quinta-feira, agosto 09, 2007

Mas que sei eu


Mas que sei eu das folhas no outono

ao vento vorazmente arremessadas

quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas 
que pressinto no meu fundo abandono




Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta 
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha
 
Ruy Belo
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1 comentário:

Armando Rocheteau disse...

Belíssima escolha.
Abraço