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quarta-feira, setembro 01, 2010

"They say carbon dioxide is pollution, we say it's life"

Eu escrevo muitos posts sobre corrupção e sobre uma certa elite que domina quem nos governa, afastando a democracia do ideal de bem comum, ao ponto de quem me lê já me achar chata. Diria mais, ao ponto de até eu própria achar que me estou a repetir e a ser chata. Mas depois aparecem pérolas como este vídeo, que me prova que a minha insistência tem razão de ser e que se trata de um problema muito sério. Este vídeo é de uma campanha promocional que passou na televisão nacional nos EUA:



É uma completa e aburda distorção da realidade, procurando desmentir o fenómeno do aquecimento global e da própria poluição provocada pelo dióxido de carbono. Sinceramente quando ouvi o que se diz sobre o dióxido de carbono, até pensei que tinha percebido mal. Mas constatei de boca aberta que se diz mesmo que nós precisamos do dióxido de carbono e que o libertamos e as plantas absorvem, como o ciclo normal da natureza. Isto enquanto se refere o futuro das nossas criancinhas, que aparecem a soprar bolhas de sabão... Convenientemente não se diz que com os niveis de poluição que temos e a própria deflorestação, o dióxido de carbono em excesso não é absorvido! Isto é qualquer coisa de tão evidente, que até as crianças aprendem no 1º ciclo... No entanto, o sistema permite que esta campanha passe na TV com a mais pura verdade, manipulando a opinião pública com marketing desonesto.

Porque é que este campanha passa? É muito simples de explicar. Foi concebida por uma organização americana chamada "Competitive Enterprise Institute - Free Markets and Limited Government", que se diverte a contestar o aquecimento global e as políticas ambientais que defendem a reducção de CO2, fazendo lobbie junto dos políticos norte-americanos. Curiosamente é financiada por grandes companhias petroliferas como a Exxon Mobil, que têm muitos milhões a ganhar com a produção de CO2 e muito pouco a ganhar com o futuro do planeta, o clima e o ar que nós respiramos e que as futuras gerações vão herdar... É a isto que a deturpação da democracia chegou, não existe defesa do bem comum, mas sim um sistema ao serviço das elites económicas.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Relações que não devem ser feitas...

Desde sábado, que as imagens que nos chegam da Madeira nos têm chocado e provocado a nossa consternação e solidariedade. Mais uma catástrofe natural, consequência das alterações climáticas, facto a que ninguém parece ligar desde a Cimeira de Copenhaga. Cada vez é mais óbvio que se trata de uma relação, que não se pretende que as pessoas façam. No caso da Madeira, também se tem notado uma preocupação em evitar temas como o ordenamento do território e a existência de radares meteorológicos. Claro que não seria boa ideia que os cidadãos pensassem que os interesses económicos estão em primeiro lugar, colocando em causa as suas vidas e segurança.

Como não podia deixar de ser, Alberto João Jardim, tudo tem feito para que esta relação não seja perceptível, chegando a insultar os especialistas que se atreveram a apontar falhas no ordenamento do território e a inexistência de um radar meteorológico. Qualquer inquérito judicial é um ultraje! Qualquer leigo percebe que são factores menores. O importante mesmo é garantir que o turismo não seja afectado, que não se dramatize e se prejudique a imagem internacional da região. Se isto não é insultuoso para as vítimas e seus familiares e para as pessoas que perderam tudo, então não sei o que é. Nem as catástrofes mudam as pessoas... mas aparentemente mudam as relações entre as pessoas, o Sr. Silva afinal é um tipo porreiro e aquele fascista do continente é o melhor dos governantes. Hipocrisias à parte, espero que os governantes cumpram o que é da responsabilidade do Estado e se recordem do que é o bem público. Há um grande trabalho de apoio às populações e à reconstrução de infra-estruturas que terá de ser feito, sendo que só será eficaz se as instituições funcionarem e se organizarem.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Um Natal às escuras que não foi culpa de ninguém

O Natal de 2009 foi passado sem água, nem electricidade por largas centenas de famílias, o que deve ser uma maravilhosa experiencia de regresso ao inicio do sec. XX. Tudo por culpa desse sujeito de costas largas chamado “catástrofe natural”, mais concretamente um ciclone tropical, fenómeno meteorológico naturalíssimo e habitual no nosso país, historicamente documentado. A culpa não foi certamente das alterações climáticas provocadas por emissões excessivas de CO2 e aquecimento global, que gerações de políticos incompetentes ignoram, em hilariantes e ridículas cimeiras, como a de Copenhaga... Diga-se também que os próprios cidadãos que levam com as catástrofes naturais, dão tanta importância a esta realidade como os políticos incompetentes que elegeram. Sendo que os primeiros se podem queixar da desinformação, enquanto que os segundos se limitam a fazer o que sempre fizeram, que é assegurar os interesses dos grandes grupos económicos, em detrimento do cidadão comum.

Mas voltando aos culpados ou melhor aos inocentes, quem também não teve culpa foi a EDP cujos responsáveis já descartaram qualquer responsabilidade, passando a bola ao sujeito de costas largas chamado “catástrofe natural”. Seria pedir muito que parte dos lucros milionários da EDP fossem canalizados para a manutenção da rede eléctrica e para o reforço das estruturas existentes, ou até para um impensável plano de emergência em caso de danificação da rede eléctrica. Era pedir muito claro, a EDP precisa de capital para investir nos EUA, não vai agora preocupar-se com um serviço que tem por compromisso prestar aos clientes e que para mais é essencial. Que raio de ideia achar que os clientes/cidadãos vêm antes do lucro…É que a manutenção e renovação da rede eléctrica ainda custa dinheiro, assim como a contratação de mais técnicos (é mais rápido e eficiente vir uma equipa técnica do Minho para Torres Vedras…). Há que ser compreensivo, até era Natal... Ninguém poderia prever que anos e anos de medidas ambientais adiadas, tivessem consequências no clima, não é? E o lucro faz tanta falta…

sábado, setembro 13, 2008

Uma coisinha muito simpática de se fazer...

O novo relatório da Greenpeace, "Envenando a pobreza" mostra como os EUA e a UE estão a enviar lixo electrónico ilegalmente para países Africanos, como aliás já faziam com a China e a Índia. Depois dezenas de crianças desmontam os componentes deste material obsoleto, ficando sujeitas a contaminações e radiações dos produtos químicos neles contidos. Nos ferro-velhos do Gana trabalham várias crianças, cujos pais em situação de pobreza extrema, enviaram para a cidade em busca de algum dinheiro. Ficam alguns excertos do relatório, via DN online:


"A Greenpeace comprovou que havia crianças a trabalhar no mercado de ferro-velho de Agbogloshie. A maioria tem entre 11 e 18 anos, embora haja algumas com apenas cinco. Muitos foram enviados pelos pais para a capital para ganhar dinheiro" (...) As marcas encontradas no local vão desde a Philips à Nokia, passando pela Siemens, Sony e Microsoft. As etiquetas mostram que são enviadas por várias organizações, como a Den Kongelige Livgarde (Guarda Real dinamarquesa) ou a Agência de Protecção Ambiental dos EUA. Os resíduos electrónicos que têm proveniência europeia vêm quase todos do porto de Amberes - na Bélgica.

As amostras de solo recolhidas no Gana e analisadas por uma equipa de investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, revelaram que há uma contaminação muito perigosa nestas lixeiras electrónicas, onde os materiais são desmontados à mão e sem qualquer protecção. O metal é separado do plástico. O que não presta é queimado a céu aberto.

"As crianças desmontam os resíduos tendo como únicas ferramentas as suas mãos e uma pedra. Eles procuram as partes metálicas, especialmente o alumínio e o cobre, que podem amontar separadamente. Quando queimam os resíduos libertam no ar partículas de pó e vapores, potencialmente tóxicos, que podem penetrar nos pulmões", lê-se no mesmo relatório da Greenpeace.


Realmente não há limites para a exploração económica dos mais fracos, nem ética, nem moral, nem Cartas Fundamentais dos Direitos Humanos. Não bastava o colonialismo do passado, a exploração continua nas suas múltiplas formas, das mais flagrantes às subtis experiências das farmaceúticas e agora, ao "dumping" de lixo electrónico contaminado... Sem dúvida, uma coisinha muito simpática de se fazer... Mais uma... E palpita-me que não será a última...


domingo, dezembro 16, 2007

Bali


Cartoon de Pat Bagley

In "Today's best Cartoons"

domingo, novembro 25, 2007

Movido a petróleo

Cartoon de Cristo Komarnitski

in Today's Best Cartoons

quinta-feira, outubro 25, 2007

Incêndios e alterações climáticas

«Os catastróficos incêndios que há quatro dias devastam o Sul da Califórnia correspondem ao que já vinha a ser previsto pelos climatologistas. "É exactamente o que tínhamos dito que iria acontecer, tanto em previsões de curto prazo para este ano quanto em relação aos padrões de longo prazo que podem ser ligados às alterações globais de clima", disse o bioclimatologista Ronald Neilson, professor da Universidade do Estado de Oregon, EUA.

Os fogos na Califórnia já destruíram 1500 casas e forçaram a evacuação de meio milhão de pessoas, a maior evacuação da história do estado.


(...) Para Neilson, partes dos Estados Unidos podem vir a sofrer períodos de maior precipitação, seguidos de outros mais secos do que o normal: "À medida em que o planeta aquece, mais água se evapora dos oceanos e essa água tem cair nalgum lugar como precipitação", disse. "Isso pode levar, em certas alturas, a um maior crescimento da vegetação... Mas o aquecimento global e outras forças climáticas também vão criar secas periódicas. Se aparece uma fonte de ignição durante estes períodos, os incêndios podem tornar-se explosivos".

Para Neilson, "No futuro, incêndios catastróficos como o actual na Califórnia podem simplesmente ser uma parte normal da paisagem."


Em estudos realizados há cinco anos, Neilson e outros investigadores da Universidade do Estado do Oregon previram que o Oeste americano poderia tornar-se ao mesmo tempo mais húmido e mais seco no próximo século, condições que iriam levar a incêndios muito maiores do que jamais foram vistos na história recente.»


In "Esquerda Net"


Pois é, parece que não cumprir o Protocolo de Quioto e ignorar o problema das alterações climáticas, não foi lá muito boa ideia...

domingo, setembro 30, 2007

sábado, agosto 25, 2007

Falar de transgénicos ou de eco-terrorismo?

Mesmo no meu alheamento de férias, consegui ouvir falar de Eco-Terrorismo, Movimento Verde Eufémia e milho transgénico. Pelo que vejo muita tinta correu sobre o assunto. Não sobre o que é isso de alimentos transgénicos e que perigos apresentam para o ambiente e para a saúde. Mas sim da forma como os verde-eufémios agiram e o método utilizado descredibilizaram a causa anti-transgénicos, dando aso a discursos de «ai a extrema-esquerda rastafaria turculenta que destrói a propriedade privada e que ainda por cima é do bloco esquerda».


Até o Presidente da República, que acha que perante o incumprimento da lei o cidadão deve queixar-se aos tribunais, condenou veementemente esta acção. É que agora não estamos a falar de Alberto João Jardim e da IVG, mas sim de arruaceiros destruidores da propriedade privada. Não vá a moda pegar e começarmos a ouvir falar de edu-terrorismo, quando alguma escola fechar e os pais resolverem partir mesas e cadeiras, ou saúde-terrorismo quando fechar alguma urgência ou maternidade. Suponho que os ataques à democracia e ao estado de direito, tenham uma gravidade diferente de acordo com quem os pratica.


São lamentáveis os métodos usados pelos verde-eufémios, mas daí a falar de eco-terrorismo... Eco-parvoíce parece-me mais apropriado (como bem observou Ricardo Araújo Pereira na Visão). Mas não deixa de ser parvoíce, reduzir esta questão a radicalismos de extrema-esquerda e perder a oportunidade de debater seriamente a questão dos alimentos transgénicos. Não deixo de me perguntar se aqueles que estão tão preocupados com a extrema-esquerda, gostariam de ter no seu prato um alimento geneticamente modificado...


Parece-me interessante a leitura de alguns artigos do site da Greenpeace, que alertam contra os riscos dos transgénicos no que diz respeito à perda de biodiversidade, ao aumento da resistência aos antibióticos e das alergias. Lendo os artigos que estão aqui e aqui, encontro motivos de preocupação. Talvez seja só de mim, mas o ambiente e a nossa saúde não serão mais importantes, que um movimento de meia-duzia de arruaceiros radicais, sem qualquer expressão?

sábado, julho 07, 2007

Em dia de Live Earth…

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Tenho estado a espreitar a cobertura da RTP do Live Earth e as intervenções dos diferentes convidados. Estou a achar piada, porque toda a gente tem uma dica ambiental de algibeira ou um dedo a apontar aos hábitos dos cidadãos, mesmo não sendo especialistas na matéria. Tem sido mais o tempo dedicado a ouvir “personalidades” que nada têm de ambientalistas ou ecologistas, que aos concertos em si e pior, em detrimento de alguns convidados que são realmente ambientalistas, biólogos ou especialistas em energias alternativas.


Não pretendo com isto dizer que as dicas de algibeira não sejam importantes. Os pequenos gestos, de cada um de nós são fundamentais e existem muitos comportamentos amigos do ambiente que o cidadão comum ainda não interiorizou. Aliás, infelizmente, basta-me espreitar pela janela, para ver lixo atirado aos canteiros do jardim. Também convém não fingir que somos todos bem comportadinhos e que as pessoas que bombardeiam a RTP com mensagens ambientalistas, não são as mesmas que vão deixar o lixo do picnic na mata ou na praia, daqui a uma semana ou duas…


Embora se tenha falado do protocolo de Quioto e da actuação pouco ambientalista de sucessivos governos, a tónica está a ser colocada nos comportamentos cívicos, sobretudo a reciclagem e a poupança de água. Falou-se muito pouco dos malefícios de um consumismo exagerado, desde a aquisição de carros de alta cilindrada, aparelhos de ar condicionado e outros produtos que de eficiência energética nada têm. Não vão as pessoas passar a gastar menos dinheirinho, em coisas que realmente não precisam…


O que me parece muito grave é que não se tem falado do papel do cidadão, enquanto eleitor e enquanto voz activa, capaz de mobilizar e sensibilizar outros cidadãos. Pouco se tem falado da responsabilidade de eleger governos que tenham efectivamente preocupações ambientais. Ainda existem governos que se recusam a ratificar o Protocolo de Quioto. Os lobbies económicos ligados aos complexos industriais altamente poluentes e à indústria petrolífera, também têm sido convenientemente esquecidos. É impressão minha, ou é mais fácil apontar o dedo ao indivíduo que lava os dentes de torneira aberta ou toma banho duas vezes por dia?