"Free hugs"
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Some see things as they are and say "Why?" I dream things that never were and say "Why not?" George Bernard Shaw
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Ter a mania de dar palpites, em noite de Óscares, não é um cliché...
Os meus palpites estão destacados:
Melhor filme | best picture
Babel | Babel
Departed, The | The Departed: Entre Inimigos
Letters from Iwo Jima | Cartas de Iwo Jima
Little Miss Sunshine | Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos
Queen, The | A Rainha
Melhor realização | best director
Alejandro González Iñárritu | Babel
Clint Eastwood | Letters from Iwo Jima
Martin Scorsese | Departed, The
Paul Greengrass | United 93
Stephen Frears | Queen, The
Melhor actor | best actor in a leading role
Forest Whitaker | Last King of Scotland, The
Leonardo DiCaprio | Blood Diamond
Peter O'Toole | Venus
Ryan Gosling | Half Nelson
Will Smith | Pursuit of Happyness, The
Melhor actriz | best actress in a leading role
Helen Mirren | Queen, The
Judi Dench | Notes on a Scandal
Kate Winslet | Little Children
Meryl Streep | Devil Wears Prada, The
Penélope Cruz | Volver
Melhor actor secundário | best actor in a supporting role
Alan Arkin | Little Miss Sunshine
Djimon Hounsou | Blood Diamond
Eddie Murphy | Dreamgirls
Jackie Earle Haley | Little Children
Mark Wahlberg | Departed, The
Melhor actriz secundária | best actress in a supporting role
Abigail Breslin | Little Miss Sunshine
Adriana Barraza | Babel
Cate Blanchett | Notes on a Scandal
Jennifer Hudson | Dreamgirls
Rinko Kikuchi | Babel
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Descritores: Angústia existencial, Poesia
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Neste país, brinca-se de facto.... Se é ao Carnaval, se é com a nossa cara já não sei dizer...
Cá brinca-se às OPAS, um dia há OPA, no dia seguinte já não há OPA.
Brinca-se às demissões e à convocação de eleições antecipadas. Há um bobo da corte que goza com o Estado, com as instituições e com o dinheiro dos contribuintes, aplaudido pelo maior partido da oposição.
Brinca-se com o poder de comprar, vender e corromper, sem que nenhuma responsabilidade seja assumida.
Brinca-se ao país desenvolvido do choque tecnológico, que é afinal o país da mão-de-obra barata.
Brinca-se a fechar urgências e maternidades. Para que precisam delas meia-dúzia de pacóvios no interior?
Brinca-se ao TGV e ao aeroporto da OTA.
Brinca-se aos indultos.
E eu podia continuar, mas repetir mais vezes a palavra “brinca-se” começa a soar a ridículo, sem ironia aparte.... Salto para a conclusão final.
A brincadeira parece ter tanta piada, que dois anos depois os portugueses dão uma nota positiva ao organizador deste Carnaval, líder nas sondagens e na popularidade...
Neste país, brinca-se de facto...
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Descritores: Política Nacional, Portugal, Sociedade
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Vamos pensar em casos concretos de eleições com uma elevada taxa de abstenção. Algum governo veio dizer "ai que temos de repensar a democracia e a forma como fazemos política"ou "vamos passar a ser sérios e a cumprir as nossas promessas, senão os cidadãos não votam"? Nenhuma alteração de fundo foi levada a cabo. E porquê? Porque ninguém vai interpretar uma não posição. É como uma pergunta a que se responde com o silêncio. Alguém vai interpretar o silêncio como uma crítica, ou vai considerá-lo um consentimento ou uma cumplicidade?
Não será a abstenção uma forma de renunciar ao direito de participação, abdicar da nossa voz ou questionar a própria democracia? A democracia não tem o seu fundamento no voto? Não votar, não é questionar uma forma específica de fazer democracia, é recusar qualquer tipo de democracia. É uma rejeição do direito de escolha. Se eu não me quero pronunciar, estou a deixar que outros decidam por mim. Abdicar do direito de voto é abdicar de um regime que ouça a minha opinião, é permitir que qualquer politica não precise de legitimação. Não é abrir a porta a regimes ditatoriais que não admitem a legitimação política pelo voto?
Eu pessoalmente recuso-me a desistir da democracia abdicando do meu direito de voto. É um regime imperfeito, com muitos vícios e injustiças, que exige grandes mudanças no sentido da equidade, da justiça social e da seriedade política. Mas acredito que as nossas escolhas vão motivar essas reformas. E do poder de escolha, da nossa voz não devemos abdicar...
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Descritores: Abstenção, Democracia, Escolha
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Descritores: África, Política Internacional
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Finalmente acreditamos na liberdade e na responsabilidade!
Finalmente acreditamos nas mulheres!
Finalmente alteram-se as mentalidades!
Evoluímos!!!
Já não era sem tempo...
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Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.
She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.
But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.
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Descritores: Angústia existencial, Tim Burton
É optimo quando questões levantadas nas caixas de comentários, dão posts. No comentário ao post anterior, o leitor António, coloca várias questões que são pertinentes e devem ser analisadas.
1. O aborto, seja por que motivo for deve ser legar e uma escolha exclusiva da mulher, desde que seja feito até às 10 semanas?
O "seja porque motivo for" é um pressuposto perigoso. Pressupõe que as mulheres são irresponsáveis, desumanas e não conseguem exercer o direito de escolha. Na minha opinião, não é assim, mas, admitindo que é, pensemos pelo menos que todo o ser humano é adverso à dor e ao sofrimento extremos (que um procedimento cirúrgico como a IVG provoca, como se sabe...). Isto para dizer que o ser humano só escolhe a dor e o sofrimento, se não encontrar no seu íntimo outra alternativa.
2. As mulheres que cometem abortos devem ser condenadas?
Neste ponto, se percebi bem, tanto os partidários do sim como do não, acham que as mulheres não devem ser condenadas. Completamente de acordo, é isso que se pergunta no referendo, se queremos despenalizar. A resposta é sim, dizer não é penalizar e isso é igual a criminalizar. Não há penalização sem culpados, afirmar o contrário é uma falácia.
3. Deve, o estado ajudar as mulheres a fazer abortos?
O Estado tem a responsabilidade de ajudar as mulheres a lidar com uma gravidez indesejada. O Estado também tem a responsabilidade de assumir as consequências de políticas de planeamento familiar, educação sexual e protecção da maternidade que nunca levou a cabo. Não pode deixar as mulheres entregues a si próprias e a qualquer carniceiro(a) de vão de escada (e aqui releia-se o que disse e muito bem a Maria José Morgado).
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Maria José Morgado, citada no Público
Miguel Oliveira da Silva, Professor de Ética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
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Duas vezes nada acontece nem acontecerá.
E assim sendo, nascemos sem prática e sem rotina vamos morrendo.
Nesta escola que é o mundo,
mesmo os piores
nunca repetirão
nenhum Inverno, nenhum Verão.
Os dias não podem ser repetidos,
não há duas noites iguais,
não há dois beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar.
Ontem, o teu nome em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa me tivessem atirado.
Poema de WISLAWA SZYMBORSKA
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Descritores: Poesia
"Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (...) Mãe, como foste capaz de me matar?..." Este é apenas um excerto de uma carta que foi colocada nas mochilas de crianças de dois infantários de Setúbal, o Aquário e a Nuvem, da rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), e por isso comparticipados pelo Estado, no caso dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada.
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Descritores: Angústia existencial, Madredeus, Música
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Confesso que não gosto de me pronunciar sobre casos, em que não consigo conhecer com segurança todos os factos. Não gosto de julgamentos apressados. Chocam-me os radicalismos, chocam-me os extremos. Já ouvi pessoas criticarem ferozmente os pais de “Esmeralda” porque provavelmente compraram a criança à brasileira, outros disseram que o pai biológico só está interessado nos 30 mil euros de indemnização, porque até está desempregado.
Como se mede e avalia o egoísmo ou inversamente, como se mede e avalia o amor verdadeiro e desinteressado?
Temos um pai biológico que duvidou da sua paternidade, nem vou especular sobre os motivos dessa dúvida. Mas duas certezas existiam, ele manteve de facto uma relação sexual não protegida e por isso haveria sempre uma probabilidade de ele, ser de facto o pai. Ele escolheu rejeitar essa probabilidade, nesse momento a paternidade não lhe provocou qualquer simpatia. Foi uma escolha e as nossas escolhas têm sempre consequências.
A mãe biológica não tendo emprego, nem condições para educar a criança, concorda em abdicar da sua maternidade. Um casal decide adoptar. E até aqui tudo parece lógico. Excepto a parte em que se verifica que o processo de adopção não foi legal. E aqui, entra uma questão que eu ainda não vi ninguém colocar. Porque é que de um caso em que existe uma vontade expressa de regularizar uma adopção, de ambas as partes (recordo que o pai biológico, neste momento recusava a paternidade), resulta um processo ilegal? Quem prestou aconselhamento jurídico a este casal? Onde estava a segurança social, existiu algum contacto, que tipo de apoio? Quem pode afirmar com segurança que existiu desleixo do casal adoptivo, quando pode ter havido desinformação ou falta de informação?
Mas a “Esmeralda” precisava de um pai e de uma mãe, não podia esperar que se deslindassem burocracias, legalidades e ilegalidades. E teve-os, para ela, eles existem, mesmo se juridicamente não o são. Mesmo que legalmente, a sua custódia venha a ser atribuída ao pai biológico que nunca conheceu.
Quem teve dúvidas, quem fez escolhas? É justo que as duvidas e escolhas erradas de um pai, por muito legitimas que fossem, venham retirar à criança os pais que ela reconhece como seus? Outra questão é legitimo que os pais adoptivos impeçam o pai biológico de ver a criança e fujam à justiça? O que está aqui em jogo? O orgulho de quem quer deter a paternidade, com se de um bem se tratasse? Ou o amor verdadeiro e desinteressado de quem pensa que a razão da felicidade da menina está do seu lado?
Estará o egoísmo e o orgulho só de um lado e o amor desinteressado exclusivamente no outro? De um lado, os bons, do outro os maus? Não haverá entre o branco e o preto, uma vasta escala de tons de cinzento?
Imagem: "O julgamento do rei Salomão" de Rubens
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Descritores: Angústia existencial, Fotografia
«A teoria de julgamento moral de Kohlberg é rica pelo facto de postular uma sequência universal, da qual os estágios mais altos (5 e 6) constituem o que ele chamou de pensamento pós-convencional. Ao contrário da maior parte das explicações sociais e psicológicas, que consideram a interiorização de valores da sociedade como o ponto terminal do desenvolvimento moral (perspectivas de Durkheim, Freud e do behaviorismo), para Kohlberg a maturidade moral atingida quando o indivíduo é capaz de entender que a justiça não é a mesma coisa que a lei; que algumas leis existentes podem ser moralmente erradas e devem, portanto, ser modificadas. (…)
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Não há limites para a prepotência da Igreja na campanha pelo não ao referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Primeiro foi o Papa a dizer que aborto e terrorismo são a mesma coisa. Depois vem o Bispo de Braga comparar a IVG à execução de Saddam Hussein.
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Descritores: Fotografia, Globalização
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Ana tem 14 anos, está no 8º ano, engravidou. Tomou uma qualquer medicação abortiva, sem supervisão médica. A sobredosagem acabou por provocar-lhe a morte. A Ana nunca chegou à idade adulta, porque para além de ter sido vítima, da inexistência de politicas de planeamento familiar e de educação sexual, não teve o acompanhamento médico que lhe permitisse abortar sem perder a vida.
Maria é mãe de 4 filhos, toma a pílula. Tomou um antibiótico para curar uma gripe, que anulou o efeito do contraceptivo. O rendimento do agregado familiar mantém 6 pessoas no limiar da pobreza. Maria não tem dinheiro para ir abortar a Espanha, terá de o fazer na cozinha de um apartamento de uma ex-enfermeira. Faleceu devido a complicações resultantes de um aborto mal efectuado. Quatro crianças perdem a mãe.
Joana disse ao namorado que estava grávida. O namorado não aceitou a situação, deixou-a. Joana não tem emprego, nem o apoio dos pais. Sabe que a questão mais colocada às mulheres numa entrevista profissional, é: «Tenciona ter filhos nos próximos cinco anos?». Como poderá ter um filho? Se abortar será julgada como criminosa.
Histórias assim, quantas? Por quanto mais tempo? Eu não aceito que as mulheres continuem a perder a vida, porque tiveram de fazer a dramática escolha de abortar. Não aceito que sejam julgadas como criminosas, quando não tiveram outra escolha. No próximo dia 11 de Fevereiro, vou votar sim.
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Muse
Album: "Showbiz"
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Descritores: Angústia existencial, Muse, Música
Vivo na esperança de um gesto
Que hás-de fazer.
Gesto, claro, é maneira de dizer,
Pois o que importa é o resto
Que esse gesto tem de ter.
Tem que ter sinceridade
Sem parecer premeditado;
E tem que ser convincente,
Mas de maneira diferente
Do discurso preparado.
Sem me alargar, não resisto
À tentação de dizer
Que o gesto não é só isto...
Quando tu, em confusão,
Sabendo que estou à espera,
Me mostras que só hesitas
Por não saber começar,
Que tentações de falar!
Porque enfim, como adivinhas,
Esse gesto eu sei qual é,
Mas se o disser, já não é...
Reinaldo Ferreira
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Descritores: Angústia existencial, Poesia
«O Ocidente não é um sistema político-cultural homogéneo. O que se exprime pela voz dos EUA e seus aliados (cada vez menos em número e com menor grau de convicção) é um Ocidente agonizante e sem norte; incapaz de agir de acordo com os princípios e valores que pretendeu seguir e impor aos seus inimigos, parece-se cada vez mais com estes. Barbarizado na luta contra o que designa por barbárie, transforma-se no mal que desenha os eixos do mal, reduz a força dos princípios ao princípio da força e acaba por imolar-se no sangue que faz derramar.
O julgamento de Saddam Hussein ficará para a história como uma das mais grotescas caricaturas da justiça internacional. (…) Foi uma justiça circense, uma farsa como a da justiça revolucionária que Saddam accionou (numa época em que era apoiado pelos EUA) para julgar os implicados no atentado à sua vida. Onde está a diferença ocidental, do primado do Direito e das garantias de uma justiça independente?
(…) Cabe, pois, perguntar porque se perdeu a oportunidade de realizar um julgamento (…) que reforçasse a justiça internacional e consolidasse o consenso global sobre a punição dos crimes contra a humanidade. Porque o ocidente bushiano é constituído pela mesma fraqueza que comanda o extremismo do bombista suicida. Reclamando para si da mesma inocência sacrificial que o dispensa de distinguir entre culpados e inocentes, não tolera mediações, negociações, compromissos, enfim, a paz e acima de tudo, não reconhece a dignidade do outro, do outro que mesmo culpado, tem direito a um julgamento justo.
(…) Humilhado pela morte de um irmão (amado ou odiado) em dia sagrado, o povo muçulmano tem toda a razão para crer que o sangue derramado é inocente. A vingança de Saddam é ele ser um ditador sanguinário com o direito, conferido pelos seus algozes, a ser reclamado por muitos como herói ou mártir. Por isso não é por Saddam que os sinos dobram. Os sinos dobram pelo Ocidente bushiano.»
Boaventura de Sousa Santos, “O espectro de Saddam” in Revista Visão de 4/01/2007
Desculpem a longa citação, mas gosto de citar quem diz o que eu penso, muito melhor que eu. Ao que está dito, só acrescento que me choca este retrocesso civilizacional. Seria de esperar um progresso de civilidade, em que a moralidade e a ética pesassem nas decisões políticas. Não, descemos ao nível daqueles que condenamos. Somos básicos, olho por olho, dente por dente.
As milhares de vítimas de Saddam, que ninguém esqueça que pereceram numa época em que o regime era apoiado pelos EUA, os 12320 civis iraquianos e os 3000 soldados americanos, mortos desde o inicio da guerra no Iraque, sentir-se-ão vingados, deixam de ser um peso na consciência e na historia da Humanidade? Não, essa memória, não se apaga, porque se vinga.
E depois o espectáculo da condenação, orquestrado pelos média, divulgado sem pudor. Porquê pensar nas consequências? Porquê pensar que se transformou um ditador odiado, num mártir agora adorado pelo mundo islâmico? Porquê pensar nas crianças que iriam assistir a tudo e iriam perder as suas vidas porque acharam que se trata de uma brincadeira, de uma banalidade?
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Descritores: Ética, Política Internacional, Sociedade
«Ausência de excessos, mediania em tudo, limitações legitimadas pelos «costumes», quer dizer, pela própria coesão da sociedade civil — tudo isto que era sustentado pelo regime de Salazar é hoje suportado pela norma única invisível do bom senso. Não há outra via. O medo, de perder todos os benefícios materiais que a entrada na União Europeia proporcionou, enxertou-se no sedimento de temor que já existia, transformando-o. Nasceu um novo objecto em que se investiu, inconscientemente, o medo do medo, o pequeno terror, a exclusão, o próprio terror de ser excluído, ou de vir a ser objecto de conflito (que comporta a ameaça de exclusão). Ameaça que existe disseminada no interior do real, sem que se saiba quem é o responsável, sem que o real se desrealize. É pois sempre mais conveniente continuarmos a não assumir responsabilidades, a não afrontar opiniões contrárias, a fugir aos problemas e a não pensar mais além das soluções que entram no quadro de todas as integrações. Sobretudo, recusar os conflitos.»
Será que somos livres só porque vivemos em democracia? Não existe censura, não existe polícia política, não há um regime ditatorial que exerça uma coerção violenta sobre a nossa forma de agir... A agressão à nossa liberdade mudou de forma, somos coagidos pela norma social e pelo politicamente correcto. Temos medo dos olhares que nos julgam, temos medo da exclusão, temos medo de perder o emprego, se a nossa opinião foge à norma. A norma transformou-se na nova polícia política.
A repressão não é física, é psicológica e somos nós que a infligimos. Não estaremos nós perante a ditadura da estabilidade social, da não conflitualidade, do bom senso? Haverá forma mais eficaz de controlo que a pressão social e a auto-censura?
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Cartoon in Newropeans Magazine
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Descritores: Bush, Iraque, Política Internacional