domingo, maio 02, 2010
segunda-feira, dezembro 08, 2008
A condição humana numa sala de cinema
Sentia-me tentada a defender a espécie, até olhar em volta. Bastou olhar para aquela sala de cinema. Sem catástrofes, nem em situações limite, os seres humanos à minha volta conseguiram fazer da sala uma pocilga, obrigaram-me a perder 20 minutos do meu tempo a ver publicidade que eu não pedi, nem paguei para ver e ainda ouvi o mesmo telemóvel tocar por várias vezes durante o filme. Dignidade, ética, moral? Nem no dia-a-dia, muito menos em situações limite...
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Descritores: Angústia existencial, Humanidade, Moral
domingo, novembro 18, 2007
Deontologias
Mais do que a existência ou não de uma supremacia da lei ou do estado sobre a liberdade de um órgão corporativo definir o seu código deontológico, para mim a questão central é como pode um código deontológico impor uma determinada concepção de vida humana, cuja definição não é cientificamente unânime e que se prende com uma questão de consciência individual e ética pessoal?
Pretende a Ordem dos Médicos condenar como falta de ética um profissional que leve a cabo um procedimento de IVG, será correcto punir ou expulsar quem não apresente objecção de consciência a tal prática e ainda por cima está no cumprimento da lei e a respeitar o Estado de Direito? O Bastonário garante que não o fará, no entanto acusará esse profissional de “falha grave” e poderá garantir que esse médico não será discriminado social e profissionalmente? Quantos médicos vão quebrar o código deontológico, para cumprir a lei? A resposta é óbvia e as intenções da ordem também.
A Ordem acusa o Estado de autoritarismo por exigir a alteração do Código Deontológico. Pergunto eu, o que é afinal mais autoritário: um Estado que pretende que um código deontológico respeite a liberdade de consciência e o estado de direito ou uma Ordem cujo código deontológico não respeita a liberdade de consciência e o estado de direito? Sendo que a posição dos objectores de consciência à IVG está prevista e legitimada na lei, porque deverão os que não partilham desse ponto de vista ser acusados de falta de ética ou de despeito pelo código deontológico da sua Ordem profissional?
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Descritores: Aborto, Moral, Política Nacional
domingo, agosto 26, 2007
A citação: Robin dos Bosques ao contrário
«... não só ou nem tanto, por ser líder do partido socialista, mas por uma questão moral, de decência, José sócrates deve dizer ao país o que vai fazer para diminuir de forma significativa, a escandalosa desigualdade social e para acabar com uma situação que se pode dizer caricaturalmente, ser de Robin dos Bosques ao contrário. Isto é: na qual se tira (para não dizer se “rouba”) aos que mais precisam, para se dar aos que mais têm. Situação na qual muitas vezes os mais ricos, os que negoceiam com o próprio dinheiro ou jogam na Bolsa, são os que pagam menos impostos: quer por as taxas para eles serem menores, quer por se servirem dos nefandos off-shores, quer por terem ao seu serviço, pagos a peso de ouro, os especialistas em aproveitar certos “buracos”, incluindo de leis que eles próprios fizeram ou ajudaram a fazer.»
José Carlos de Vasconcelos, “Desigualdade e decência” in Revista Visão de 23/08/2007.
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Descritores: Desigualdade, Moral, Política Nacional
domingo, janeiro 21, 2007
A moral segundo Kohlberg
«A teoria de julgamento moral de Kohlberg é rica pelo facto de postular uma sequência universal, da qual os estágios mais altos (5 e 6) constituem o que ele chamou de pensamento pós-convencional. Ao contrário da maior parte das explicações sociais e psicológicas, que consideram a interiorização de valores da sociedade como o ponto terminal do desenvolvimento moral (perspectivas de Durkheim, Freud e do behaviorismo), para Kohlberg a maturidade moral atingida quando o indivíduo é capaz de entender que a justiça não é a mesma coisa que a lei; que algumas leis existentes podem ser moralmente erradas e devem, portanto, ser modificadas. (…)Assim, segundo o autor, existem três níveis da moralidade. O primeiro chamou de nível pré-convencional que se caracteriza pela moralidade individualista, onde "as regras morais derivam da autoridade, são aceites de forma incondicional e a criança obedece a fim de evitar castigo ou para merecer recompensa". O indivíduo deste estágio, define a justiça em função de diferenças de poder e status, sendo incapaz de diferenciar perspectivas nos dilemas morais. (…)
O segundo nível, classificado por Kohlberg, foi chamado de nível convencional, no qual se valoriza o reconhecimento do outro e inclui dois estágios: o da moralidade da normativa interpessoal e o da moralidade do sistema social. No primeiro começa-se a seguir as regras para assim garantir um bom desempenho do papel de "bom menino" e de "boa menina", percebe-se uma preocupação com as outras pessoas e seus sentimentos. Já no segundo estágio, o indivíduo "adopta a perspectiva de um membro da sociedade baseada em uma concepção do sistema social como um conjunto consistente de códigos e procedimentos que se aplicam imparcialmente a todos os seus membros" (DÍAZ-AGUADO e MEDRANO, 1999, p. 31).
O terceiro nível foi chamado de nível pós-convencional, considerado por Kohlberg, como o mais alto da moralidade, pois o indivíduo começa a perceber os conflitos entre as regras e o sistema, o qual foi dividido entre o estágio da moralidade dos direitos humanos e o estágio dos princípios éticos universais. Neste nível, os comportamentos morais passam a ser regulados por princípios.
"Os valores são independentes dos grupos ou das pessoas que os sustentam, porque são princípios universais de justiça: igualdade dos direitos humanos, respeito à dignidade das pessoas, reconhecimento de que elas são fins em si e precisam ser tratadas como tal"»
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segunda-feira, dezembro 11, 2006
Humanidade, convicções e impunidade
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Chama-se “Children of Men” (“Os Filhos do homem”) de Alfonso Cuarón e mostra a debilidade da condição humana e das nossas convicções. A humanidade em 2027 debate-se com o problema da infertilidade e possível extinção, caindo num estado de total anarquia. É impressionante ver que as pessoas passeiam as suas vidinhas pacatas indiferentes às jaulas onde estão seres humanos como eles, só porque são emigrantes ilegais... e o grupo de activistas que luta contra esta situação, também acaba por abdicar das suas convicções.
Este filme explora a fraqueza da condição humana e a desculpabilização dos actos que hostilizam e excluem uma maioria, para que alguns eleitos mantenham os seus privilégios. A condição humana surge-nos em toda a sua complexidade. Todo o tipo de actos hediondos vão sendo cometidos e admitidos.
O filme é um excelente pretexto para discutir até que ponto o ser humano, abdica de toda a ética em situações extremas. A impunidade que vemos hoje em dia na nossa sociedade, assume em 2027 ainda maior protagonismo. Se hoje a nossa sociedade globalizada admite que se ganhem 342 milhões de euros com o tráfico de seres humanos, ou que 2% da população detenham 50% da riqueza mundial... será assim tão descabido que no futuro, milhares de emigrantes permaneçam enjaulados, perante a passividade daqueles que têm o privilegio de uma vida confortável?
E nós, o que faríamos? Escolhíamos uma vidinha confortável? Será que nos juntávamos ao grupo terrorista que reage à situação dos emigrantes, mas que compromete os seus próprios ideais, quando os fins justificam os meios? É muito cómodo e ingénuo, pensar que faríamos o que está certo... Parece-me que ninguém pode dizer com segurança, até que ponto se mantém fiel às suas convicções em situações limite. É uma questão que coloco a mim própria muitas vezes e sobre a qual só consigo especular.






