domingo, fevereiro 15, 2009

Fim-de-semana para mim


Este fim-de-semana adiei um post que tencionava escrever sobre a actualidade. Estive longe da net a apreciar aquelas paisagens que nos são tão familiares, que passamos por elas sem as ver. Sem querer perdemos o hábito de apreciar um edíficio, uma pintura, uma árvore, um sol de primavera... Muitas vezes a realidade que nos pertuba impede-nos de ver as coisas bonitas que estão à nossa volta. E este blog tem sido muito sobre o que incomoda, e muito pouco sobre o que me faz sentir bem.

E bastou percorrer o Largo Camões, entrar na Igreja dos Italianos (quantas vezes passei lá e não me atrevi a entrar e ser deslumbrada...), desci a rua, passei os dedos pelos livros antigos e acabei naquela lojinha a regressar ao passado e à cozinha da minha avó. Umas comprinhas pelo meio, uns risinhos à conta das novas tribos urbanas e dos pregadores de esquina e foi um bonito sábado de primavera.

Antes do fim-de-semana acabar, aproveitei para disfrutar da iniciativa da Gulbenkian. Ao Domingo, as visitas aos museus são gratuitas. Uma tempestade de Turner, um Monet, um Manet, um escultura de Rodin, um pendente de Lalique... ao alcance de um olhar. E depois, é demorar-me naquele jardim magnfíco e ficar a contemplar uma magnólia em flor...


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Faz chuva em mim...




"Acordes com arroz"

Feliz descoberta de sábado passado... mais vale tarde que nunca...

sábado, fevereiro 07, 2009

Talking to myself...

Estou a começar um post e a dizer a mim mesma, não vais voltar a escrever sobre a crise económica internacional. Já te repetes, pára lá! Mas a Corticeira Amorim avançou com um despedimento preventivo! E a fortuna do Sr. Américo Amorim pagava 4 mil anos de salários a esses trabalhadores... como queres que não fale da crise? Porque desde 2006 que tens vindo a barafustar contra a economia-casino, remember? Pois... ia repetir isso. Ok... talvez por hoje, possa criticar um bocadinho o Vaticano, para variar...

Já não bastava a constante ingerência na vida privada dos cidadãos, católicos e não católicos, pressionando os Estados a não permitir o casamento homossexual e a eutanásia, agora reabilitam-se bispos que negam a existência do Holocausto. Talvez em vez de olhar tanto para os cidadãos, o Vaticano devesse olhar-se ao espelho...

Vês, que despachei isto num parágrafo? E a crise? E os 600 mil postos de trabalho que se perderam nos EUA, só no mês de Janeiro? Do Vaticano não se esperava outra coisa... E que tal falar da forma como o caso Freeport, serve para desviar a atenção da total inépcia do Governo em combater a crise? Isso era bem, mas também se diz numa frase... A seguir vais querer falar da forma como um sistema bancário público, em que predominasse uma política socialista era a solução para a crise? Sim, isso era um bom tema... o fim das comissões por transferências entre bancos e a renegociação dos empréstimos à habitação com spreads mínimos! Queres que te acusem novamente de seguir a agenda do BE? Não! Então ficamos por aqui...

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Obrigado Amiga!

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversas de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

sábado, janeiro 31, 2009

Para a história julgar...




"The daily show with Jon Stewart"
Ep. 13 de Janeiro de 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Sobre tudo e sobre nada...

Vai-se tornando um hábito estar muitos dias sem escrever e depois acaba por sair um daqueles posts sobre tudo e sobre nada, em que eu faço muitas críticas superficiais, sem aprofundar e justificar os meus argumentos devidamente. É chato para quem lê, mas tenham lá paciência. E quando falo em leitores, não estou a falar para as pessoas que pesquisam "sou parecida com quem" no google.br e acabam aqui... Esses vaidosos que vão pesquisar para outro lado!


Passando a assuntos mais sérios. Vivemos um contexto de instabilidade económica e social gravíssimo, que não se sabe como irá terminar. Num só dia 80 mil pessoas perderam o emprego. Nos EUA, pai e mãe foram despedidos e cometeram suicidio, após matarem os cinco filhos. Um caso aparentemente sensacionalista, é bem demonstrativo do drama do desemprego, quando o apoio social do Estado é quase nulo. Na Islândia, sucedem-se manifestações, cujos ecos mal nos chegam, mas que já obrigaram o governo a demitir-se. Ao ritmo com que as empresas fecham em Portugal, quero ver o que acontecerá por cá, quando a bolha social rebentar...

Entretanto, continuamos a saber das ligações perigosas e ilícitas do BPP com offshores e afins. Fica bastante claro que enquanto uns apertavam o cinto, outros engordavam de forma escandalosamente obesa. As consequências estão à vista... E como se isto não bastasse, ficamos a saber que para além da arrogância e da insensibilidade social, o Primeiro-Ministro também é corrupto... Caramba! É preciso acumular tantos defeitos? Ainda por cima os ingleses é que descobriram tudo... Da fama já não se livra... Capa de tabloídes! Não bastava a vergonha que fez o país passar, quando tentou vender Magalhães na cimeira ibérica?

domingo, janeiro 25, 2009

Isso é que era...


Cartoon de Larry Wright

sexta-feira, janeiro 23, 2009

5 dias, 5 mensagens para Obama - day 5

Desta opinião, gosto particularmente. Sujeitar os EUA ao Tribunal Penal Internacional! Isso sim, era de homem... mas duvido que Obama o faça.


"About the Barack Obama administration, please tell us:

1 one thing you hope for

2 one thing you fear

3 one piece of advice you would give"



1 That Barack Obama signs up the United States to the International Criminal Court. It would be one of the best ways to signal a clean break


2 That the US fails to act in the event of renewed mass ethnic or sectarian cleansing in Iraq - as both Obama and Hillary Clinton's deeply worrying comments during the campaign suggested might happen. The idea that American forces would stay on base and/or continue their withdrawal in such circumstances would be a horrific abdication of responsibility


3 Don't wait seven years to start working all-out on a two-state solution for Israel-Palestine. A split Palestine, an Israeli election and the fresh wounds of the Gaza conflict make it seem like the worst possible time to push a peace process. But it's never an ideal time - and the longer the delay, the harder it becomes.


Andrew Stroehlein, International Crisis Group


Estes 5 senhores são colaboradores de um site, que é uma excelente fonte de informação, o Open Democracy. Vale a pena passar por lá...


quinta-feira, janeiro 22, 2009

5 dias, 5 mensagens para Obama - day 4


"About the Barack Obama administration, please tell us:

1 one thing you hope for

2 one thing you fear

3 one piece of advice you would give"

1 That the United States actively and consistently engages in conflict-resolution, starting in the middle east. This would be the real practical translation of Joseph Nye's concept of "smart power", which the new secretary of state has already introduced to the official lexicon of American foreign policy during her testimony in the Senate hearing. If America were to engage in seeking a fair solution for the conflicts between Israel and its neighbours that basically accepts the legitimate interests of all regional parties, this would restore US credibility in the wider Muslim and much of the rest of the world, and make it much more difficult for the ideologues of jihadism to gain support and adherents in the region. Perhaps even more important, such an engagement may offer the last hope to actually implement a two-state solution that would allow Israel and Palestine to live peacefully with - or at least alongside - one another. The blueprints for a peaceful settlement are all there. It needs international - i.e., American-led - even-handedness and firmness to translate them into reality

2 That a Barack Obama administration could be distracted from pursuing its foreign-policy agenda through a combination of factors that already are known and present. Among them are a deepening economic crisis that may spur protectionist tendencies; special domestic interest-groups that would try to subvert a more inclusive and fair US policy in the middle east; and short-sited actions by other international players (Russia, Iran, North Korea or certain non-state actors) that would try to test the strength of the new administration at an early stage, either to embarrass the new administration or to prove to their own and other societies that the US is still the enemy.

3 In order both to achieve the goals set out under the "hope" category and to avoid the risks under the "fear" one, the main advice is from the beginning to seek solutions and pursue global policies in the most inclusive way. That means getting the emerging powers (China, India, Brazil, South Africa, Indonesia, and - prospectively - even Iran) to address issues of real globality (i.e. issues that do not just affect the entire world but that also cannot be solved without global cooperation) and to rebuild the structures of global governance. Everyone knows that the present composition of global-governance institutions and clubs (the United Nations Security Council, the G8, IMF, World Bank and others) no longer reflects the distribution of real (both hard and soft) power in the world; nor do these institutions and clubs invite those who have gained in the relative power-shifts to take real responsibility.

Volker Perthes, director, German Institute for International and Security Affairs

quarta-feira, janeiro 21, 2009

5 dias, 5 mensagens para Obama - day 3


As sábias palavras de Conor Gearty, sobretudo no que diz respeito à reacção de Obama à actuação do governo israelita:

"About the Barack Obama administration, please tell us:

1 one thing you hope for

2 one thing you fear

3 one piece of advice you would give"

1 That the United States returns to the community of states that share the values of democracy, respect for human rights and the rule of law - not as camouflages for selfish state action but rather as part of a genuine commitment to civilised cooperation

2 That President Obama will not dare to be different, will not seize the moment - and instead retreats into a bland centrism, thus failing to serve the interests of the American people and the people of the world

3 Use the monstrosity of Israel's Gaza war to challenge the Israeli government. For President Obama to say nothing about Gaza will be to give the Israelis a blank cheque - and Obama's cosmopolitanism will lie in shreds. If he is unable to confront Israel directly, a serious commitment by Obama to international law and the United Nations will transform the US's relationship with Israel in the medium-to-long term - for Israel needs to reject international law and the UN in order to act as it currently does.

Conor Gearty, professor, LSE

terça-feira, janeiro 20, 2009

5 dias, 5 mensagens para Obama - day 2

Olhando rapidamente para a cerimónia, fiquei desconfiada com um Hussein escondido com Barack H. Obama, mas as indirectas a Bush no respeito pela Constituição acima das questões de segurança fizeram-me recuar na desconfiança. No dia da tomada de posse de Barack Obama, faço meus os votos da Ann Pettifor:

1. One thing you hope for

That the United States rejoins the community of nations as a respected peer; no longer acts as a militaristic and intolerant empire; and helps bring peace and stability to the middle east, and justice to the Palestinian people.

2. One thing you fear

That powerful commercial forces will prevent his administration from providing the American people with a free and universal healthcare system

3. One piece of advice you would give

Break with the economics profession's orthodoxies; wipe the slate clean, and then implement Keynesian monetary policies to help the US create debt-free money, or low-interest credit for investment in a localised steady-state economy based on clean technology and millions of green-collar jobs.

Ann Pettifor, Advocacy International

segunda-feira, janeiro 19, 2009

5 dias, 5 mensagens para Obama - day 1


Na véspera da tomada de posse de Barack Obama, partilho convosco as preocupações dos colaboradores do site "Open Democracy". Vou reproduzir cinco excelentes respostas às seguintes perguntas:

"About the Barack Obama administration, please tell us:

1. one thing you hope for

2. one thing you fear

3. one piece of advice you would give"


1. That President Obama can pave the way for peace in the middle east. It will be a very tough road, especially after Israel's brutal onslaught in Gaza which killed hundreds of children and carved hatred into millions of hearts. To achieve peace, he will need both to find a way - directly or indirectly - to talk to Hamas and convince of the need for a two-state solution; and to impose some sanity and restraint on Israel, whose brutality is seen as "state terrorism" by millions of Muslims in the region.

2. That he will be tamed and co-opted by the Washington establishment. That . "experts" will convince him that "this is the way we do things here, sir." That he will be forced to retreat from some of the revolutionary and much-needed steps he promised or hinted he would take, such as talking to Iran, the Taliban and Hamas. And that, as a result, the world will start to see him only as a lighter version of the George W Bush administration - a new Bush with a smiling face.

3. Mr President, please, please, do not give up your promise for change. You have vowed to follow a policy based on pragmatism, not ideology. Be very much aware that some people will sell their ideology to you in the cloak of pragmatism. Do not forget the suggestions and sentiments of the good people who supported you in your earliest days. Moreover, I know you are a modest and humble man, but let me still remind you of a piece of advice which every Ottoman sultan was publicly given during his inauguration ceremony: "Don't be arrogant, my sultan, God is greater than you."


Mustafa Akyol, journalist, Turkey

domingo, janeiro 18, 2009

Palavras para Júlia

Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable.

Hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

La vida es bella, ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos, tendrás amor.

Un hombre solo, una mujer
así tomados, de uno en uno
son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otra gente.

Tu destino está en los demás
tu futuro es tu propia vida
tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.



Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino, nunca digas
no puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio.

Perdóname no sé decirte
nada más pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino.

Y siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

José Agustín Goytisolo

terça-feira, janeiro 13, 2009

Regresso do Ostracismo

Quero desde já desculpar o ostracismo e o esquecimento a que este blog foi votado. A culpa é exculsivamente de um fornecedor de serviços de Internet por cabo, extremamente incompetente. Fui ostracizada da vida bloguística e dos meios de informação isentos e independentes. Como tal os únicos assuntos que tenho para discutir são a porcaria do Cristiano Ronaldo, a vaga de frio e aquela escandaleira de jogo de futebol, que foi o Benfica-Braga.

E escreve-se um post com isso? Daria um post, se não fosse já evidente para toda a gente que este país é rídiculo. E nem é preciso falar dos aumentos salariais de ex-administradores da CGD - o Armando Vara - e dos bancários corruptos que vão gozar com a Assembleia da República, fazendo perder o tempo de todos, só para dizer que nada têm a declarar.

Mas se nos serve de consolo, e eu diria que não, o mundo não é menos ridículo. Só que não é ridículo gozável, como o rectangulo. Morrem pessoas por pura hipocrisia e inacção. O que Israel tem feito em Gaza é um insulto à humanidade. Até já dão ordens diplomáticas aos EUA. Aquele fantoche imbecil, tinha de o ser, mesmo na altura da saída:

«O primeiro-ministro israelita caracterizou Bush como um “amigo sem paralelo” de Israel. “Eles tiraram-no do palco, levaram-no para outra sala e eu falei com ele. Disse-lhe: ‘não pode votar a favor desta resolução’. E ele respondeu-me: ‘Escute, eu não sei nada sobre isso, não o vi, não estou familiarizado com a forma como está formulado’.” Olmert contou que disse então a Bush: “‘Eu estou familiarizado com ele. Não pode votar a favor’. “Ele deu a ordem à secretária de Estado e ela não votou a favor – a resolução que ela própria concebeu, formulou, organizou e manobrou para ser aprovada. Ela ficou bastante envergonhada e absteve-se na resolução que ela própria criou.”»

(note-se que nesta parte já tinha Net e pude saber desta derradeira bushice)

É caso para dizer, já que temos Olmert, venha um Obama que se atreva a ser justo!


segunda-feira, janeiro 05, 2009

Representantes do Mundo livre?


Ainda se ouvem os votos de bom ano novo e já começa uma guerra criminosa, que será certamente sangrenta. E eles dizem que representam o "Mundo Livre". O mundo livre que não permite a entrada de jornalistas e de ajuda humanitária em Gaza? Ou se calhar, é aquele mundo livre que sacrifica civis inocentes por um punhado de terra? É o mundo livre de Bush, Sarkozy e Brown e daqueles que nada fazem para rêpor a paz. Não sei que dizer mais... sinto-me impotente e enojada... Só pude assinar uma petição, enquanto inocentes morrem:


Espero que façam o mesmo!




quinta-feira, janeiro 01, 2009

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Olhar para 2008

Comecei este blog em 2006 e desde aí no final de cada ano, faço o exercício de rever o ano que passou. Sei que não é original, mas é interessante. Como a memória é falível, reli os meus posts dos anos anteriores. Impressiona a forma como as inquietações se repetem, sempre perturbadoras. Mostram o ridículo dos nossos desejos de bom ano novo. Mas porque não fazê-lo à mesma? Mais ridículos não ficamos... Bom ano novo de 2009!!!

Aqui fica o ano de 2008, revisto pela minha memória subjectiva e selectiva:

A música
“Golden Era” – Rita Redshoes
A nível internacional as minhas bandas não fizeram nada de novo, passei o ano a ouvir música de anos anteriores, fica o menos mau:
“Viva la vida or death and all his friends” – Coldplay


O livro
Li uns livrinhos bestiais que já devia ter lido há imenso tempo, mas vale mais tarde que nunca:
“1984” – George Orwell
"Admirável Mundo Novo" - Aldous Huxley


O poema
“Há palavras que nos beijam” - Alexandre O'Neill
“Muros” – Amalia Bautista

O filme
“Blindness” – Fernando Meirelles
"Burn after reading" - Irmãos Coen
"Zeitgeist adendum"

A série
Nada de novo, continua a ser “House MD”
“The daily show with Jon Stewart”
"Contemporâneos"

Preocupante…
Ossétia do Sul, Zimbabwe, Médio Oriente... perante a passividade da ONU
A tremenda crise financeira não fez cair o capitalismo neoliberal
A escandalosa protecção à banca
Derivas securitárias que vão custando direitos e liberdades por todo o mundo
A possibilidade de Obama não ser o Heroi que todos esperam...


Por cá, não menos preocupante…
Um governo socialista de direita, arrogante e de capaz da mais odiosa propoganda
Fraudes e corrupção
Escandaloso monopólio das gasolineiras e o efeito sobre os preços dos combustiveis
Agrava-se o fosso entre ricos e pobres
Os mesmos de sempre pagam a crise enquanto a banca e as grandes empresas têm lucros e protecções extraordinários
Desemprego, precaridade e o novo Código do Trabalho

O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor, que vejo desde 2006 e infelizmente volto a ver este ano...

terça-feira, dezembro 30, 2008

As palavras que perdi ontem...

Detesto quando isto acontece. Ontem pensei num texto muito razoavelzinho para postar no blog. Acontece que não tinha onde escrever. Hoje que tenho o écran vazio à minha frente, não me sai nada de espirituoso. Podia tentar lembrar-me das palavras, mas já não saem da mesma forma. Não ia adiantar. Mais vale articular um discurso inflamado contra as incursões israelitas na faixa de Gaza. Os bombardeamentos a supostos ninhos de terroristas ceifam a vida de centenas de civis inocentes, mas esse é sempre um dano colateral justificado. É um argumento que se torna aborrecido, já para não julgar a ética e a moral de quem o profere. E atenção que o meu discurso inflamado aplica-se também ao Hamas, aos turcos e ao terrorista que se explodiu junto a uma escola no Paquistão.

O meu texto de ontem não era sobre a guerra. Era sobre estar acorrentado a uma realidade que não se quer viver. O que até tem muito a ver com o que estou a escrever agora. Quem havia de querer esta realidade? Bombas como prendas de Natal, subtilmente para ninguém ver, para ninguém se indignar. Sim indignar-se! Que mais pode um acorrentado fazer, senão indignar-se.

No meu texto de ontem falava de uma fuga para um mundo, onde ninguém me consegue acorrentar, onde eu sou livre de gritar o que quero. Soava bem melhor ontem. Uma fuga para puder ser quem eu sou. Ia fazer o que eu sei fazer bem e não o que me obrigam a fazer. Se calhar também ia mudar o mundo, mas adormeci antes dessa parte. Lembrei-me porque tinha essas correntes, tinha de sobreviver, tinha de comer e de pagar uma casa. Não fosse alguém pensar que desacorrentar-me era uma opção.

A fuga era real, lembro-me agora. A fuga era esta. Este écran vazio. O meu blog. O meu mundo virtual. Isso não me tiram, aqui não me podem acorrentar. Aqui vejo quem eu sou e o que sou capaz de fazer. Vi o valor que as correntes não me deixam ver. Vi-me a mim, já me tinha esquecido quem eu era. Ontem sorri e sentia-me bem. Sim, aqui não me podem acorrentar e sim aqui posso mudar o mundo. Pena é que essas palavras se tenham perdido para sempre... Escrevo outras, escrevo sempre...

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Oskar Lafontaine sobre a Esquerda II: A crise financeira

«Hoje, as forças motoras do capitalismo já não são os empreendedores, mas os investidores financeiros. É o capital financeiro que governa o mundo e que instaura globalmente uma economia de jogos de casino. A crise dos mercados financeiros era portanto previsível e esperada pelos peritos. No entanto, os governos não fizeram nada para impedir esta crise. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, as elites políticas julgaram útil a especulação desenfreada. E o continente europeu inclinou-se frente a este juízo. Mesmo durante as fases em que a maioria dos governos europeus estava formada por partidos afiliados à Internacional Socialista, nenhuma medida foi tomada. A perda da dimensão crítica no que concerne ao capitalismo afundou lamentavelmente toda a política oportunista dos partidos socialistas e sociais-democratas. Se fosse necessário uma prova de fracasso, a crise actual dos mercados financeiros é essa prova.

Se fosse necessário uma prova, que nós, a esquerda crítica, não somos regressivos, que não procuramos no passado os remédios contra os males de hoje, tal como nos condenam constantemente os liberais e os conservadores, se fosse necessário uma prova, esta crise é essa prova. Desde o início dos anos 90 e a consequente mundialização, a esquerda, e eu inclusive, não temos tido descanso em reclamar a regulação dos mercados financeiros internacionais. Mas a opinião pública neoliberal troçou das nossas opiniões pelos vistos consideradas retrógradas. Disseram-nos que a lógica da mundialização não era compatível com a regulação, pregaram que não se devia nem por nada travar o comércio livre e o livre fluxo transnacional dos capitais, que toda regulação era uma solução caduca, regressiva. E agora, o que fazem os neoliberais na América do Norte e na Inglaterra? O que fazem os conservadores na Alemanha e em França? Ora bem, pretendem regulamentar. Aqueles que nos acusaram de regressão política, quando pedíamos a nacionalização de alguns sectores bancários para evitar a crise, que fazem agora? Ora bem, fazem de conta que nacionalizam os bancos em nome do futuro.

Agora socializa-se as perdas e faz-se pagar os grupos mais vulneráveis da sociedade pela falha do sistema. Agora, organizam-se pomposas cimeiras internacionais para regular os mercados financeiros. Mas, não nos enganam, pois os elefantes vão dar à luz um ratinho. Vão fechar o casino? Claro que não, desenganem-se! Vão apenas mudar radicalmente as regras do jogo no casino? Claro que não! O que vão fazer é elaborar com grande estrondo verbal um novo código de comportamento para os banqueiros da roleta. Nada vai mesmo mudar.»

terça-feira, dezembro 23, 2008

Feliz NATAL!!!

NATAL NA ALMA


Nem uma estrela
Nem uma estrada
Nem quem se atreva
Nem quem se atarde
a abrir as portas
da sua casa
A esta hora
só emboscadas

Nem uma vela
nem uma trave
A chuva geme
o vento estala
Quem nos acode
E Jesus nasce
a esta hora
mas embuçado


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Nem uma prece
Nem uma praga
Ao menos era
melhor que nada


David Mourão-Ferreira

sábado, dezembro 20, 2008

Oskar Lafontaine sobre a Esquerda

Oskar Lafontaine esteve na origem do "Die Linke", um projecto alemão de refundação da esquerda, que apesar de só ter 2 anos e meios conta com o apoio de 12% dos eleitores alemães. Deixo alguns excertos das suas declarações sobre o problema da esquerda actual e da necessidade de profundas alterações:

«Ao início da minha carreira política, há cerca de 40 anos, as posições dos partidos de esquerda na Europa ainda eram relativamente claras, as suas missões estavam bem definidas. Ainda não havia esta uniformidade centrista que os grandes partidos revelam hoje.

(...) Quer seja na Inglaterra, quer na Alemanha, quer em Espanha, quer em França ou alhures, a distância entre a teoria e a prática política é sintomática para a história do socialismo da Europa do Oeste. Quase sempre e quase por toda a parte, os dirigentes dos partidos socialistas abandonaram os seus princípios - frequentemente contra a vontade da massa dos militantes - em troca de uma pasta governamental.»

Lafontaine propõe ainda um conteúdo programático claro e coerente, insistindo na nacionalização de sectores estratégicos e no reforço dos serviços públicos:

«Contra a ideologia de privatização pregada pelos porta-vozes do neoliberalismo, salvaguardamos a ideia de uma economia pública sob controlo democrático. Preconizamos uma economia mista onde as empresas privadas, a grande maioria, estão lado a lado com as empresas nacionalizadas. Sobretudo as empresas de que dependem as necessidades fundamentais para a existência da sociedade - o sector da energia por exemplo, ou até o sector bancário, na medida em que é indispensável para o funcionamento de toda a economia - devem ser nacionalizadas.

Voltamos a pôr na ordem do dia a questão da autogestão operária e a participação dos empregados no capital da sua empresa, que parece estar hoje esquecida.

Lutamos contra uma política de desmontagem social que dá prioridade aos interesses dos investidores e que faz pouco da injustiça social crescente, da pobreza de muitas crianças, dos salários baixos, dos despedimentos nos serviços públicos, da destruição do ecossistema. Lutamos contra uma política que sacrifica o que nos resta de uma opinião pública deliberativa ao rendimento do capital financeiro. Não aceitamos a privatização dos sistemas de providência social, nem a privatização dos serviços de transportes públicos. Também não aceitamos a privatização do sector da energia e ainda menos a privatização do sector público da educação ou da cultura. A nossa política fiscal quer voltar a dar ao estado os meios para cumprir as suas funções clássicas. »

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Há momentos que vale a pena partilhar

Para quem não teve a sorte de a ouvir ao vivo:



Rita Redshoes, cover de "My body is a Cage" dos Arcade Fire.

terça-feira, dezembro 16, 2008

E viva a Alta Finança!

Já há algum tempo que não amesquinho a alta finança. Com sucessivos escândalos impunha-se mais um post. Pelos vistos, nada como uma crise financeira para os podres do sistema virem ao de cima. Ficamos a saber que existem senhores premiados com 10 mil euros/dia, porque tiveram um enorme sucesso a elaborar fantásticas engenharias financeiras, que envolvem offshores, especulações bolsistas e mais umas coisinhas profundamente ilegais. Coisas que até têm nomes sonantes como Insider Trading... Contentes devem ter ficado os milhares de Tugas, que levam as suas vidinhas a trabalhar arduamente no cumprimento da Lei e nem dez mil euros ganham por ano. Ah... o capitalismo neo-liberal é uma coisa tão bonita!


Quem partilha desta opinião, é aquele senhor americano, o Bernard Madoff, também ele generosamente remunerado e premiado por cometer as mais impressionantes engenharias financeiras, curiosamente ilegais. Antes génio da Finança e agora, pós-crise financeira, vai-se a ver... um caloteiro do caraças. Não fosse a crise, ninguém descobria a falcatrua na ordem de 50 milhões de dólares. Só me pergunto, como é que essa coisa tão bonita que é o capitalismo neoliberal, permitiu que a ilustre elite financeira perdesse assim 50 milhões de dólares... Mas nada temam, o Estado cá está para salvar os vossos traseiros milionários!!

Nota: Felizmente há quem faça melhores piadas e sem usar a expressão "traseiros milionários". Vale a pena ver o génio dos Contemporâneos aqui.


domingo, dezembro 14, 2008

A não perder...

O Programa do Aleixo... ainda bem que há mais humor em português, para além de Gato Fedorento e Contemporâneos. O estilo é diferente, mas não deixa de ter imensa piada. Aqui fica um pequeno exemplo:



Episódio 3 - Entrevista com Fernando Alvim

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Comentários em atraso...

Ainda que com algum atraso, não podia deixar de comentar os números de circo patéticos que foram as entrevistas de Dias Loureiro e de Vítor Constâncio, o segundo com direito "A Grande Entrevista" Especial. São os dois coitadinhos, ingenuozinhos, limitadinhos e não sabiam nada, não viram nada e confiaram muito na honestidade do administrador do BPN.

Dias Loureiro apesar dos negócios suspeitos do BPN que envolvem offshores, investidores árabes traficantes de armas e negócios esquisitos, continua conselheiro de Estado. Até dá jeito ter imunidade nestas alturas. Já Vítor Constâncio, não se apercebeu de nada, porque estes negócios ocultos são por definição ocultos (aprendi uma desculpa nova, para quando asneirar... até soa a boa desculpa) e até acha que os 6 milhões de lucro da Banca no último trimestre, só justificam o apoio do Estado. Gosto desta lógica dedutiva. Mas pelo menos, já se apercebeu que estamos em recessão, podia ser pior, a cegueira não é total...

Outro comentário em atraso, mas que tinha que destacar, são os motivos que o Primeiro-Ministro aponta para a melhoria de vida dos portugueses no próximo ano: A descida do preço dos combustiveis, das taxas de juro e da inflação! Mas por acaso o Governo teve alguma responsabilidade nesses factos? Só melhoramos onde o Senhor Primeiro-Ministro não meteu a mão, francamente... No entanto, é coerente da sua parte tirar proveitos políticos do que não lhe diz respeito! Quanto à vida do portugueses... em recessão técnica... será de uma melhoria espantosa...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Provocaçãozinha

Ainda a pensar no post anterior, aqui fica uma provocaçãozinha:

"I predict a riot" by The Kaiser Chiefs:


terça-feira, dezembro 09, 2008

Precisamos de lutar pela democracia e pela liberdade, pelo direito à própria vida?

A agitação social que se vive na Grécia, chega-nos através dos Média, como uma mera reacção de indignação à morte de um jovem pela polícia. Tem passado despercebido a actuação do governo grego, a grave crise ecónomica e social, escandalosos crimes de corrupção e um desemprego juvenil que ronda os 22,9%. Só isso explica que um caso específico, ainda que dramático, tenha levado a uma revolta popular, como há 35 anos não se via naquele país.. É bom que se perceba porque este comunicado, fez eco junto das pessoas:

«Não há desculpas. O rapaz de 16 anos figura já ao lado de todos os jovens lutadores - Petroulas, Komninos, Koumis, Sotiropoulou, Kaltezas - que foram privados da vida apenas por amarem a liberdade.

Na Grécia, sob o governo da Nova Democracia, é um crime ser jovem. As balas não são a única armas usada para matar a juventude. Os jovens são assassinados pelo desemprego, pela insegurança, pela invasão do lucro no sistema educativo, pela falta de esperanças e de perspectivas.

A Nova Democracia não pode continuar no governo. Chamamos a juventude - os alunos, os estudantes, os jovens trabalhadores de todas as cidades - a responder maciçamente, pacificamente e de forma militante. Junto com a luta pelo direito ao emprego, junto com a luta pelas universidades estatais, precisamos lutar pela democracia e pela liberdade, pelo direito à própria vida. Quando estes forem conseguidos pela nossa juventude, então a memória do seu colega será plenamente honrada. A palavra de ordem: "Pão, educação, liberdade" ganha de novo actualidade.»

O que eu não percebo é como é que só os gregos se aperceberam do desemprego, da insegurança, da falta de esperança e perpectivas. Este cenário é demasiado familiar ou há quem se esforce, muito mais cá do que na Grécia, para que passe despercebido? Teremos que esperar muito até os portugueses chegarem lá?

De repente, vem-me à cabeça uma frase que ouvi do Bill Maher:

«O verdadeiro eixo do mal é a genialidade do marketing, combinada com a estupidez do nosso povo»

segunda-feira, dezembro 08, 2008

A condição humana numa sala de cinema


Fui ao cinema ver o “Ensaio sobre a cegueira”. Como o cinema está localizado num mega centro-comercial apinhado com uma turba consumista, até ia altamente predisposta a maldizer a condição humana. Apesar de tudo, senti um murro no estômago. A humanidade será assim tão mesquinha, tão pronta a descer tão baixo, mesmo perante as contrariedades e estando em causa a sobrevivência?

Sentia-me tentada a defender a espécie, até olhar em volta. Bastou olhar para aquela sala de cinema. Sem catástrofes, nem em situações limite, os seres humanos à minha volta conseguiram fazer da sala uma pocilga, obrigaram-me a perder 20 minutos do meu tempo a ver publicidade que eu não pedi, nem paguei para ver e ainda ouvi o mesmo telemóvel tocar por várias vezes durante o filme. Dignidade, ética, moral? Nem no dia-a-dia, muito menos em situações limite...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Negro dentro de mim...

Só a escuridão. A escuridão que se vê quando se fecha os olhos e se vê: a cor negra e os pequenos seres de luz que a habitam. Sem conseguir olhar fixamente para o negro ou para a luz. O negro dentro de mim. As figuras de luz que o quebravam. Um negro tão absoluto, tão profundo e tão infinito que o olhar avançava por ele sem encontrar um lugar onde pudesse deter--se. Abri os olhos. Dentro de mim era vazio. Com o olhar sobre o corpo da minha mãe, via na janela o céu subitamente negro. A noite. A ideia do meu braço a tremer. O céu negro como o meu interior. E o céu, negro, negro, negro, rasgou-se como se todo o céu e toda a sua escuridão fossem um pano negro sobre o mundo. O céu rasgou-se num ruído de rochas a afastarem-se depois de milhões de anos. E o céu gritou um trovão que era a voz do mundo e da escuridão, um trovão que era a voz de todo o sofrimento do mundo. Um grito de terror. O céu e o mundo a dizerem um grito negro que explodia dentro de mim. Todo o sofrimento do mundo explodiu dentro de mim. A chuva começou a cair em gotas grossas sobre a noite. A chuva era feita de gotas grossas e negras que caíam do céu e que lançavam sobre a terra todo o sofrimento e toda a escuridão. Entrava chuva no quarto. (…) Entrava vento que trazia chuva e mais sofrimento e mais escuridão. A noite e a escuridão e o sofrimento eram como se tivesse passado os portões de ferro da morte. O céu gritava trovões, e a morte, repetida, enchia a casa e explodia dentro do meu peito vazio e negro.


José Luís Peixoto, "Uma casa na escuridão", p.173