quinta-feira, fevereiro 01, 2007

How low can you go II



"Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (...) Mãe, como foste capaz de me matar?..." Este é apenas um excerto de uma carta que foi colocada nas mochilas de crianças de dois infantários de Setúbal, o Aquário e a Nuvem, da rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), e por isso comparticipados pelo Estado, no caso dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada.


"Como poderia eu imaginar que uma mãe fosse capaz de matar o seu filho quando, em casa, não maltratam nem o gato, nem a televisão?"E continua. "Agora, Mamã, sei tudo. Estou aqui no outro mundo e um companheiro que teve a mesma sorte do que eu, disse-me que sim, que foste tu... Disse-me que há mães que matam os filhos antes de nascerem. Mãe, como foste capaz de me matar? (...) Por acaso pensavas comprar uma máquina de lavar ou um aspirador, com os gastos que talvez eu te iria causar?"


A carta remata com a ameaça do Juízo Final e com um apelo. "Ele me disse que terás de Lhe dar contas do que fizeste! (...) Mamã, antes de me despedir de ti, peço-te um favor, que esta carta que te escrevo, a dês a ler às tuas amigas e futuras mães, para que não cometam o monstruoso crime que tu cometeste."


Excerto retirado do DN Online

Esta carta é das coisas mais aberrantes e crueis que já alguma vez li. Um embrião com menos de 10 semanas que nem tem ainda o sistema nervoso central desenvolvido, mas é capaz de elaborar juízos de valor e de pensamento abstracto, acusa a mãe de o assassinar a troco de dois electrodomésticos (pelos vistos é o que custa educar uma criança hoje em dia, para estes senhores...)?? É indescritível o que algumas pessoas têm de perverso e mau, sobretudo quando se dizem crentes. Tenho pena de partilhar este país, com pessoas capazes de tais enormidades!

5 comentários:

Macambúzia Jubilosa disse...

É verdade Hopes...

Eu recebi um mail (no mail do trabalho) em que o bebé tb falava com a mãe, e lhe dizia coisas parecidas, chantagens, etc. Pelo meio tinha imagens de fetos partidos aos bocados, bebés mortos deitados em caixotes de lixo, etc...

E acabava com uma imagem de jesus cristo a segurar na mão um feto...

Era tão mau e tão violento que nem consegui publica-lo no blog para o denunciar...

Enfim...há coisas que...

Anónimo disse...

Pois, são estas cartas e algumas declarações que a comunicação social rapidamente publica que acabam por dar força aos adeptos do sim no referendo e ainda mais daqueles que defendem o sim à interrupção de qualquer gravidez só pelo simples facto de não ser desejada.
O aborto não é bom, não é aceitavel, para defender um valor, que é a vida humana em desenvolvimento.
Por isso vou votar Não e não sou mais nem menos Humano que os que votam sim.
Talvez tenha menos sentido prático, seja menos realista, mais idealista, talvez...

Dreamer disse...

E incrivel, como a igreja catolica consegue descer tao baixo, para conseguir os seus intentos. Como e que podem ser tao crueis como por uma carta deste tipo nas mochilas das criancas. Porque e que nao aprendem a respeitar as opinioes dos outros e a necessidade de evoluir. Que creem? Que por ganhar o nao, vai deixar de haver abortos? Se assim pensam, sao muito ignorantes!
As mulheres continuaram a ir fazer abortos ilegais e continuaram a ficar c/ problemas fisicos e emocionais, e muitas infelizmente podem perder a vida. Agora perguntem-se: Que vale mais? Salvar uma vida, ou perder duas?

Anónimo disse...

A mim o que me choca mais nem é o conteúdo da carta propriamente dita - indescritível de tão abjecto e baixo - mas o facto de ter sido dada a crianças!... assim as manipulando e tornando meros joguetes, instrumentos de propaganda. Isso é ainda mais inaceitável; se tivesse um filho num infantário assim, não iam ouvir poucas... (embora suponha que, por estas e por outras, não poria um filho meu num infantário gerido por um centro paroquial...)

AM disse...

"...É indescritível o que algumas pessoas têm de perverso e mau, sobretudo quando se dizem crentes. Tenho pena de partilhar este país, com pessoas capazes de tais enormidades..."

Exactamente Hopes
É exactamente isso que sinto ao ler, ver e ouvir a generalidade da propaganda do "não" e, naturalmente, de parte significativa dessa multinacional hipócrita chamada igreja católica.

AM