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segunda-feira, novembro 27, 2006

Avalanche publicitária natalícia

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Cartoon de Plantu

segunda-feira, novembro 13, 2006

"Doença de Crunch"

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Mais uma daquelas conversas mirabolantes, escutada sem querer num transporte público. Dois rapazinhos com idades entre os 10 e os 11 anos, trocam experiências dolorosas de doenças gravíssimas que já padeceram apesar da tenra idade. E notem, tratam-se de crianças num autocarro e não de senhoras reformadas na sala de espera do centro de saúde.

Um dos meninos queixa-se que uma vez levou um murro no pâncreas, e teve que ir para o hospital e teve de ser operado, mas ainda teve de ficar lá duas semanas para os médicos confirmarem se o pâncreas estava efectivamente curado. Um aparte, neste momento, eu pensei, a sorte do miúdo esta estadia no hospital ter sido pré-Correia de Campos, senão a história do pâncreas ia sair cara....

Mas adiante, que o outro rapazinho também tem uma história patológica para contar:

«Já ouviste falar na doença de Crunch? Eu tenho isso, uma das minhas pernas tem 1.8 cm a menos que a outra, mas o meu caso não é grave. Eu sei de uma menina que a perna tinha 2.8 cm a menos e ela teve de ser operada. E esticaram-lhe os ossos, só que depois ela ia andar e aquilo partiu-se tudo e ela ficou com uma perna 10 cm mais pequena que a outra».

O drama e o horror na cara do rapazinho nº1, que ele tal como eu nunca ouviu falar na doença de Crunch, doença essa que transformava o internamento por murro no pâncreas numa maleita banal e inconsequente. Já para o Correia de Campos, a perspectiva de centenas de crianças padecendo da doença de Crunch, por esse país fora a pagar taxas de internamento, deve ser uma visão agradável.

Nesta altura passou-me pela cabeça, que o rapazinho nº2, sentisse já o grave sindroma do portuga adulto “a minha doença é sempre mais grave que a tua” e como lhe falta o vocabulário médico, achou por bem, baptizar a doença com o nome do seu chocolate preferido... Mas tanta patranha inconsequente da boca de um rapazinho de 10 anos? Eu que pensava que os temas favoritos dos meninos desta idade fossem playstation e playstation...

O meu comentário:

Ainda tentei formular uma explicação psico-sociológica para este fenómeno, mas sem resultados. Tentei lembrar-me de mim naquela idade e dos meus amigos e não me recordo de alguém ter sentido necessidade de inventar doenças, para impressionar o outro. Lembro-me que inventávamos, mentíamos, usávamos a imaginação para improvisar brinquedos e brincadeiras onde eles não estavam. E quando mentíamos, e inventávamos longas historias que nada tinham de verdade, eram os nossos sonhos, os heróis, os polícias, os detectives, os ladrões, os príncipes e as princesas...
Não era certamente a doença de Crunch... É só de mim ou isto é tudo muito estranho?