quinta-feira, agosto 02, 2007
terça-feira, julho 31, 2007
Vamos chama-las vidas a prazo
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Ainda bem que há exemplos de bom jornalismo, confesso que às vezes me esqueço disso, dada a banalidade de tantos artigos que nos entram pelos olhos. Finalmente um artigo que faz uma excelente análise da situação precária de um milhão de portugueses. Já não era sem tempo… A realidade da precariedade laboral em Portugal, tem sido varrida para baixo do tapete, enquanto se tenta vender a ideia da flexisegurança.
«Foi no início dos anos 90 que os primeiros casos de «falsos recibos verdes» (um trabalhador que cumpre as mesmas funções dum empregado por conta de outrem, com horário, hierarquia, posto de trabalho, ordens de superiores) entraram pelo gabinete de Garcia Pereira. Hoje, continua a não haver dados exactos, pois «como é uma prática ilegal, não há números fidedignos». E assiste-se a novas tentativas de dissimulação do fenómeno, como a constituição de empresas sub-contratadas para prestar serviços.
(…) No século XXI, em Portugal, «continua a praticar-se 'dumping social'», denuncia Garcia Pereira. «Os trabalhadores a recibo verde são mão-de-obra dócil e barata. Não têm quaisquer custos para o trabalhador e não têm qualquer direito. Além disso, têm uma dupla tragédia em cima: se são despedidos ficam sem o seu salário e sem direitos sociais.»
As empresas ainda obedecem à lógica de que «só podem existir empresas estáveis com pessoas instáveis». Quanto à Inspecção-Geral de Trabalho, que tem por papel fiscalizar casos de fraude, a sua actuação é manifestamente insuficiente, segundo o advogado: «A OIT (Organização Internacional de Trabalho) recomendou que Portugal tivesse 750 inspectores no quadro. Neste momento, temos 252 inspectores para todo o país. Há uma total incapacidade de resposta. E também uma clara vontade de não 'apertar' com as empresas que têm estas práticas fraudulentas», diz. «A prosseguirmos por este caminho, o desastre é total. A lógica de que trabalhadores desmotivados e receosos são melhores é um disparate pegado.»
Do artigo constam ainda testemunhos reais, de pessoas que sentem a precaridade na pele. Serão muitas mais, mas têm medo de dar a cara e perderem o sustento, que apesar de precário é o único que têm. Infelizmente para elas e para todos nós, enquanto sociedade, estas pessoas são vistas como números e não como seres humanos. Só assim se compreende que existam vidas como esta:
«O homem, de meia idade, era bem-parecido. Ar distinto, fato e gravata, professor universitário, respeitado por todos. Dava aulas numa faculdade privada há doze anos, quando um dia foi «dispensado». Havia, no entanto, um 'se'. Apesar de cumprir as funções de docente de forma continuada, o professor tinha um contrato de prestação de serviços, não era trabalhador por conta de outrem. Estava a recibos verdes, e isso significa não ter direito a subsídio de desemprego, doença ou reforma. (…) Sem fonte de rendimento nem rede social de qualquer espécie, este homem só não morreu de fome porque o Banco Alimentar lhe garantia as refeições.
O professor universitário, com mestrado, passou da capital do país para um casebre emprestado, sem electricidade, num descampado nos arredores de Coimbra.»
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Descritores: Precaridade laboral, Sociedade, Trabalho
sábado, julho 28, 2007
"The girl with many eyes"
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One day in the park
I had quite a surprise.
I met a girl
who had many eyes.
She was really quite pretty
(and also quite shocking!)
and I noticed she had a mouth,
so we ended up talking.
We talked about flowers,
and her poetry classes,
and the problems she'd have
if she ever wore glasses.
It's great to know a girl
who has so many eyes,
but you really get wet
when she breaks down and cries.
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Descritores: Ficção, Tim Burton
quarta-feira, julho 25, 2007
Sobre o Tratado da UE e pelo referendo
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Aproveito para divulgar que o texto provisório do futuro tratado da União europeia, se encontra aqui. Um simpático documento de 145 páginas… Quem não tiver paciência, pode ver este excelente powerpoint sobre a constituição europeia, fazendo o download aqui. Aproveito para agradecer à Sabine esta informação. O powerpoint é esclarecedor. Parte-se da simples constatação de quantas vezes, determinadas palavras são referidas em detrimento de outras. Por exemplo, a palavra Banco aparece 176 vezes, logo seguida de concorrência, 174 vezes e mercado 78 vezes. Já a palavra fraternidade nunca é mencionada, progresso social surge 3 vezes e serviço público apenas uma.
São omissões muito graves, às quais se junta o facto da Carta europeia dos direitos humanos não ser aplicada por todos os países de igual forma. A afirmação da independência do Banco Central Europeu, que não responde a qualquer órgão eleito pelos cidadãos, também deve ser encarada com preocupação. Perante isto não me espanta que a seguinte declaração, proposta pela esquerda no parlamento europeu, não fosse incluída no projecto de tratado:
Metida na gaveta fica também a realização do referendo. Tendo em conta que o que esta em jogo é a mercantilização da União Europeia e o afastamento da ideia de uma Europa da Fraternidade e dos direitos sociais, os cidadãos europeus têm o direito a ser consultados. Por isso este blog é pelo referendo ao tratado constitucional. Se quem me lê também é, pode assinar uma petição a exigir a realização do referendo, clicando aqui.
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Descritores: Europa, Política Internacional, Referendo
segunda-feira, julho 23, 2007
sábado, julho 21, 2007
Objectivo: Gilbraltar
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Não é uma situação nova, é apenas mais uma situação esquecida. Só nos vem à memória, quando algum telejornal noticia um naufrágio trágico de um frágil barco de imigrantes. Esquecemos que em Marrocos existe um “campo de retenção informal”, onde
A partir de
As perigosas travessias realizam-se agora a partir da Mauritânia, do Senegal ou de Dakar. São viagens mais longas e arriscadas, prevê-se que um em cada seis imigrantes, morra afogado na travessia. Daí a persistência da rota marroquina e com ela as repressões brutais, a extorsão, os sequestros, a expulsão violenta para o deserto, após uma viagem de 12 horas. Largados no deserto, sem nada… Ninguém é poupado: nem as mulheres grávidas, nem as crianças, nem os refugiados ou os que pedem asilo.
Leio o testemunho de Alphonse. Há três anos que está no campo de retenção de Marrocos à espera de uma oportunidade:
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Descritores: Direitos humanos, Imigração, Sociedade
quinta-feira, julho 19, 2007
Espelho
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espelho, és a terra onde as raízes rebentam de mistérios.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
os olhares sem fim das coisas paradas, repetes o meu olhar.
espelho, és a parede e a pele cansada, és um silêncio a morrer a noite,
és o que ninguém quer, a verdade mais triste e cansada por dentro.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
a desgraça, a miséria e o desespero.
espelho, quis conhecer-te e perdi-me de ti.
José Luís Peixoto
In "A Criança em Ruínas"
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Descritores: Angústia existencial, José Luís Peixoto, Poesia
terça-feira, julho 17, 2007
Hipocrisia
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Desde 2002 e unicamente na Califórnia são perto de mil as pessoas que apresentaram queixas contra a igreja católica, alegando terem sido vítimas de abusos sexuais por parte de clérigos de algumas dioceses desse estado.
No total a igreja católica já dispendeu quase dois biliões de euros em indemnizações desde 1950.
Em vez de criticar e condenar a utilização de anticonceptivos, a homossexualidade e a despenalização do aborto, a ICAR devia fazer um exercício de autocrítica e olhar para si própria...
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segunda-feira, julho 16, 2007
Falta de comparência
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As eleições intercalares em Lisboa trazem dados preocupantes, o que salta mais à vista é uma abstenção esmagadora. É evidente o descontentamento com a forma como se faz politica e com os resultados da governação, sempre a milhas das promessas efectuadas. As pessoas começam a estar fartas e os candidatos revelaram-se incapazes de as motivar e cativar, e poucos foram os que reconheceram essa triste evidência.
O PS gaba-se da única vitória sem coligação em 31 anos, esquecendo convenientemente que dos 524.248 eleitores inscritos no círculo eleitoral Lisboa, só 57.907 cidadãos lhe confiaram o seu voto. Grande vitória, se pensarmos que em 2005, votaram em Manuel Maria Carrilho 75.022 eleitores. Depois vem o ridículo de trazer a Lisboa, militantes do PS de Teixoso, Cabeceiras de Basto e afins, para aclamar António Costa, não fosse a falta de lisboetas estragar a festa. Excelente estratégia para credibilizar a política e combater a abstenção!
O PSD sai derrotadíssimo, incapaz de se apresentar como alternativa credível. Enquanto Carmona Rodrigues age como se não tivesse sido o responsável pela gestão incompetente dos anos anteriores, talvez aqui a estratégia do coitadinho tenha resultado junto do eleitorado. Sobretudo se compararmos esta estratégia com a de Sá Fernandes, que se tem preocupado em denunciar situações ilegais e de corrupção, acabando apesar de tudo por perder eleitores. A percentagem de votos no BE é inferior a 2005, por 9 mil eleitores.
Derrota pior que a do PSD, foi a do CDS-PP. Em vez de assumir a derrota e demitir-se, Paulo Portas, qual Inspector Gadget, vai investigar as condições em que se faz politica em Portugal. Claro é mais fácil encontrar factores externos, que assumir responsabilidades e esquecer que Ribeiro e Castro e Maria José Nogueira Pinto fizeram muito melhor.
A CDU teve um bom resultado, a competência e o profissionalismo demonstrado a nível autárquico têm sido reconhecidas pelo eleitorado. Satisfeita também terá ficado Helena Roseta, cujo discurso em prol da cidadania activa e da lealdade aos valores da candidatura, foi muito bonito, resta saber se corresponderá à realidade...
O que marca em definitivo estas eleições é o divórcio entre os cidadãos e a política. Todos os políticos lamentam e vão reflectir, mas acções concretas não existem. Ninguém reconhece a incapacidade de motivar cidadãos, descrentes, que sabem que não são os seus interesses que norteiam a acção politica.
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Descritores: Abstenção, Eleiçoes, Política Nacional
sábado, julho 14, 2007
O regresso de Michael Moore
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São apresentados factos muito interessantes e testemunhos de pacientes e empregados das seguradoras, pode ouvir-se o testemunho de uma médica no trailer que admite que um parecer seu de acordo com a política da seguradora, causou a morte de um cliente. O sistema americano é comparado com os sistemas nacionais de saúde do Canadá, do Reino Unido, da França e de Cuba. Numa altura em que assistimos à cruzada de Correia de Campos pela privatização do nosso SNS, é um documentário que valerá a pena ver.
“Sicko” estreou nos EUA no passado dia 30 de Junho e já está a gerar contestação, com tentativas de descredibilizar o filme e distorcer os factos, por parte da CNN e dos seus comentadores. Agitam-se as bandeiras da ameaça comunista da saúde nacionalizada e socialista, da sustentabilidade e dos custos económicos do sistema, movimentam-se os lobbies das seguradoras… Chega-se ao ridículo de relacionar sistema publico de saúde e ameaça terrorista, só porque no sistema britânico trabalham médicos islâmicos.
Aqui fica a resposta de Michael Moore às críticas na CNN:
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quinta-feira, julho 12, 2007
Qualidade democrática
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Descritores: Liberdade, Política Nacional, Sociedade
terça-feira, julho 10, 2007
Contra a excepção polaca
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Dear Mister/Miss ...,
Signed,
Anna Colombo, Secretária-Geral do Partido Socialista Europeu: anna.colombo@europarl.europa.eu
Maria D'Alimonte, Secretária-Geral da Esquerda Unida/Esquerda Verde Nórdica: maria.dalimonte@europarl.europa.eu
Aliança de Liberais e Democratas para a Europa: alexander.beels@europarl.europa.eu
Partido Popular Europeu: epp-ed@europarl.europa.eu
Verdes/EFA: contactgreens@europarl.europa.eu
Para o Primeiro-Ministro Português só mesmo copiando a mensagem e enviado por aqui
Agora é convosco!"
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Descritores: Direitos humanos, Europa, Sociedade
sábado, julho 07, 2007
Em dia de Live Earth…
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Tenho estado a espreitar a cobertura da RTP do Live Earth e as intervenções dos diferentes convidados. Estou a achar piada, porque toda a gente tem uma dica ambiental de algibeira ou um dedo a apontar aos hábitos dos cidadãos, mesmo não sendo especialistas na matéria. Tem sido mais o tempo dedicado a ouvir “personalidades” que nada têm de ambientalistas ou ecologistas, que aos concertos em si e pior, em detrimento de alguns convidados que são realmente ambientalistas, biólogos ou especialistas em energias alternativas.
Não pretendo com isto dizer que as dicas de algibeira não sejam importantes. Os pequenos gestos, de cada um de nós são fundamentais e existem muitos comportamentos amigos do ambiente que o cidadão comum ainda não interiorizou. Aliás, infelizmente, basta-me espreitar pela janela, para ver lixo atirado aos canteiros do jardim. Também convém não fingir que somos todos bem comportadinhos e que as pessoas que bombardeiam a RTP com mensagens ambientalistas, não são as mesmas que vão deixar o lixo do picnic na mata ou na praia, daqui a uma semana ou duas…
Embora se tenha falado do protocolo de Quioto e da actuação pouco ambientalista de sucessivos governos, a tónica está a ser colocada nos comportamentos cívicos, sobretudo a reciclagem e a poupança de água. Falou-se muito pouco dos malefícios de um consumismo exagerado, desde a aquisição de carros de alta cilindrada, aparelhos de ar condicionado e outros produtos que de eficiência energética nada têm. Não vão as pessoas passar a gastar menos dinheirinho, em coisas que realmente não precisam…
O que me parece muito grave é que não se tem falado do papel do cidadão, enquanto eleitor e enquanto voz activa, capaz de mobilizar e sensibilizar outros cidadãos. Pouco se tem falado da responsabilidade de eleger governos que tenham efectivamente preocupações ambientais. Ainda existem governos que se recusam a ratificar o Protocolo de Quioto. Os lobbies económicos ligados aos complexos industriais altamente poluentes e à indústria petrolífera, também têm sido convenientemente esquecidos. É impressão minha, ou é mais fácil apontar o dedo ao indivíduo que lava os dentes de torneira aberta ou toma banho duas vezes por dia?
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quinta-feira, julho 05, 2007
Flexi... quê?
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Descritores: Desemprego, Política Nacional, Trabalho
quarta-feira, julho 04, 2007
A Europa dos cidadãos?
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É engraçado como as nossas televisões, têm mostrado a Presidência Portuguesa da UE, sem nunca realmente falar do que significa a ideia de Europa. Quantas vezes ouvimos falar da Europa dos direitos humanos, das liberdades e garantias dos cidadãos europeus? Não ouvimos, claro. Não fôssemos chegar à conclusão que esta UE é cada vez menos dos cidadãos, para ser cada vez mais a Europa da liberalização económica…
É a Europa que não querer ouvir a voz dos seus cidadãos em referendo. E vejo agora, via Devaneios Desintéricos, que é também a Europa que admite a um país membro, uma cláusula de excepção moral, para que os seus cidadãos não possam recorrer às instâncias judiciais europeias, para fazerem valer os seus Direitos Fundamentais.
Este país é a Polónia e o objectivo é que esta cláusula integre o Tratado Europeu, permitindo uma total impunidade, em matéria de direitos humanos. Assim o detestável governo Polaco poderá continuar a esmagar liberdades e garantias, perseguindo, discriminando, indo ao ponto de abrir estabelecimentos de cura para homossexuais. Já é grave que nunca a UE tenha advertido a Polónia, mas espantoso mesmo é que se admita esta proposta:
La cláusula, situada en el apartado 18 del documento, lo deja claro: "
Estou curiosa quanto ao cenário que se segue. Mas se bem conhecemos Barroso e Sócrates, não será esta cláusula que vai impedir a assinatura do Tratado, a bem do futuro da União. O preço a pagar é só a ruptura com os valores e ideais europeus, do respeito pelas liberdades e garantias dos cidadãos. É a altura de ver quanto pesam os direitos humanos, neste jogo de forças…
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Descritores: Direitos humanos, Europa, Política Internacional, Polónia
terça-feira, julho 03, 2007
Verão?
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O Verão novo
O Verão que perdemos
não poderá fazer-nos
perder o Verão novo
Há-de voltar o corpo
e o mar será o mundo
revolto que já foi
O Outono, o Inverno
serão se nós quisermos
o Verão que perdemos
Gastão Cruz
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domingo, julho 01, 2007
Medo e Controlo
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Os recentes episódios “Fernando Charrua” e “Maria Celeste Cardoso” são exemplos evidentes das novas formas de controlo social nas sociedades globalizadas. Pergunto-me quantos funcionários públicos, num contexto de avaliação de desempenho e ameaçados pelo quadro de excedentes, não pensarão duas vezes antes de emitir uma critica ao governo ou qualquer outra opinião politica divergente. É uma espécie de ameaça psicológica velada, em que os alvos são as mais básicas necessidades humanas, como a manutenção do emprego que garante a sobrevivência do próprio e da família. Não há forma mais eficaz de garantir o silêncio e o conformismo, que jogar com a vida profissional das populações, num contexto de precariedade laboral e desemprego.
O medo instala-se não por ameaça de violência física, mas por chantagem psicológica, que leva o indivíduo à auto-censura. Nos regimes totalitários a censura e o controlo social eram visíveis, estavam estampados no rosto da polícia politica ou do censor de lápis azul
A verdade é que sociedades assustadas, oprimidas, inseguras e pouco esclarecidas são mais fáceis de controlar. Não será por isso que o nosso governo tenta “reformar” a saúde, a educação, a legislação laboral e tenta vender a ideia da flexisegurança? Porque é que todos os dias vemos, escapar das nossas mãos mais direitos e garantias e nos sentimos cada vez mais inseguros? Quanto mais inseguros nos sentimos, mais pensamos na necessidade de garantir alguma estabilidade. Temos medo, pensamos duas vezes antes de falar. O silêncio e a passividade surgem como a melhor das alternativas.
Tudo isto preocupa-me e muito… não é esta a sociedade que eu quero…
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Descritores: Medo, Política Nacional, Sociedade
quinta-feira, junho 28, 2007
O legado de Blair
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Descritores: Política Internacional, Reino Unido
terça-feira, junho 26, 2007
O arrebatamento da Igreja de Deus
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Estou indignada. O Apocalipse está aí à porta e ninguém me avisou. Eu não fui contemplada com um magnifico email que inclui um CD, a explicar como tudo se vai passar. O Nuno Markl recebeu e eu não. Mas pronto, eu já sei, que desde o infeliz episódio do “isto não é para desperdiçar!”, eu fui automaticamente excluída de qualquer campanha de propaganda religiosa e não há seita nenhuma disposta a mostrar-me o caminho do Senhor. Tenho pena. Valeu-me a boa vontade e genuína preocupação do Sr. Markl, que partilhou com os seus ouvintes o drama do apocalipse. Podem ouvir aqui, a sério que vale a pena...Depois, será ver as pessoas boas a serem arrebatadas pelos ares, e os carros, aviões e comboios sem condutores a provocarem acidentes, e os hospitais sem cirurgiões... E ainda, vai haver um governo do Anti-Cristo a tentar convencer-nos que essas pessoas foram sugadas por “ufos”… É um caos por demais extenso para ser descrito, ainda que o CD constitua uma excelente tentativa.
E o que acontece às pessoas ruins, que não valem um “sugamento” pelos ares? Ou são degoladas pelo Anti-Cristo, o que é capaz de aleijar… ou fogem para as cavernas, como outros fugitivos, igualmente ruins. Eu por mim, vou começar a ver cavernas. Talvez encontre alguma mais em conta, antes que os preços das grutas disparem no mercado imobiliário.
Considerem-se avisados: Fujam para as cavernas e não confiem em ninguém…
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domingo, junho 24, 2007
Está a acontecer agora...
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Descritores: Direitos humanos, Política Internacional
quinta-feira, junho 21, 2007
Tão revolucionários que eles são…
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O movimento Compromisso Portugal lançou ontem o livro “Revolucionários”, com as propostas apresentadas na sua convenção o ano passado, para mudar o modelo sócio-económico. Recordo que estes senhores são "reputados empresários e gestores" e propõem o fim do Estado providência, passando as situações de de invalidez, desemprego, doença e outras situações semelhantes a serem abrangidas por subsistemas privados, baseados em seguros individuais a serem pagos conjuntamente por patrões e trabalhadores. Defendem ainda a redução de 150 mil a 200 mil funcionários públicos, o congelamento de salários e de progressões na carreira, uma maior flexibilização da legislação laboral e outras medidas mais específicas, como a presença de um gestor em cada tribunal.
Em entrevista ao Jornal 2, António Carrapatoso, esclareceu que o conceito igualitário se encontra obsoleto, e que o Estado se deve preocupar apenas em promover o acesso à educação, e existindo essa oportunidade o mérito garantirá o sucesso. Não tendo o Estado que gastar parte do orçamento, em subsídios sociais tão mal aplicados. Os burrinhos preguiçosos que não têm mérito, não têm direito a ajuda social, é dinheiro mal gasto, depreendo eu.
Este conceito de associar mérito/sucesso financeiro/bem-estar social, dá-me sinceramente vontade de rir. Numa sociedade de oportunidades desiguais, em que quem nasce com carências sócio-económicas está excluído à partida, por muito mérito que tenha. Não me falem de sucesso de quem tem mais mérito, numa sociedade de jogos de influência que beneficia, não o mais competente, mas o conformista, bajulador melhor relacionado. Quem me pode garantir que uma sociedade que discrimina raça, género e orientação sexual, premeia o mérito individual?
E o mais interessante é que a cultura do mérito, que torna obsoleta a ideia igualitária e o Estado Social, é vendida pelo Compromisso Portugal, como uma ideia revolucionária. Revolucionário seria termos um modelo social capaz de promover a inclusão, minorando as desigualdades, olhando para todos, alcançando uma prosperidade económica que pode e deve servir a todos. A injustiça social nunca poderá ser, na minha opinião, algo de aceitável ou de natural. No dia em que o progresso social, não passe pela fraternidade e a solidariedade, estaremos numa sociedade desumanizada, que se limita a premiar o mais forte. Parece-me que é já essa a realidade que temos, há muito tempo e de revolucionária não tem nada…
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Descritores: Desigualdade, Inclusão Social, Sociedade
terça-feira, junho 19, 2007
Poça de água
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Recordo bem este medo da infância.
Evitava as poças,
sobretudo as novas, após a chuva.
Afinal, uma delas poderia não ter fundo,
ainda que parecesse igual às outras.
Ponho o pé e, de súbito, afundar-me-ei,
voando para baixo
cada vez mais para baixo,
rumo às nuvens reflectidas
ou talvez mais além.
Depois a poça secar-se-á,
fechar-se-á por cima de mim,
e eu ali, presa para sempre,
com um grito que nunca chega à superfície.
Só mais tarde compreendi que
nem todas as más aventuras
cabem nas regras do mundo
e mesmo que o quisessem,
não poderiam acontecer.
WISLAWA SZYMBORSKA
In “Alguns gostam de poesia: antologia” p. 235.
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Descritores: Angústia existencial, Chuva, Poesia
domingo, junho 17, 2007
"Gimme tha power"
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Não queremos que os tugas se ponham a questionar o regime político, enquanto vêem a bola? Pobreza, desigualdade, corrupção, não há cá disso… “O povo unido jamais será vencido”? Molotov, levem a vossa mensagem revolucionária para outro lado. Fiquem com a letra, que nós aproveitamos o resto…
Não é justo, pois não? Tudo isto parece-me muito mal, por isso aqui fica o vídeo original dos Molotov e um excerto da letra.
(…) hay que arrancar el problema de raíz
y cambiar al gobierno de nuestro país.
a la gente que está en la burocracia,
a esa gente que le gustan las migajas.
(…) que nos guachan los puestos del gobierno
hay personas que se están enriqueciendo.
gente que vive en la pobreza,
nadie hace nada
porque a nadie le interesa.
dámele, dámele, dámele, dámele todo el poder
(…)que nos llevan por donde les conviene
y es nuestro sudor lo que los mantiene,
los mantiene comiendo pan caliente,
ese pan, ese pan de nuestra gente.
el pueblo unido jamás será vencido.
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quinta-feira, junho 14, 2007
A ameaça que é a Amnistia Internacional
Tal como fez, com a UNICEF em 1996, o Vaticano solicita aos Católicos que deixem de apoiar financeiramente a Amnistia Internacional. Sim, estamos a falar daquela organização que visa a prevenção e combate dos graves abusos à integridade física e mental, à liberdade de consciência e de expressão, sobre o direito à não discriminação, no contexto de uma promoção de todos os Direitos Humanos. Suponho que estes valores, nada tenham a ver com a mensagem cristã de amor ao próximo e de defesa dos inocentes e desprotegidos…
Esperemos que os Católicos interpretem este apelo, como interpretam os apelos à não utilização de contraceptivos e continuem a apoiar a Amnistia Internacional. Eu pessoalmente continuo a lamentar que a Igreja Católica, não tenha como prioritárias as causas da AI e da UNICEF. Lembram-se do apelo do Vaticano ao fim da guerra no Iraque, à solução do conflito do Darfur e do problema dos refugiados, à condenação do tráfico humano, da pedofilia…(e se eu continuasse a lista seria enorme) Lembram-se? Não? Curiosamente eu também não me lembro.
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Descritores: Direitos humanos, Igreja, Sociedade
quarta-feira, junho 13, 2007
"Sarkoivre" ?!
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Será água, será vodka? Abstémio, não é certamente... e o Polonio 210 não bate assim...
Não vale a pena perguntar aos franceses... Piadinha à parte, porque é que só a TV belga passou estas imagens? Os franceses vão ter mesmo, que ir ao youtube...
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Descritores: França, Humor, Política Internacional
sábado, junho 09, 2007
A indústria farmacêutica global
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«Para acelerar a liberalização de drogas ultra-lucrativas, as companhias farmacêuticas recorrem cada vez mais a cobaias humanas dos países pobres. Milhões de pessoas submetem-se, por migalhas, a testes sem supervisão, sem padrões éticos e que muitas vezes as privam de medicamentos essenciais»
A indústria farmacêutica é uma das mais lucrativas do mundo, só nos EUA e desde 2000, cresceu 15% por ano, triplicando o lançamento de drogas experimentais entre 1970 e 1990. Para lançar novos medicamentos, há que testá-los antes. O problema é que cada vez menos pessoas, nos EUA e na Europa Ocidental estão dispostas a inscrever-se nos testes clínicos exigidos. Qualquer pessoa percebe porquê, ninguém no Ocidente se sujeita a riscos e efeitos secundários… Nos países mais pobres, com graves carências a nível económico e de cuidados médicos, não existe esse problema. É neste contexto, que surgem argumentos como este:
Os grandes laboratórios estão a realizar milhares de ensaios clínicos nos países em desenvolvimento como a Bulgária, Zâmbia, Brasil e Índia, por exemplo. Aqui o recrutamento é rápido. Na África do Sul, uma empresa de testes farmacêuticos, conseguiu recrutar três mil pacientes para testar uma vacina experimental em nove dias. Curiosamente ou não, a população não é totalmente informada dos riscos que corre, nem as autoridades locais têm os meios de supervisão e fiscalização adequados.
Os medicamentos testados visam a cura das doenças ocidentais, como doenças cardíacas, artrite, hipertensão e osteoporose. Isto significa que os voluntários não vão beneficiar do ponto de vista clínico com esta medicação. São tratados como ratos de laboratório, enriquecendo as grandes companhias farmacêuticas, sem qualquer contrapartida. Os mais pobres continuam a morrer de SIDA, malária e tuberculose sem acesso a essa medicação, enquanto que os pacientes ricos do Ocidente, beneficiam de mais e melhor saúde à sua custa.
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Descritores: Desigualdade, Globalização, Saúde
sexta-feira, junho 08, 2007
Dois anos de Devaneios
O Devaneios Desintéricos conta com dois anos, de presença na blogosfera. Actual, atento, inteligente, inconformado, cordial e defensor exímio das liberdades e garantias dos cidadãos, é sem dúvida uma leitura indispensável. O objectivo inicial, «a defesa da Liberdade e da certeza que todo e cada Ser Humano é detentor de um núcleo essencial de direitos que o torna, em dignidade, absolutamente único» tem sido bem conseguido e estou certa que continuará a sê-lo.
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quarta-feira, junho 06, 2007
"Cinco livros, Cinco blogs…"
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O blog “A Dreamer’s space” lançou-me o desafio de nomear 5 livros que tenha lido e depois lançar esse desafio a outros cinco bloggers. A ideia parece-me interessante, nós também somos aquilo que lemos… E estaremos a promover a leitura e a despertar a curiosidade daqueles, que ainda não tiveram o prazer de ler estes nossos livros. Ou então, não…
Voltando ao desafio, é uma tarefa muito díficil escolher 5 livros... Bem, acho que o critério vai ser... os mais inesperados de entre os meus preferidos. Então cá ficam eles:
Albert Camus – “O Estrangeiro”
Eça de Queiroz – “Os Maias”
Virgil Gheorghiu – “A 25ª Hora”
José Luís Peixoto – “Antídoto”
Isabel Allende – “O meu país inventado”
E agora, lanço gentilmente o mesmo desafio aos cinco excelsos blogs:
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Descritores: Blog, Leituras, Literatura
domingo, junho 03, 2007
Novidade na barra lateral
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Já tive oportunidade de escrever aqui, que o My Hopes and Dreams também é feito por quem o lê e comenta. Por isso, achei importante criar um espaço que permitisse a quem por aqui passa, deixar ideias e sugestões para além do que se discute nos posts e nas caixas de comentários. Esse espaço começou por ser o Meebo. Se bem se lembram, há alguns meses atrás instalei o Meebo neste blog, para que os leitores pudessem entrar em contacto comigo. Mas a ideia acabou por não funcionar, por culpa minha diga-se, porque me esquecia de ir ao site do Meebo fazer o login e receber as vossas mensagens.
Entretanto, descobri o Cbox, que tem a vantagem de não implicar o login noutro site, basta entrar no blog para receber e enviar mensagens. Outra vantagem é que a interacção é maior. As mensagens são visíveis por todos, o que permite que os leitores troquem impressões uns com os outros. Teoricamente parece interessante, vamos ver como resulta na práctica…
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Hopes
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Descritores: Blog, Comunicação
sábado, junho 02, 2007
"Então, é assim"... censura-se!
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Às vezes, esqueço-me que a educação sexual ainda é um tema tabu na sociedade portuguesa. E depois, fico surpreendida como um simples documentário animado que fala de sexualidade, cause tanta polémica. “Então é assim” é uma co-produção dinamarquesa-canadiana, um filme de animação pedagógico para crianças, que ensina tudo o que os mais novos precisam de saber sobre como se fazem bebés. O filme foi recomendado por psiquiatras e psicólogos e pareceu-me muito bem conseguido. Passou na RTP 2, no dia da criança, não sem antes, ser alvo de uma emissão especial do programa Sociedade Civil, cujo debate visava esclarecer os pais e contava com a opinião de especialistas na área, como Daniel Sampaio.
Antes da emissão, já o site do movimento de pais MOVE, praticamente classificava o que iria passar-se como uma exibição de pornografia infantil. Depressa começaram a chegar, ao blog do programa os mais estupendos comentários, desde a crítica às imagens demasiado explícitas e exageradas, ao facto da animação incentivar a iniciação precoce da vida sexual. Depois vieram as queixas ao Provedor do Telespectador e o reunir de assinaturas para que a animação não fosse exibida. Para as almas conservadoras, a censura parece sempre o melhor remédio.
Eis a explicação:
Portanto, privam-se os pais que consideram o filme útil e pedagógico, do seu visionamento com os seus filhos. É que os pais signatários da petição, conseguem impedir que os filhos pesquisem “sexo” na net, vejam filmes com cenas de sexo ou que vejam os “Morangos com açúcar”… Mas o mais grave, é que nesta questão, como noutras, nota-se alguma hipocrisia e uma imposição de valores aos demais. Para já não falar, de uma certa insegurança dos pais, enquanto educadores. A educação sexual ainda é um tema tabu e todo este alarido, demonstra a urgência de implementar a educação sexual não só nas escolas, mas também junto dos pais. Educar para a sexualidade não é uma tarefa fácil, e aos pais devia ser dado mais apoio e informação. Estou convencida que se assim fosse, este filme seria visto como uma ferramenta pedagógica e não como um alvo a abater...
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Hopes
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Descritores: Educação Sexual, Liberdade, Sociedade














