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quinta-feira, agosto 07, 2008

Viva um Estado militar e sem imigrantes

Nunca percebi bem, porque é que os italianos continuam a eleger Berlusconi como governante. Há coisas que pura e simplesmente nos escapam, como o segredo para a felicidade ou o sentido da vida. O senhor usa o poder para obter impunidade e não ser julgado pelos crimes de corrupção, que alegremente foi cometendo. E os italianos não parecem importar-se. A justiça não o incomoda, mas os ciganos e os imigrantes sim. Curiosamente a mafia também não o incomoda.

As minorias foram inventariadas e etiquetadas, centros de apoio aos imigrantes foram encerrados. Como se isso não fosse pouco, 3 mil militares estão nas ruas a vigiar não se sabe bem o quê e a inspirar segurança não se sabe muito bem a quem. Talvez a Itália tenha recebido alguma ameaça de guerra, que desconhecemos. Chegou-se ao ponto de proibir o ajuntamento de 3 ou mais pessoas na pacata cidade de Novara. Eu ia adorar não poder passear com os amigos ou a família, porque sei lá, poderiamos provocar um motim...

Talvez seja impressão minha ou há aqui direitos e garantias individuais dos cidadãos a serem espezinhados? Deve ser impressão minha, porque dos grandes líderes da comunidade internacional, ninguém se pronunciou. Mas não posso ser injusta, as agências de viagens italianas pronunciaram-se contra estas medidas, assustar os turistas é um bocado chato para quem vive das receitas do turismo...

domingo, setembro 23, 2007

Marketing aplicado à imigração

O governo espanhol lançou este vídeo, a ser exibido no Senegal, alertando para os perigos da imigração ilegal e das arriscadas viagens da costa africana à Europa.



Genuína preocupação com os imigrantes senegaleses e as suas famílias? E se o vídeo também mostrasse o que acontece a quem fica, como é o seu dia a dia e em que condições vivem? E se no vídeo se explicasse como os países Africanos saem prejudicados neste mercado globalizado? Genuína preocupação seria uma estratégia concertada de cooperação e de ajuda ao desenvolvimento, por parte dos países ditos desenvolvidos. E por cooperação, entenda-se dotar os países africanos de infra-estruturas, educação e formação que lhes permitam construir o seu próprio desenvolvimento. Mas isso traria custos económicos sem lucros óbvios, e para quê quando o marketing é bem mais rápido e eficaz?

sábado, julho 21, 2007

Objectivo: Gilbraltar

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Não é uma situação nova, é apenas mais uma situação esquecida. Só nos vem à memória, quando algum telejornal noticia um naufrágio trágico de um frágil barco de imigrantes. Esquecemos que em Marrocos existe um “campo de retenção informal”, onde 300 a 400 pessoas sobrevivem graças ao auxílio de associações locais e dos Médicos Sem Fronteiras, em condições desumanas, sujeitas a repressões policiais e às máfias locais. Chegam da Nigéria, Camarões, Senegal, Mali, Costa do Marfim e Republica Democrática do Congo e alguns sobreviventes de Darfur. São jovens e a maioria tem um nível de educação que ultrapassa o ensino secundário e uma profissão, só queriam uma vida melhor.


A partir de 2002, a precária situação dos imigrantes agrava-se. Conduzidos pelo então primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar, diversos países do Velho Continente ameaçaram bloquear os auxílios financeiros aos países africanos de “saída” e de “trânsito” que não os ajudassem a combater os clandestinos. O célebre “cordão sanitário” em torno da União Europeia, leva estes países a reter os migrantes, com repressões violentas, pisoteando os direitos humanos mais elementares.


As perigosas travessias realizam-se agora a partir da Mauritânia, do Senegal ou de Dakar. São viagens mais longas e arriscadas, prevê-se que um em cada seis imigrantes, morra afogado na travessia. Daí a persistência da rota marroquina e com ela as repressões brutais, a extorsão, os sequestros, a expulsão violenta para o deserto, após uma viagem de 12 horas. Largados no deserto, sem nada… Ninguém é poupado: nem as mulheres grávidas, nem as crianças, nem os refugiados ou os que pedem asilo.


Leio o testemunho de Alphonse. Há três anos que está no campo de retenção de Marrocos à espera de uma oportunidade:

“Tiram-te tudo — telemóvel, dinheiro. Colocam-te num camião que segue até o Sul durante 12 horas. Depois atiram-te assim, no meio do deserto. É a humilhação da pele negra” (…) “Aqui, vivemos no terror. Não durmo. Espero sempre uma repressão da polícia. Roubam-nos tudo, esmurram-nos, colocam 800 de nós num mesmo quarto, onde não conseguimos respirar. Tudo o que peço é o direito a ter direitos”.


domingo, abril 15, 2007

Mais tiques totalitários?

Além disso, o Governo australiano está a estudar o endurecimento das normas actuais quer para os trabalhadores estrangeiros quer para quem solicite asilo político no país, admitindo poder haver excepções por "considerações humanitárias", disse Howard à ABC.
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"Creio que deveríamos ter exigências o mais restritivas possível à escala nacional", acrescentou Howard, informando que o ministro da Saúde, Tony Abbot, está a ultimar essa política.»

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«A Austrália, um dos países com leis de imigração mais restritivas em todo o mundo, poderá vir a recusar asilo ou visto de imigração a portadores de HIV. A proposta é do primeiro-ministro John Howard, preocupado com o crescimento alarmante das taxas de infecção no país.
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Howard sublinha que esta norma não seria muito diferente da que proíbe a concessão de visto a doentes com tuberculose, mas David Puls, responsável centro de apoio jurídico a doentes de sida do estado de Nova Gales do Sul lembrou que o HIV não é considerado uma ameaça à saúde pública, tanto mais que, ao contrário do bacilo da tuberculose, não se transmite por via aérea.»

In Publico online


Compara-se a SIDA à tuberculose, como se o processo de contágio fosse idêntico. Será que as campanhas de prevenção do HIV, são assim tão dispendiosas? Mas isto é uma questão de saúde pública ou de restrição à imigração?
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Quando qualquer pretexto serve para discriminar, devemos começar a preocupar-nos…

sábado, abril 07, 2007

Para quem tem dúvidas sobre a imigração

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Uma semana depois do cartaz xenófobo colocado no Marquês de Pombal, o Diário Económico revelou que os imigrantes que trabalham em Portugal contribuem 7% para a riqueza nacional, o equivalente a uma Portugal Telecom por ano ou a cinco Auto-Europas, ou seja, cerca de 11 mil milhões de euros. Isto apesar da exploração a que estão sujeitos, das dificuldades em obter a legalização, e da recusa dos bancos em fornecer empréstimos os imigrantes para compra de casa.

Segundo notícia do Diário Económico, os imigrantes em Portugal contribuem para 7% do PIB. Eduardo de Sousa Ferreira, professor catedrático do ISEG, explica que, apesar de só existirem dados concretos até 2005 que «apontavam para um contributo de 5% a 6%, mas a partir daí pode considerar-se os 7%, até porque os imigrantes ocupam agora funções mais qualificadas». O especialista lamenta no entanto a falta de informação causada pela ilegalidade em que muitos dos imigrantes permanecem.


Cartoon de Mike Keefe

Maria Lucinda Fonseca, investigadora do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, sustenta que os imigrantes, que deverão atingir o meio milhão este ano, «têm uma taxa de actividade mais elevada do que a restante população activa portuguesa, em parte devido à sua estrutura etária». A investigadora especifica que «os imigrantes representam actualmente cerca de 9% a 10% da população activa nacional apesar de serem menos de 5% da população portuguesa». Este facto determina que os imigrantes contribuam mais do que aquilo que beneficiam em termos de segurança social, pois apenas 2,5% dos pensionistas são imigrantes.


Também o contributo dos imigrantes enquanto consumidores tem permitido alimentar a procura interna, "indicador que até 2006 foi fundamental para sustentar o crescimento económico. Helena Rato, directora do departamento de investigação do Instituto Nacional de Administração, lamenta no entanto o facto de os imigrantes não poderem comprar casa, devido à atitude dos bancos que "temem incumprimentos nos empréstimos". A directora classifica essa atitude de "irracional" já que "a casa fica sob hipoteca", acrescentando que "a residência fixa é um requisito para a legalização". De facto são dezenas de milhares os imigrantes que não estão legalizados, ficando assim à mercê da exploração fácil e sem direitos sociais fundamentais.