segunda-feira, novembro 14, 2011
quinta-feira, agosto 07, 2008
Viva um Estado militar e sem imigrantes
Nunca percebi bem, porque é que os italianos continuam a eleger Berlusconi como governante. Há coisas que pura e simplesmente nos escapam, como o segredo para a felicidade ou o sentido da vida. O senhor usa o poder para obter impunidade e não ser julgado pelos crimes de corrupção, que alegremente foi cometendo. E os italianos não parecem importar-se. A justiça não o incomoda, mas os ciganos e os imigrantes sim. Curiosamente a mafia também não o incomoda.Talvez seja impressão minha ou há aqui direitos e garantias individuais dos cidadãos a serem espezinhados? Deve ser impressão minha, porque dos grandes líderes da comunidade internacional, ninguém se pronunciou. Mas não posso ser injusta, as agências de viagens italianas pronunciaram-se contra estas medidas, assustar os turistas é um bocado chato para quem vive das receitas do turismo...
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Descritores: Direitos humanos, Imigração, Política Internacional, Totalitarismo
terça-feira, agosto 05, 2008
Cartas a uma ditadura
Em todas as cartas, estas mulheres falam da gratidão e da admiração que têm pelo ditador. Mas, como se a necessidade de falar fosse mais forte, por entre chavões e frases feitas, surgem por vezes o medo, a tristeza, o isolamento em que se vivia em Portugal nos anos 50. Uma costureira, muitas professoras primárias, donas de casa, algumas esposas de homens importantes do regime assinam as cartas.
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Descritores: Documentário, Totalitarismo
sexta-feira, junho 27, 2008
Escrito em 1942 ou hoje?
«O futuro imediato tem grandes probabilidades de se parecer com o passado imediato, e no passado imediato as mudanças tecnológicas rápidas, efectuando-se numa economia de produção em massa e entre uma população onde a grande maioria dos indivíduos nada possui, têm tido sempre a tendência para criar uma confusão económica e social. A fim de reduzir essa confusão, o poder tem sido centralizado e o controle governamental aumentado. É provável que todos os governos do Mundo venham a ser mais ou menos totalitários, mesmo antes da utilização prática da energia atómica; que eles serão totalitários durante e após essa utilização prática, eis o que parece quase certo. Só um movimento popular em grande escala, tendo em vista a descentralização e o auxílio individual, poderá travar a actual tendência para o estatismo. E não existe presentemente nenhum sinal que permita pensar que tal movimento venha a ter lugar.»
Não há nenhuma razão, bem entendido, para que os novos totalitarismos se pareçam com os antigos. (...) Um estado totalitário verdadeiramente «eficiente» será aquele em que o todo-poderoso comité executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores terá o controle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão. Fazer que eles a amem, tal será a tarefa, atribuída nos estados totalitários de hoje aos ministérios de propaganda, aos redactores-chefes dos jornais e aos mestres-escolas.»
Aldous Huxley, "Admirável Mundo Novo". Lisboa: Livros do Brasil, 1999. Prefácio escrito em 1942, p.15.
« Para governar, é necessário deliberar, e não perseguir. Governa-se com o cérebro, nunca com os punhos. (...) não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros»
Idem, p. 63.
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Descritores: Liberdade, Propaganda, Totalitarismo
quarta-feira, maio 02, 2007
"Mais papistas, que o Papa..."
O beijo do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na mão de sua antiga professora provocou a revolta do jornal islamista Hezbollah, que representa a tendência mais radical.
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Descritores: Irão, Mulher, Política Internacional, Totalitarismo
domingo, abril 15, 2007
Mais tiques totalitários?
Além disso, o Governo australiano está a estudar o endurecimento das normas actuais quer para os trabalhadores estrangeiros quer para quem solicite asilo político no país, admitindo poder haver excepções por "considerações humanitárias", disse Howard à ABC.
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«A Austrália, um dos países com leis de imigração mais restritivas em todo o mundo, poderá vir a recusar asilo ou visto de imigração a portadores de HIV. A proposta é do primeiro-ministro John Howard, preocupado com o crescimento alarmante das taxas de infecção no país.
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Howard sublinha que esta norma não seria muito diferente da que proíbe a concessão de visto a doentes com tuberculose, mas David Puls, responsável centro de apoio jurídico a doentes de sida do estado de Nova Gales do Sul lembrou que o HIV não é considerado uma ameaça à saúde pública, tanto mais que, ao contrário do bacilo da tuberculose, não se transmite por via aérea.»
Compara-se a SIDA à tuberculose, como se o processo de contágio fosse idêntico. Será que as campanhas de prevenção do HIV, são assim tão dispendiosas? Mas isto é uma questão de saúde pública ou de restrição à imigração?
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Quando qualquer pretexto serve para discriminar, devemos começar a preocupar-nos…
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Descritores: Imigração, Política Internacional, SIDA, Totalitarismo
sexta-feira, abril 13, 2007
Acontece… na Polónia
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Os professores estão expressamente proibidos a fazer qualquer referência à homossexualidade nas aulas, correndo o risco de serem despedidos ou presos se admitirem ser homossexuais. A homossexualidade é considerada pelo governo, imoral e contra-natura, daí a perseguição de associações de apoio aos direitos gay e a recente invasão de algumas delas por supostas ligações com pedofilia e pornografia infantil.
Imoral é também o divórcio e o aborto, mesmo em caso de violação ou de ameaça à saúde e vida da mulher. Ainda há bem pouco tempo, uma mulher que ficaria cega, caso levasse até ao fim a sua gravidez, foi impedida de proceder à interrupção voluntária dessa gravidez. Já a pena de morte não apresenta nada imoral, e todos os esforços estão a ser feitos para que seja introduzida no país.
Legenda: Os gémeos Kaczynski, respectivamente Primeiro-Ministro e Presidente da República da Polónia, brilhantes responsáveis pela "limpeza moral do país"Os discursos anti-católicos são acerrimamente condenados, até porque se discute a consagração de Jesus Cristo como rei eterno da Polónia. Laicidade do Estado para quê? Porque não Buda, a rei eterno da Polónia? Maomé, não? Desculpem sair do registo sério, mas esta medida é tão eminentemente gozável, que eu não resisti…
Tudo isto é feito perante a passividade da União Europeia. Como o tema tem sido ignorado pela imprensa portuguesa, aconselho uma visita ao Devaneios Desintéricos, que tem imensos posts sobre o assunto. Basta clicar na tag Polónia. No Altermundo também encontram uma excelente síntese desta questão.
"Exmo Sr Embaixador da Polónia,
Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos.
Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."
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Descritores: Política Internacional, Polónia, Totalitarismo
segunda-feira, abril 02, 2007
Devidamente visado pela Comissão de Censura
Eu sei que ainda há poucos dias, fiz referência ao Gato Fedorento. Mas tenho que o fazer de novo, o programa é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa, e diria mais, na sociedade portuguesa. Com uma carga irónica, deliciosa, foi uma bofetada de luva branca nos saudosistas do Estado Novo. Mas pelos vistos, não fui só eu que achei o programa inspirador. O blog “O Bico de Gás” resolveu agradar aos salazaristas mais saudosos e foi revisto pela comissão de censura. Devidamente carimbado. Eu achei a ideia óptima e como também gosto de agradar… Cá está o carimbo. Este blog foi devidamente visado pela censura. Ironicamente…
Será que a moda pega? Quem apreciou a ironia, esteja à vontade para surripiar o carimbo… ;))
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segunda-feira, março 26, 2007
A Grandeza dos Portugueses?
Por várias vezes, estive prestes a pronunciar-me sobre o concurso “Grandes Portugueses” e não o fiz, porque discordo profundamente com os princípios fundamentais do programa. Parte-se do princípio que se podem comparar personalidades de épocas históricas e mentalidades tão diferentes. Parte-se do princípio que há domínios do saber melhores que outros, ou qualidades melhores que outras. Parte-se do princípio que existem Super-heróis e não seres humanos, com qualidades e defeitos, inseridos num determinado contexto histórico. Na minha opinião, não é intelectualmente honesto. A isto acresce, o associar uma personalidade actual à personagem histórica, o que acarreta simpatias e antipatias e deturpa ainda mais a visão da realidade. Por isso não votei, não assisti ao debate e limitei-me a ver alguns documentários. Mas não pude deixar de assistir aos resultados da votação. Quem é afinal o Grande Português?
O que eu lamento, enquanto defensora da democracia é que os portugueses prefiram olhar para o passado, em vez de olharem para o futuro. Tenho pena que se admire um regime autoritário e fascista e não se olhe para os resultados das democracias nórdicas, por exemplo. É triste que peçam uma ditadura, em vez de exigirem uma democracia melhor, mais solidária, que fomente a igualdade social e o bem-estar. Enfim, um regime político que fomente a felicidade de todos e não só de alguns.
Grandeza seria exigir mais e melhor democracia.
P.S. Um aspecto positivo a sublinhar, o 3º lugar de Aristides de Sousa Mendes, os portugueses valorizam o humanismo, a capacidade de defender o que está certo, mesmo quando isso significa o prejuízo do próprio. Aí reside a grandeza e quem sabe a esperança…
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Descritores: Democracia, Sociedade, Totalitarismo, TV
domingo, dezembro 03, 2006
Democracia, conhecimento e estupidificação
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«As ditaduras opõem-se ao progresso do conhecimento em geral e ao das ciências humanas
Porque continua a haver um certo divorcio entre conhecimento e democracia e, mais especificamente entre, conhecimento da democracia e prática democrática. (…) Um diagnóstico sumário é bastante para pôr em evidência o divórcio parcial, ainda existente no nosso país, entre conhecimento e democracia:
A ausência de um espaço de transmissão horizontal e vertical de conhecimentos no campo social. Horizontalmente, traduz-se pela falta de canais de comunicação entre os membros de uma comunidade científica, por exemplo. Verticalmente pela falta de mediações entre camadas sociais que permitam que o conhecimento especializado seja filtrado, traduzido em termos simples («vulgarizado»), transmitido e sedimentado na cultura «geral» popular. Por várias razões, esse espaço não existe em Portugal.»
Será que 40 anos de ditadura se inscreveram de forma tão dura na mentalidade portuguesa, que ainda hoje não sabemos discutir, trocar ideias, pensar livremente. Por isso somos tão conformistas, nunca estamos bem, vamos andando e isso é o natural. Vamos aceitando o que nos impingem, não nos permitimos querer mais, querer alguma coisa diferente, melhor?
Estupidificamos? Não temos acesso ao conhecimento, porque não há um espaço de mediação, em que o conhecimento seja filtrado, isto é, que se torne acessível ao comum dos mortais. O que se passa é que existe uma camada social da população que está excluida socialmente à partida e que não reune as ferramentas cognitivas para lutar contra a estupidificação.
A mim pessoalmente preocupam-me estas vítimas de um processo de inclusão socio-cultural que nunca foi feito. Podemos questionar se existirá vontade política para encetar esse processo de inclusão... Até aí, continuaremos a estupidificar, mas não há problema, vamos andando…
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Descritores: Inclusão Social, Info-exclusão, Sociedade, Totalitarismo
terça-feira, novembro 28, 2006
E o eleitor, tem voto na matéria?
A deputada Luísa Mesquita acusou, ontem, a direcção da bancada parlamentar do PCP de lhe ter retirado o apoio técnico de que necessita para exercer funções.
Sinto-me indignada com o afastamento de Luísa Mesquita das comissões parlamentares que integrava - de Educação e de Negócios Estrangeiros, por ter recusado o pedido do partido para renunciar ao mandato de deputada. Enquanto eleitora do distrito de Santarém, pergunto-me que direito tem o PCP de afastar uma deputada eleita democraticamente. Já nem falo no profissionalismo e na competência que lhe é reconhecida no exercício da sua actividade, sobretudo na área da educação.
Dizem os constitucionalistas que é ilegal, mas isso, não impediu o PCP de afastar Luísa Mesquita. Que eu saiba segundo a Constituição, «o deputado é livre de exercer o seu mandato segundo a sua consciência», sem estar dependente de qualquer organização política. No entanto, o PCP, pede aos seus deputados que assinem uma declaração, em que aceitam colocar o seu lugar à disposição se a direcção o entender. Porquê?
Subscrevo inteiramente o que se diz no blog Arrastão sobre este tema:
Sendo eu de esquerda, entristece-me que no PCP persistam estes tiques autoritários, e quem pense diferente seja politicamente afastado, independentemente da sua competência. Não percebo porque se promove a unanimidade, a obediência cega, a ausência de debate interno. A liberdade de expressão já não é um valor fundamental para quem se diz de esquerda?
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Descritores: Democracia, PCP, Política Nacional, Totalitarismo


