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Os franceses preparam-se para escolher um novo presidente. Está em jogo, na minha opinião, uma orientação política para a Europa. A França sempre constituiu uma espécie de barómetro ideológico e político para os restantes países da União Europeia. Joga-se uma ideia de esquerda e de direita, mas também um estilo pessoal de fazer política.
À direita, Sarkozy radicaliza a luta contra a imigração, com um discurso intolerante e agressivo em nome da identidade nacional. O liberalismo económico é levado ao extremo e a nível internacional, há uma colagem à política externa da administração Bush. Definitivamente, não é esta a ideologia política que eu gostaria de ver como referência, até porque a actuação de Sarkozy, enquanto ministro do Interior, só endureceu a violência e as clivagens sociais. Espero que os franceses não esqueçam o contrato do primeiro emprego, e a tentativa de impor a precariedade laboral como norma.
À esquerda, Sególene Royal, propõe uma ideia de esquerda renovada, próxima do “socialismo de Blair” (e friso, entre aspas…), que contesta, por exemplo a semana de 35 horas de trabalho, mas simultaneamente mantém o discurso social. A proximidade a Blair, assusta-me em Sególene, mas a convicção com que defende um projecto de esquerda que promova a integração e a coesão social, leva-me a dar-lhe o benefício da dúvida. Um motivo de confiança, será sem dúvida, porque a alternativa é Sarkozy. O outro motivo é o meu desejo de ver uma política efectivamente de esquerda na Europa, à semelhança do que fez Zapatero.
Se Sarkozy ganhar, será uma longa caminhada no deserto para a esquerda europeia. Se Sególene ganhar, a esquerda poderá adquirir um novo alento, mas só se, a política que levar a cabo não for a falsa esquerda de Blair e Sócrates. Só o futuro o dirá, para já prefiro manter-me optimista e acreditar em Sególene. A ideia de esquerda precisa definitivamente de ser encarada com seriedade. Apesar das minhas reservas, espero que o seja com Sególene Royal.
Adenda: A ler o Manifesto dos Intelectuais de Esquerda no Libération, ou a tradução aqui.