perdeu o monopólio sobre autores e consumidores e das empresas de telecomunicações que explora os lucros que a primeira perdeu. Mas no final os criminosos são os consumidores, o elo mais fraco da cadeia...

quinta-feira, novembro 05, 2009

We're not droplets in the ocean

They'll laugh as they watch us fall
The lucky don't care at all
No chance for fate
It's unnatural selection
I want the truth

I am hungry for some unrest
I want to push this beyond a peaceful protest
I wanna speak in a language that they'll understand

Dedication, to a new age
Is this the end of destruction and rampage?
Another chance to erase then repeat it again

Counter balance this commotion
We're not droplets in the ocean

They'll laugh as they watch us fall
The lucky don't care at all
No chance for fate
It's unnatural selection
I want the truth

No religion or mind virus'
Is there a hope that the facts will ever find us
Just make sure that your are looking out for number 1

I am hungry for an unrest
Lets push this beyond a peaceful protest
I wanna speak in a language that you will understand


Counter balance this commotion
We're not droplets in the ocean


They'll laugh as they watch us crawl
The lucky don't share at all
No hope for fate, its a random chance selection
I want the truth




Try to ride out the storm
Whilst they'll make you believe,
That they are the special ones, (we have not been chosen)

Injustice is the norm
You won't be the first and you know you won't be the last

Counter balance this commotion
We're not droplets in the ocean

They'll laugh as they watch us fall
The lucky don't care at all
No chance for fate
It's unnatural selection
I want the truth, I want the truth
I want the truth, I want the truth


"Unnatural Selection"

Muse "Resistance"

2009

segunda-feira, novembro 02, 2009

O preço do Tratado de Lisboa

DIGNIDADE

Artigo 1º
Dignidade do ser humano A dignidade do ser humano é inviolável. Deve ser respeitada e protegida.
Artigo 2º
Direito à vida
1. Todas as pessoas têm direito à vida.
2. Ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado.
Artigo 3º Direito à integridade do ser humano 1. Todas as pessoas têm direito ao respeito pela sua integridade física e mental.
Artigo 4º Proibição da tortura e dos tratos ou penas desumanos ou degradantes
Artigo 5º Proibição da escravidão e do trabalho forçado

LIBERDADES
Artigo 6º Direito à liberdade e à segurança
Artigo 7º Respeito pela vida privada e familiar
Artigo 8º Protecção de dados pessoais
Artigo 9º
Direito de contrair casamento e de constituir família
Artigo 10º Liberdade de pensamento, de consciência e de religião

Ler o resto da Carta Europeia dos Direitos do Homem aqui.

Foram estes os princípios que foram vendidos para que Reino Unido, Polónia e Republica Checa possam assinar o Tratado de Lisboa. Estamos oficialmente numa Europa, em que três países não são obrigados a respeitar os direitos universais, liberdades e garantias mais elementares. Espero que percebam porque é que ainda não saiu da barra lateral deste blog, a imagem “Não gosto da vossa Europa”. Pela mão de Durão Barroso, esta Europa é cada vez menos a Europa dos cidadãos e dos direitos humanos. Algo me diz que não vou alterar a barra lateral tão cedo...

sábado, outubro 31, 2009

Corrupção e elites

«José Penedos, antigo secretário de Estado de Guterres e actual presidente da REN, será constituído arguido quando regressar a Portugal, no âmbito da operação Face Oculta. Fonte ligada ao processo que investiga suspeitas de corrupção e favorecimento da empresa O2 em concursos de empresas participadas do Estado confirmou haver indícios que envolvem José Penedos. Contactado pelo i, o presidente da REN assegura estar "completamente tranquilo" e desconhecer todo o processo. Confrontado com informações de escutas telefónicas em que o empresário Manuel Godinho, ontem detido, oferece 270 mil euros ao filho, Paulo Penedos, para influenciar a renovação do contrato de gestão global de resíduos, José Penedos afasta suspeições.

(...) Já ontem outro antigo ministro de Guterres, Armando Vara - forçado a demitir-se devido ao escândalo da Fundação para a Prevenção e Segurança - foi envolvido no processo "Face Oculta". Pela sua posição de influência junto dos gestores públicos, terá tentado intervir nos concursos. É pelo menos nesse sentido que aponta uma escuta referida nos documentos que ontem acompanharam os mandados de busca. Terão sido oferecidos a Armando Vara dez mil euros para ajudar a O2.»

Este caso é bem exemplificativo do que está errado com o nosso país. A promiscuidade entre a elite politica e a económica, a facilidade com que se compram favores, a inoperância da justiça. Estamos a falar de ganhos ilícitos, de enriquecimento à custa da riqueza que todos produzimos. Perante casos destes, que sabemos que se multiplicam por esse país fora aos milhares, percebemos o quanto do PIB é sacrificado devido à corrupção. Sendo assim é natural que muitos saíam prejudicados, enquanto alguns ganham quantias avultadas e indevidas. A coesão e a justiça social ficam seriamente comprometidas.

O resultado está à vista. É esta a elite que tem cargos de poder, que domina sectores estrategicos da nossa economia e que afectam as nossas vidas. Estão lá por mérito próprio, ou porque souberam comprar favores e manipular interesses? Tudo isto perante a passividade de quem?

quinta-feira, outubro 29, 2009

terça-feira, outubro 27, 2009

Até que ponto?

Este inquérito da DECO comprova o estado de emergência social existente no nosso país, que já tenho referido em posts anteriores. Estamos a falar de pessoas que trabalharam toda uma vida e ainda assim não consegue ganhar o suficiente para a sua própria alimentação. Estas pessoas vivem no mesmo país em que «o número de pensões milionárias, acima dos cinco mil euros, subiu quase 31% desde 2006». Vivem no país em que algumas cabeças iluminadas vêm falar de congelamento de salários, porque há perigo de deflação... Pelos vistos seria preciso uma deflação para 40 mil pessoas não passarem fomes, porque nem com preços baixos conseguem pagar a sua alimentação... Vivem no país em que as mais valias adquiridas em bolsa não são taxadas e um punhado de grandes empresas e instituições bancárias obtêm lucros milionários.

Até que ponto teremos de descer, para que definitivamente se perceba que alguns terão de perder privilégios para outros não passarem fome?

quarta-feira, outubro 21, 2009

Saramago: Religião e espírito crítico

Não que eu goste de temas demasiado batidos e debatidos, mas toda a polémica gerada em torno das declarações de Saramago merece-me um comentário obvio. Ainda não somos capazes de conviver com opiniões radicalmente opostas aquilo que nos é vendido como socialmente aceite ou verdade absoluta. As críticas do autor à religião, à Católica em particular, mas não só, são conhecidas desde “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Está no seu direito de não gostar das historietas da Bíblia, são cruéis e desumanas, muitas serão, outras não merecerão esses adjectivos. Seja como for, já era tempo dos Católicos viverem com a diferença e aceitarem que nem toda a gente tem que idolatrar livros sagrados como verdades absolutas. Mas o que seria de esperar de pessoas que acreditam piamente que um Deus que pede à Abraão o sacrifício do seu próprio filho, é misericordioso e omni-tudo? Não me espanta que quem ache o infanticídio aceitável desde que seja uma demonstração de fé e que nunca tenha analisado criticamente todo este tipo episódios bíblicos, venha dizer que a cidadania portuguesa deve ser retirada ao escritor. Concorde-se ou não com as opiniões de Saramago, só tenho a dizer que seriamos certamente um povo melhor, se todos tivéssemos o espírito crítico deste senhor. E só mais uma observação, as reacções às declarações do Saramago só vêem demonstrar como a religião e tudo o que dito e feito em seu nome, gera intolerância, ódio e radicalismo. Se contassem os crimes feitos em nome de Deus, deixavam o Saramago em paz...

terça-feira, outubro 20, 2009

domingo, outubro 18, 2009

Sobre o neoliberalismo


«O neoliberalismo é o paradigma económico e político que define o nosso tempo. Consiste num conjunto de políticas e processos que permitem a um número relativamente pequeno de interesses particulares controlar a maior parte possível da vida social com o objectivo de maximizar seus benefícios individuais. Inicialmente associado a Reagan e Thatcher, o neoliberalismo é a principal tendência da política e da economia globais nas últimas duas décadas, seguida, além da direita, por partidos políticos de centro e por boa parte da esquerda tradicional. Esses partidos e as suas políticas representam os interesses imediatos de investidores extremamente ricos e de menos de mil grandes empresas.

À parte alguns académicos e membros da comunidade de negócios, o termo neoliberalismo é pouquíssimo conhecido e utilizado pelo grande público, especialmente nos Estados Unidos. Nesse país, muito pelo contrário, as iniciativas neoliberais são caracterizadas como políticas de livre mercado que incentivam o empreendimento privado e a escolha do consumidor, premiando a responsabilidade pessoal e a iniciativa empresarial e destruindo o peso morto que constitui um governo incompetente, burocrático e parasita que não é capaz de fazer nada bem feito mesmo quando bem-intencionado, o que raramente é o caso. Uma geração inteira de esforços de relações públicas financiadas pelas empresas conferiu a essas palavras e ideias uma aura quase sagrada. Como resultado, as afirmações que produzem raramente necessitam de defesa e são invocadas para justificar qualquer coisa, da redução de impostos sobre a riqueza e ou o abandono de determinadas regulamentações ambientais ao desmantelamento de programas de educação pública e de segurança social. Na verdade, qualquer actividade que possa interferir sobre o domínio da sociedade pelas grandes empresas é imediatamente considerada suspeita, porque estaria a afectar o funcionamento do livre mercado, tido como o único distribuidor racional, justo democrático de bens e serviços. No máximo da sua eloquência, os apóstolos do neoliberalismo, enquanto actores por conta de uns quantos endinheirados, surgem como defensores dos pobres e do ambiente, e como estando a prestar um enorme serviço à comunidade.»

Prefacio de “Neoliberalismo e ordem global: critica do lucro” – Noam Chomsky, pp. 7-8.