quarta-feira, outubro 14, 2009

Boas notícias para quem?


Brian Fairrington

Cagle Cartoons

segunda-feira, outubro 12, 2009

As peculiaridades do poder local

As autárquicas são uma oportunidade para o país urbano olhar para o país rural. A realidade da grande Lisboa é muito diferente do resto do país e a forma como as pessoas votam também. Todos ficamos muito indignados quando autarcas acusados de corrupção e actos ilícitos, são ainda assim eleitos. E perguntamos onde é que está o sentido ético dos eleitores, que parecem tolerar a corrupção desde que seja em proveito do local em que vivem. Porque é que as pessoas votam nos autarcas que lhes oferecem electrodomésticos e bilhetes para o Toni Carreira? Ou nos presidentes de junta que lhes oferecem excursões ou lhes prometem médicos?

A resposta fácil seria a falta de informação e a baixa escolaridade, mas a situação parece-me mais complexa que isso. As carências das comunidades locais ao nível do emprego, das infra-estruturas conduzem a uma grande dependência e vulnerabilidade em relação aos governantes locais. Quantas pessoas nos meios rurais dependem do emprego que lhe garante o presidente da câmara ou algum dos membros do partido de poder a nível local? Quantas pessoas dependem dos munícipes para obter uma licença de construção? E o que dizer da rede de estradas e saneamento, quando as infra-estruturas são escassas e as alternativas não existem? Esta dependência tem muito a haver com a forma como o poder está organizado e com o escandaloso centralismo das políticas governativas nacionais, que acabam por deixar as populações altamente vulneráveis às políticas locais. Propicia-se uma rede de troca de favores e de caciquismo que beneficia mais quem chega ao poder do que as próprias populações.

As pessoas acabam criar uma resistência à mudança, preferem confiar em quem fez obra, mesmo escassa e de carácter duvidoso do quem chega com novas politicas. É preciso transmitir às populações que é possível um trabalho em prol da comunidade, sem que algumas pessoas beneficiem com isso e sem que se crie um jogo viciado de troca de favores. Por outro lado, o poder central teria que ter um papel de supervisão, para garantir que determinados abusos não se cometam e para que não se criem diferenças abissais de qualidade de vida entre a zona da grande Lisboa e Porto e o resto do país. Realidades de grande pobreza e carência serão sempre favoráveis ao caciquismo.

sábado, outubro 10, 2009

A história de um soldado por "Moriarty"



"Private Lilly" - Moriarty

Vai valer a pena ver estes senhores ao vivo logo à noite. A intensidade desta música é surpreendente e lembra-me os milhares de jovens soldados que vão para o Iraque e Afeganistão, porque perante a pobreza e o desemprego, o exército era a última oportunidade...

quinta-feira, outubro 08, 2009

Reflexão sobre o individualismo

Vale a pena analisar até que ponto, devemos repensar as convicções que têm fundamentado a orientação politica das nossas democracias. O que temos assistido desde o aparecimento do capitalismo, é a convicção de que o mercado e a escolha individual são os instrumentos mais eficazes de expressão da liberdade individual. Esta ideia foi levada ao expoente máximo com o neo-liberalismo actual e a ideia que a liberdade individual se baseia nas relações sociais, na solidariedade, na partilha e num socialismo ético, parece ter sido colocada de parte. Do conceito de individualismo, que é inevitável e aceitável passamos a uma sociedade baseada num individualismo egoísta, que tende a ignorar a responsabilidade social de cada um e a noção de bem-comum.

O resultado do individualismo egoísta é uma sociedade injusta e com desigualdades gritantes, em que se cria um mal-estar latente. As pessoas são pressionadas a produzir, a aumentar o lucro em prejuízo das suas vidas pessoais e na maioria das vezes, esse esforço nem se traduz na garantia de padrões mínimos de sobrevivência. O lucro que supostamente se produz não significa melhoria da qualidade de vida da sociedade no seu todo, mas apenas de uma elite ligada aos grandes grupos económicos ou ao poder político. Esta orientação para o lucro e não para o bem-comum, que deriva do individualismo egoísta mais cedo ou mais tarde, provocará uma desagregação social de consequências imprevisíveis.

Mais cedo ou mais tarde, o individualismo egoísta terá de dar lugar a um individualismo responsável e novas formas de conciliar individualidade e sociedade terão de emergir. Conceitos como socialismo ou comunismo terão de ser repensados e ajustados ao sec. XXI, sem que percam a sua essência original, que passa pela ideia de que a liberdade individual se baseia nas relações sociais, na solidariedade, na partilha, na justiça e na coesão social. Insistir numa lógica de mercado, de orientação para o lucro e de egocentrismo mascarada de esquerda ou de socialismo moderno, não é a solução e só nos levará à ruptura. E a ruptura acontecerá quando o cidadão comum perceber que a sua liberdade individual e o seu trabalho já não lhe garantem a sobrevivência, e basta olhar em volta para perceber que essa realidade, já esteve mais longe de suceder…

terça-feira, outubro 06, 2009

Especialista residente em pantufada... eheh



Gato Fedorento esmiúça os sufrágios 5/10/2009

domingo, outubro 04, 2009

Escapadinha: Buçaco




Vale mesmo a pena explorar os trilhos da Mata Nacional do Buçaco, é de cortar a respiração!

sexta-feira, outubro 02, 2009

E depois quem defrauda o Estado, são os beneficiários do rendimento mínimo...





Os negócios suspeitos do Sr. Paulo Portas, custaram ao Estado pelo menos 34 milhões de euros que ninguém sabe onde estão. Será que tal como no caso Moderna, voltará a sair desta embrulhada intocável? Depois de levar 61 mil documentos fotocopiados do Ministério, depois da Moderna e depois dos submarinos, como é que as pessoas ainda conseguem acreditar que quem defrauda o Estado são os beneficiários do rendimento mínimo e os imigrantes?

terça-feira, setembro 29, 2009

Feliz aniversário menina que queria mudar o mundo

Se ela mandasse, o mundo não estaria tão doente...



Mafalda uma criação de Quino

segunda-feira, setembro 28, 2009

No rescaldo das eleições

Ao que parece o CDS ganhou as eleições e o PS teve uma extraordinária vitória. No preciso momento em que Sócrates, perdendo a maioria absoluta e cerca de 500 mil votos, afirma uma vitória extraordinária e frisa extraordinária (para quem julgasse que percebeu mal à primeira), dissemos adeus ao Sócrates candidato do PS com laivos de esquerda, para vermos surgir o primeiro-ministro arrogante que todos conhecemos. Resta saber como fará ele para ver as suas propostas aprovadas. Será que vai ziguezaguear entre esquerda e a direita ao sabor das conveniências, arruinando a pouca coerência política que lhe restava ou assume definitivamente a viragem à direita e coliga-se com o CDS?

Seria grave desprezar a maioria de esquerda no parlamento, mas é conhecida a indiferença de Sócrates pelo conceito. A questão ficará do lado de Paulo Portas, até que ponto e sendo a perspectiva de poder tão aliciante, engole o orgulho e retira as críticas feitas ao PS durante estes quatro ano? Seja como for, acho lamentável que estejamos dependentes dos caprichos de um líder partidário que acha que as soluções para os problemas do país, passam por retirar o rendimento mínimo aos pobres, expulsar os imigrantes e colocar um polícia a cada esquina. Pena é que este discurso do egoísmo e do ódio ao outro, tenha tido tanta adesão por parte de uma classe média tão desfalcada por quatro anos de pseudo-esquerda...

quinta-feira, setembro 24, 2009

Tempo de escolher

Noutras eleições não me tenho pronunciado sobre intenções de voto, até porque quem ler este blog e acompanhar as minhas preocupações, percebe perfeitamente a minha orientação politica. Considero que só uma politica verdadeiramente de esquerda poderá garantir a justiça social e a equidade, que é o problema fundamental da nossa democracia. Não poderá haver crescimento económico sustentável enquanto uma minoria absorver grande parte da riqueza controlando o poder político, condenando a maioria da população a ver os seus direitos fundamentais limitados e as suas aspirações individuais cerceadas. Acredito que existem bens e serviços indispensáveis à sobrevivência que devem estar acessíveis a todos, independentemente do seu poder económico. Estou a falar da saúde, do emprego, da educação, da habitação, da água e dos recursos energéticos. Chamem-me radical, mas é uma questão de justiça e de direitos e garantias fundamentais. Assegurado o básico, cada um pode aspirar e lutar pelo que quiser e então venha o mérito, o individualismo e quaisquer escolhas só limitadas pela lei e pelos legítimos direitos do outro.

Claro que dificilmente algum partido, colocaria tudo isto em prática, até pela dimensão dos abusos e das desigualdades. Mas no mínimo, não se dê ao voto aos dois partidos do centrão que nos governam desde o 25 de Abril e que nos têm retirado sucessivamente estes direitos e garantias. Não é aceitável a situação de precariedade e de pobreza em que a maioria da população vive, que está muitas vezes encoberta pelo apoio de familiares ou de instituições privadas de solidariedade social. E de facto, só à esquerda do PS (como já disse noutros posts, o PS de Sócrates não é esquerda) é que eu encontro algum desejo de combater esta realidade e de mudar alguma coisa.

E porque é que a direita não é a solução? Porque foram soluções de direita que nos deixaram onde estamos hoje. Foram politicas neoliberais que encheram uma minoria de riqueza e de privilégios, reduzindo a questão dos direitos e garantias fundamentais, a algo acessível só a quem puder pagar. Até os cuidados básicos de saúde exigem o pagamento de uma taxa moderadora. Veja-se quantos direitos consegue uma pessoa pagar com uma reforma mensal de 200 euros ou mesmo com o salário mínimo... E por falar em direita, vale a pena analisar o fenómeno CDS que se tem tentado apresentar como alternativa à política actual. Penso que os eleitores não vão deixar de associar o CDS de Paulo Portas às politicas do centrão, mesmo tendo o populismo do senhor tentado dissimular estas relações com o poder. É preciso que se perceba a quem ele pretende tirar regalias, a esses privilegiados que recebem o rendimento social de inserção. A quem tem verdadeiramente regalias desmedidas, não existe nada a retirar.

Por tudo isto, eu concordo com Francisco Louçã, a escolha é entre a maioria absoluta e a esquerda. E é à esquerda que eu tenciono dar o meu voto. Por algum motivo, o BE tem sido atacado pelo PS, PSD e até CDS... será receio que alguma coisa efectivamente mude?

quarta-feira, setembro 23, 2009

É preciso ser um país com sorte...

«Temos um Primeiro-ministro que gosta de perseguir e um Presidente da República que tem a mania que é perseguido. É uma combinação muito feliz de personalidades disfuncionais.»

Ricardo Araújo Pereira in "Gato Fedorento esmiúça os sufrágios" 22/10/2009

Há países com sorte não há?


terça-feira, setembro 22, 2009

Sobre os lóbis

«Um ano após a bancarrota do liberalismo, o (pequeno) pânico das oligarquias dissipou-se; o sistema político parece estar congelado em seu proveito. De vez em quando, um operador mais duvidoso – ou mais azarento – acaba por ficar atrás das grades, entoando-se nessa altura as palavras mágicas: moralização, ética, regulamentação, G20. Mas depois tudo recomeça como dantes. Christine Lagarde, ministra francesa da Economia e antiga advogada comercial em Chicago, questionada a respeito dos prémios colossais reservados aos traders do BNP-Paribas, recusou-se há pouco a condená-los: «Se dissermos “proibamos os bónus”, o que vai acontecer é que as melhores equipas de traders irão simplesmente estabelecer-se noutro lado». Instalados num sistema político que os protege – e que eles protegem –, aproveitando-se do cinismo geral e do desencorajamento popular, os traders e as seguradoras médicas vão continuar a perseverar na sua função de parasitas. O «abuso» não constitui um desvio do seu negócio, é a sua própria essência. O que se impõe, por conseguinte, não é uma «reforma» que eles possam aceitar, é retirar-lhes a capacidade de serem prejudiciais.»

Serge Halimi "A tirania dos lóbis"

Não podia estar mais de acordo, a questão é quem vai retirar a capacidade das oligarquias de serem prejudiciais? Onde está a coragem política?

sábado, setembro 19, 2009

Se fosse só a poluição a dar vontade de mudar de planeta...



.Esta sequência telenovelística da asfixia democrática, das escutas, do Presidente da República e dos emails, lembra-me este cartoon e dá-me vontade de me pirar daqui...


Calvin & Hobbes
in Jornal Público

quinta-feira, setembro 17, 2009

Para quem tem dúvidas...

Para quem tem dúvidas que existe corrupção nos grandes partidos que têm cargos de influência, veja-se o vídeo que se segue. É o testemunho de uma militante do PSD, que fala da “compra” de votos e militância a troco de um emprego:




Claro que já existem desmentidos, mas alguém tem duvida que isto acontece? E não só no PSD, mas também no PS? Se calhar as mudanças de dirigentes públicos, assim que mudam os governos é uma mera coincidência... Vale a pena reler o que eu escrevi sobre os partidos aqui.

segunda-feira, setembro 14, 2009

The uprising

Paranoia is in bloom,
The PR transmissions will resume
They'll try to, push drugs that keep us all dumbed down
And hope that, we will never see the truth around
(so come on)
Another promise, another seed
Another, packaged lie to keep us trapped in greed
And all the, Green belts wrapped around our minds
And endless, red tape to keep the truth confined
(so come on)

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious
so come on




Interchanging mind control
Come let the, revolution takes its toll
If you could, flick the switch and open your third eye
You'd see that
We should never be afraid to die
(so come on)

Rise up and take the power back
It's time the fat cats had a heart attack
They know that their time's coming to an end
We have to unify and watch our flag ascend

They will not force us
They will stop degrading us
They will not enslave us
We will be victorious

They will not force us
They will stop degrading us
They can not control us
We will be victorious

MUSE
Album Resistance
2009

domingo, setembro 13, 2009

A hipócrita e o propagandista

Sócrates ou Ferreira Leite? Aparentemente uma destas lamentáveis figuras politicas será o próximo Primeiro-Ministro. O debate de ontem só veio demonstrar o ridículo de ambos, a discussão de propostas politicas que efectivamente resolvam a profunda crise económica e social em que o país mergulhou, pura e simplesmente não existiu. É mais do mesmo, são as mesmas políticas que nos deixaram no atoleiro onde estamos actualmente. A muito custo se encontram diferenças e as que poderiam existir estão omissas nos programas eleitorais. Estou a falar da tendência para as privatizações, quer a nível da saúde, quer da segurança social que sempre foi abordada pelo PSD, mas que não consta do seu programa. Sócrates esteve bem ao recordar esse facto, sendo que nada nos garante que as intenções do PS não sejam as mesmas, tendo em conta o que se tem feito para comprometer o SNS, começando pelos hospitais de gestão privada e acabando com o aumento das taxas moderadoras.

Até que ponto podemos acreditar que o PSD não vai avançar com as grandes obras públicas, se isso foi sempre um objectivo do passado? E a asfixia democrática vai acabar com o partido de Alberto João Jardim e com o autoritarismo de Ferreira Leite? As pessoas ainda se devem lembrar da sua postura como ministra... Parece que as diferenças se resumem mesmo a uma questão de estilo.

Manuela Ferreira Leite enterrou-se no passeio pela Madeira para falar de democracia, revelou o seu lado preconceituoso, primeiro eram os ucranianos que beneficiam das obras publicas, agora são os espanhóis com o TGV e o mau gosto de tiradas “Parece aquele que mata o pai e mãe, só para dizer que é órfão”. A comunicação social chama-lhe gaffes, mas não será antes uma demonstração de carácter conservador, fechado e até insensato. Entre a hipocrisia e a propaganda, a arrogância e o preconceito, tudo isto faz Sócrates parecer o menor dos males. É lamentável...

sábado, setembro 12, 2009

Não há verdade

Génesis

De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.


Por mais justiça ... - Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena

quarta-feira, setembro 09, 2009

Sócrates versus Louçã ou Neoliberalismo versus Economia social

Confesso que estava curiosa em relação a este debate, porque iria ser uma oportunidade de ver desmontada a politica do governo Sócrates, que mergulhou o país numa crise económica agravada por uma total desprotecção social do cidadão. Mas não foi isso que aconteceu, porque numa estratégia bastante eficaz, Sócrates virou o jogo para o programa do bloco, evitando que o debate incidisse sobre os colossais erros da sua governação. Louçã viu-se obrigado a defender o seu programa político, chegando a repetir-se e cometeu o erro de não confrontar as suas propostas com as medidas tomadas por este governo. Não conseguiu passar das referências à Galp, Américo Amorim e ao caso dos contentores de Alcântara. Sem com isto querer dizer que o apelo à transparência e o combate à corrupção não sejam importantes, mas era preciso ter passado para outros pontos fulcrais como a sustentabilidade de um Estado social capaz de financiar a oferta de créditos com baixas taxas de juro às PME, serviços de educação e saúde gratuitos.

Convinha ter destacado o imposto sobre as grandes fortunas, o registo de entradas de capitais em offshores e porque não falar na taxa Tobin (taxar as transacções bolsistas com 1%) e no aumento do IRC pago pela Banca. Quando Sócrates agitou o papão das nacionalizações, era preciso ter explicado como o controlo de sectores estratégicos financia o estado social e garante que todos tenham acesso a bens fundamentais. Foi isso que falhou quando Sócrates confronta Louça com a proposta do BE do fim dos benefícios fiscais para despesas com saúde e educação. Ainda que Louçã, tenha explicado que a gratuitidade desses bens torna os benefícios fiscais desnecessários, haverá sempre quem tenha ficado com dúvidas, até porque o conceito de gratuidade é demasiado estranho aos portugueses.

Ainda assim será tão difícil a escolha entre o neoliberalismo de Sócrates e a economia social de Louçã? Será que as pessoas precisam que lhes expliquem as vantagens da política económica da esquerda moderna ou não sentem já as suas consequências na pele? Não percebem já que as vantagens deste sistema são só para alguns, enquanto vêem o acesso à saúde e ao apoio social cada vez mais limitado? E perante esta percepção de que algo está fundamentalmente errado, as propostas económicas do BE parecem assim tão aterradoras? Não me parece...

sexta-feira, setembro 04, 2009

Não é óbvio?

Com as legislativas à porta, e numa altura em que surgem os primeiros debates entre candidatos, vale a pena pensar um bocadinho nas medidas que era importante ver implementadas. O que precisa urgentemente de mudar, parece-me mais importante do que discutir jogos de influencias sobre o jornal da TVI. É tal a promiscuidade entre o poder político e o poder económico, que qualquer deles já faz da comunicação social uma marioneta. Se o poder não estivesse concentrado nas mãos destes dois grupos e se a sua acção fosse regulamentada, hoje não se falaria tanto do Jornal de Sexta.

O que é que precisa efectivamente de mudar? O poder político beneficia os grandes grupos económicos que por sua vez se vêem obrigados a retribuir o favor e vice versa. Esse ciclo vicioso tem que terminar, sob pena de esmagar todos os direitos dos restantes cidadãos, que vão desde o direito a ter um emprego até à liberdade de informação.

Existindo coragem política é possivel acabar com esse privilégio absurdo, bastam algumas medidazinhas verdadeiramente de esquerda como: taxar as grandes fortunas, aumentar os impostos à banca, nacionalizar o sector energético, controlar a saída de capitais para offshores (só para dar alguns exemplos). Estas medidas não só evitariam a capacidade de lobby de alguns grupos económicos, como trariam maior justiça social. O Estado teria mais dinheiro para pagar a convergência das pensões ao salário mínimo nacional, combater a pobreza, proporcionar mais e melhor saúde e educação. Não se colocaria em causa o financiamento da segurança social.

Não é óbvio?

domingo, agosto 30, 2009

Da nossa imundície passada e presente


Nunca é tarde para aprender a lavar as mãos


«A tão negligenciada literatura de casa de banho acaba de obter o significativo patrocínio do Estado. O recente panfleto que a Direcção-Geral de Saúde espalhou por todas as casas de banho públicas do País é, antes de tudo, inquietante - como toda a boa literatura deve ser. Intitulado "Como lavar as mãos?", o texto começa por ser magistral no modo como manipula a arrogância do leitor para, em primeiro lugar, provocar o riso. Um riso que depressa se torna amargo: em poucos segundos, o mesmo leitor que intimamente escarneceu da intenção de quem se propunha ensinar-lhe insignificâncias é tomado pelo assombro de verificar que nunca, em toda a vida, teve as mãos verdadeiramente lavadas. O panfleto apresenta um plano de lavagem das mãos em 12 (doze) passos, incluindo manobras de esterilização com as quais o cidadão médio jamais terá sonhado. Não haja dúvidas: estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo. Este detalhado e rigoroso guia não deixa nem uma falangeta por purificar. Mas - e isto é que é terrível -, ao mesmo tempo que o faz, esfrega-nos na cara a nossa imundície passada e presente.

(...) No passo número dois ("Esfregue as palmas das mãos, uma na outra", recomendação acompanhada de um desenho em que duas mãos se esfregam em movimentos circulares contrários ao movimento dos ponteiros do relógio), quem sempre esfregou no sentido inverso, como é o meu caso, sente que desperdiçou uma vida inteira de higiene pessoal. Os passos seguintes fazem o mesmo, embora em menor grau: em terceiro lugar há que "esfregar a palma da mão direita no dorso da esquerda, com os dedos entrelaçados, e vice-versa"; o quarto passo apela a que se esfregue "palma com palma com os dedos entrelaçados"; e o quinto passo aconselha uma fricção da "parte de trás dos dedos nas palmas opostas com os dedos entrelaçados". Bem ou mal, com os dedos mais ou menos entrelaçados, estes passos descrevem esfregas que estão ao alcance da imaginação de qualquer pessoa. A partir daqui, o caso piora de novo. O passo seis determina que se "esfregue o polegar esquerdo em sentido rotativo, entrelaçado na palma direita e vice-versa", em movimentos semelhantes aos que se fazem quando se acelera numa motorizada, e o passo sete recomenda que se "esfregue rotativamente para trás e para a frente os dedos da mão direita na palma da mão esquerda e vice-versa". O cuidado posto nestes preceitos amesquinha quem até aqui se limitava a esfregar as mãos uma na outra, descurando, por exemplo, o papel que os dedos devem desempenhar, e logo rotativamente, na higiene.

Enxaguar as mãos é o passo oito. Secar as mãos com toalhete descartável, o passo nove. Mas o passo dez volta a revelar que o processo é complexo: "Utilize o toalhete para fechar a torneira, se esta for de comando manual." A torneira deve, por isso, continuar a correr durante todo o passo nove, provavelmente para prevenir eventuais emergências de enxaguamento, sendo fechada apenas no passo dez. O décimo primeiro passo é o mais interessante: "Agora as suas mãos estão limpas e seguras." A contemplação da limpeza e segurança das mãos constitui, portanto, um passo autónomo neste processo de lavagem manual. No fim da lavagem, falta apenas, com as mãos impecavelmente limpas (e seguras), sair da casa de banho abrindo a porta em que toda a gente mexeu. E, creio, voltar atrás para repetir o processo.»

Ricardo Araújo Pereira

quinta-feira, agosto 27, 2009

"Reform Madness"

Nos EUA decorre uma escandalosa campanha contra o plano nacional de saúde de Obama. O sistema público de saúde está a ser apelidado de comunista, comparado à antiga URSS, diabolizado de uma forma ridícula. Por trás desta violenta campanha de manipulação dos cidadãos americanos, estão os lobbies das seguradoras de saúde privadas que sentem os seus lucros milionários ameaçados. De facto estas empresas obtêm lucros espantosos, porque cobram preços elevadíssimos que depois não correspondem aos serviços efectivamente prestados. São recusados vários tipos de tratamentos graças a cláusulas contratuais abusivas. Basta ver o filme “Sicko” de Michael Moore para perceber o grau de desumanidade e de fraude que impera neste sector.

O que existe nos EUA é o sistema de saúde mais caro do mundo, colocado no ranking de qualidade em 37º lugar, deixando à margem, sem acesso a qualquer tipo de cuidados de saúde 40 milhões de americanos! Só esta informação deveria colocar o povo americano ao lado de qualquer tentativa para mudar o sistema (e o plano de Obama nem sequer é um sistema inteiramente público, é um sistema misto) ,mas não é isso que está a acontecer. As informações que estão a passar da parte dos Republicanos, lobbies das seguradoras e dos próprios média, são mentiras inacreditáveis como: «o novo plano de saúde promove a eutanásia», «haverá racionamento de tratamentos e medicação» e «o estado vai tomar conta de todo o sistema de saúde incluindo o privado».

Chegou-se ao ponto do editorial do jornal "Investor's business Daily" publicar afirmações perfeitamente disparatadas, como dizer que o físico Stephen Hawking nunca teria hipotese de tratamento no Reino Unido, porque o Sistema Nacional de Saúde Britânico consideraria a sua vida inútil! Nem sei como há alguém vivo na União Europeia, a julgar por estes comentários...

É isto que acontece quando o lucro vem antes das pessoas! Não se olham a meios para manipular a opinião pública! Um bom exemplo disso neste excerto do Daily Show de Jon Stewart, para ver aqui.

quarta-feira, agosto 26, 2009

De volta...



Praia das Furnas e Samoqueira (Porto Côvo)

quarta-feira, agosto 19, 2009

Time out


Deixem-me aproveitar, antes que cresça aqui um empreendimento turísitico... Até Breve!


quinta-feira, agosto 13, 2009

Politiquices

O aproximar de eleições e a organização de listas partidárias acaba por trazer ao de cima todo o tipo de jogadas políticas, que tão má imagem dão da nossa democracia e particularmente da organização dos partidos. Os amigos entram nas listas, mesmo que estejam envolvidos em processos judiciais com fortes evidências de corrupção. Os inimigos, que é como quem diz quem nos criticou e se opôs ao querido líder, são gentilmente afastados. Os que se indignaram porque não podem estar nas autárquicas e nas legislativas, são devidamente recompensados para não levantarem mais ondas. Veja-se como Sónia Sanfona puxa dos seus contactos no poder central para prometer médicos aos munícipes de Alpiarça, já que não pode voltar a ser deputada na assembleia da república... Haja alguma compensação claro está...

O que fica sempre bem é tentar piscar o olho a outros quadrantes políticos, colocando nas listas simpatizantes ou ex-militantes de outros partidos. Manuela Ferreira Leite para piscar o olho à sua direita foi buscar Maria José Nogueira Pinto, que agora ter que proferir parvoíces do género «Nas europeias, voto Rangel, nas legislativas, voto Ferreira Leite e na Câmara de Lisboa, voto António Costa». Suponho que coerência não seja um requisito politicamente relevante.

Melhor fez o PS, para aliciar simpatizantes do Bloco de Esquerda. Pela cultura e pelos direitos das comunidade LGBT, foram recrutados para as suas listas, Inês de Medeiros e Miguel Vale de Almeida. Parece fácil, não é? Nem é preciso ter quatro anos de governação completamente alheios a estas duas questões. Suponho que tudo isto mais não seja que um valente atestado de burrice aos eleitores. Depois surpreendam-se que a abstenção esteja aos níveis conhecidos, que os partidos à esquerda do PS reúnam quase 20% dos votos e que a maioria dos portugueses tenha uma opinião extremamente negativa da classe política. Pudera!

domingo, agosto 09, 2009

Ainda há alguém a construir?

Que eu não fui há um momento,
sabes já? E tu dizes não saber.
Então sinto que se não andar a correr,
posso nunca ter passado totalmente.

Sim, mais do que sonho de um sonho sou.
Só o que a limites consolidados aspirou,
é como um dia e como um som que esvoaça;
pelas tuas mãos inominado passa,
para a múltipla liberdade encontrar,
e elas com tristeza o vêm a abandonar.



E o escuro apenas para ti ficou,
e, crescendo para a luz vazia,
uma história do mundo se erguia
de uma pedra que cada vez mais cegou.
Ainda há alguém a construir?
As massas de novo às massas dão voltas,
as pedras estão como soltas

E nenhuma foi por ti talhada...


Rainer Maria Rilke

In O Livro de Horas, p. 161

quarta-feira, agosto 05, 2009

Dentistas a mais?? Onde?




Sinceramente faz-me confusão, como é que num país onde milhares de pessoas, estão excluídas de cuidados de saúde dentária, o bastonário da Ordem dos Dentistas exije a redução de vagas nos cursos para estes profissionais. Existem dentistas a trabalhar fora do país, porque o sistema nacional de saúde não contempla esta especialidade, o que não significa que existam profissionais a mais. Esta grave lacuna no sistema nacional de saúde constitui um grave problema de injustiça social. Quem pode pagar tem acesso a cuidados de saúde dentária, quem não essa possibilidade financeira, não tem acesso aos serviços do dentista. Essa seria a realidade a combater, aí é que reside a questão fulcral e não no nº de vagas disponíveis.

O que também me deixa confusa, é a razão pela qual o desemprego dos dentistas não suscita um apelo firme do Bastonário à integração destes profissionais no Sistema Nacional de Saúde, pressionando o poder político para a resolução do problema do desemprego e das pessoas que não podem pagar cuidados de saúde dentária no privado. Não queria pensar que a razão, está na concorrência que o publico faria ao privado, que certamente obrigaria os dentistas a baixar as suas exorbitantes tabelas de preços…

Em tempo de pré-campanha para as legislativas, era bom verificar o que dizem os partidos do Sistema Nacional de Saúde. Quem se atreve a dizer que a universalidade dos cuidados de saúde, independentemente da sua condição socio-económica, não é um imperativo ético e moral?

terça-feira, agosto 04, 2009

Generosidade para quem?


Em primeiro lugar, tenho de pedir desculpa pela minha velocidade de reacção aos acontecimentos… é do calor, do cansaço acumulado, enfim... Vou falar de um anúncio que já tem uma semana, mas ainda assim merece um post. O PS num ataque frenético de generosidade ou quiçá numa tentativa propagandística de nova esquerda, resolve anunciar a atribuição de uma conta de 200 euros por recém-nascido, a movimentar quando este tiver 18 anos. A primeira coisa que salta à vista é o ridículo do valor, quando comparado com o praticado noutros países. A Alemanha atribui pelo nascimento de um filho até 25 mil euros, pagos pelo Estado durante doze meses. Espanha oferece 2500 euros aos recém-nascidos, o Luxemburgo, 2291 euros, na Bélgica o Governo criou um subsídio de nascimento de 1064 euros e em França existe um prémio de 855 euros pelo nascimento de cada filho.

O que também salta à vista, é que na altura em que a criança mais precisa de apoio, não tem acesso a essa verba. Não seria mais proveitoso aumentar o abono de família ou conceder mais direitos aos pais que trabalham, como reduções de horário (convém lembrar que o código de trabalho rosa, veio retirar direitos e não atribuir…). Aos 18 anos, “o bebé” já poderá até ter o seu próprio emprego e já os pais passaram pela fase dos maiores encargos. A nível social ou familiar nada disto faz sentido.

E por último, vamos pensar em quem ganha verdadeiramente com esta medida. Ora quem fica com 200 euros a multiplicar pelo número de nascimentos em Portugal, isto é, mais ou menos 20 milhões de euros? A banca. E já nem falo da eventual cobrança de comissões de conta, basta pensar que a verba só pode ser mobilizada pelos destinatários 18 anos depois, são largos milhões nos cofres dos bancos até ao primeiro levantamento.

Tudo isto, mais não é, do que dar uma ideia de aparente preocupação social de partido de esquerda, quando de facto se beneficia a mesma Banca, cujos privilégios permaneceram intocáveis ao longo da governação socialista. O português com a sua tendência ao conformismo e a pensar pouco no assunto, dirá até «É melhor que nada!», esquecendo-se do que já perdeu e de quem efectivamente ganha…

quinta-feira, julho 30, 2009

Stupid me...



Placebo
"Battle for the sun"
2009

sábado, julho 25, 2009

There is no economy left to recover...


Esta frase é de um excelente artigo de Paul Craig Roberts, que fala de uma transformação económica que levou à grave crise que hoje nos afecta. Passamos de uma economia assente na produção, para uma económica assente na desregulação do mercado, baixas taxas de juro e produtos financeiros fraudulentos. A esta nova economia, ele chama «make believe economy».

Outro aspecto do sistema, o consumismo extremo, leva a uma situação de dívida constante. Os cidadãos são impelidos a comprar mais e mais bens, contraindo créditos atrás de créditos, comprometendo o seu rendimento ao ponto de deixarem de conseguir pagar as suas dívidas. Era esse rendimento que sustentava a nova economia, mas a partir do momento em que as dividas deixam de ser pagas e novos empréstimos deixam de poder ser contraídos., a base da economia colapsa. As pessoas perdem os empregos e as próprias casas. Milhões de americanos estão sem casa e a viver com familiares ou em “cidades tenda”.

Entretanto o governo americano continua a endividar-se, numa escala deficitária galopante, ao ponto de ter comprometer o próprio dólar. A China, principal credor dos EUA já começou a comprar ouro e matérias-primas, para substituir o dólar. A desvalorização do dólar será inevitável e com ele a desvalorização dos salários e dos rendimentos.

A resposta dos governos Bush e Obama não resolveu estas questões fundamentais, as ajudas vão para a Goldman Sachs e para a indústria de armamento. A crise está longe do final: