segunda-feira, janeiro 31, 2011

Pela liberdade ou pela justiça social?



Muito se tem falado da Tunísia e do Egipto, dos levantamentos populares em nome da democracia. O que está em causa são uns terríveis ditadores, cuja opressão se tornou insuportável para as populações. Mas estes levantamentos, mais que a liberdade exigem justiça social. Se a liberdade fosse a única coisa em causa, já teríamos assistido a estas movimentações há anos atrás. Sem querer desvalorizar a defesa da liberdade, que é fundamental, chamo a atenção que se exige mais. Será coincidência que os Média não falem no desemprego, no aumento do custo de vida, nos jovens licenciados sem perspectivas e num contexto de completa crise social, que foi o rastilho de pólvora para os levantamentos populares? Claro que não, podiam as pessoas começar a fazer comparações... afinal de contas, em Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, não há desemprego, pobreza e jovens licenciados sem perspectivas...

O melhor é mesmo que cá se pense, que lá longe existem uns povos a pedir democracia e a lutar contra os ditadores maus. Nada disto tem a ver connosco! Os nossos problemas não têm nada a ver. Nós não precisamos tanto de justiça social, de igualdade de oportunidades, de emprego e direito à felicidade como precisamos de democracia e de liberdade... Espero sinceramente que tunisinos e egípcios vençam esta batalha e que a sua luta pela justiça social e por uma democracia fraterna, venha a ser também a nossa.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Mais Cavaco não!

Em véspera de eleições presidenciais, não posso deixar de justificar o meu redondo não a mais cinco anos de Cavaco Silva. Só um candidato levado ao colo pela comunicação e por elites muito influentes deste país, consegue escapar impune ao escândalo das mais valias com a venda da SLN, a permuta sem escritura da vivenda de luxo na Aldeia da Coelha propriedade da SLN. Tudo isto acompanhado de uma total ausência de explicações. E o que dizer da persistente defesa dos mercados e deste plano de austeridade? E a posição perante o estado social, que se resume à caridadezinha privada? E no conservadorismo demonstrado quando tratou temas como o casamento gay e a mudança de sexo, no completo desrespeito pela liberdade individual? Do caso das escutas, já ninguém se lembra porque foi sacrificado um homem da sua confiança? E o que dizer da conversa mesquinha e machista da reforma de 800 euros da esposa, vindo de alguém que acumula reformas, num país onde há reformas de 200 euros?

Se ainda assim encontra justificação para votar Cavaco Silva, aconselho a leitura dos posts destes excertos:

«Insistiu na mesma lógica de subalternização aos mercados e à Alemanha e França, que nos trouxe ao atoleiro em que estamos. Seria pior? Como se os juros da divida não parassem de subir… Pode dizer que a imprensa é suave e ninguém se indigna... E o que dizer, da insistência em remeter para o site da Presidência? Ele não tem que informar, nem explicar aos eleitores, eles que vão ler e informar-se, não é para isso que servem os debates? Mas para quê esclarecer que as falcatruas do BPN, foram da responsabilidade dos seus protegidos políticos e que graças a isso, Cavaco Silva obteve lucros de 100%? Então um economista, um homem de finanças não acha estranho as margens de lucro que teve, não suspeitou de nenhuma ilegalidade? Atreve-se a comparar as suas poupanças às da generalidade dos portugueses?»


Repito: Votem em quem quiserem, mas no conservador, subserviente, falso moralista que enriqueceu à custa das ilegalidades do BPN, arrogante e defensor da caridadezinha, não!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Sobre o “Inside Job – A verdade da crise”

Finalmente consegui ir ver o “Inside Job – A verdade da crise”. Vale mesmo a pena ver, não só pelas revelações das promiscuidades entre os banqueiros/políticos/economistas, que isso já não é novidade, mas sobretudo pelas entrevistas aos protagonistas da crise e verificar as respostas e justificações que dão. É assustador verificar que ficamos na dúvida, se as pessoas são desonestas e sabem que o são e não se importam, ou se pior ainda, não percebem que estão a fazer algo desonesto porque já estão formatados para pensar friamente na obtenção do lucro, sem qualquer espécie de noção ética. Dou um exemplo. Num dos excertos das comissões de inquérito no senado, um senador pergunta a um dirigente da Goldman Sachs, baseado num mail de um colaborador seu, referindo-se uma determinada empresa como sendo uma “merda”, porque é que ele vendia aquela empresa aos clientes/investidores como lucrativa. Interrogava-se se ele não achava que isso era fraude. A resposta foi que a preocupação com cliente era apenas na perspectiva do dinheiro que lhe daria a lucrar e não com a verdade. O único problema ali foi que o colaborador não devia ter escrito essa informação num e-mail.

É impressionante como não só não se vê qualquer sentido de ética, como também não existe a mais elementar noção de bem ou mal… Ao contrario deste dirigente, um tipo que rouba uma carteira, sabe que está a fazer mal, o que mostra como estas pessoas são extremamente perigosas. E o mais espantoso, é que nenhuma acusação formal foi feita, nenhum processo judicial está em curso. Aliás quando o Estado injectou os primeiros milhares de dólares, para tentar resgatar a AIG, a contrapartida era que esta não agisse judicialmente contra a Goldman Sachs por fraude.

Mas voltando aos protagonistas da crise, tenho que destacar Frederic Mishkin. Professor de economia da escola neoliberal pura e dura, que como os seus colegas, enriqueceu e ganhou prestigio a vender artigos, estudos ou serviços de consultadoria financeira a países/empresas pró-desregulação, até chegar à Reserva Federal. Este senhor escreveu uma obra bastante séria sobre a economia da Islândia, financiada pelo próprio governo islandês, a elogiar a estabilidade do sistema financeiro, isto já com indícios que aquilo ia rebentar. E quando o jornalista pergunta em que se baseou ele, gaguejou «nas informações a q tive acesso», percebe-se na expressão dele, que não tinha como fundamentar nada, aquilo teve tanto de investigação científica como a astrologia. E a melhor é que o estudo chamava-se "Financial Stability in Iceland" e convenientemente no CV actual do Professor, o livro chama-se "Financial Instability in Iceland"… por isto recebeu 124 mil dólares.

São pessoas como Mishkin que estão no governo a bloquear medidas de regulação do sistema financeiro, que fazem lobby junto do Senado, que estão na Goldman Sachs, em bancos de investimento como o Merril Lynch e nas famosas agencias de rating, Moody's, a Standard & Poor's e a Fitch. Foram estas agências que classificaram de AAA instituições de crédito e empresas que apresentaram falência dias depois, as mesmas que hoje especulam com a nossa divida. E apesar das evidências de falta de credibilidade, continuam a fazer o que sempre fizeram sem qualquer supervisão, processo judicial, numa total impunidade… Os contribuintes pagaram e vão continuar a pagar a pesada factura da recessão, do desemprego, da perda de poder de compra e de qualidade de vida. “Inside Job – A verdade da crise” mostra claramente como isso aconteceu e quem são os culpados.

sábado, janeiro 01, 2011

2010: o meu balanço

Andei pelo meu blog, a ver o que eu sentia nos últimos dias de Dezembro dos anos que passaram. É incrível como as preocupações se repetem e todos os anos lamento «O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor». Aqui fica o ano de 2010, revisto pela minha memória subjectiva e selectiva:

A música
“The suburbs” – Arcade Fire
“A Day In The Day Of The Days” - Noiserv
“High Violet” – The National
“Lights&Darks” – Rita Redshoes

O poema
“Mistério do mundo” – Fernando Pessoa
“Invictus” – William Ernest Henley

O filme
“Shutter Island”
“Inception”
“New York I love you”

A série
Nada de novo, como “Lost” acabou, continua a ser “House MD”, “Fringe”, “Dexter” e “The daily show with Jon Stewart”

Preocupante…

Os odiosos planos de austeridade a pretexto da crise financeira provocam uma verdadeira catástrofe social e o aumento da pobreza
A escandalosa protecção à banca e ao sistema financeiro
A acção dramática do FMI na Irlanda
O aumento de catástrofes naturais causadoras de muitas mortes e prejuízos (sismos no Haiti, Chile e China, cheias no Paquistão…) que só levam a pensar que a ganância do homem e a destruição do meio ambiente, terá um preço cada vez mais elevado
O que acontece quando se denunciam os podres da democracia – caso Wikileaks e prisão de Julian Assange

Por cá, não menos preocupante…

Batem-se recordes dramáticos: 600 mil desempregados, 20% da população é pobre, 40% ganha menos que 600 euros mensais
Os planos de austeridade do governo socialista de direita, empenhado em arruinar os mais desprotegidos, doentes, desempregados
Sistematicamente é excluída dos sacrifícios uma elite que controla a banca e o sistema económico em geral, cuja promiscuidade com o poder politico é evidente
Lançam-se as fundações de uma recessão em 2011, que lançarão milhares na pobreza e no desemprego, numa injustiça social sem precedentes
O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor, que vejo desde 2006 e infelizmente volto a ver este ano... (sim, infelizmente repeti-me)

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Conclusões do debate

Espero que com o debate de ontem, as pessoas tenham finalmente percebido quem é Cavaco Silva. Veio ao de cima a agressividade, a arrogância, o falso moralismo, a incapacidade em lidar com a crítica e a de esclarecer qualquer questão. Então, quando confrontado com a questão do estado social, ele responde com instituições privadas de solidariedade social e com a caridadezinha da campanha das sobras dos restaurantes? O Estado social não é isso, nem é de caridade que as pessoas precisam, o que é necessário é que os estados garantam justiça social e igualdade no acesso ao emprego e à riqueza. Será que queremos um Presidente da República que confunde caridedazinha com Estado social? Infelizmente Manuel Alegre, deixou cair esta argumentação e não distinguiu os conceitos.

Insistiu na mesma lógica de subalternização aos mercados e à Alemanha e França, que nos trouxe ao atoleiro em que estamos. Seria pior? Como se os juros da divida não parassem de subir? Pode dizer que a imprensa é suave e ninguém se indigna... E o que dizer, da insistência em remeter para o site da Presidência? Ele não tem que informar, nem explicar aos eleitores, eles que vão ler e informar-se, não é para isso que servem os debates? Mas para quê esclarecer que as falcatruas do BPN, foram da responsabilidade dos seus protegidos políticos e que graças a isso, Cavaco Silva obteve lucros de 100%? Então um economista, um homem de finanças não acha estranho as margens de lucro que teve, não suspeitou de nenhuma ilegalidade? Atreve-se a comparar as suas poupanças às da generalidade dos portugueses?

Mesmo que Alegre não tenha conseguido assinalar estas contradições, o próprio Cavaco silva demonstrou o tipo de pessoa que é e não é certamente o que o país precisa. Votem em quem quiserem, mas no conservador, subserviente, falso moralista que enriqueceu à custa das ilegalidades do BPN, arrogante e defensor da caridadezinha, não!

domingo, dezembro 19, 2010

O FMI não está cá! Está, está...

O governo continua extremamente empenhado em seguir a agenda neoliberal da EU, numa crença ingénua que isso tranquilizará os mercados. A novidade da semana é que os problemas do país estão num mercado laboral demasiado rígido. Quem havia de dizer? Não certamente os mais de 500 mil portugueses desempregados, nem os que trabalham a recibo verde ou a contratos a prazo que a qualquer altura podem ser despedidos. Diz a UE, dizem os economistas brilhantes, logo o governo apressa-se a apresentar um pacote de medidas para tratar de flexibilizar um mercado de trabalho extremamente flexível, colocando em perigo o emprego dos que ainda o conseguem ter.

Veja-se o genial impacto de reduzir o valor das indemnizações e de obrigar as empresas a criar um seguro de despedimento. É mais barato despedir, o que compensa, porque se despedir um trabalhador com alguns anos de casa, que já não estará no escalão salarial mais baixo, pode-se contratar alguém novo e desesperado, disposto a fazer o mesmo trabalho por um salário menor. E o que dizer do seguro, para além de uma despesa extra para quem contrata, só dará lucro se for activado... porque não despedir se ainda se recebe o dinheiro do seguro? Entretanto ainda ganha a Banca que detém as seguradoras! Ficam os “fat cats” felizes e dos trabalhadores, entre a precariedade e o desemprego, o governo e a Europa não querem saber. Nem o FMI faria melhor...

segunda-feira, dezembro 13, 2010

A pobreza deve envergonhar quem?

Vem o Senhor Presidente da República dizer que a pobreza nos deve envergonhar a todos. Pois fique sabendo que a única vergonha que eu sinto, é que o senhor enquanto governante durante todos estes anos, nada tenha feito para reduzir a pobreza, a desigualdade e a injustiça social. Pelo contrário, promoveu politicas que nos encaminharam para a dramática situação, em que hoje nos encontramos. A pobreza não me envergonha, entristece-me e revolta-me. Sentiria vergonha se o tivesse eleito, na esperança que resolvesse a questão da pobreza e sendo assim poderia sentir-me responsável. Felizmente sempre percebi a falsidade e a cobardia, de quem não assume responsabilidades pelas medidas que tomou enquanto governante e tendo feito carreira política, nem se assuma como politico. Falta-lhe autoridade moral, para passar responsabilidades que são suas para os cidadãos do seu país. Foram governos seus e do seu partido que permitiram a acumulação de mordomias pelos amigos, de parcerias publico-privadas ruinosas, de politicas de emprego assentes em baixos salários e na precariedade, na destruição do aparelho produtivo nacional e na delapidação do estado social. Enquanto Presidente da Republica promoveu a austeridade, desculpabilizou o sistema financeiro e permitiu a concretização deste PEC, que mais não é que a consolidação da politica que promoveu enquanto Primeiro-Ministro. O combate à pobreza nunca foi um objectivo seu, mas pretende-se agora envergonhado e apela à caridedazinha que mata a fome de alguns, mas não resolve os problemas de quem precisa de um emprego, de uma oportunidade, de um salário que lhe permita viver com dignidade. Essas preocupações nunca foram as suas, por isso guarde a vergonha para si e não passe as responsabilidades para quem não as tem.

Nota: Se os Portugueses querem para Presidente da República um senhor que acha que resolve o problema da pobreza com sobras de restaurantes, algo está muito mal!


terça-feira, dezembro 07, 2010

Compadrios e cunhas em estudo

Qualquer pessoa que viva e trabalhe em Portugal, já se apercebeu do intricado sistema de cunhas e compadrios que pulula em todos os sectores de actividade. O sector público ou o domínio das parcerias público-privadas torna-se mais evidente, porque ao habitual compadrio, junta-se o cartão partidário da cor certa. O que antes era um pouco vago, foi agora estudado com maior detalhe por um investigador português na Universidade Queen Mary de Londres:

«Pedro S. Martins estudou o período de 1980 a 2008, estabelecendo firmas do sector privado como grupo de controlo comparativo, e concluiu: "As nomeações do sector público aumentam significativamente ao longo dos meses imediatamente antes de um novo governo tomar posse. Também aumentam consideravelmente logo após as eleições, mas somente se o novo governo é de uma cor política diferente da do seu antecessor." (…) Os dados apontam para um "aumento significativo em contratações", que pode ir dos 10% aos 20%, no trimestre seguinte à entrada em funções de um Governo. Esse aumento, segundo as conclusões do estudo, começa porém a ocorrer antes das eleições - ou seja, antes de um Governo abandonar o poder. E o compadrio não se resume às posições de topo na hierarquia das empresas públicas: está espalhado por toda ela.


Este estudo só prova a existência de uma mentalidade cortesã que premeia a bajulação e a filiação partidária, em detrimento da competência, o que só por si explica a ineficiência e má gestão e a própria produtividade. Tenho sérias dúvidas que esta realidade esteja assim tão longe do privado... Mas a grande questão é porque a UE, não exige uma moralização do sistema e prefere mandar flexibilizar um mercado de trabalho, já de si precário e mal remunerado. Será que não sabem da corrupção e do compadrio, dos negocios ruinosos para a estado e das reformas milionarias acumuladas com salários?

quinta-feira, novembro 25, 2010

Dignidade no trabalho exige-se

Na sequência da greve geral, acho que faz sentido falar um bocadinho do mundo do trabalho. Todos nós já ouvimos histórias de horas extra não remuneradas, pessoas que fazem o trabalho de 2 ou 3, pressões psicológicas de vária ordem, remunerações baixas, falsos recibos verdes e podia continuar. Tudo isto acontece com um Código de Trabalho demasiado rígido, o que seria se não fosse… São muitos os motivos para o descontentamento e a indignação. Mas o mais preocupante é que a tendência é para ver a situação piorar. Veja-se o que se passa na Inglaterra. Na semana passada, o governo britânico anunciou que os desempregados que solicitam auxílio deverão realizar trabalhos não remunerados: caso se neguem a fazê-lo, perderão o subsídio. Estamos a falar da obrigação de realizar trabalhos de jardinagem, limpeza de lixo e outras tarefas manuais por apenas 1 libra/hora. Que melhor estratégia para eliminar postos de trabalho e reduzir custos, usando mão-de-obra quase gratuita?

A retórica que justifica este tipo de medidas, também é nossa conhecida: «esses preguiçosos que não querem trabalhar». Basta ver as últimas reportagens da RTP, para ver este argumento exibido até ao vómito. O que a RTP não disse, é quantos empregos disponíveis existem relativamente ao número de desempregados. No caso da Inglaterra, alegadamente pejada de preguiçosos, temos 459 mil empregos para 2,5 milhões de desempregados. Um preguiçoso poderá ter que disputar o trabalho com 250 colegas… se não conseguir terá de contentar-se com a categoria de desempregado trabalhador, 1 libra hora sem qualquer perspectiva de melhoria social, sabendo que antes estava no seu lugar alguém com emprego. Estamos muito perto da Servidão e não é impressão minha.

É urgente uma mobilização pelo regresso da dignidade no trabalho, seja com greves, protestos ou criticas em conversas de café. Ou melhor inventem-se formas eficazes de protesto, antes que seja tarde demais. Há coisas muito simples do dia-a-dia que alimentam o sistema que nos quer semi-escravos e das quais podemos abdicar: produtos bancários de investimento em acções, cartões de crédito e afins, consumismo irracional em produtos dispensáveis e porque não seguir a sugestão do Cantona? Agir é mesmo necessário!

domingo, novembro 14, 2010

Lição sobre injecção de liquidez da Reserva Federal

Para perceber a decisão da Reserva Federal norte-americana de adoptar medidas especiais de injecção de liquidez, este videozinho é extremamente esclarecedor:



Pergunto eu: O Presidente dos EUA, que deixa a Reserva Federal, aka a Goldman Sachs, fazer o que quer da economia, tem legitimidade para vir dar lições de política monetária ao resto do mundo? Como dizem os bonequinhos dá vontade de bater com a cabeça na parede, se os custos com a saúde não fossem tão elevados...


quinta-feira, novembro 11, 2010

Quem são mesmo os especuladores?

Já não bastava as medidas de austeridade que começamos a sentir na pele, ainda temos que ouvir falar da subida constante do juro da dívida portuguesa. O juro já ultrapassa os 7% e demonstra a completa inutilidade de todos os sacrifico que nos foram impostos, isto porque brincar com a nossa dívida, continua a ser muito lucrativo para os especuladores. O que não nos é explicado é quem são estes especuladores. Não se pense que são só bancos estrangeiros, a banca portuguesa adquiriu 300 milhões da divida do próprio país e por cada milhão adquirido, exigem o pagamento de 2 milhões dentro de dez anos. Grande negócio à conta dos contribuintes portugueses, que empobrecem a olhos vistos. É espantoso o sentido de solidariedade e a distribuição de sacrifícios, já não basta não pagarem os 25% de imposto que qualquer empresa paga, ainda obtêm lucros milionários à custa do esforço dos restantes contribuintes.

Interessante ainda, é que o Banco Central Europeu também comprou dívida portuguesa. A instituição europeia que devia ter como função auxiliar os estados membros, também especula em torno da nossa divida. Quando podia emprestar dinheiro ao Estado com juros de 1%, o BCE obriga-o a endividar-se junto da banca privada a 7% e ainda tem a falta de vergonha de comprar essa mesma dívida.

É este o sistema que nos pedem para aceitar? É sobre isto que Cavaco Silva fala, quando refere que uma «retórica de ataque às posições dos mercados» é um «erro» para Portugal, que deve trabalhar para «aumentar a competitividade da economia». Para além de pobres, também temos que ser burros e acríticos?

segunda-feira, novembro 01, 2010

Austeridade para tótós




domingo, outubro 31, 2010

"Duas metades do mesmo zero"

É difícil escolher o momento da semana mais merecedor de indignação, se a encenação de um acordo entre PS e PSD, como se o acordo tornasse a nossa situação menos dramática ou dolorosa, se o anuncio do super candidato Cavaco sem o qual estaríamos bem pior, se a dupla Merkel/Sarkozy a retirar democracia à UE. Para já fico-me pela primeira. Da novela do acordo, nada mais há a dizer, para além da vergonha de dois partidos se preocuparem com proveitos eleitorais em vez de se preocuparem com a vida das pessoas, que vão sacrificar com este orçamento. Ideologicamente nada os separa, é a completa ausência de preocupação social. O orçamento continua mau e como existem 500 milhões que iram sair do nosso bolso, bem podemos preparar-nos para piores notícias. Que bem que assenta aqui uma citação de Guerra Junqueiro:

«Dois partidos (…), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)»

O agitar de um telemóvel ou o lamento é de uma foto histórica que ficou por tirar é o desfecho desta triste encenação. O que seria de lamentar é o futuro dos portugueses, que vão lutar por se manter à tona de agua, enquanto lêem as noticias dos lucros de 40% da Jerónimo Martins, da banca ou da acumulação de reformas milionárias, como a do ilustre Sr. Catroga. Deve ser fácil negociar o que não nos toca a nós.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Hipocrisia

Continua a saber-se aos bocadinhos os detalhes da austeridade, agora ficamos a saber que a taxa contributiva dos trabalhadores a recibo verde e com contratos a prazo vai aumentar. Numa coisa realmente o governo é coerente, o ataque aos pobres e desprotegidos é uma constante. Já não basta a precariedade, a inexistência de subsídios de natal, férias ou de doença, a angústia de não saber por quanto tempo terá trabalho e a injustiça de se estar em situação de “falso recibo verde”, acresce um aumento da carga de impostos. Mais uma vez, não se tem em conta a taxa de esforço destes trabalhadores, nem as condições desfavoráveis que já os afectam.

Ao mesmo tempo o governo anuncia quanto vai gastar com o BPN, nada mais, nada menos que 400 milhões, e já não falo no quanto vai gastar em assessoria e em propaganda. É bom que se saiba em nome de quê, se fazem sacrifícios. Em nome do salvamento dos bancos irresponsáveis, é óbvia a injustiça, mas pior é a ironia de estarmos a pagar as mentiras e a propaganda, que nos vão impingir depois, para aceitarmos de ânimo leve os sacrifícios que nos são exigidos. Que é uma injustiça, um assalto até, já percebemos, mas precisava de se revestir de hipocrisia e mesquinhez?

Por falar em hipocrisia, os ministros das finanças da austeridade reúnem-se na UE com o compromisso de eliminar o desemprego em 2020. Parece anedótico que as mesmas pessoas que actualmente estão a impor medidas, que vão atirar milhares para o desemprego, assumam tal compromisso. Se o emprego é fundamental, se calhar assumir esse compromisso já hoje não era má ideia. Reparo ainda nas vozes orgulhosas com o projecto de Edite Estrela, votado no Parlamento Europeu, que aumenta o subsídio de maternidade e paternidade. Nada contra claro, mas digam-me lá se os desempregados beneficiam dessa benesse? E as mulheres que são despedidas ainda grávidas ou melhor que classe média agora pobre, vai pensar em ter filhos sem ter como os sustentar. É pedir muito que se defenda o Estado social, começando pelos direitos mais elementares que estão seriamente em risco? Podem deixar-se de hipocrisia, se faz favor!

sábado, outubro 16, 2010

sexta-feira, outubro 15, 2010

Indecência

À medida que o orçamento vai sendo apresentado, vamos vendo as medidas de austeridade detalhadamente e percebemos como todos os limites para a decência e ética vão sendo ultrapassados. Chega-se à indecência de colocar o IVA de um pacote de leite para crianças, ao nível dos mesmos 23% com que é taxado um fato Armani, que o nosso Primeiro-Ministro tanto gosta. E quem fala no leite, fala nos sumos de fruta, no óleo alimentar e na margarina, nas conservas. Neste país beber um sumo ou comprar uma lata de milho é considerado um luxo. Aliás de acordo com as novas tabelas de IRS e o tecto às deduções fiscais, percebemos que o nosso governo acha que quem ganha 500 euros já é rico e não pode deduzir mais de 119 euros em despesas de saúde e educação. Isto vai para além do inqualificável, toda a gente sabe só a despesa em manuais e material escolar excede este valor. E o que acontece aos encargos com rendas ou empréstimos para habitação, já não cabem neste tecto, portanto é como se não existissem? A resposta é ter os filhos a estudar e ter uma casa também é um luxo neste país! O que não é um luxo neste país é acumular reformas milionárias e salários, isso pode-se continuar a fazer, um individuo com a cunha certa e o partido certo, pode perfeitamente trabalhar alguns anos na direcção de uma instituição de renome e obter uma reforma choruda mesmo que tenha 40 anos. Esta realidade, o estado pode sustentar sem problemas: vamos espoliar os pobres, os doentes, os reformados e os desempregados, mas não toquemos nos nossos amigos, até porque um dia vamos deixar o governo e queremos as mesmas benesses.

Acabei de descrever o que espero seja a percepção imediata das pessoas, perante estas medidas de austeridade. Mas é preciso perceber que há tudo um sistema económico internacional que está aqui subjacente e que permite explicar a imposição destas medidas de austeridade. A lógica é que se pretende que o rendimento do trabalho seja forçosamente ser miserável, para que estados e pessoas precisem de contrair empréstimos para sobreviver, numa espiral de divida. É questão para perguntar quem vende está ideia, a resposta é simples são os bancos centrais independentes, todo um sistema financeiro que ninguém elegeu e cujo negócio é a “dívida”. Seja dos Estados, seja dos cidadãos, o Sistema Financeiro lucra com o endividamento, empresta e recolhe esse crédito com juros elevados. Como nem uns nem outros têm capacidade de pagar essa divida, o sistema financeiro tenta absorver o que a economia produz e que devia ser empregue em investimento, emprego e despesas sociais. O nível de endividamento torna-se insustentável, e os governos insistem em injectar mais dinheiro na Banca. A grande consequência é que a Banca faz lobbie para impor este tipo de politicas, portanto temos as agências de rating em cima dos estados periféricos, a baixar as notações, façam os estados o que fizerem. De forma que a austeridade nunca será suficiente, o que significa que isto só terminará numa espécie de neo-feudalismo em que o cidadão comum não terá qualquer regalia pelo seu trabalho. Será que as pessoas acreditam mesmo que este tipo de medidas são provisórias e que não estamos a caminhar a passos largos para a neo-servidão?

segunda-feira, outubro 11, 2010

Irónico não?

Anunciadas as medidas de austeridade, não se discute a recessão que nos vai atingir. Discute-se se o PSD viabiliza ou não estas medidas, como se elas não fossem o que o PSD pretende. O PS refila e trocam-se acusações de irresponsabilidade. Como se não fosse este Centrão que nos deixou no caos financeiro, PS e PSD arruinaram o nosso aparelho produtivo, permitiram abusos nos gastos públicos para satisfazer as suas clientelas e o resultado é o que se vê. A comunicação social descobre agora, um site que existe há anos, que regista as compras públicas e os ajustes directos. Parece que descobriram agora que a administração pública está cheia de gestores incompetentes que não têm qualquer respeito pelo bem público e pelo dinheiro de todos nós. Mas este esbanjamento e má gestão surpreendem alguém?

Chegamos ao ridículo de ver circulares da PSP, aconselhando a redução da iluminação e do consumo de água, quando adquiram 5 milhões de euros de blindados para a cimeira da NATO. Nota-se que é a racionalidade que caracteriza estes plano de austeridade. Muito racional, foi também, a decisão de deixar cair a acumulação de reformas com salários. Porventura a única medida verdadeiramente justa deste PEC, caí por falta de coragem politica em afrontar elites que beneficiam desta acumulação.

O que já não surpreende é a subida dos preços dos combustíveis, aqui a contenção não se aplica, assim como o lucro que a GALP vai retirando dos poços de petróleo, que vão sendo explorados no Brasil. Os sacrifícios não são para todos e isso também não é novidade. Os sacrificados são os pobres e os doentes, no hipocritamente denominado “2010: Ano europeu consagrado à pobreza e à exclusão social”. Irónico, não?

sábado, outubro 02, 2010

Wishing you were anywhere but here... You watch the life you're living disappear

Wasted hours

All those wasted hours we used to know
Spent the summer staring out the window
The wind it takes you where it wants to go

First they built the road, then they built the town
That's why we're still driving round and round
And all we see
Are kids in buses longing to be free

Wasted hours, before we knew
Where to go, and what to do
Wasted hours, that you made new
And turned into
A life that we can live



Some cities make you lose your head
Endless suburbs stretched out thin and dead
And what was that line you said
Wishing you were anywhere but here
You watch the life you're living disappear
And now I see
We're still kids in buses longing to be free

Wasted hours, before we knew
Where to go, and what to do
Wasted hours, that you made new
And turned into
A life that we can live

Arcade Fire
The Suburbs
2010

sexta-feira, outubro 01, 2010

Porque hoje em dia curar uma úlcera fica muito caro

Fomos recentemente contemplados com mais um pacote de medidas de austeridade do nosso querido governo. Mais uma vez os mais pobres e socialmente carenciados são os mais atingidos, pagando uma factura pesada por anos de gestão pública incompetente, com negócios ruinosos que visam satisfazer clientelas e pelos largos milhares de euros que fogem ao controlo fiscal do Estado. Confesso que até pensei não escrever nada, porque ia repetir uma série de medidas alternativas já indicadas noutros posts, quando o anterior plano de austeridade foi anunciado. Mas quando eu ouço muita gente a concordar com estas medidas, acrescentando que já devia ter sido feito há muito, fico seriamente preocupada. Lá que os Silva Lopes deste país que acumulam reformas milionárias achem estas medidas positivas, até percebo, estas medidas tocam-lhes tanto como um mosquito a picar um elefante. Além disso se as finanças públicas estão como estão, foi por alimentar o tipo de mordomias que estes senhores gozam e de que não abdicam.

O que o cidadão comum tem que perceber é que faz uma taxa maior de esforço para suportar um IVA a 23% e todo este pacote de medidas, do que a Banca faria se pagasse um imposto a 25%, como qualquer comerciante. Recordo que a Banca portuguesa, só em 6 meses obteve lucros de 1.300 milhões de euros, sendo que se regista um aumento de lucro de 12,6% em relação a 2009. Ao passo que o cidadão comum viu o seu salário reduzido e todos os preços a aumentar de uma forma generalizada, enquanto se vê privado dos serviços de educação e saúde, e da protecção social a que tinha direito. Um milionário que desvie dinheiro para offshores, não só tem total impunidade como não tem qualquer prova de rendimentos a apresentar, mas um desempregado, uma mãe para receber o abono de família do filho tem de o fazer? Mas que país é este, que socialismo é este?

Como se tudo isto não fosse grave o suficiente, o governo não se contenta em sacrificar os pobres e avança também para os doentes. Acho que as pessoas ainda não se aperceberam bem, porque a medida ainda não entrou em vigor e tem passado na comunicação social, como um ligeiro aumento. Mas há medicamentos que aumentam mais de 10 euros por embalagem, e no caso de um conhecido medicamento para o estômago o aumento é de 18 euros. Convenientemente o preço vai desaparecer da embalagem, para o choque não ser tão grande. Se não querem ir para a rua manifestar-se ou fazer greve, eu até percebo, mas pelo menos, indignem-se, não digam que estas medidas são boas e que já deviam ter sido tomadas há muito tempo! É uma pura mentira imposta por quem beneficia com a injustiça que vos cai nos ombros. Não sejam ingénuos, nem ignorem, se não podemos fazer muito, podemos pelo menos estar atentos e informados. Podemos partilhar as nossas preocupações com quem não está informado. Desabafem e partilhem a indignação, porque hoje em dia curar uma úlcera fica muito caro!

sábado, setembro 25, 2010

O que tem a doutrina do choque a ver connosco?



Não foi por acaso que postei o vídeo que divulga o livro da “Doutrina do choque” da Naomi Klein. Não é por acaso que somos assolados com o papão do FMI e a recessão. A ideia é mesmo chocar, porque só em choque se aceita abdicar de direitos fundamentais, sem se ver qualquer alternativa. Por isso aceitamos planos de austeridade, perdas e cortes, aumentos de tudo menos do produto do nosso esforço diário, por isso aceitamos filas intermináveis na segurança social para dar provas do que só a nós diz respeito. Não fazemos nada, aceitamos, não há nada a fazer. É um mal necessário? Fomos nós que desviamos milhões para offshores? Fomos nós que não pagamos os nossos impostos? Somos nós que recebemos salários milionários porque temos o amigo A ou a cunha B? Fomos nós que concebemos parecerias publico-privadas ruinosas e obras megalómanas? Não. No entanto aceitamos fazer os sacrifícios, até não haver mais nada a sacrificar. Porque de choque em choque, vão pedir-nos cada vez mais, até dizermos basta. Até percebermos que estamos a ser manipulados, ninguém vai levantar-se e dizer BASTA...

quarta-feira, setembro 22, 2010

"Only a crisis actual or perceived produces real change"?



«Information is shock resistance: arm yourself!»

terça-feira, setembro 14, 2010

Despedir por sms é razão atendível?

Autor anónimo

quarta-feira, setembro 01, 2010

"They say carbon dioxide is pollution, we say it's life"

Eu escrevo muitos posts sobre corrupção e sobre uma certa elite que domina quem nos governa, afastando a democracia do ideal de bem comum, ao ponto de quem me lê já me achar chata. Diria mais, ao ponto de até eu própria achar que me estou a repetir e a ser chata. Mas depois aparecem pérolas como este vídeo, que me prova que a minha insistência tem razão de ser e que se trata de um problema muito sério. Este vídeo é de uma campanha promocional que passou na televisão nacional nos EUA:



É uma completa e aburda distorção da realidade, procurando desmentir o fenómeno do aquecimento global e da própria poluição provocada pelo dióxido de carbono. Sinceramente quando ouvi o que se diz sobre o dióxido de carbono, até pensei que tinha percebido mal. Mas constatei de boca aberta que se diz mesmo que nós precisamos do dióxido de carbono e que o libertamos e as plantas absorvem, como o ciclo normal da natureza. Isto enquanto se refere o futuro das nossas criancinhas, que aparecem a soprar bolhas de sabão... Convenientemente não se diz que com os niveis de poluição que temos e a própria deflorestação, o dióxido de carbono em excesso não é absorvido! Isto é qualquer coisa de tão evidente, que até as crianças aprendem no 1º ciclo... No entanto, o sistema permite que esta campanha passe na TV com a mais pura verdade, manipulando a opinião pública com marketing desonesto.

Porque é que este campanha passa? É muito simples de explicar. Foi concebida por uma organização americana chamada "Competitive Enterprise Institute - Free Markets and Limited Government", que se diverte a contestar o aquecimento global e as políticas ambientais que defendem a reducção de CO2, fazendo lobbie junto dos políticos norte-americanos. Curiosamente é financiada por grandes companhias petroliferas como a Exxon Mobil, que têm muitos milhões a ganhar com a produção de CO2 e muito pouco a ganhar com o futuro do planeta, o clima e o ar que nós respiramos e que as futuras gerações vão herdar... É a isto que a deturpação da democracia chegou, não existe defesa do bem comum, mas sim um sistema ao serviço das elites económicas.

terça-feira, agosto 31, 2010

“O governo corrompe-se pela corrupção, e quando há corrupção na democracia, a corrompida é a democracia”

«À escala internacional, a corrupção atinge hoje, na era da globalização neoliberal, uma dimensão estrutural. A sua prática tem-se banalizado à semelhança de outras formas de criminalidade corruptora: malversação de fundos, manipulação de contratos públicos, abuso de bens sociais, criação e financiamento de empregos fictícios, fraude fiscal, dissimulação de capitais procedentes de actividades ilícitas, etc. Confirma-se assim que a corrupção é um pilar fundamental do capitalismo. O ensaísta Moisés Naím afirma que, nos próximos decénios, “as actividades das redes ilícitas do tráfico global e seus sócios do mundo 'legítimo', seja governamental ou privado, terão muitíssimo mais impacto nas relações internacionais, nas estratégias de desenvolvimento económico, na promoção da democracia, nos negócios, nas finanças, nas migrações, na segurança global; enfim, na guerra e na paz, do que até agora foi habitualmente imaginado".

Segundo o Banco Mundial, a cada ano, no mundo, os fluxos de dinheiro procedentes da corrupção, de actividades ilícitas e da evasão de fundos para os paraísos fiscais atinge a astronómica soma de 1,6 biliões de euros… Desse montante, 250.000 milhões correspondem à fraude fiscal realizada anualmente só na União Europeia. Reinjectados na economia legal, esses milhões permitiriam evitar os actuais planos de austeridade e ajuste que tantos estragos sociais estão a causar.

Nenhum dirigente deve esquecer que a democracia é essencialmente um projecto ético, baseado na virtude e num sistema de valores sociais e morais que dão sentido ao exercício do poder. Afirma José Vidal-Beneyto, no seu livro póstumo e de indispensável leitura, que quando, numa democracia, “as principais forças políticas, em plena harmonia mafiosa, se põem de acordo para trapacear os cidadãos”, produz-se um descrédito da democracia, uma repulsa da política, um aumento da abstenção e, mais perigoso, uma subida da extrema direita. E conclui: “O governo corrompe-se pela corrupção, e quando há corrupção na democracia, a corrompida é a democracia”.»

Ignacio Ramonet in "Le Monde Diplomatique"

sexta-feira, agosto 27, 2010

Lucros modestos


Numa altura em que começamos a sentir o aumento de preços a todos os níveis e o PEC em todo o seu esplendor, surge a noticia que a Banca tem diariamente 7.7 milhões de euros de lucro, só em comissões. Em 6 meses são 1.300 milhões de euros, sendo que se regista um aumento de lucro de 12,6% em relação a 2009. Já não era novidade que os sacrifícios eram só para alguns, agora é preciso esta rédea solta ser tão evidente? É legítimo um só sector, em tempo de crise, absorver tal margem de lucro? Tudo isto enquanto se impõem sacrifícios a sectores debilitados que viram o seu rendimento reduzido… Se a pouca riqueza produzida no país é canalizada desta forma, que crescimento e desenvolvimento social, poderá existir?

quarta-feira, agosto 25, 2010

Fim de férias

quarta-feira, agosto 04, 2010

Encerrado para férias



Vou ali e já volto...


Reabre dentro de algumas semanas!

quarta-feira, julho 28, 2010

Por falar em Constituição...

Estamos a chegar à Silly Season, mas não se pode dizer que exista falta de tema de conversa. Por cá discute-se a Constituição e a nível internacional, ficamos a saber que nos EUA, esse expoente máximo do mundo livre, executou civis sem apelo, nem agravo à margem da lei e dos direitos humanos. Este segundo tema, ficará para um outro post. Falemos do que se passa por cá. Não deixa de ser interessante, que se discuta uma Constituição que já de si não é respeitada. Olhando para os níveis de pobreza e de desemprego que temos, alguém pode afirmar que, as garantias que a Constituição dá aos cidadãos em termos de acesso à saúde e à educação e à protecção do emprego, são cumpridas? Obviamente que não, logo também não pode ser o bode expiatório dos males da economia e da falta de desenvolvimento sustentável do país.

É esta a ideia que o PSD tenta vender, disfarçando mal os verdadeiros interesses de lobbies económicos que tenta salvaguardar. A culpa é da Constituição, claro… e dos seus laivos de socialismo e dos despedimentos por justa causa! Se nós temos os números de desemprego que temos num país em que só se pode despedir por justa causa, imagine-se o que não era com despedimentos por “razão atendível”… Os portugueses estão mesmo a precisar de ficar sem qualquer protecção social, entregues aos caprichos do mercado (ainda mais do que já estão…). Ainda por cima, numa altura em que está mais que demonstrado e provado o que acontecem quando se deixa o marcado entregue a si próprio.

Se os portugueses estivessem minimamente atentos, perceberiam nesta jogada de alteração da Constituição, os interesses perigosos que Passos Coelho alimenta. Iam pensar duas vezes, antes de ver neste PSD uma alternativa de governo. Se existem todos os motivos para não gostar de Sócrates e da forma como desmantela o Estado Social que nos resta, também não se pode reconhecer alternativa naquele que desmantela, demole e distribui os despojos pelos amigos. Deve ser para situações destas, que o povo tem a expressão «Venha o Diabo e escolha!»

quarta-feira, julho 14, 2010

Um vencedor sem prémio milionário porque não joga à bola...

«Today Portugal got its first stage win in the Tour de France since Azevedo helped his US Postal and Discovery Channel team-mates in the 2004 and 2005 time trials. The top six in stage 10 is: 1. Sergio Paulinho (POR) RSH - 179km in 5h10’56" 2. Vasili Kiryienka (BLR) GCE at same time 3. Dries Devenyns (BEL) QST at 1’29" 4. Pierre Rolland (FRA) BTL at 1’29" 5. Mario Aerts (BEL) OLO at 1’29" 6. Maxime Bouet (FRA) ALM at 3’20"»

Não vai receber 700 mil euros, porque não é treinador de futebol, mas fez mais que chegar aos oitavos final de um campeonato do mundo. Ganhou uma dura etapa nos Alpes, na competição velocipédica mais prestigiada do Mundo, depois do trabalho que realizou para os colegas de equipa (entre eles Lance Armstrong) nos dias anteriores. À medalha de prata, soma uma vitória no Tour, algo que só três portugueses tinham conseguido. Não é para qualquer um, sobretudo com a humildade que ele demonstra no final, a pensar na equipa e não nele, e que fazia falta a outros que nos vendem como heróis... isto sim, tem muito de heroíco.


sexta-feira, julho 09, 2010

Austeridade igual a Neoservidão?

Desculpem voltar à carga com as criticas à política de austeridade que nos querem impor à força. Quanto mais artigos acerca de politica económica leio, mais me convenço que estamos a caminhar para uma situação dramática de recessão e regressão democrática. Querem convencer-nos que a austeridade é a via para a prosperidade, implicando cortes na despesa pública e o aumento de impostos, cortando salários e benefícios sociais. É um verdadeiro desmantelamento do Estado social e das garantias conquistadas no passado como o direito à educação, a cuidados de saúde, a apoio no desemprego, na doença e na reforma. Vendem-nos esta ideia como necessária, mesmo contra as vozes de ilustres economistas que eu já tenho citado aqui, (hoje é a vez de Michael Hudson), que alertam para uma lógica auto-destrutiva que atira as economias para a recessão, reduzindo a receita e aumentando o défice cada vez mais.

É questão para perguntar quem vende está ideia, a resposta é simples são os bancos centrais independentes, todo um sistema financeiro que ninguém elegeu e cujo negócio é a “dívida”. Seja dos Estados, seja dos cidadãos, a Banca lucra com o endividamento, empresta e recolhe esse crédito com juros elevados. Como nem uns nem outros têm capacidade de pagar essa divida, o sistema financeiro tenta absorver o que a economia produz e que devia ser empregue em investimento, emprego e despesas sociais. O nível de endividamento torna-se insustentável, e os governos insistem em injectar mais dinheiro na Banca. A grande consequência é que a Banca faz lobbie para impor este tipo de politicas:


As políticas de austeridade são incompatíveis com os valores de equidade e justiça social em que assentam as bases da democracia, desde o séc. XVIII, colocam o próprio regime político em causa. Assim um problema económico, torna-se um problema de legitimidade democrática. O sistema só tem sido aceite porque existe uma manipulação da opinião pública que vende a ideia de pobreza como caminho para a prosperidade:


Até no séc. XVIII era consensual a ideia de que a riqueza devia ser criada pelo trabalho e esforço pessoal, e não pela obtenção de privilégios ou manipulação. Michael Hudson fala de um golpe de estado financeiro ao qual a União Europeia vai sucumbir: