segunda-feira, junho 30, 2008

O que é que eles têm que nós não temos?

Têm os combustiveis mais baratos, pagam só 17% de IVA, o salário mínimo é de 800 euros e ainda levam a Taça para casa?



Ora o que é que eles têm? Têm Zapatero e um governo que parece efectivamente ser socialista, não têm José Socrátes. Têm Aragónez, um treinador que efectivamente sabe o que é táctica de jogo e não Scolari. Têm Casillas, um guarda-redes que efectivamente sabe sair aos cruzamentos e não Ricardo.


Afinal a resposta é mais simples do que parece...


sexta-feira, junho 27, 2008

Escrito em 1942 ou hoje?


«O futuro imediato tem grandes probabilidades de se parecer com o passado imediato, e no passado imediato as mudanças tecnológicas rápidas, efectuando-se numa economia de produção em massa e entre uma população onde a grande maioria dos indivíduos nada possui, têm tido sempre a tendência para criar uma confusão económica e social. A fim de reduzir essa confusão, o poder tem sido centralizado e o controle governamental aumentado. É provável que todos os governos do Mundo venham a ser mais ou menos totalitários, mesmo antes da utilização prática da energia atómica; que eles serão totalitários durante e após essa utilização prática, eis o que parece quase certo. Só um movimento popular em grande escala, tendo em vista a descentralização e o auxílio individual, poderá travar a actual tendência para o estatismo. E não existe presentemente nenhum sinal que permita pensar que tal movimento venha a ter lugar.»



Não há nenhuma razão, bem entendido, para que os novos totalitarismos se pareçam com os antigos. (...) Um estado totalitário verdadeiramente «eficiente» será aquele em que o todo-poderoso comité executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores terá o controle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão. Fazer que eles a amem, tal será a tarefa, atribuída nos estados totalitários de hoje aos ministérios de propaganda, aos redactores-chefes dos jornais e aos mestres-escolas.»



Aldous Huxley, "Admirável Mundo Novo". Lisboa: Livros do Brasil, 1999. Prefácio escrito em 1942, p.15.



« Para governar, é necessário deliberar, e não perseguir. Governa-se com o cérebro, nunca com os punhos. (...) não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros»



Idem, p. 63.


terça-feira, junho 24, 2008

Cada vez gosto menos da vossa Europa

Parece-me que inevitavelmente, o meu primeiro post pós-regresso tinha de ser sobre a União Europeia. Ainda bem que não tirei o banner lateral, «não gosto da vossa Europa». São cada vez mais as razões para não se gostar desta Europa. E não estou só a falar do Tratado de Lisboa, sinceramente já esperava que o não irlandês fosse ignorado. Considerar alterações ao Tratado seria uma atitude muito democrática, vinda daqueles que escolheram deixar de fora do processo de decisão, os cidadãos europeus. Será que ridiculamente os senhores da Europa, vão propor novos referendos na Irlanda até que o Sim ganhe? É o que se chama de maturidade democrática...


Cartoon de Rainer Hachfeld, «Neues Deutschland» - gentilmente surripiado daqui


Se a questão do Tratado de Lisboa e dos referendos, ou da ausência deles, é preocupante, o que dizer da Nova Lei do Repatriamento? Mais que indignação, sinto tristeza, porque ainda via na UE um bastião de defesa dos direitos humanos (ingenuamente, admito...). Como é possível que se possa permitir que seres humanos, cuja unica culpa é procurarem uma vida melhor, sejam confinados em campos de retenção até 18 meses? Inclusivamente crianças... espantoso! Podem até ser individuos, que estão há vários anos a trabalhar em território europeu contribuindo para a produtividade desse país, mas que por qualquer questão burocrática não possuem documentação válida para aí permanecer.

Entretanto, os cidadãos europeus que trabalhem até 65 horas semanais. Pois, afinal, quem precisa de qualidade de vida quando existe toda uma economia para alimentar... Mais uma espantosa valorização dos direitos humanos, mais um motivo para não gostar da vossa Europa!

segunda-feira, junho 23, 2008

My Hopes and Dreams: o regresso

Apetece-me voltar a ser blogger. Mesmo se as razões que me levaram a deixar de o ser, ainda persistam. Mas de alguma forma, já não são importantes. No fundo os meus posts não são mais que desabafos, sobre o que me inquieta e os desabafos não precisam de ser ouvidos ou lidos, só têm de ser proferidos.

Não precisam de ter fundamento científico, de ser eloquentes ou brilhantes, podem mostrar ingenuidade, insegurança, medo, falta de cultura política, atrevimento ou imaturidade. Porque não? Podem não ter sentido nenhum ou ter sentido só para mim.

E a minha preocupação com a qualidade? Vou continuar a ser exigente comigo própria, mas não em demasia. Porque há dias de maior ou menor inspiração, existem erros, lapsos, imprecisões, falta de tempo, impaciência, mau humor...

Portanto, o blog continua. Continua porque eu disse demasiadas vezes, «isto dava um post»... post que eu não escrevi e fica um amargo de boca, uma sensação francamente dispensável. E continua, neste mesmo lugar, neste formato, com este nome, porque nada vai mudar... vou continuar a divagar pela actualidade, pela poesia, pela arte e pelas minhas sensações, angústias, felicidades ou o que seja. Mesmo que as minhas divagações sejam mundanas ou me exponham em demasia, seguem dentro de momentos...

sábado, janeiro 05, 2008

THE END




"Dream on girl" - Rita Redshoes



"The day you lost all your hopes..." é o dia em que já não faz sentido manter um blog chamado my hopes and dreams




quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ser real ou ter vergonha...

«Segundo um dos grandes teólogos da libertação, o jesuíta Jon Sobrino, o mundo em que vivemos hoje exige que sejamos reais. Ser real significa viver de tal maneira que não tenhamos de nos envergonhar por vivermos neste mundo. É uma exigência radical quando são tantos os motivos para nos envergonharmos e quando, para vencer a vergonha, seriam necessárias intervenções de tal magnitude que a acção individual é irrelevante. Mas a exigência é ainda mais radical se tivermos em conta que muitos dos motivos de vergonha nos escapam, porque não sabemos deles, porque as suas vitimas são invisíveis, estão em silêncio ou silenciadas.»


Boaventura de Sousa Santos in Visão de 20 de Dezembro de 2007


domingo, dezembro 30, 2007

Falar de 2007

Para ser original, vou escrever um post sobre o ano que passou. Fui ler o que escrevi o ano passado, curiosamente podia escrever exactamente o mesmo. Acho que só mudam as músicas, os filmes, os livros e os poemas. Falei de acontecimentos internacionais preocupantes, do Iraque e do Darfur e um ano depois, continuam a ser motivo de preocupação. Ao Iraque e ao Darfur, junta-se Myanmar e também aqui a comunidade internacional e a ONU agiram com uma preocupante passividade. O desrespeito pelos direitos humanos continua a não incomodar, foi assim em 2006, em 2007 e seguramente será em 2008:

«In politics, no one can hear you scream»…


E o que eu disse sobre o nosso cantinho, é tão certeiro ainda, que me vou citar:


«Por cá, não menos preocupante…
Um governo socialista de direita
Agrava-se o fosso entre ricos e pobres

Entre o desemprego e a precaridade, escolhe-se a emigração
O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor»


Só posso acrescentar a esta bonita lista o autoritarismo e a propaganda irritante, a culminar com os momentos históricos da presidência da EU. Ainda fomos bombardeados com 6 meses da novela Maddie Mcann, esmifrada até à exaustão e OPAS, tantas OPAS, Mourinhos, Cristianos Ronaldos e Scholaris... Tudo isto, enquanto assistimos alegremente à perda dos nossos mais elementares direitos sociais e laborais. Passivamente. Será diferente em 2008?


Se as preocupações não mudaram muito, vamos ao que mudou:


A música
“Neon Bible” – Arcade Fire
“Cintura” – Clã

O livro
“Portugal, o medo de existir” – José Gil (só o li em 2007... guilty)


O poema
Conversa com a pedra” - Wislawa Szymborska

O rosto vulgar dos dias” – Alexandre O’Neill

O filme
”Sicko” – Michael Moore

“The dead girl” – Karen Moncrieff

A série

“Heroes”

“House MD”


quarta-feira, dezembro 26, 2007

A Lista de Bush


Cartoon de Daryl Cagle

In "Today's best cartoons"

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal a todos!

Natal à beira-rio


É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...




Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.

E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira


domingo, dezembro 23, 2007

Crónicas Natalícias

«A crónica natalícia moralista costuma apresentar duas ou três críticas recorrentes. Uma diz respeito ao consumismo acéfalo das pessoas. (...) O consumismo acéfalo dos outros é repugnante, sobretudo na medida em que me impede de praticar o meu. Milhares de pessoas embrenhadas no seu consumismo acéfalo, dificultam-me a tarefa de consumir acefalamente, que é extremamente retemperadora para da alma, o que raras vezes se admite.

Outra crítica: a vontade artificial de sermos bondosos, que é tão hipócrita porque dura apenas uma semana e desaparece o resto do ano. A verdade é que a preocupação dos cronistas com a hipocrisia é igualmente hipócrita, porque também dura apenas uma semana e desaparece no resto do ano.»


Ricardo Araújo Pereira, “O fantasma do Natal analisado” in Visão de 20/12/2007


Mas, mas... eu ia escrever um post natalício moralista, que chatice... Mas eu até não consumo muito acefalamente, talvez um bocadinho vá... E quanto à hipocrisia, eu armo-me em moralista o ano todo, não é só durante uma semana. Ah pois, aí é que a carapuça não serve... Por isso vou postar um cartoon extremamente moralista. E mais, vou deixar um link para o post natalício moralista que escrevi o ano passado!


Cartoon de Plantu

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Medo e controlo


«A sociedade, num futuro muito próximo, reduzirá o seu já limitado espaço de liberdade a uma instância insistentemente policiada. Não haverá sociedade como intervenção cultural, relação com o contrário, subdivisão de grupos de interesses, coexistência de sinalizações alternativas. Ser continuamente vigiado liquida o fundamento das instituições democráticas, o qual oscila entre o tratamento igualitário e o tratamento diferenciado. Impossível escapar ao reconhecimento de que caminhamos para uma nova e diferente ditadura, dissimulada em leis de "segurança", de "ordem" e de "autoridade". Não há lugar para o exercício das "referências", porque se deixou de admitir a alteridade. Uma das características sociais reside no direito do indivíduo a não ser "massa", e a recusar a rigidez identitária que a vigilância (pelo medo que lhe subjaz) sugere, impõe e inculca.


Não sorria. Está a ser filmado.»


Baptista Bastos, “A instrução do Medo” in DN Online


Estamos a cair numa sociedade controlada pelo medo, uma nova forma de ditadura que anula a diferença e as vozes críticas. Quer seja o medo pela vigilância, quer seja o medo de perder a estabilidade económica, de perder o emprego. Para além das câmaras de vigilância, existe ainda a delação e até a obrigatoriedade das empresas de telecomunicações guardarem por 2 anos, o registo dos sites que consultamos. Medo e controlo, é óbvio...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Ainda o Sexto Andar




Já deixei aqui a letra, agora vale a pena ouvir e ver o videoclip.

O álbum "Cintura" dos Clã, recomenda-se vivamente.

domingo, dezembro 16, 2007

Bali


Cartoon de Pat Bagley

In "Today's best Cartoons"

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Tratado Europeu: mais um “momento histórico” protagonizado por Sócrates

Já se torna um hábito irritante do Primeiro-Ministro, aplicar a expressão “momento histórico” a qualquer evento diplomático da presidência portuguesa da UE. Mas a questão principal aqui nem é o marketing político, mas sim o tratado em si e o que ele representa. A Europa dos direitos humanos e da solidariedade social não é consagrada neste Tratado.


O novo tratado não é mais que a nova versão da constituição europeia. Só foram eliminados pormenores menos importantes como o hino, a bandeira, a moeda e a própria palavra constituição. O que alguns povos já rejeitaram por referendo é lhes agora imposto por via parlamentar. O que tem este tratado de preocupante?


Existem poderes nas mãos do executivo ainda pouco claros e que escapam ao controlo do parlamento europeu, com os “procedimentos legislativos especiais” ou os “actos legislativos”. Estes podem incidir sobre concorrência, mercado interno, circulação de capitais e outras matérias fundamentais que ficam fora de controlo. Preocupante é também que a nomeação dos juízes europeus esteja dependente dos governos. O conselho de ministros, o conselho europeu e o parlamento não podem ser demitidos, nem dissolvidos. E pior, o Banco Central europeu não tem que prestar contas a ninguém.


A revisão da constituição fez-se sem os povos. Não nos podemos esquecer disto e devemos continuar a exigir que seja realizado um referendo. E convém ainda sublinhar que exigir um referendo ou dizer não a este Tratado, não é ser contra a unidade e o ideal europeu, é apenas exigir uma Europa mais democrática. Definitivamente, não é esta a Europa que eu quero.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

A cimeira UE-África e o melhor dos mundos

Apesar de ser um tema recorrente na blogosfera e na imprensa, tenho que falar na cimeira UE-África. Alguma imprensa tem qualificado a cimeira como histórica e o nosso Primeiro-Ministro como uma espécie de máquina diplomática. Seríamos levados a pensar que todos os problemas do continente africano, se resolveram de um dia para o outro. Os ditadores sanguinários viraram paladinos dos direitos humanos. Tudo graças ao brilhantismo de José Sócrates.


E este é o melhor dos mundos! Darfur? Qual genocídio? Fome? Qual fome? Ditaduras? Quais ditaduras? Quase nos conseguem convencer que não era a ameaça da “invasão económica chinesa” que estava em causa nesta cimeira. Quase nos conseguem convencer que os direitos humanos são uma preocupação genuína. Quase...


sábado, dezembro 08, 2007

O maravilhoso mundo dos Membros da Opus Dei


O que leva um grupo de pessoas a praticarem mortificações e disciplinas diariamente? Porque usam um cilício, praticam o celibato, chicoteiam-se semanalmente, tomam duches frios ou dormem em tábuas de madeira (no caso das mulheres)? Porque abdicam das idas ao cinema, ao teatro, ao futebol, aos concertos e dos livros do Saramago, do Jorge Amado e do Eça de Queirós (Marx e Engels nem se fala...)? E ainda têm que ouvir os sermões dos orientadores espirituais, que lhes chamam a atenção quando andam sozinhos de carro com uma mulher, que até é a própria irmã ou quando choram porque um recém nascido filho de um casal amigo, morreu subitamente na sua casa, porque isso é sinal de fraqueza. Porque não esquecem a Opus Dei no seu testamento?


A revista Sábado tem um artigo em que expõe todos estes rituais e hábitos e tem alguns testemunhos de membros e ex-membros, mas nada no artigo responde às minhas questões. Quais são as motivações de quem adere à Opus Dei? Será a fé, o medo da condenação divina? Ou será uma questão mais materialista? Um dos entrevistados refere que quando abandonou a Opus Dei, as principais dificuldades que enfrentou foram «a falta de meios financeiros quando já não há laços com a instituição e o facto do trabalho estar ligado ao Opus Dei».


O artigo não explica as motivações dos que aderem à Opus Dei, pergunto-me porquê. Porque não se fala da influência da Opus Dei na sociedade e na política portuguesa e nas ligações ao poder económico? Espantosas ascensões na carreira, jogos de influência compensam andar de cilício na perna e um ou outro chicoteamento... Nesta perspectiva as taradices dos fanáticos, já parecem menos psicóticas... afinal não estamos nós numa sociedade materialista que privilegia quem tem poder e influência? Não me falem de fé e de espiritualidade, quando a Opus Dei pede aos seus membros uma referência no seu testamento.


Nota: Mais informações e testemunhos sobre a Opus Dei, neste site: http://www.opuslibros.org/


quinta-feira, dezembro 06, 2007

Bush entre israelitas e palestinianos


Cartoon de Daryl Cagle

In "Today's best cartoons"

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Para mim em particular

Uma canção passou no rádio…
E quando o seu sentido se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio…
Encontrou no 6º andar,
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular.
Que a canção,
Estava a falar





E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ele nem soube que ela deu
O que ninguém estava lá para dar


Um sopro,
Um calafrio,
Raio de sol,
No refrão…


Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio,
Numa simples…


Canção!

domingo, dezembro 02, 2007

Adeus John Howard

Os australianos recusaram-se a eleger John Howard nas legislativas do passado sábado, preferindo o trabalhista Kevin Rudd. O estilo belicista de Howard, desde o início, um fiel aliado na estratégia da guerra contra o terror de George W. Bush, não convenceu os eleitores. Mas o que os australianos não perdoaram a Howard foi a legislação laboral, as celebres “Work Choices”. Perderam-se direitos laborais básicos, como a contratação colectiva e o direito à greve.


Também não deixa saudades a atitude hostil e conservadora de John Howard, relativamente aos imigrantes, à comunidade aborígene, às minorias e aos países vizinhos asiáticos. Chegou-se ao cúmulo de proibir asilo politico a estrangeiros com o HIV. A sua postura relativamente a Timor-Leste que chegou a ser neocolonialista, também é de má memória.


Resta saber se Kevin Rudd partilha o estilo Tony Blair, que de trabalhista tem pouco e aí as politicas mudarão pouco e os australianos sentir-se-ão defraudados. Infelizmente os eleitores já se começam a habituar...


Nota: Desculpem o post chegar com uma semana de atraso, mas ainda assim tinha de merecer o meu destaque.


sábado, dezembro 01, 2007

Dia mundial da Luta contra a Sida


É importante lembrar, até porque os números não mentem...

quinta-feira, novembro 29, 2007

"Explicação da Eternidade"

"devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.


os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.



por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.


os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.


foste eterna até ao fim."


José Luís Peixoto

domingo, novembro 25, 2007

Movido a petróleo

Cartoon de Cristo Komarnitski

in Today's Best Cartoons

sábado, novembro 24, 2007

Palavras muito cristãs


«Se o Papa permitisse isso [permitir às mulheres assumir funções eclesiásticas] haveria conflitos, rupturas e solavancos na sociedade.»

D. José Policarpo (via Visão de 22 de Novembro)



E nós não queremos uma coisa dessas, pois não? Solavancos ainda podem provocar mudanças de mentalidades e isso até faz alergia à Igreja Católica. Bem se vê porque é que toda a polémica em torno da figura de Maria Madalena, tem sido tão mal digerida... Mas o Papa que não se preocupe, porque as mulheres católicas parecem não se importar muito com o facto de estarem afastadas das funções eclesiásticas.



«As classes sociais são um fenómeno tão natural como o sono, a família ou a chuva»


João César das Neves (via Visão de 22 de Novembro)



Ora lá está, aceitar as desigualdades com naturalidade. É impressão minha ou isso não é muito coerente com o “todos são filhos de Deus, à sua imagem e semelhança”? Se calhar percebi mal... o mérito deve ter sido distribuído por Deus de uma forma desigual pela humanidade, uns são mais omnipotentes que outros...


quarta-feira, novembro 21, 2007

"Utilidade do Humor"

Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei

Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente




Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado


Eu era feliz tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acodia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada


Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado


Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

domingo, novembro 18, 2007

Deontologias

Leio com interesse o post do Devaneios Desintéricos que chama a atenção para o facto da Ordem dos Médicos recusar a alteração do Código Deontológico, face à alteração da lei sobre a IVG. Não me parece correcto que a Ordem tente impor aos seus membros, uma determinada concepção de vida humana, que ainda por cima contradia o que foi referendado e pune quem não a partilha.

Mais do que a existência ou não de uma supremacia da lei ou do estado sobre a liberdade de um órgão corporativo definir o seu código deontológico, para mim a questão central é como pode um código deontológico impor uma determinada concepção de vida humana, cuja definição não é cientificamente unânime e que se prende com uma questão de consciência individual e ética pessoal?


Pretende a Ordem dos Médicos condenar como falta de ética um profissional que leve a cabo um procedimento de IVG, será correcto punir ou expulsar quem não apresente objecção de consciência a tal prática e ainda por cima está no cumprimento da lei e a respeitar o Estado de Direito? O Bastonário garante que não o fará, no entanto acusará esse profissional de “falha grave” e poderá garantir que esse médico não será discriminado social e profissionalmente? Quantos médicos vão quebrar o código deontológico, para cumprir a lei? A resposta é óbvia e as intenções da ordem também.


A Ordem acusa o Estado de autoritarismo por exigir a alteração do Código Deontológico. Pergunto eu, o que é afinal mais autoritário: um Estado que pretende que um código deontológico respeite a liberdade de consciência e o estado de direito ou uma Ordem cujo código deontológico não respeita a liberdade de consciência e o estado de direito? Sendo que a posição dos objectores de consciência à IVG está prevista e legitimada na lei, porque deverão os que não partilham desse ponto de vista ser acusados de falta de ética ou de despeito pelo código deontológico da sua Ordem profissional?


sábado, novembro 17, 2007

«Na minha lista de desejos, uma WII da Nintendo vem muito à frente da democracia»


Esta frase é de uma jovem da nova geração yuppie chinesa. Trata-se da geração entre os 20 e os 30 anos, urbana que tem visto um crescimento do seu rendimento na ordem dos 34%, nos últimos 3 anos. Leio* alguns testemunhos destes jovens, não estão nada preocupados com o autoritarismo do governo, a repressão, os atropelos aos direitos humanos, as profundas desigualdades, as expropriações de terras.


Falam de viagens, roupas, férias na neve, iPpods, consolas, cartões de crédito, mas a política é tabu. «Não há nada que possamos fazer na política, de modo que não interessa falarmos nisso ou envolvermo-nos». A repressão de sublevações como a de Tiananmen é descrita como «certamente necessária”, não fosse a prosperidade económica ficar comprometida. Lá se iam os iPods, as consolas e os cartões de crédito, no fundo o que é verdadeiramente importante. O que interessa que esse conforto seja alimentado à custa da pobreza e sacrifício do mundo rural (recordo que já escrevi sobre este tema aqui).


Simon Elegant o repórter que recolheu estes testemunhos, deu ao artigo o nome de “Geração EU” e muito bem*. O materialismo e o hedonismo são os piores inimigos da democracia e da defesa dos direitos humanos. A geração Eu é muito evidente na China, mas não é um fenómeno exclusivo deste país. Basta olharmos em volta para verificarmos que o materialismo impera, leva ao conformismo e à apatia, toda a ética e sensibilidade social começa a passar para segundo plano. Não será a geração EU a grande ameaça à democracia e aos direitos humanos?


* Refiro-me ao Artigo "A geração EU" de Simon Elegant in Visão de 8 de novembro de 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Falta qualquer coisa

[...] numa tacinha, achamos a nossa vida de hoje e qual o sentido da nossa vida de hoje, o que fazemos com ela, dias atrás de dias, o supermercado, o jantar no restaurante ao domingo, a maçada das crianças às vezes e não era bem isto que nos apetecia, não era bem isto o que tínhamos desejado, falta qualquer coisa, onde é que erramos, o que falhámos, não somos infelizes mas também não temos o que secretamente ansiávamos, os anos vão passando



(- o que tu cresceste)


E não temos o que secretamente ansiávamos, de vez em quando momentos tão vazios, de vez em quando, mesmo no meio dos outros, uma solidão tão grande, um desamparo, uma sensação de queda, esta dificuldade em respirar, porque a mobília sufoca, que vem e desaparece e volta, de vez em quando, sem motivo, vontade de chorar, não lágrimas grandes, não soluços, uma coisa vaga, uma pergunta

- E agora?


António Lobo Antunes “Nada de especial” in Visão de 8 de Novembro de 2007

domingo, novembro 11, 2007

Grandes aspirações

Cartoon de Monte Wolverton

In "Today's best cartoons"

sábado, novembro 10, 2007

Sobreviver em Bagdad

«Ao passar por cima da capital iraquiana somos confrontados com uma névoa espessa que paira sobre a cidade. É muito difícil perceber se é neblina ou fumo libertado pelas bombas e pelos prédios incendiados. (...) são oito da manhã, mas nesta cidade deixou de haver horas, ou se as há contam-se ao ritmo das explosões e com a medida dos cadáveres que se acumulam.


(...) Converso com um viajante, que parece ter mais de 50 anos, mas tem apenas 35. Faço a pergunta ritual “Chako mako?” (Isso vai ou não vai?). Com um sorriso desiludido responde: «Vai indo, carros armadilhados, atentados suicidas, franco-atiradores e tiros de rajada, cadáveres que se vêem pela rua de manhã, preços que disparam...». se é isso que vai indo, então o que é que não vai? A resposta sai lesta: «o governo não vai. A esperança não vai. A segurança não vai. A estabilidade não vai.»


Excerto de “Como sobreviver à violenta Bagdade” in Courrier International ed.134


terça-feira, novembro 06, 2007

"Ao rosto vulgar dos dias"

Monstros e homens lado a lado,

Não à margem, mas na própria vida.

Absurdos monstros que circulam

Quase honestamente.

Homens atormentados, divididos, fracos.

Homens fortes, unidos, temperados.



Ao rosto vulgar dos dias,

A vida cada vez mais corrente,

As imagens regressam já experimentadas,

Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.



Imaginar, primeiro, é ver.

Imaginar é conhecer, portanto agir.


Alexandre O´Neill

Poesias Completas