quinta-feira, junho 28, 2007
terça-feira, junho 26, 2007
O arrebatamento da Igreja de Deus
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Estou indignada. O Apocalipse está aí à porta e ninguém me avisou. Eu não fui contemplada com um magnifico email que inclui um CD, a explicar como tudo se vai passar. O Nuno Markl recebeu e eu não. Mas pronto, eu já sei, que desde o infeliz episódio do “isto não é para desperdiçar!”, eu fui automaticamente excluída de qualquer campanha de propaganda religiosa e não há seita nenhuma disposta a mostrar-me o caminho do Senhor. Tenho pena. Valeu-me a boa vontade e genuína preocupação do Sr. Markl, que partilhou com os seus ouvintes o drama do apocalipse. Podem ouvir aqui, a sério que vale a pena...Depois, será ver as pessoas boas a serem arrebatadas pelos ares, e os carros, aviões e comboios sem condutores a provocarem acidentes, e os hospitais sem cirurgiões... E ainda, vai haver um governo do Anti-Cristo a tentar convencer-nos que essas pessoas foram sugadas por “ufos”… É um caos por demais extenso para ser descrito, ainda que o CD constitua uma excelente tentativa.
E o que acontece às pessoas ruins, que não valem um “sugamento” pelos ares? Ou são degoladas pelo Anti-Cristo, o que é capaz de aleijar… ou fogem para as cavernas, como outros fugitivos, igualmente ruins. Eu por mim, vou começar a ver cavernas. Talvez encontre alguma mais em conta, antes que os preços das grutas disparem no mercado imobiliário.
Considerem-se avisados: Fujam para as cavernas e não confiem em ninguém…
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domingo, junho 24, 2007
Está a acontecer agora...
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Descritores: Direitos humanos, Política Internacional
quinta-feira, junho 21, 2007
Tão revolucionários que eles são…
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O movimento Compromisso Portugal lançou ontem o livro “Revolucionários”, com as propostas apresentadas na sua convenção o ano passado, para mudar o modelo sócio-económico. Recordo que estes senhores são "reputados empresários e gestores" e propõem o fim do Estado providência, passando as situações de de invalidez, desemprego, doença e outras situações semelhantes a serem abrangidas por subsistemas privados, baseados em seguros individuais a serem pagos conjuntamente por patrões e trabalhadores. Defendem ainda a redução de 150 mil a 200 mil funcionários públicos, o congelamento de salários e de progressões na carreira, uma maior flexibilização da legislação laboral e outras medidas mais específicas, como a presença de um gestor em cada tribunal.
Em entrevista ao Jornal 2, António Carrapatoso, esclareceu que o conceito igualitário se encontra obsoleto, e que o Estado se deve preocupar apenas em promover o acesso à educação, e existindo essa oportunidade o mérito garantirá o sucesso. Não tendo o Estado que gastar parte do orçamento, em subsídios sociais tão mal aplicados. Os burrinhos preguiçosos que não têm mérito, não têm direito a ajuda social, é dinheiro mal gasto, depreendo eu.
Este conceito de associar mérito/sucesso financeiro/bem-estar social, dá-me sinceramente vontade de rir. Numa sociedade de oportunidades desiguais, em que quem nasce com carências sócio-económicas está excluído à partida, por muito mérito que tenha. Não me falem de sucesso de quem tem mais mérito, numa sociedade de jogos de influência que beneficia, não o mais competente, mas o conformista, bajulador melhor relacionado. Quem me pode garantir que uma sociedade que discrimina raça, género e orientação sexual, premeia o mérito individual?
E o mais interessante é que a cultura do mérito, que torna obsoleta a ideia igualitária e o Estado Social, é vendida pelo Compromisso Portugal, como uma ideia revolucionária. Revolucionário seria termos um modelo social capaz de promover a inclusão, minorando as desigualdades, olhando para todos, alcançando uma prosperidade económica que pode e deve servir a todos. A injustiça social nunca poderá ser, na minha opinião, algo de aceitável ou de natural. No dia em que o progresso social, não passe pela fraternidade e a solidariedade, estaremos numa sociedade desumanizada, que se limita a premiar o mais forte. Parece-me que é já essa a realidade que temos, há muito tempo e de revolucionária não tem nada…
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Descritores: Desigualdade, Inclusão Social, Sociedade
terça-feira, junho 19, 2007
Poça de água
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Recordo bem este medo da infância.
Evitava as poças,
sobretudo as novas, após a chuva.
Afinal, uma delas poderia não ter fundo,
ainda que parecesse igual às outras.
Ponho o pé e, de súbito, afundar-me-ei,
voando para baixo
cada vez mais para baixo,
rumo às nuvens reflectidas
ou talvez mais além.
Depois a poça secar-se-á,
fechar-se-á por cima de mim,
e eu ali, presa para sempre,
com um grito que nunca chega à superfície.
Só mais tarde compreendi que
nem todas as más aventuras
cabem nas regras do mundo
e mesmo que o quisessem,
não poderiam acontecer.
WISLAWA SZYMBORSKA
In “Alguns gostam de poesia: antologia” p. 235.
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Descritores: Angústia existencial, Chuva, Poesia
domingo, junho 17, 2007
"Gimme tha power"
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Não queremos que os tugas se ponham a questionar o regime político, enquanto vêem a bola? Pobreza, desigualdade, corrupção, não há cá disso… “O povo unido jamais será vencido”? Molotov, levem a vossa mensagem revolucionária para outro lado. Fiquem com a letra, que nós aproveitamos o resto…
Não é justo, pois não? Tudo isto parece-me muito mal, por isso aqui fica o vídeo original dos Molotov e um excerto da letra.
(…) hay que arrancar el problema de raíz
y cambiar al gobierno de nuestro país.
a la gente que está en la burocracia,
a esa gente que le gustan las migajas.
(…) que nos guachan los puestos del gobierno
hay personas que se están enriqueciendo.
gente que vive en la pobreza,
nadie hace nada
porque a nadie le interesa.
dámele, dámele, dámele, dámele todo el poder
(…)que nos llevan por donde les conviene
y es nuestro sudor lo que los mantiene,
los mantiene comiendo pan caliente,
ese pan, ese pan de nuestra gente.
el pueblo unido jamás será vencido.
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quinta-feira, junho 14, 2007
A ameaça que é a Amnistia Internacional
Tal como fez, com a UNICEF em 1996, o Vaticano solicita aos Católicos que deixem de apoiar financeiramente a Amnistia Internacional. Sim, estamos a falar daquela organização que visa a prevenção e combate dos graves abusos à integridade física e mental, à liberdade de consciência e de expressão, sobre o direito à não discriminação, no contexto de uma promoção de todos os Direitos Humanos. Suponho que estes valores, nada tenham a ver com a mensagem cristã de amor ao próximo e de defesa dos inocentes e desprotegidos…
Esperemos que os Católicos interpretem este apelo, como interpretam os apelos à não utilização de contraceptivos e continuem a apoiar a Amnistia Internacional. Eu pessoalmente continuo a lamentar que a Igreja Católica, não tenha como prioritárias as causas da AI e da UNICEF. Lembram-se do apelo do Vaticano ao fim da guerra no Iraque, à solução do conflito do Darfur e do problema dos refugiados, à condenação do tráfico humano, da pedofilia…(e se eu continuasse a lista seria enorme) Lembram-se? Não? Curiosamente eu também não me lembro.
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Descritores: Direitos humanos, Igreja, Sociedade
quarta-feira, junho 13, 2007
"Sarkoivre" ?!
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Será água, será vodka? Abstémio, não é certamente... e o Polonio 210 não bate assim...
Não vale a pena perguntar aos franceses... Piadinha à parte, porque é que só a TV belga passou estas imagens? Os franceses vão ter mesmo, que ir ao youtube...
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Descritores: França, Humor, Política Internacional
sábado, junho 09, 2007
A indústria farmacêutica global
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«Para acelerar a liberalização de drogas ultra-lucrativas, as companhias farmacêuticas recorrem cada vez mais a cobaias humanas dos países pobres. Milhões de pessoas submetem-se, por migalhas, a testes sem supervisão, sem padrões éticos e que muitas vezes as privam de medicamentos essenciais»
A indústria farmacêutica é uma das mais lucrativas do mundo, só nos EUA e desde 2000, cresceu 15% por ano, triplicando o lançamento de drogas experimentais entre 1970 e 1990. Para lançar novos medicamentos, há que testá-los antes. O problema é que cada vez menos pessoas, nos EUA e na Europa Ocidental estão dispostas a inscrever-se nos testes clínicos exigidos. Qualquer pessoa percebe porquê, ninguém no Ocidente se sujeita a riscos e efeitos secundários… Nos países mais pobres, com graves carências a nível económico e de cuidados médicos, não existe esse problema. É neste contexto, que surgem argumentos como este:
Os grandes laboratórios estão a realizar milhares de ensaios clínicos nos países em desenvolvimento como a Bulgária, Zâmbia, Brasil e Índia, por exemplo. Aqui o recrutamento é rápido. Na África do Sul, uma empresa de testes farmacêuticos, conseguiu recrutar três mil pacientes para testar uma vacina experimental em nove dias. Curiosamente ou não, a população não é totalmente informada dos riscos que corre, nem as autoridades locais têm os meios de supervisão e fiscalização adequados.
Os medicamentos testados visam a cura das doenças ocidentais, como doenças cardíacas, artrite, hipertensão e osteoporose. Isto significa que os voluntários não vão beneficiar do ponto de vista clínico com esta medicação. São tratados como ratos de laboratório, enriquecendo as grandes companhias farmacêuticas, sem qualquer contrapartida. Os mais pobres continuam a morrer de SIDA, malária e tuberculose sem acesso a essa medicação, enquanto que os pacientes ricos do Ocidente, beneficiam de mais e melhor saúde à sua custa.
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Descritores: Desigualdade, Globalização, Saúde
sexta-feira, junho 08, 2007
Dois anos de Devaneios
O Devaneios Desintéricos conta com dois anos, de presença na blogosfera. Actual, atento, inteligente, inconformado, cordial e defensor exímio das liberdades e garantias dos cidadãos, é sem dúvida uma leitura indispensável. O objectivo inicial, «a defesa da Liberdade e da certeza que todo e cada Ser Humano é detentor de um núcleo essencial de direitos que o torna, em dignidade, absolutamente único» tem sido bem conseguido e estou certa que continuará a sê-lo.
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quarta-feira, junho 06, 2007
"Cinco livros, Cinco blogs…"
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O blog “A Dreamer’s space” lançou-me o desafio de nomear 5 livros que tenha lido e depois lançar esse desafio a outros cinco bloggers. A ideia parece-me interessante, nós também somos aquilo que lemos… E estaremos a promover a leitura e a despertar a curiosidade daqueles, que ainda não tiveram o prazer de ler estes nossos livros. Ou então, não…
Voltando ao desafio, é uma tarefa muito díficil escolher 5 livros... Bem, acho que o critério vai ser... os mais inesperados de entre os meus preferidos. Então cá ficam eles:
Albert Camus – “O Estrangeiro”
Eça de Queiroz – “Os Maias”
Virgil Gheorghiu – “A 25ª Hora”
José Luís Peixoto – “Antídoto”
Isabel Allende – “O meu país inventado”
E agora, lanço gentilmente o mesmo desafio aos cinco excelsos blogs:
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Descritores: Blog, Leituras, Literatura
domingo, junho 03, 2007
Novidade na barra lateral
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Já tive oportunidade de escrever aqui, que o My Hopes and Dreams também é feito por quem o lê e comenta. Por isso, achei importante criar um espaço que permitisse a quem por aqui passa, deixar ideias e sugestões para além do que se discute nos posts e nas caixas de comentários. Esse espaço começou por ser o Meebo. Se bem se lembram, há alguns meses atrás instalei o Meebo neste blog, para que os leitores pudessem entrar em contacto comigo. Mas a ideia acabou por não funcionar, por culpa minha diga-se, porque me esquecia de ir ao site do Meebo fazer o login e receber as vossas mensagens.
Entretanto, descobri o Cbox, que tem a vantagem de não implicar o login noutro site, basta entrar no blog para receber e enviar mensagens. Outra vantagem é que a interacção é maior. As mensagens são visíveis por todos, o que permite que os leitores troquem impressões uns com os outros. Teoricamente parece interessante, vamos ver como resulta na práctica…
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Descritores: Blog, Comunicação
sábado, junho 02, 2007
"Então, é assim"... censura-se!
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Às vezes, esqueço-me que a educação sexual ainda é um tema tabu na sociedade portuguesa. E depois, fico surpreendida como um simples documentário animado que fala de sexualidade, cause tanta polémica. “Então é assim” é uma co-produção dinamarquesa-canadiana, um filme de animação pedagógico para crianças, que ensina tudo o que os mais novos precisam de saber sobre como se fazem bebés. O filme foi recomendado por psiquiatras e psicólogos e pareceu-me muito bem conseguido. Passou na RTP 2, no dia da criança, não sem antes, ser alvo de uma emissão especial do programa Sociedade Civil, cujo debate visava esclarecer os pais e contava com a opinião de especialistas na área, como Daniel Sampaio.
Antes da emissão, já o site do movimento de pais MOVE, praticamente classificava o que iria passar-se como uma exibição de pornografia infantil. Depressa começaram a chegar, ao blog do programa os mais estupendos comentários, desde a crítica às imagens demasiado explícitas e exageradas, ao facto da animação incentivar a iniciação precoce da vida sexual. Depois vieram as queixas ao Provedor do Telespectador e o reunir de assinaturas para que a animação não fosse exibida. Para as almas conservadoras, a censura parece sempre o melhor remédio.
Eis a explicação:
Portanto, privam-se os pais que consideram o filme útil e pedagógico, do seu visionamento com os seus filhos. É que os pais signatários da petição, conseguem impedir que os filhos pesquisem “sexo” na net, vejam filmes com cenas de sexo ou que vejam os “Morangos com açúcar”… Mas o mais grave, é que nesta questão, como noutras, nota-se alguma hipocrisia e uma imposição de valores aos demais. Para já não falar, de uma certa insegurança dos pais, enquanto educadores. A educação sexual ainda é um tema tabu e todo este alarido, demonstra a urgência de implementar a educação sexual não só nas escolas, mas também junto dos pais. Educar para a sexualidade não é uma tarefa fácil, e aos pais devia ser dado mais apoio e informação. Estou convencida que se assim fosse, este filme seria visto como uma ferramenta pedagógica e não como um alvo a abater...
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Descritores: Educação Sexual, Liberdade, Sociedade
quinta-feira, maio 31, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
Nada no horizonte
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«Estava realmente perdido de todas as maneiras. Passara a vida a sonhar um Portugal melhor numa península melhor e num mundo melhor. Para que essa aspiração fosse verdade, julgava que bastaria o desaparecimento das tiranias que aqui e ali oprimiam os povos.
Ora a verdade é que os tiranos carismáticos, um a um, iam desaparecendo (…) e, quanto mais parecia debelada, mais a opressão se enraizava no corpo social e mais sólida e subtilmente se implantava nele. E olhava sem antolhos os horizontes promisssores da democracia. Cada vez se tornavam menos nítidos no meu desespero.»
Miguel Torga “A criação do mundo”
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Descritores: Democracia, Literatura, Sociedade
sábado, maio 26, 2007
Parvoíces
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Parvoíce nº1
Sindicato diz que ministro devia «ficar calado»
O Sindicato dos Metalúrgicos diz que Manuel Pinho ganhava mais se estivesse calado já que os 250 postos de trabalho que a Delphi criou
Esta parvoíce não surpreende, Pinho já é versado na arte da parvoíce. Já gabou a mão-de-obra barata portuguesa junto dos chineses. Agora faz falsas promessas aos desempregados da DELPHI… ignorância, incompetência, tentativa desesperada de enganar alguém? Quem sabe? Mas já ninguém estava à espera que resolvesse o problema, como Zapatero fez aos 1600 trabalhadores da Delphi, despedidos em Espanha...
Parvoíce nº2
- A Ota teria de ser uma grande, movimentada e populosa“urbe”
- Um ministro das Obras Públicas teria de ser totalmente alheio à construção de infra-estruturas na margem sul ou à falta delas
- Um cancro nos pulmões poder ser considerado um facto de alguma comicidade
Parvoíce nº3
Quando se pensa, que ninguém pode bater Mário Lino, eis que surge um novo concorrente: Almeida Santos. "Cuidado que a ponte pode ser dinamitada!". O próprio aeroporto, não…
Portugal até tem sido alvo de variados ataques terroristas. Aliás, eles só estão indecisos entre a Vasco da Gama e a 25 de Abril. E porque não as duas, em simultâneo? Assim como assim, ninguém precisa de visitar o deserto…
Será que alguém consegue defender o aeroporto da Ota, sem cair no ridículo?
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Descritores: Política Nacional, Sociedade
quinta-feira, maio 24, 2007
"Enjeitados"
Hospital católico inaugura "roda dos enjeitados"
O Japão inaugurou este mês um serviço público para recolha de bebés indesejados e a polémica estoirou. A estrutura – que permite que os pais depositem, de forma anónima, a criança para adopção na “caixa dos bebés” construída nas imediações do hospital católico-romano Jikei (na cidade de Kumamoto) – foi criada com o objectivo de desencorajar o aborto ou evitar o abandono, infelizmente comum, de recém-nascidos em locais de risco tais como caixotes do lixo. Mas a primeira criança a dar entrada na “caixa” foi um menino de três anos, perfeitamente consciente da viagem que fez com o pai até ali.
A notícia chocou os líderes políticos do país e levou mesmo o Primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a defender publicamente que “depositar uma criança de forma anónima é inaceitável”. Ainda assim, a “caixa dos bebés” está em funcionamento, num conceito que parece recuperar a “roda dos enjeitados”, existente nas Misericórdias dos países do Sul da Europa, entre os séculos XVI e XIX. Os órgãos de comunicação japoneses fizeram bandeira do caso dando conta da história do menino de três anos que se identificou pelo nome e contou como o pai o levou até ali de comboio, o depositou na caixa e de como as enfermeiras o foram buscar depois de soar o alarme que indica que está uma criança no “depósito”.
Este caso devia levar muita gente, a pensar nas consequências de levar a termo uma gravidez não desejada. Qual é o maior crime, interromper uma gravidez até às dez semanas ou deixar uma criança de 3 anos numa roda de enjeitados?
Note-se que esta iniciativa tem como pretexto desencorajar o aborto, com que fundamento ético ou moral, pergunto eu?
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Descritores: Aborto, Direitos humanos, Sociedade
terça-feira, maio 22, 2007
domingo, maio 20, 2007
“Especiismos”
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Não tenho por hábito escrever posts de reacção a textos de outros blogs, até me deparar com um post, que me suscita tantas dúvidas e divergências. Já há algum tempo que visito o Esquerda Republicana, com bastante gosto e deve ser a primeira vez que discordo profundamente de um texto deste blog. O texto em causa tem como título “Grandes touradas” e deve ser lido na íntegra aqui.
Pelo que percebi quem se manifesta contra as touradas é anti-humanista e sofre de alguma desorientação ética, porque considera que os animais podem ser sujeitos de direito. E mais, quem é anti-tourada é um puritano que investe contra a liberdade fundamental do ser humano de se divertir, só porque o espectáculo lhe desagrada pessoalmente.
Em primeiro lugar, acusar de puritanismo quem se insurge contra espectáculos que se baseiam, em infligir sofrimento aos animais, por diversão é tão ridículo, como dizer que pornografia e boxe é o mesmo que uma luta de cães ou uma tourada. Qualquer espectáculo proveniente do mútuo consentimento dos seres humanos envolvidos, nunca é comparável, com o que envolve uma outra espécie, incapaz de manifestar uma vontade e de reagir contra o sofrimento.
Em segundo lugar, o que tem de anti-humanista a defesa dos direitos dos animais? O meu conceito de humanismo implica uma responsabilidade ética para com os outros seres vivos, que coexistem com o homem neste planeta. Os animais não são capazes de processos mentais superiores, logo não podem ser sujeitos de Direito? Não interessa que sintam e que sofram, não merecem ser protegidos do sofrimento que lhes é inflingido por pura diversão, pelo ditos seres capazes de processos mentais superiores?
O que está na base desta linha de argumentação é o especiismo, ou seja, o homem considera-se superior a qualquer outro animal, baseando-se nos processos mentais superiores. Logo os seus direitos e liberdades fundamentais estão acima de qualquer outro não humano. É preciso ter a espécie humana em grande conta, no mínimo. Qualquer argumento que alegue superioridade mental, moral ou rácica é sempre dúbio, na minha opinião.
Não reconheço superioridade à espécie, que mais danos tem causado ao planeta, para já não falar nos danos que causa no ceio da sua própria espécie. Um pinguim, um elefante ou um gato doméstico sem processos mentais superiores, não lançaram bombas atómicas, não são responsáveis pelo aquecimento global, nem pela guerra no Iraque. Não posso ser especiista, porque as consequências das acções humanas são tão evidentes que desmentem qualquer primazia relativamente a qualquer outra espécie.
O que seria de esperar da espécie humana, era que usasse os seus processos mentais superiores, com sentido ético e responsabilidade, em prol das outras espécies que não têm essa capacidade. Nesse sentido, seria de esperar que o homem percebesse que é moral e eticamente condenável infligir sofrimento a uma outra espécie por diversão.
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Descritores: Direitos dos animais, Humanidade, Sociedade
sexta-feira, maio 18, 2007
Números divergentes
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Notícia nº1
«Desemprego registado cai 10,4% em Abril
Notícia nº2
«Desemprego em Portugal sobe para 8,4% e atinge record da décadaSolução do Governo: "Vamos acreditar no IEFP, se ignorarmos o problema, talvez ele desapareça…"
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Descritores: Desemprego, Política Nacional, Sociedade
segunda-feira, maio 14, 2007
10 mitos sobre a pobreza
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Las 10 falacias sobre la pobreza
1- La negación o minimización de la pobreza (no es tan importante como lo cuentan)
2- La falacia de la paciencia. (Los pobres deben esperar el crecimiento económico para recibir los beneficios que hoy disfrutan las elites)
3- Con el crecimiento económico basta (no es necesaria una política de Estado. El crecimiento por si mismo se ocupará de hacer llegar los beneficios a los menos favorecidos)
4- La desigualdad es un hecho de la naturaleza y no afecta el crecimiento económico.
5- La desvaloración de las políticas sociales. (La única política social es la política económica. En su momento el Mercado resolverá todos los problemas)
6- La maniqueización del Estado. (El Estado es ineficiente, corrupto e incapaz de llevar adelante ninguna política)
7- La incredulidad frente a las acciones de la sociedad civil. (las organizaciones sociales son un mundo de segunda en comparación con el "mundo de las soluciones importantes")
8- La participación, si, pero... (A pesar de que se proclama la importancia de la participación popular en los temas públicos, la realidad demuestra que muy pocas veces los caminos de la participación están allanados)
9- La elusión ética. (La ética no tienen nada que ver con la economía)
10- No hay alternativa. (las medidas que se toman son las únicas posibles, las otras propuestas no son serias)
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Descritores: Inclusão Social, Pobreza, Sociedade
sábado, maio 12, 2007
Sozinha, até ao fim dos tempos
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Há muitos, muitos anos...
num país muito longe e triste,
havia uma enorme montanha
de pedras escuras e ásperas.
Ao cair da tarde,
no topo dessa montanha,
florescia todas as noites uma rosa
que tornava imortal quem lhe tocasse.
Mas ninguém ousava
chegar perto dela
porque os seus espinhos
estavam envenenados
Os homens conversavam entre si
sobre o medo da morte,
e da dor, mas nunca
sobre a promessa
da imortalidade.
E todas as tardes,
a rosa desabrochava
sem poder oferecer os seus
dons, a ninguém...
Esquecida e perdida no topo
daquela montanha de pedra fria,
Para sempre sozinha,
até ao fim dos tempos.
In: "El Laberinto del Fauno"
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Descritores: Angústia existencial, Cinema, Solidão
quinta-feira, maio 10, 2007
Thinking blogger award
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Para minha surpresa, o O Bico de Gás presenteou este blog com um “thinking blogger award”. Resta-me agradecer a distinção, mas o My Hopes and Dreams limita-se a aspirar, um dia, fazer pensar alguém. Até porque os posts são feitos mais de interrogações do que factos e conteúdos, que possam considerar-se material pensante.
E a maioria dos posts, que vão desde poemas, a músicas e a fotos, têm mais o objectivo de apelar aos sentidos, convidam à abstração e mais ao não pensar, que ao pensar. Ou melhor, não sei se convidam alguém, sei que é o que eu sinto quando os publico, em vez de publicar qualquer outra reflexão minha…
Mas, deixando as divagações da parte, e apesar de existirem milhares de blogs mais pensantes que este, deixo aqui o meu muito obrigado ao C3H8. Já não estou tão grata pela árdua tarefa, de ter que atribuir o prémio a 5 “thinking blogs”. Ao que parece, faz parte do protocolo da cerimónia…
Começo por pedir desculpa aos blogs que não estão nesta lista. Existem milhares de blogs com certeza de grande qualidade, que eu nunca descobri. E depois, existem os blogs de grande qualidade, mas que não prendem a minha atenção. E por fim, estão os blogs muito bons, que eu gosto de visitar, mas que têm de competir com os 5 que conseguiram levar-me a visitá-los com maior regularidade. Não sei se é o critério mais justo, porque conseguir captar a minha atenção, é um acto tão subjectivo, que não me atrevo a tentar explicá-lo…
Enfim, todo um parágrafo para dizer que esta escolha é pessoal e subjectiva. E sem mais delongas... porque se isto fosse a cerimónia dos óscares, já me tinham cortado a palavra há muito tempo... Os blogs que me fazem pensar são:
Armadilha para Ursos Conformistas
Infelizmente não pude incluir “A Macambúzia Jubilosa”, porque o blog já não está activo, mas não deixo de o referir porque também me fez pensar. Numa tentativa de ser isenta, deixei de fora os blogs dos meus amigos que também visito com frequência. Eles sabem quem são, fica um beijinho e desculpem lá não vos nomear… ;))
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Descritores: Blog, Introspecção, Thinking blogger award
quarta-feira, maio 09, 2007
Death from breathing outdoor air
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To those who knew him
-his friends-
we called him Roy.
To others he was known
as that horrible Toxic Boy.
He loved ammonia and asbestos,
and lots of cigarette smoke.
What he breathed in for air
would make other people choke!
His very favorite toy
was a can of aerosol spray;
he'd sit quietly and shake it,
and spray it all the day.
He'd stand inside the garage
in the early-morning frost,
waiting for the car to start
and fill him with exhaust.
The one and only time
I ever saw Toxic Boy cry
was when some sodium chloride
got into his eye.
One day for fresh air
they put him in the garden.
His face went deathly pale
and his body began to harden.
The final gasp of his short life
was sickly with despair.
Whoever thought that you could die
from breathing outdoor air?
As Roy's soul left his body
we all said a silent prayer.
It drifted up to heaven
and left a hole in the ozone layer.
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Descritores: Ficção, Tim Burton
segunda-feira, maio 07, 2007
A França de Sarkozy?
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Descritores: França, Política Internacional
sexta-feira, maio 04, 2007
É este senhor, que querem? De certeza?
Em França, as sondagens publicadas após o debate entre os dois candidatos, continuam a dar vantagem a Nicolas Sarkozy. Apesar de não ter conseguido ver o debate Ségolène/Sarkozy na íntegra, pareceu-me que Sarkozy tentou esconder a faceta da brutalidade e Ségolène insistiu temática das políticas sociais.A candidata de esquerda insistiu no combate ao desemprego, pela criação de 500 mil empregos para os jovens (onde é que eu já ouvi isto?), construção de mais esquadras e centros de reabilitação, aumento da eficácia dos hospitais públicos e a manutenção das 35 horas de trabalho. Sarkozy desvalorizou estas questões pelos custos que acarretam, sobretudo as 35 horas de trabalho que admite não eliminar, mas vai incentivar as horas extraordinárias, posicionou-se claramente contra a adesão da Turquia à União Europeia. Portanto, nada de novo…
O momento mais caricato do debate, na minha opinião, é quando Sarkozy fala das crianças deficientes e na sua integração no sistema de educação. É acusado de imoralidade politica pela sua adversária, porque anulou a medida socialista de colocação de 7 mil funcionários públicos a acompanhar estas crianças. Ségolène disse mesmo: «Je suis en colère!». Eu por acaso, também fico um pouco colérica quando ouço isto:
«Que tipo de educadores seríamos nós, se não pudéssemos chamar vadios aos vadios?»
Talvez não seja motivo, para ficar colérico... Mas, se os próprios franceses rejeitam a herança de 68, o que será dos ideiais de esquerda no futuro?
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Descritores: Esquerda, França, Política Internacional
quarta-feira, maio 02, 2007
"Mais papistas, que o Papa..."
O beijo do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na mão de sua antiga professora provocou a revolta do jornal islamista Hezbollah, que representa a tendência mais radical.
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Descritores: Irão, Mulher, Política Internacional, Totalitarismo
segunda-feira, abril 30, 2007
Eleições em França: em jogo o futuro da esquerda?
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Os franceses preparam-se para escolher um novo presidente. Está em jogo, na minha opinião, uma orientação política para a Europa. A França sempre constituiu uma espécie de barómetro ideológico e político para os restantes países da União Europeia. Joga-se uma ideia de esquerda e de direita, mas também um estilo pessoal de fazer política.
Se Sarkozy ganhar, será uma longa caminhada no deserto para a esquerda europeia. Se Sególene ganhar, a esquerda poderá adquirir um novo alento, mas só se, a política que levar a cabo não for a falsa esquerda de Blair e Sócrates. Só o futuro o dirá, para já prefiro manter-me optimista e acreditar
Adenda: A ler o Manifesto dos Intelectuais de Esquerda no Libération, ou a tradução aqui.
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sexta-feira, abril 27, 2007
"Little Road Trip"
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terça-feira, abril 24, 2007
Pedras como pessoas?
Conversa com a pedra
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar, quero ver-te por dentro,
saber como és,
respirar-te.
Vai-te embora - diz a pedra.
Estou fechada a sete chaves.
Mesmo feitas em pedaços
estaremos fechadas a sete chaves.
Mesmo reduzidas a areia
não deixaremos ninguém entrar.
Bato à porta da pedra.
Sou eu, deixa-me entrar.
Venho por pura curiosidade.
Só em vida tenho esta oportunidade.
Gostaria de passear-me pelo teu palácio,
depois visitar ainda a folha e a gota de água.
Não tenho muito tempo para tudo isto.
a minha mortalidade deveria comover-te.
- Sou de pedra — diz a pedra
e isso obriga à seriedade.
Vai-te embora.
Não tenho os músculos do riso.
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Dizem que dentro de ti ha grandes salas vazias,
nunca vistas, belas para nada,
surdas, sem eco de quaisquer passos.
Confessa que pouco sabes a esse respeito.
Grandes salas vazias - diz a pedra,
mas lá não há lugar.
Belas, talvez, mas para além do gosto
dos teus pobres sentidos.
Podes conhecer-me mas nunca desfrutar-me
A minha superfície esta voltada para ti
mas o meu interior permanece de costas.
Bato a porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Não venho em busca de eterno asilo,
não sou infeliz
nem desabrigada,
o meu mundo é digno de regresso.
Entrarei e sairei de mãos vazias.
E como prova autentica da minha presença,
terei para exibir meras palavras
nas quais ninguém acreditará.
Não entrarás - diz a pedra.
Falta-te o sentido da partilha.
E nenhum outro sentido te substituirá o sentido da partilha.
Nem uma visão apurada e omnividente
te há-de valer sem o sentido da partilha.
Não entrarás, em ti esse sentido é mera concepção,
o gérmen, imaginação.
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Não posso esperar dois mil séculos
para entrar sob o teu tecto.
- Se não acreditas em mim - diz a pedra -
vai ter com a folha, dir-te-á o mesmo.
Com a gota de água, o mesmo te dirá.
Por fim, pergunta a um cabelo da tua cabeça.
Estou prestes a soltar uma enorme gargalhada
mas não tenho o dom do riso.
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
- Não tenho porta - diz a pedra.
Poema de Wislawa Szymborska
In “Alguns gostam de poesia: antologia” p.125-129
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Descritores: Angústia existencial, Isolamento, Poesia


















