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terça-feira, julho 12, 2011

Aniversário de tudo e de coisa nenhuma...



My lover, you took me down to the valley
Where are you, my lover?
My killer, you took me down to the valley
You gave me a real good time
My brother, my sister

Return, Return
Return, Return, to me

Sister, this pain is real,
a stranger of which I know nothing Is out by my doorstep
He is my lover, my killer
He’s the breath beneath my wings
And the ropes around my ankles
He will take me down to the valley
Where my steps are unheard

Return, Return
Return, Return, to me

My hands up on the sky and my feet sinking in the sea
And that’s more, so much more than I can take too

Return, Return
Return, Return, to me

A Jigsaw

sábado, janeiro 01, 2011

2010: o meu balanço

Andei pelo meu blog, a ver o que eu sentia nos últimos dias de Dezembro dos anos que passaram. É incrível como as preocupações se repetem e todos os anos lamento «O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor». Aqui fica o ano de 2010, revisto pela minha memória subjectiva e selectiva:

A música
“The suburbs” – Arcade Fire
“A Day In The Day Of The Days” - Noiserv
“High Violet” – The National
“Lights&Darks” – Rita Redshoes

O poema
“Mistério do mundo” – Fernando Pessoa
“Invictus” – William Ernest Henley

O filme
“Shutter Island”
“Inception”
“New York I love you”

A série
Nada de novo, como “Lost” acabou, continua a ser “House MD”, “Fringe”, “Dexter” e “The daily show with Jon Stewart”

Preocupante…

Os odiosos planos de austeridade a pretexto da crise financeira provocam uma verdadeira catástrofe social e o aumento da pobreza
A escandalosa protecção à banca e ao sistema financeiro
A acção dramática do FMI na Irlanda
O aumento de catástrofes naturais causadoras de muitas mortes e prejuízos (sismos no Haiti, Chile e China, cheias no Paquistão…) que só levam a pensar que a ganância do homem e a destruição do meio ambiente, terá um preço cada vez mais elevado
O que acontece quando se denunciam os podres da democracia – caso Wikileaks e prisão de Julian Assange

Por cá, não menos preocupante…

Batem-se recordes dramáticos: 600 mil desempregados, 20% da população é pobre, 40% ganha menos que 600 euros mensais
Os planos de austeridade do governo socialista de direita, empenhado em arruinar os mais desprotegidos, doentes, desempregados
Sistematicamente é excluída dos sacrifícios uma elite que controla a banca e o sistema económico em geral, cuja promiscuidade com o poder politico é evidente
Lançam-se as fundações de uma recessão em 2011, que lançarão milhares na pobreza e no desemprego, numa injustiça social sem precedentes
O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor, que vejo desde 2006 e infelizmente volto a ver este ano... (sim, infelizmente repeti-me)

quarta-feira, junho 30, 2010

O mistério do mundo

O mistério do mundo,
O íntimo, horroroso, desolado,
Verdadeiro mistério da existência,
Consiste em haver esse mistério.
...

Não é a dor de já não poder crer
Que m’oprime, nem a de não saber,
Mas apenas completamente o horror
De ter visto o mistério frente a frente,
De tê-lo visto e compreendido em toda
A sua infinidade de mistério.
...


Quanto mais fundamente penso, mais
Profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar...

Só a inocência e a ignorância são
Felizes, mas não o sabem. São-no ou não?
Que é ser sem o saber? Ser, como a pedra,
Um lugar, nada mais.
...

Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar...
...

Alegres camponesas, raparigas alegres e ditosas,
Como me amarga n’alma essa alegria!

Fernando Pessoa

domingo, maio 02, 2010

Valores ...



Valores do Séc. XXI por Quino

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Nothing's gonna change my world



"Across the universe"
The Beatles

terça-feira, janeiro 19, 2010

Inadaptado

«Terei uma única ideia original na cabeça?
Na careca cabeça?
Talvez se fosse mais feliz, o meu cabelo não caísse.
A vida é curta, tenho de aproveitá-la ao máximo.
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
Sou uma frase-feita ambulante...
O médico vai mesmo ter de me observar a perna,
há nela um caroço qualquer.
O dentista voltou a ligar, já lá devia ter ido.
Se não adiasse coisas seria feliz,
mas passo a vida de cu sentado.
Se o meu cu fosse menor era mais feliz,
não tinha de usar fraldas da camisa para fora.
Como se enganasse alguém...
Devias voltar ao jogging, bucha,
correr uns quilómetros por dia.
Correr a sério, desta vez.
Ou fazer alpinismo.
Tenho de mudar mesmo de vida.
Mas como? Tenho de me apaixonar,
de arranjar uma namorada.



Tenho de ler mais, de me cultivar.
E se aprendesse russo?
Ou um instrumento?
Podia aprender chinês,
Seria o guionista que fala chinês
e toca oboé. Ia ser giro.
Devia usar o cabelo curto
e parar de fingir a mim e a todos
que tenho montes de cabelo.
É tão patético...
Devo ser verdadeiro, confiante,
Não é isso que atrai as mulheres?
Os homens não têm de ser bonitos.
Hoje-em-dia isso não é verdade,
Agora há quase tanta pressão
sobre nós como sobre elas.
Por que sinto ter de pedir
desculpas por existir?
Talvez o meu problema seja
a química errada no meu cérebro,
todos os meus problemas e ânsias
serem devidos a um desequilíbrio
químico ou dissociação de sinapses.
Tenho de consultar um médico...
Mas continuaria a ser feio,
Quanto a isso, nada a fazer.»

"Adaptation" 2002

sábado, setembro 19, 2009

Se fosse só a poluição a dar vontade de mudar de planeta...



.Esta sequência telenovelística da asfixia democrática, das escutas, do Presidente da República e dos emails, lembra-me este cartoon e dá-me vontade de me pirar daqui...


Calvin & Hobbes
in Jornal Público

sábado, setembro 12, 2009

Não há verdade

Génesis

De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.


Por mais justiça ... - Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena

quinta-feira, julho 30, 2009

Stupid me...



Placebo
"Battle for the sun"
2009

domingo, abril 26, 2009

Para todas as jovens almas censuradas



José Mário Branco "Queixa das jovens almas censuradas"

Dedicado a todas as jovens almas censuradas, as de ontem e as de hoje...

quinta-feira, março 26, 2009

Ninguém é quem queria ser



Manuel Cruz "Foge, Foge Bandido"

domingo, março 15, 2009

Crónico... parece que sim


A Chronic dream by Coco Martin

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Obrigado Amiga!

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversas de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

terça-feira, dezembro 30, 2008

As palavras que perdi ontem...

Detesto quando isto acontece. Ontem pensei num texto muito razoavelzinho para postar no blog. Acontece que não tinha onde escrever. Hoje que tenho o écran vazio à minha frente, não me sai nada de espirituoso. Podia tentar lembrar-me das palavras, mas já não saem da mesma forma. Não ia adiantar. Mais vale articular um discurso inflamado contra as incursões israelitas na faixa de Gaza. Os bombardeamentos a supostos ninhos de terroristas ceifam a vida de centenas de civis inocentes, mas esse é sempre um dano colateral justificado. É um argumento que se torna aborrecido, já para não julgar a ética e a moral de quem o profere. E atenção que o meu discurso inflamado aplica-se também ao Hamas, aos turcos e ao terrorista que se explodiu junto a uma escola no Paquistão.

O meu texto de ontem não era sobre a guerra. Era sobre estar acorrentado a uma realidade que não se quer viver. O que até tem muito a ver com o que estou a escrever agora. Quem havia de querer esta realidade? Bombas como prendas de Natal, subtilmente para ninguém ver, para ninguém se indignar. Sim indignar-se! Que mais pode um acorrentado fazer, senão indignar-se.

No meu texto de ontem falava de uma fuga para um mundo, onde ninguém me consegue acorrentar, onde eu sou livre de gritar o que quero. Soava bem melhor ontem. Uma fuga para puder ser quem eu sou. Ia fazer o que eu sei fazer bem e não o que me obrigam a fazer. Se calhar também ia mudar o mundo, mas adormeci antes dessa parte. Lembrei-me porque tinha essas correntes, tinha de sobreviver, tinha de comer e de pagar uma casa. Não fosse alguém pensar que desacorrentar-me era uma opção.

A fuga era real, lembro-me agora. A fuga era esta. Este écran vazio. O meu blog. O meu mundo virtual. Isso não me tiram, aqui não me podem acorrentar. Aqui vejo quem eu sou e o que sou capaz de fazer. Vi o valor que as correntes não me deixam ver. Vi-me a mim, já me tinha esquecido quem eu era. Ontem sorri e sentia-me bem. Sim, aqui não me podem acorrentar e sim aqui posso mudar o mundo. Pena é que essas palavras se tenham perdido para sempre... Escrevo outras, escrevo sempre...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

A condição humana numa sala de cinema


Fui ao cinema ver o “Ensaio sobre a cegueira”. Como o cinema está localizado num mega centro-comercial apinhado com uma turba consumista, até ia altamente predisposta a maldizer a condição humana. Apesar de tudo, senti um murro no estômago. A humanidade será assim tão mesquinha, tão pronta a descer tão baixo, mesmo perante as contrariedades e estando em causa a sobrevivência?

Sentia-me tentada a defender a espécie, até olhar em volta. Bastou olhar para aquela sala de cinema. Sem catástrofes, nem em situações limite, os seres humanos à minha volta conseguiram fazer da sala uma pocilga, obrigaram-me a perder 20 minutos do meu tempo a ver publicidade que eu não pedi, nem paguei para ver e ainda ouvi o mesmo telemóvel tocar por várias vezes durante o filme. Dignidade, ética, moral? Nem no dia-a-dia, muito menos em situações limite...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Negro dentro de mim...

Só a escuridão. A escuridão que se vê quando se fecha os olhos e se vê: a cor negra e os pequenos seres de luz que a habitam. Sem conseguir olhar fixamente para o negro ou para a luz. O negro dentro de mim. As figuras de luz que o quebravam. Um negro tão absoluto, tão profundo e tão infinito que o olhar avançava por ele sem encontrar um lugar onde pudesse deter--se. Abri os olhos. Dentro de mim era vazio. Com o olhar sobre o corpo da minha mãe, via na janela o céu subitamente negro. A noite. A ideia do meu braço a tremer. O céu negro como o meu interior. E o céu, negro, negro, negro, rasgou-se como se todo o céu e toda a sua escuridão fossem um pano negro sobre o mundo. O céu rasgou-se num ruído de rochas a afastarem-se depois de milhões de anos. E o céu gritou um trovão que era a voz do mundo e da escuridão, um trovão que era a voz de todo o sofrimento do mundo. Um grito de terror. O céu e o mundo a dizerem um grito negro que explodia dentro de mim. Todo o sofrimento do mundo explodiu dentro de mim. A chuva começou a cair em gotas grossas sobre a noite. A chuva era feita de gotas grossas e negras que caíam do céu e que lançavam sobre a terra todo o sofrimento e toda a escuridão. Entrava chuva no quarto. (…) Entrava vento que trazia chuva e mais sofrimento e mais escuridão. A noite e a escuridão e o sofrimento eram como se tivesse passado os portões de ferro da morte. O céu gritava trovões, e a morte, repetida, enchia a casa e explodia dentro do meu peito vazio e negro.


José Luís Peixoto, "Uma casa na escuridão", p.173

terça-feira, outubro 28, 2008

Labirinto

«... Acabamos por nos envaidecer com subentendidos que afinal mudam tudo, como um sinal negativo colocado discretamente à frente de uma soma; esmeramo-nos, neste ou naquele passo, em fazer de uma palavra mais audaciosa o equivalente a uma piscadela de olho, ao levantar da parra, ou ao descer da máscara, logo a seguir reposta, como se nadafosse. Opera-se então uma triagem entre os nossos leitores; os parvos acreditam em nós; outros supondo-se mais néscios que eles, repudiam-nos; os que ficam, aprendem a desenvencilhar-se no meio do labirinto, a saltar e a contornar os obstáculos da mentira.»


Marguerite Yourcenar, "A obra ao negro", Ed. D. Quixote, p. 88.


quinta-feira, outubro 23, 2008

Tapa-sonhos


Se alguém tem dúvidas acerca de quem poderia, alguma vez, lembrar-se de fotografar a filosofia de pacote de um iogurte "Danone"... sim, fui eu que tirei a fotografia... :))

Eu sabia que alguma coisa me boicotava os sonhos... agora que era uma tampa de iogurte!!

Ou não... ou não...




terça-feira, outubro 07, 2008

Não é giro questionar o evidente?

Hoje é um dia curioso. Um Estado pode ir à falência, e ainda por cima a Islândia. Parece que não se deve confiar demasiado no mercado, agora é tarde... E o pessoal começa a pensar se não deve levantar o dinheirito do banco, uma vez que os islandeses já não podem. Os Ministros vêm dar garantias. O Vítor Constâncio apela a que não se ouçam boatos. Eu não estaria preocupada com boatos, se fosse dona da Mota Engil e me chamasse Jorge Coelho. Ah... "friends in high places". Até estaria a chorar a rir, se fosse administradora do Leman Brothers e tivesse sido despedida por incompetência com milhões de dólares de indemnização, antes que a bomba da falência rebentasse.

Pois é, há sempre quem ganhe com a desgraça dos outros. E há sempre uns casmurros que não baixam as taxas de juro. Com a desgraça alheia vão ganhando também as petrolíferas, nem com estudos que demonstram práticas ilegais, as coisas mudam. Quando nem as evidências claras levam à mudança, como podemos esperar dias melhores?

Adenda: Será que posso usar activos tóxicos para pagar as minhas contas?


quarta-feira, setembro 24, 2008

Um Homem na multidão: para V.A.

«(...) A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.

Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas.

Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos. O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.

(...) Agora eu penso no que poderia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.
Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. (...)»

‘O Homem’, em ‘Contos Exemplares’ de Sophia de Mello Breyner Andresen