sexta-feira, abril 06, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
Falta de preparação
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Não estamos preparados para nada:
certamente que não para viver
Dentro da vida vamos escolher
O erro certo ou a certeza errada
Que nos redime dessa magoada
Agitação do amor em que prazer
Nem sempre é o que fica de querer
Ser o amador e a coisa amada?
Porque ninguém nos salva de não ser
Também de ser já nada nos resgata
Não estamos preparados para o nada:
Certamente que não para morrer
Gastão Cruz
In: A moeda do tempo, p.26.
Assírio & Alvim
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Descritores: Personalidade, Poesia
segunda-feira, abril 02, 2007
Devidamente visado pela Comissão de Censura
Eu sei que ainda há poucos dias, fiz referência ao Gato Fedorento. Mas tenho que o fazer de novo, o programa é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa, e diria mais, na sociedade portuguesa. Com uma carga irónica, deliciosa, foi uma bofetada de luva branca nos saudosistas do Estado Novo. Mas pelos vistos, não fui só eu que achei o programa inspirador. O blog “O Bico de Gás” resolveu agradar aos salazaristas mais saudosos e foi revisto pela comissão de censura. Devidamente carimbado. Eu achei a ideia óptima e como também gosto de agradar… Cá está o carimbo. Este blog foi devidamente visado pela censura. Ironicamente…
Será que a moda pega? Quem apreciou a ironia, esteja à vontade para surripiar o carimbo… ;))
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Descritores: Gato Fedorento, Sociedade, Totalitarismo, TV
sábado, março 31, 2007
Mais um motivo de orgulho
«Entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2005 , os gabinetes governamentais movimentaram, em "práticas sistemáticas e anómalas", e muitas vezes "sem a mínima contrapartida", verbas quase quatro vezes superiores ao custo previsto para o novo aeroporto da Ota, que é de 3,1 mil milhões de euros. (...) Segundo uma "auditoria aos gabinetes governamentais" ontem revelada pelo Tribunal de Contas, e que abrangeu os governos de Durão Barroso, Santana Lopes e o primeiro ano do actual governo de José Sócrates, "as despesas [dos gabinetes governamentais] com transferências correntes totalizaram 12,5 mil milhões de euros ". »
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Descritores: Despesa pública, Ilegalidade, Política Nacional
terça-feira, março 27, 2007
Terrenos pantanosos, lodos e aluviões
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A propósito da OTA, diz que é uma espécie de um lodaçal!!
Gato Fedorento de 25/03/2007
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Descritores: OTA, Política Nacional
segunda-feira, março 26, 2007
A Grandeza dos Portugueses?
Por várias vezes, estive prestes a pronunciar-me sobre o concurso “Grandes Portugueses” e não o fiz, porque discordo profundamente com os princípios fundamentais do programa. Parte-se do princípio que se podem comparar personalidades de épocas históricas e mentalidades tão diferentes. Parte-se do princípio que há domínios do saber melhores que outros, ou qualidades melhores que outras. Parte-se do princípio que existem Super-heróis e não seres humanos, com qualidades e defeitos, inseridos num determinado contexto histórico. Na minha opinião, não é intelectualmente honesto. A isto acresce, o associar uma personalidade actual à personagem histórica, o que acarreta simpatias e antipatias e deturpa ainda mais a visão da realidade. Por isso não votei, não assisti ao debate e limitei-me a ver alguns documentários. Mas não pude deixar de assistir aos resultados da votação. Quem é afinal o Grande Português?
O que eu lamento, enquanto defensora da democracia é que os portugueses prefiram olhar para o passado, em vez de olharem para o futuro. Tenho pena que se admire um regime autoritário e fascista e não se olhe para os resultados das democracias nórdicas, por exemplo. É triste que peçam uma ditadura, em vez de exigirem uma democracia melhor, mais solidária, que fomente a igualdade social e o bem-estar. Enfim, um regime político que fomente a felicidade de todos e não só de alguns.
Grandeza seria exigir mais e melhor democracia.
P.S. Um aspecto positivo a sublinhar, o 3º lugar de Aristides de Sousa Mendes, os portugueses valorizam o humanismo, a capacidade de defender o que está certo, mesmo quando isso significa o prejuízo do próprio. Aí reside a grandeza e quem sabe a esperança…
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Descritores: Democracia, Sociedade, Totalitarismo, TV
sábado, março 24, 2007
"What Kind of Blogger Are You?"
| You Are a Pundit Blogger! |
Your blog is smart, insightful, and always a quality read. Truly appreciated by many, surpassed by only a few |
Então, não é?? «Truly appreciated by many», sendo que many são 5, 6 pessoas... lol
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quarta-feira, março 21, 2007
Árvores e poesia
Francisco José Viegas
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segunda-feira, março 19, 2007
Um infeliz aniversário
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O início da invasão do Iraque foi há 4 anos. Parece que foi ontem que ouvimos o Sr. Bush falar de uma guerra que duraria somente 3 semanas e que vimos a estátua de Saddam tombar. Parece que ainda ouço as vozes eufóricas que comparavam o tombar da estátua ao nosso 25 de Abril...
Mas depressa os factos desmentiram a euforia. Os sucessivos ataques suicidas, a inexistência de armas de destruição massiva, as torturas em Abu-Ghraib, o sequestro de estrangeiros e o sangue derramado de milhares vítimas iraquianas e de soldados norte-americanos... E por fim, a execução de Saddam, que mais não foi que uma acha para a fogueira.
Hoje uma sondagem do “USA Today”, revela que somente 18% dos iraquianos confia na coligação liderada pelos EUA, a maioria acha que a presença de tropas estrangeiras aumentou a insegurança no país. Nove em cada dez iraquianos vivem com medo de morrer. Leio o testemunho impressionante de uma iraquiana:
«Comemos, bebemos e dormimos como animais, mas os animais têm sorte, porque não estão assustados o tempo todo como nós. Não pensam que podem ser assassinados a qualquer momento, por isso acredito que são mais felizes que nós.»
À insegurança junta-se a escassez dos serviços básicos, como o fornecimento de electricidade. Reina o pessimismo e o desalento, há falta de adjectivos que melhor descrevam o drama dos iraquianos. Choca-me que esta situação tenha culpados e que os culpados permaneçam impunes e alheios ao sofrimento dos iraquianos.
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Descritores: Iraque, Política Internacional
sábado, março 17, 2007
Tédio
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Descritores: Angústia existencial, Série TV
quinta-feira, março 15, 2007
terça-feira, março 13, 2007
Então, e o desemprego entre os jovens licenciados?
Depois veio o Programa de Estágios Profissionais para a Administração Pública, financiado por fundos comunitários, pelo POAP. Assim se retiraram 3 mil licenciados das estatísticas do IEFP, que passaram a descontar para o IRS, mas não a descontar para a segurança social. À semelhança do que aconteceu, com os cursos de formação, terminado o estágio, os licenciados voltam ao desemprego. Mas desta vez, com a agravante de não terem direito a subsídio de desemprego, ou seja, desta vez são um encargo bem mais leve para o Estado. Muito conveniente, muito socialista…
Como a medida foi afinal proveitosa, não para resolver o problema do desemprego entre os licenciados, mas para o orçamento do Estado, surge o mesmo programa aplicado à Administração Local. À semelhança do PEPAP, o PEPAL está a retirar centenas de licenciados das listas do IEFP. Claro que está devidamente legislado que os PEPAP não podem beneficiar deste novo programa, apesar de estarem novamente desempregados. O programa está agora a ser implementado, mas atrevo-me, pela lógica, a prever que daqui a um ano estes jovens licenciados estarão novamente desempregados.
Não existe nenhuma política activa e uma estratégia de fundo para combater o desemprego entre os licenciados. O problema arrasta-se no tempo. Milhares de vidas em suspenso. Milhares a questionar o seu lugar, o seu futuro. Muitos em situações de depressão, com a auto-estima abalada, omitem a condição de licenciados. Os que não ficam no desemprego, obrigam-se a aceitar empregos desqualificados, afastados da sua área de licenciatura. O melhor que Portugal tem a oferecer aos seus licenciados é um trabalho num Call-Center…
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Descritores: Desemprego, Jovens, Sociedade
domingo, março 11, 2007
"Windowsill"
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Descritores: Angústia existencial, Arcade Fire, Música
quinta-feira, março 08, 2007
Dia Internacional da Mulher
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«Então, a próxima vez que te entregues a escrever um romance, vê se podes mostrar mais compreensão do coração humano. Nunca escolhe como tua mulher ideal aquela com determinação, desinteressada, corajosa e honesta. O público desprezá-la-á e chamá-la-á pelo nome ultrajante de Lélia, a inapta. Inapta, sim, graças a Deus! Inapta para o servilismo e para a baixeza, inapta para a lisonja ou para o medo dos homens. Homens estúpidos - vós que acreditais nas leis que punem o assassinato com o assassinato e que expressam a vingança na calúnia e na difamação! Mas, quando uma mulher mostre que ela é capaz de viver sem vós, então vosso poder fútil dará lugar à fúria. Vossa fúria é punida por um sorriso, um adeus e despreocupação universal!»Excerto de “Diário íntimo” de George Sand
Escrevo sobre o dia da mulher, ainda a recordar o relato que ouvi ontem de uma amiga. Com um excelente desempenho nas provas de selecção, foi a candidata escolhida até ao momento em que disse que era mãe. Não terá sido a primeira, nem será a última.
As mulheres continuam a ser discriminadas no mundo do trabalho. São as vítimas da violência doméstica. Recebem os salários mais baixos. 1 em cada 3 mulheres já foi atacada uma vez na vida. São elas as sobrecarregadas com os cuidados familiares, as tarefas domésticas, a educação dos filhos. Toleram o assédio sexual mais ou menos dissimulado. São mais afectadas pela dura realidade do desemprego.
Quantas mulheres abdicam dos seus sonhos, dos seus projectos, da sua vida pessoal para assumir um papel que a sociedade impõe? Quantas e ainda por quanto tempo?
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sábado, março 03, 2007
"Free hugs"
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quinta-feira, março 01, 2007
domingo, fevereiro 25, 2007
Isto não é um cliché!!
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Ter a mania de dar palpites, em noite de Óscares, não é um cliché...
Os meus palpites estão destacados:
Melhor filme | best picture
Babel | Babel
Departed, The | The Departed: Entre Inimigos
Letters from Iwo Jima | Cartas de Iwo Jima
Little Miss Sunshine | Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos
Queen, The | A Rainha
Melhor realização | best director
Alejandro González Iñárritu | Babel
Clint Eastwood | Letters from Iwo Jima
Martin Scorsese | Departed, The
Paul Greengrass | United 93
Stephen Frears | Queen, The
Melhor actor | best actor in a leading role
Forest Whitaker | Last King of Scotland, The
Leonardo DiCaprio | Blood Diamond
Peter O'Toole | Venus
Ryan Gosling | Half Nelson
Will Smith | Pursuit of Happyness, The
Melhor actriz | best actress in a leading role
Helen Mirren | Queen, The
Judi Dench | Notes on a Scandal
Kate Winslet | Little Children
Meryl Streep | Devil Wears Prada, The
Penélope Cruz | Volver
Melhor actor secundário | best actor in a supporting role
Alan Arkin | Little Miss Sunshine
Djimon Hounsou | Blood Diamond
Eddie Murphy | Dreamgirls
Jackie Earle Haley | Little Children
Mark Wahlberg | Departed, The
Melhor actriz secundária | best actress in a supporting role
Abigail Breslin | Little Miss Sunshine
Adriana Barraza | Babel
Cate Blanchett | Notes on a Scandal
Jennifer Hudson | Dreamgirls
Rinko Kikuchi | Babel
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sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
"Parábola"
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- Não traz data. Por certo já e tarde. A garrafa poderia ter andado à deriva por muito tempo - disse o primeiro pescador.
- E não indicou o lugar. O oceano, pode ser um qualquer - disse o segundo pescador.
- Não é por ser tarde nem longe. A ilha Aqui pode estar em qualquer parte - disse o terceiro pescador.
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Descritores: Angústia existencial, Poesia
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Brinca-se...
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Neste país, brinca-se de facto.... Se é ao Carnaval, se é com a nossa cara já não sei dizer...
Cá brinca-se às OPAS, um dia há OPA, no dia seguinte já não há OPA.
Brinca-se às demissões e à convocação de eleições antecipadas. Há um bobo da corte que goza com o Estado, com as instituições e com o dinheiro dos contribuintes, aplaudido pelo maior partido da oposição.
Brinca-se com o poder de comprar, vender e corromper, sem que nenhuma responsabilidade seja assumida.
Brinca-se ao país desenvolvido do choque tecnológico, que é afinal o país da mão-de-obra barata.
Brinca-se a fechar urgências e maternidades. Para que precisam delas meia-dúzia de pacóvios no interior?
Brinca-se ao TGV e ao aeroporto da OTA.
Brinca-se aos indultos.
E eu podia continuar, mas repetir mais vezes a palavra “brinca-se” começa a soar a ridículo, sem ironia aparte.... Salto para a conclusão final.
A brincadeira parece ter tanta piada, que dois anos depois os portugueses dão uma nota positiva ao organizador deste Carnaval, líder nas sondagens e na popularidade...
Neste país, brinca-se de facto...
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Descritores: Política Nacional, Portugal, Sociedade
domingo, fevereiro 18, 2007
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Votar ou não votar
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Vamos pensar em casos concretos de eleições com uma elevada taxa de abstenção. Algum governo veio dizer "ai que temos de repensar a democracia e a forma como fazemos política"ou "vamos passar a ser sérios e a cumprir as nossas promessas, senão os cidadãos não votam"? Nenhuma alteração de fundo foi levada a cabo. E porquê? Porque ninguém vai interpretar uma não posição. É como uma pergunta a que se responde com o silêncio. Alguém vai interpretar o silêncio como uma crítica, ou vai considerá-lo um consentimento ou uma cumplicidade?
Não será a abstenção uma forma de renunciar ao direito de participação, abdicar da nossa voz ou questionar a própria democracia? A democracia não tem o seu fundamento no voto? Não votar, não é questionar uma forma específica de fazer democracia, é recusar qualquer tipo de democracia. É uma rejeição do direito de escolha. Se eu não me quero pronunciar, estou a deixar que outros decidam por mim. Abdicar do direito de voto é abdicar de um regime que ouça a minha opinião, é permitir que qualquer politica não precise de legitimação. Não é abrir a porta a regimes ditatoriais que não admitem a legitimação política pelo voto?
Eu pessoalmente recuso-me a desistir da democracia abdicando do meu direito de voto. É um regime imperfeito, com muitos vícios e injustiças, que exige grandes mudanças no sentido da equidade, da justiça social e da seriedade política. Mas acredito que as nossas escolhas vão motivar essas reformas. E do poder de escolha, da nossa voz não devemos abdicar...
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Descritores: Abstenção, Democracia, Escolha
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
E agora, para algo completamente diferente...
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Descritores: África, Política Internacional
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
"Evolução"
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Finalmente acreditamos na liberdade e na responsabilidade!
Finalmente acreditamos nas mulheres!
Finalmente alteram-se as mentalidades!
Evoluímos!!!
Já não era sem tempo...
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sábado, fevereiro 10, 2007
"Voodoo Girl"
Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.
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Descritores: Angústia existencial, Tim Burton
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Votar sim ou votar não?
É optimo quando questões levantadas nas caixas de comentários, dão posts. No comentário ao post anterior, o leitor António, coloca várias questões que são pertinentes e devem ser analisadas.
1. O aborto, seja por que motivo for deve ser legar e uma escolha exclusiva da mulher, desde que seja feito até às 10 semanas?
O "seja porque motivo for" é um pressuposto perigoso. Pressupõe que as mulheres são irresponsáveis, desumanas e não conseguem exercer o direito de escolha. Na minha opinião, não é assim, mas, admitindo que é, pensemos pelo menos que todo o ser humano é adverso à dor e ao sofrimento extremos (que um procedimento cirúrgico como a IVG provoca, como se sabe...). Isto para dizer que o ser humano só escolhe a dor e o sofrimento, se não encontrar no seu íntimo outra alternativa.
2. As mulheres que cometem abortos devem ser condenadas?
Neste ponto, se percebi bem, tanto os partidários do sim como do não, acham que as mulheres não devem ser condenadas. Completamente de acordo, é isso que se pergunta no referendo, se queremos despenalizar. A resposta é sim, dizer não é penalizar e isso é igual a criminalizar. Não há penalização sem culpados, afirmar o contrário é uma falácia.
3. Deve, o estado ajudar as mulheres a fazer abortos?
O Estado tem a responsabilidade de ajudar as mulheres a lidar com uma gravidez indesejada. O Estado também tem a responsabilidade de assumir as consequências de políticas de planeamento familiar, educação sexual e protecção da maternidade que nunca levou a cabo. Não pode deixar as mulheres entregues a si próprias e a qualquer carniceiro(a) de vão de escada (e aqui releia-se o que disse e muito bem a Maria José Morgado).
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terça-feira, fevereiro 06, 2007
Referendo: citações a ponderar III
"Há clínicas em Portugal que são 'slot machines' de ganhar dinheiro (...), o aborto ilegal é um negócio que produz dinheiro sujo, que não é tributado (...) Estes fenómenos potenciam a corrupção, a venalidade e crimes de enriquecimento ilícito"
Maria José Morgado deixou ainda algumas críticas à classe médica, lamentando que não reconheça mais frequentemente o perigo para a saúde psíquica da mulher como um motivo para a realização de aborto legal. "A opinião médica tem sido excessivamente restritiva, autista e até insensível na indicação de causas para a saúde psíquica", criticou.
Maria José Morgado, citada no Público
Miguel Oliveira da Silva, Professor de Ética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Alberto Martins
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domingo, fevereiro 04, 2007
"Nada duas vezes"
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Duas vezes nada acontece nem acontecerá.
E assim sendo, nascemos sem prática e sem rotina vamos morrendo.
Nesta escola que é o mundo,
mesmo os piores
nunca repetirão
nenhum Inverno, nenhum Verão.
Os dias não podem ser repetidos,
não há duas noites iguais,
não há dois beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar.
Ontem, o teu nome em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa me tivessem atirado.
Poema de WISLAWA SZYMBORSKA
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Descritores: Poesia
sábado, fevereiro 03, 2007
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
How low can you go II
"Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (...) Mãe, como foste capaz de me matar?..." Este é apenas um excerto de uma carta que foi colocada nas mochilas de crianças de dois infantários de Setúbal, o Aquário e a Nuvem, da rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), e por isso comparticipados pelo Estado, no caso dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada.Esta carta é das coisas mais aberrantes e crueis que já alguma vez li. Um embrião com menos de 10 semanas que nem tem ainda o sistema nervoso central desenvolvido, mas é capaz de elaborar juízos de valor e de pensamento abstracto, acusa a mãe de o assassinar a troco de dois electrodomésticos (pelos vistos é o que custa educar uma criança hoje em dia, para estes senhores...)?? É indescritível o que algumas pessoas têm de perverso e mau, sobretudo quando se dizem crentes. Tenho pena de partilhar este país, com pessoas capazes de tais enormidades!
Cartoon de Petar Pismestrovic 










