segunda-feira, outubro 06, 2008

Para pensar e questionar...

Zeitgeist é um filme perturbador, que questiona os fundamentos da nossa sociedade, da globalização e do o sistema capitalista. Procura as raízes de problemas tão actuais como a crise financeira e a profunda desigualdade a que estamos sujeitos. Vale a pena ver, nem que seja para discordar. Aqui ficam as 3 primeiras partes:



Parte 1



Parte 2



Parte 3

Inquietante, não? Deixem os vossos comentários, realidade ou teoria da conspiração? Devo postar os próximos episódios? Não se esqueçam de ir ao site do filme e ler a declaração de intenções e os objectivos do projecto. Tenho que pesquisar mais sobre os autores, por isso qualquer ajuda é bem vinda...

PS: Há uma versão legendada em português do primeiro filme... também interessante.



sábado, outubro 04, 2008

Para cidadãos iguais, direitos iguais?

Já falei aqui dos tiques autoritários do Governo PS. Estamos perante mais um exemplo, a imposição de disciplina de voto numa questão dita de consciência (que não sei se o será de facto...), como é a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Até o PSD dá liberdade de voto aos seus deputados... Caramba até nos EUA, os deputados do congresso tiveram liberdade de voto na questão do Plano Paulson, não existiu disciplina de voto para democratas e republicanos.


Este PS está a milhas do socialismo e do que deve ser a democracia. Isto porque um direito que deve ser de todos não está na agenda política do governo e foi trazido à Assembleia por outro partido. É mesquinhez e casmurrice. Nem sequer é uma questão ideológica, aqui ao lado os espanhóis aceitaram muito bem a proposta do PSOE. Em Portugal, perde-se uma boa oportunidade para caminhar no sentido de uma sociedade mais justa e igualitária. Para cidadãos iguais, direitos iguais? Não, não está na agenda do PS...

quinta-feira, outubro 02, 2008

A semana que mudou tudo

É pena que só se consiga ler um artigo bem fundamentado e com soluções concretas para a crise financeira, em inglês e num site pouco divulgado como o Open Democracy. O artigo chama-se "The week that changed everything" e foi escrito por Ann Pettifor, editora do "Real World Economic Outlook". Vale a pena ler o artigo na íntrega, no entanto vou tentar destacar alguns pontos importantes:


A teoria económica neo-liberal tem ignorado o papel da política financeira, enaltecendo a teoria do mercado livre de Friedman e ignorando as teorias Keynesianas. O resultado foi alimentarem três grandes ilusões:


1. As instituições bancárias não são insolventes

2. Permite-se que um receio injustificado de uma inflação alta, fundamente a manutenção de taxas de juro altíssimas, sobretudo quando se caminha para a deflação

3. Não se pensa em políticas economicas globais e a longo prazo


A autora aponta quatro soluções essenciais:

1. À semelhança do que fez Roosevelt nos anos 30, encerrar o sistema bancário para investigar e eliminar todos os produtos financeiros duvidosos, avaliando a verdadeira dimensão dos estragos

2. Fim da política de altas taxas de juro e da obcessão pela inflação para estimular a economia, não se trata de facilitar o crédito, mas torná-lo barato

3. Criar entidade reguladora fiável que represente os interesses de todos e não só os da alta finança

4. Voltar a um sistema de controlo de capitais ao nível internacional, à semelhança do BrettonWoods em 1947


Em suma, não é preciso inventar nada de novo, basta recordar o que foi feito após a Grande Depressão, a chamada era dourado dos mercados financeiros:

«To return to such a golden era, the money-lenders, speculators, and orthodox economists responsible for the gross failures exposed by the week that changed everything must stand aside - so that everything indeed can change, and for the better. »

Vamos ver até que ponto a ortodoxia neo-liberal muda...

quarta-feira, outubro 01, 2008

"Vejo a Rússia da minha casa..."

Correndo o risco de ser acusada de só falar das eleições norte-americanas e na Senhora Palin em particular, cá vai:



E como um não chega, porque há muita matéria-prima, cá vai outro:




Enfim... considerar o facto de «ver a Rússia de casa» como trunfo diplomático, demonstra conhecimentos profundos de política externa... :)))

Ok, já se tornou uma implicância de estimação...

segunda-feira, setembro 29, 2008

Oh my God!!


Cartoon gentilmente surripiado do blog "Cinco Dias"


sexta-feira, setembro 26, 2008

"I love the sound of you walking away..."

Jonh Mccain alega que precisa de um momento para meditar sobre a crise de financeira, evitando assim um debate numa altura em que perde terreno nas sondagens para Obama. Afirma só puder concentrar-se numa tarefa ao mesmo tempo, sabemos das dificuldades do sexo masculino com o multitasking, mas não é preciso exagerar... Muito conveniente, digo eu... Sobretudo se pensarmos, que o próprio McCain no ano passado proferiu numa entrevista: «A economia é algo que consigo compreender tanto quanto possível». Mas ele compreende o suficiente para um Republicano, que é como quem diz, viva o mercado livre e quanto menos Estado melhor.

Ao que parece o senador McCain também tem alguns escândalos financeiros no currículo. Na década de 80, pediu ao Senado que não investigasse o Lincoln Savings and Loan (curiosamente um chorudo contribuinte na sua campanha), que acabou por falir arrastando várias empresas para a bancarrota, com perdas superiores a 100 mil milhões de dólares.

Perante isto, o melhor mesmo é não falar de economia. A não ser que o senhor que fez o exorcismo à senadora Parvin, digo Palin, ainda esteja disponível e exorcize os demónios da economia e do mercado livre...





Notas: O título do post é de uma música chamada "Walk away" dos Franz Ferdinand, album "You could have it so much better" e a fonte da noticia sobre o Lincoln Savings and Loan, é o jornal Metro de hoje.


Adenda: À última hora McCain decidiu comparecer no debate, mas o post já está escrito e não me parece bem apagá-lo... Vamos ver se devia mesmo ter fugido ou não... Terá ido mesmo ao exorcista? Humm...

quarta-feira, setembro 24, 2008

Um Homem na multidão: para V.A.

«(...) A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.

Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas.

Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos. O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.

(...) Agora eu penso no que poderia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.
Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. (...)»

‘O Homem’, em ‘Contos Exemplares’ de Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, setembro 22, 2008

Um projectozinho chamado Edvige

Quase que me passava despercebido o último golpe de Sarkozy nas liberdades e garantias dos cidadãos. Chama-se EdvigeExploração Documental e Valorização de Informação GEral - e é um sistema de ficheiro policial, que integra todo e qualquer individuo maior de 13 anos, que exerça uma função política, sindical, religiosa ou económica. Na prática bastaria uma câmara de vigilância apanhar um cidadão numa manifestação política ou de latinha de grafitti na mão, para um ficheiro com o nome dessa pessoa ser imediatamente aberto no sistema.

E como se isso não fosse já de si incrível, o Sistema pode ser consultado por entidades públicas, e não só, que queiram verificar se um determinado individuo cumpre os requisitos para um determinado serviço ou missão daquela entidade. Isto é uma intervenção numa manifestação ou uma pintura mural aos 13 anos, podem comprometer o futuro profissional da pessoa em causa. Podem ler em pormenor os objectivos do programa, neste blog, que é também a fonte dessa belíssima imagem.

Espantosa ousadia, não? Até a ONU veio criticar o projecto. Felizmente e ao contrário de outros povos mediterrânicos, comodistas e pouco esclarecidos, os franceses mobilizaram-se contra o Edvige e reuniram 140 mil assinaturas em poucos dias através da Internet. Essa mobilização obrigou o executivo de Sarkozy a rever o projecto. Resta saber o que vai permanecer e se os franceses permitem...

E só mais uma observação, e que tal a atenção dada pelos nossos Média a este assunto? Será por acaso? E se seguiram o link para o blog, repararam que o post data de 18 de Julho e que já lamentava o menosprezo da comunicação social francesa pelo tema... Também é por acaso?

Faltam as cenas dos próximos capítulos...

sábado, setembro 20, 2008

Matar saudades...



In: "Seinfeld"


quinta-feira, setembro 18, 2008

Do alto do seu pedestal....


Esta espantosa frase já foi publicada aqui e aqui, mas acho que merece ampla divulgação. Portanto cá fica a peróla proferida por um Juiz de Instrução justificando a aplicação de uma determinada medida coactiva, via Devaneios Desintéricos:

"Auferindo apenas 450 Euros por mês, é meu sério entendimento que a arguida deverá ser alternadeira [sic] uma vez que ninguém sobrevive com semelhante quantia"

O elitismo na sociedade portuguesa e em particular nesta classe profissional, nunca deixa de me espantar. Não sabe o ilustre juiz quanto é o salário mínimo nacional ou quantos milhares de portugueses auferem reformas de 200 euros... Pela lógica, serão "chulos" em part-time?

Já não bastava a completa impunidade profissional, legalmente os juízes não podem ser responsabilizados pelas decisões tomadas, ainda existe um total desconhecimento da realidade social. Insensibilade, alheamento e arrogância... Está bem entregue a justiça portuguesa!


terça-feira, setembro 16, 2008

Uma política financeira afinal pouco perfeita...

Ao que parece estamos perante a pior crise financeira desde 1929. Não sei como um modelo económico tão perfeito pode falhar desta forma. Quero ver como os génios financeiros e demais economistas capitalistas neo-liberais vão descalçar esta bota. Querem ver que a tal teoria do mercado auto-regulado e da ausência de intervenção do Estado, afinal não é assim tão perfeita?


Não me quero alongar muito sobre as origens desta crise financeira, porque já falei disso aqui. O que eu retiro desta situação, é a falência de um modelo económico assente na exploração de muitos para que alguns retirem altos dividendos. Os sectores financeiros que agoram se encontram em dificuldades, enriqueceram à custa da necessidade de crédito por parte das populações, cujos rendimentos não lhes permitem suportar os encargos básicos, nomeadamente a habitação. Ora com salários a estaganar, recessão e desemprego numa sociedade cada vez mais desigualitária as pessoas deixam de ser capazes de pagar os seus empréstimos.

Aparentemente tanto pior para elas, devem ter pensado os génios da alta finança, sem se aperceberem que também seriam afectados pela pobreza e os problemas sociais dos mais pobres e da própria classe média. É impressão minha ou todos estariam bem mais felizes se as populações tivessem rendimentos suficientes para fazer aos seus encargos?

Não posso deixar de recordar o melhor artigo que li sobre este assunto e que comentei há uns meses aqui no blog. Chamava-se "NINJA - no income, no jobs, no assets" e tinha esta frase pungente:

«De facto, o crédito fácil tornou-se o substituto dos salários decentes na América. Já houve tempos em que se trabalhava pelo dinheiro, agora era suposto pagar-se por ele. Já foi suposto ganhar-se o suficiente para se poder comprar uma casa com as poupanças. Agora nunca se ganhará assim tanto, mas como diziam os emprestadores - eh eh - nós temos um crédito para si!»

Não podia ser mais claro... Não só na América, mas no mundo... Esperemos que os génios da finança reconheçam o óbvio e aprendam com os erros. E já que tiveram tanta prontidão em comparar esta crise à de 1929, talvez fosse boa ideia recordar como um senhor chamado Roosevelt, resolveu essa crise com um planozinho chamado New Deal...


sábado, setembro 13, 2008

Uma coisinha muito simpática de se fazer...

O novo relatório da Greenpeace, "Envenando a pobreza" mostra como os EUA e a UE estão a enviar lixo electrónico ilegalmente para países Africanos, como aliás já faziam com a China e a Índia. Depois dezenas de crianças desmontam os componentes deste material obsoleto, ficando sujeitas a contaminações e radiações dos produtos químicos neles contidos. Nos ferro-velhos do Gana trabalham várias crianças, cujos pais em situação de pobreza extrema, enviaram para a cidade em busca de algum dinheiro. Ficam alguns excertos do relatório, via DN online:


"A Greenpeace comprovou que havia crianças a trabalhar no mercado de ferro-velho de Agbogloshie. A maioria tem entre 11 e 18 anos, embora haja algumas com apenas cinco. Muitos foram enviados pelos pais para a capital para ganhar dinheiro" (...) As marcas encontradas no local vão desde a Philips à Nokia, passando pela Siemens, Sony e Microsoft. As etiquetas mostram que são enviadas por várias organizações, como a Den Kongelige Livgarde (Guarda Real dinamarquesa) ou a Agência de Protecção Ambiental dos EUA. Os resíduos electrónicos que têm proveniência europeia vêm quase todos do porto de Amberes - na Bélgica.

As amostras de solo recolhidas no Gana e analisadas por uma equipa de investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, revelaram que há uma contaminação muito perigosa nestas lixeiras electrónicas, onde os materiais são desmontados à mão e sem qualquer protecção. O metal é separado do plástico. O que não presta é queimado a céu aberto.

"As crianças desmontam os resíduos tendo como únicas ferramentas as suas mãos e uma pedra. Eles procuram as partes metálicas, especialmente o alumínio e o cobre, que podem amontar separadamente. Quando queimam os resíduos libertam no ar partículas de pó e vapores, potencialmente tóxicos, que podem penetrar nos pulmões", lê-se no mesmo relatório da Greenpeace.


Realmente não há limites para a exploração económica dos mais fracos, nem ética, nem moral, nem Cartas Fundamentais dos Direitos Humanos. Não bastava o colonialismo do passado, a exploração continua nas suas múltiplas formas, das mais flagrantes às subtis experiências das farmaceúticas e agora, ao "dumping" de lixo electrónico contaminado... Sem dúvida, uma coisinha muito simpática de se fazer... Mais uma... E palpita-me que não será a última...


quinta-feira, setembro 11, 2008

Despachem-se que eu quero saber...

Uma experiência para descobrir o segredo da origem do universo... isto impressiona mesmo. Eu por mim, gostava imenso de saber. Espero que divulgem as conclusões da experiência rapidamente... e já agora que nenhum criaccionista vá sabotar o processo!

Felizmente a Senhora Palin anda muito ocupada com a campanha presidencial... Mas de qualquer forma, eu no lugar do CERN, mantinha a segurança apertada...

terça-feira, setembro 09, 2008

Afinal a injustiça mata mesmo...

A edição portuguesa do "Le Monde Diplomatique" tem um artigo muito interessante sobre as conclusões do Relatório da OMS. Passo a transcrever alguns excertos do artigo e deixo o link para as conclusões da OMS:

«O documento salienta o facto de às desigualdades em matéria de saúde entre países se juntarem as que existem entre ricos e pobres de um mesmo país. Por exemplo, a esperança de vida à nascença de um rapaz norte-americano é superior em dezassete anos à de um indiano, mas a esperança de vida de um recém-nascido escocês de um subúrbio desfavorecido de Glasgow é inferior em vinte e oito anos à de um bebé vindo ao mundo num bairro privilegiado da mesma cidade.

(...) Este documento de 256 páginas lê-se, no fundo, como um requisitório contra as políticas económicas exortadas pelas instituições financeiras internacionais e levadas à prática em numerosos países. Nele faz-se, nomeadamente, a recomendação de se «lutar contra as desigualdades na distribuição do poder, do dinheiro e dos recursos, ou seja, dos factores estruturais de que dependem as condições de vida quotidiana aos níveis mundial, nacional e local».

Ligando saúde e trabalho, os membros da Comissão distanciam-se em particular das preconizações liberais da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): «O pleno emprego, a equidade em matéria de emprego e condições de trabalho decentes devem ser objectivos comuns das instituições internacionais e devem situar-se no centro das políticas e estratégias de desenvolvimento nacionais, devendo os trabalhadores estar mais bem representados aquando da elaboração das políticas, da legislação e dos programas que incidam sobre o emprego e o trabalho». Com efeito, «um trabalho seguro, sem perigo e correctamente remunerado» reduz os factores de risco. Tal como um emprego estável, uma vez que «a mortalidade é sensivelmente mais elevada entre os trabalhadores temporários do que entre os trabalhadores permanentes».


O relatório da OMS recomenda que, para sanar as desigualdades em matéria de saúde e as disparidades nas condições de vida quotidianas, seja instaurada «uma protecção social universal generosa» – funcionando de preferência «por redistribuição» –, bem como investimentos significativos no sector da saúde. Uma tal construção «exige um sector público poderoso, determinado, capaz e suficientemente financiado».


Numa altura em que os governos dos países capitalistas avançados delegam no sector mercantil uma parte cada vez mais importante das actividades de saúde e transferem para as seguradoras privadas segmentos inteiros da cobertura na doença, os autores do estudo recordam que «a saúde não é um bem negociável». O provimento dos bens sociais essenciais, como o acesso à água e aos cuidados de saúde, «deve ser gerido pelo sector público e não pela lei do mercado».


Parece óbvio, mas pelos vistos não é... Talvez pareça mais óbvio se forem os investigadores da OMS a dizê-lo. Nunca é demais falar das consequências da injustiça social, pode ser que um dia os avisos não caíam em saco roto...


domingo, setembro 07, 2008

Por momentos...


Ser feliz por momentos é algo de que não se deve ter vergonha. Momentos que o fim torna ridículos. A felicidade, como o amor, é um sentimento ridículo. Mas a felicidade, como o amor, só é ridícula quando vista de fora. A felicidade, como o amor, só é ridícula antes ou depois de si própria. A felicidade são momentos que, no seu presente fugaz, são mais fortes do que todas as sombras, todos os lugares frios, todos os arrependimentos. Ser feliz em palavras que, durante essa respiração breve, mudam de sentido. E nem a forma do mundo é igual: o sangue tem a forma de luz, as pedras têm a forma de nuvens, os olhos têm a forma de rios, as mãos têm a forma de árvores, os lábios têm a forma de céu, ou de oceano visto da praia, ou de estrela a brilhar com toda a sua força infantil e a iluminar a noite como um coração pequeno de ave ou de criança.



Momentos que o fim torna ridículos. Momentos que fazem viver, esperando por um dia, depois de todas as desilusões, depois de todos os arrependimentos e fracassos, em que se possam viver de novo, para de novo chegar o fim e de novo a esperança e de novo o fim. Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos.


José Luís Peixoto, "Uma casa na escuridão", p. 46-47.



quinta-feira, setembro 04, 2008

Mais um cromo político...


O mundo da política é realmente espantoso e a galeria de cromos que o integram, nunca deixa de nos surpreender. Para a boa imagem da política, muito tem contribuído o Partido Republicano que brindou o mundo com esse espécime (faltam-me adjectivos para o descrever) fabuloso que é George Bush, traz ao mundo mais uma criatura inacreditável: Sarah Palin. Esta senhora consegue reunir os mais nobres valores conservadores republicanos sem escapar nenhum. Senão vejamos, é criaccionista, contrária ao aborto em qualquer circunstância, contra a educação sexual e a favor da abstinência, contra o divórcio, sócia da NRA (aquela espantosa associação pró-uso e porte de armas), defende a indústria petrolífera e acha que a guerra no Iraque é um desígnio divino:


"Pray for our military men and women who are striving to do what is right. Also, for this country, that our leaders, our national leaders, are sending [U.S. soldiers] out on a task that is from God," she exhorted the congregants. "That's what we have to make sure that we're praying for, that there is a plan and that that plan is God's plan.(…) "I think God's will has to be done in unifying people and companies to get that gas line built, so pray for that."


Cartoon de Adam Zyglis


Ao que parece, tem ainda uns esqueletos no armário por ter pertencido a um partido pró-independência do Alasca e ter mandado demitir o ex-cunhado recentemente divorciado da irmã, por alegadamente ser mau marido. O que eu achei mais curioso, é que ela surgiu ao lado da filha adolescente grávida, será uma jogada «eu sou tão pró-vida que obrigo a minha filha adolescente a casar e a ter a criança» ou «a inexistência de educação sexual e a abstinência só resultam com os filhos dos outros»? A chatice da ideologia conservadora é que acaba por redundar na hipocrisia…


Tudo isto leva-me a questionar a estratégia de McCain. Claro, que ele não agrada por aí além ao sector ultra-conservador e a Senhora Palin, conquista-os de certeza. Mas esse eleitorado nunca votaria Obama, com ou sem Palin ao lado de McCain. Já o “efeito Palin” no eleitorado volátil e moderado, deve ser desastroso. Tanto melhor para Obama e quiçá, para o mundo, porque esta senhora perto da presidência dos EUA, seria no mínimo preocupante.



terça-feira, setembro 02, 2008

"Mad as hell"




Excerto do filme "Network" (1976)

domingo, agosto 31, 2008

"An open letter to God" by Michael Moore


Dear God,

The other night, the Rev. James Dobson's ministry asked all believers to pray for a storm on Thursday night so that the Obama acceptance speech outdoors in Denver would have to be cancelled.


I see that You have answered Rev. Dobson's prayers -- except the storm You have sent to earth is not over Denver, but on its way to New Orleans! In fact, You have scheduled it to hit Louisiana at exactly the moment that George W. Bush is to deliver his speech at the Republican National Convention.


Now, heavenly Father, we all know You have a great sense of humor and impeccable timing. To send a hurricane on the third anniversary of the Katrina disaster AND right at the beginning of the Republican Convention was, at first blush, a stroke of divine irony. I don't blame You, I know You're angry that the Republicans tried to blame YOU for Katrina by calling it an "Act of God" -- when the truth was that the hurricane itself caused few casualties in New Orleans. Over a thousand people died because of the mistakes and neglect caused by humans, not You.


(...) But now it appears that You haven't been having just a little fun with Bush & Co. It appears that Hurricane Gustav is truly heading to New Orleans and the Gulf coast. We hear You, O Lord, loud and clear, just as we did when Rev. Falwell said You made 9/11 happen because of all those gays and abortions. We beseech You, O Merciful One, not to punish us again as Pat Robertson said You did by giving us Katrina because of America's "wholesale slaughter of unborn children." His sentiments were echoed by other Republicans in 2005.


So this is my plea to you: Don't do this to Louisiana again. The Republicans got your message.

(...) So please God, let the storm die out at sea. It's done enough damage already. If you do this one favor for me, I promise not to invoke your name again. I'll leave that to the followers of Rev. Dobson and to those gathering this week in St. Paul.


Your faithful servant and former seminarian,


Michael Moore


Nota: Este excerto foi retirado da Newsletter de Michael Moore, se alguém quiser assinar a mailing list, pode fazê-lo aqui.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Da onda mediática à paranóia

É só de mim ou esta onda mediática em torno da criminalidade, já se tornou paranóia? O Moita Flores já não sai do estúdio da SIC, vem o Sr. Presidente dizer que é uma coisa muito séria e a Polícia monta uma operação de propaganda com direito a helicópteros com holofotes e tudo. Com tanto mediatismo, os ladrões até regressam de férias mais cedo e vão cometer um crimezinho, que apareça logo no telejornal…Até o José Magalhães vem para a SIC Notícias dizer que o governo deve sobrepor-se aos tribunais para manter a ordem, o que eu acho o máximo vindo do deputado, que nos governos PSD era o paladino das liberdades e garantias dos cidadãos. Como se não bastasse, até o novo partido MMS, vem dizer que se encare o uso de armas pela polícia, sem tabus. E com isto tudo, lá vêm as declarações do cidadão comum que queria era ter uma arma nas mãos, pois claro…


No meio da paranóia passa despercebida a nova lei da Segurança Interna, que permite ao Secretário-Geral da Segurança Interna, conhecer detalhes de investigação criminal e da vida privada dos cidadãos. Está em causa a separação dos poderes político e judicial, mas se isso prejudica a democracia e as liberdades cívicas já é um facto secundário. Promulgado foi também o diploma do chip electrónico automóvel. Para cúmulo vamos ser obrigados a colocar chips nos nossos carros, pagos do nosso bolso para sermos mais controladinhos ainda. O que segue legalização do porte de armas, chips implantados nos nossos bracinhos? Não nos chega a recessão e a crise social como motivo de preocupação?


Não posso deixar de associar tudo isto, ao que parece ser o novo “modus operandi” dos governos democráticos na usurpação de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Primeiro alarma-se a população através dos média, instala-se o medo e a insegurança e depois em nome do combate à criminalidade e da segurança, ataca-se o direito à privacidade e por aí fora… Os EUA e o Reino Unido fizeram-no a pretexto da ameaça terrorista, não justifica, mas é um pretexto mais ou menos válido. Agora nós? Em Portugal? Não sofremos atentados terroristas, somos o país com a menor taxa de criminalidade da Europa. Não há justificação, só o ridículo mesmo…


Adenda ao post: Sobre este tema vale a pena ler aqui, a análise genial do Baptista-Bastos.


terça-feira, agosto 26, 2008

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.



De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill


domingo, agosto 24, 2008

A lenta retirada russa

Cartoon de John Sherffius

sábado, agosto 23, 2008

Update pós-férias


Regresso de férias e digo para mim, então vamos lá ver como isto está…

Não é que há uma onda de criminalidade do país e eu não me dei conta? A ver pelos telejornais, estou a aguardar que a qualquer momento o Socrátes declare o estado de sítio e o recolher obrigatório, antes mesmo que Paulo Portas, à la Berlusconi, exija o patrulhamento das cidades pelo exército. Das causas do aumento da criminalidade não se fala, recordar aos portugueses a grave crise económica e social do país em que vivem, isso sim seria inconveniente.


Para além da criminalidade, está muito em voga bater nos atletas olímpicos, os preguiçosos que foram à China passear. Realmente não há limites para a ignorância e a mesquinhez da mentalidade portuguesa. Então um país que investe zero em desporto escolar e outras modalidades que não o futebol, espera que meia-dúzia de alminhas esforçadas tragam medalhas? Condenam-se pessoas que no seu tempo livre, do seu bolso, sabe-se lá em que condições, empenharam-se ao ponto de conseguirem os mínimos olímpicos?

É mau demais, vindo de pessoas que nem sequer assistem ou apoiam outra modalidade que não o futebol. Eu por mim, fico estou muito orgulhosa de todo o trabalho destes atletas e sinto-me obrigada a pedir desculpa por este tipo de críticas.


A tragédia do voo da Spainair e em menor escala o acidente na linha da Tua, só me levam a perguntar se tudo isto não se evitaria, se a redução de custos económicos não fosse mais importante que a segurança dos cidadãos. Agora vamos esperar por resultados de comissões de inquérito, cujo resultado provavelmente não vamos chegar a conhecer…


Reparo que a situação no Cáucaso já passou para ultimo plano. O drama dos refugiados já não é notícia. A Rússia não saí da Geórgia e não há instituição ou entidade internacional que a obrigue a desmobilizar. Basicamente os inocentes cidadãos estão reféns dos caprichos imperialistas ou militaristas de detentores de poder, que os têm como marionetas e não como seres humanos. E obviamente, não há Nações Unidas ou qualquer outra instituição que proteja os seus direitos.


Fim de revista… Lá se vai a tranquilidade das férias, não há atitude Zen que resista…

quinta-feira, agosto 21, 2008

Back...

E então, foi assim:



E acabou... Chuifff....

terça-feira, agosto 12, 2008

Time out


Uma semaninha de férias para descansar, espero que quando voltar a Guerra no Cacáuso tenha terminado... Caso contrário cá estaremos para desancar a Rússia de Putin e Medved, e os restantes senhores que jogam xadrez político com a vida das pessoas!
.
Até já!!

domingo, agosto 10, 2008

Não estamos em Maio, mas estamos em Agosto...



In "Contemporâneos"

sábado, agosto 09, 2008

E assim, começa mais uma guerra...

Enquanto estávamos todos distraídos com os sequestradores do BES e com a abertura dos jogos olímpicos, começa uma guerra. Uma guerra passada para ultimo plano pelas nossas televisões, como se um sequestro pudesse ser mais importante que a morte de 1600 inocentes só nas primeiras horas deste conflito.


Bem que gostava de escrever um post que explicasse a situação da Ossétia do Sul e o conflito entre a Geórgia e a Rússia, mas não tenho informação suficiente para o fazer. Os meus conhecimentos de geopolítica no Cáucaso são limitados. Mas uma coisa eu sei, o estatuto indefinido da Ossétia da Sul, entalada entre Geórgia e Rússia era um barril de pólvora à espera de explodir. Mais um conflito que as Nações Unidas não conseguiram evitar.

Outro facto evidente é que uma Rússia afrontada, dificilmente irá ceder seja no que for. A Geórgia conta com o apoio declarado dos EUA, mas até onde irá esse apoio não se sabe. O Presidente da Geórgia parece-me persistente, hiperactivo como é descrito num artigo no Nytimes, não me parece estar muito preocupado com os cidadãos do seu país. Com velhos ressentimentos dos tempos da guerra fria a despontar, sei o suficiente para temer o pior...

Como sempre, sofrem os inocentes que não têm para onde fugir...

quinta-feira, agosto 07, 2008

Viva um Estado militar e sem imigrantes

Nunca percebi bem, porque é que os italianos continuam a eleger Berlusconi como governante. Há coisas que pura e simplesmente nos escapam, como o segredo para a felicidade ou o sentido da vida. O senhor usa o poder para obter impunidade e não ser julgado pelos crimes de corrupção, que alegremente foi cometendo. E os italianos não parecem importar-se. A justiça não o incomoda, mas os ciganos e os imigrantes sim. Curiosamente a mafia também não o incomoda.

As minorias foram inventariadas e etiquetadas, centros de apoio aos imigrantes foram encerrados. Como se isso não fosse pouco, 3 mil militares estão nas ruas a vigiar não se sabe bem o quê e a inspirar segurança não se sabe muito bem a quem. Talvez a Itália tenha recebido alguma ameaça de guerra, que desconhecemos. Chegou-se ao ponto de proibir o ajuntamento de 3 ou mais pessoas na pacata cidade de Novara. Eu ia adorar não poder passear com os amigos ou a família, porque sei lá, poderiamos provocar um motim...

Talvez seja impressão minha ou há aqui direitos e garantias individuais dos cidadãos a serem espezinhados? Deve ser impressão minha, porque dos grandes líderes da comunidade internacional, ninguém se pronunciou. Mas não posso ser injusta, as agências de viagens italianas pronunciaram-se contra estas medidas, assustar os turistas é um bocado chato para quem vive das receitas do turismo...

terça-feira, agosto 05, 2008

Cartas a uma ditadura

«Uma centena de cartas, escritas por mulheres portuguesas, em 1958, foram encontradas por acaso num alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor. Respondem a uma circular enviada por um misterioso movimento de apoio à ditadura do qual não há referência nos livros de história. A circular a que respondiam nunca chegou a ser encontrada mas, pelas cartas que temos em mãos, percebe-se que era um convite para que as mulheres se mobilizassem em nome da paz, da ordem, e sobretudo em defesa do salvador da pátria: Salazar.

Em todas as cartas, estas mulheres falam da gratidão e da admiração que têm pelo ditador. Mas, como se a necessidade de falar fosse mais forte, por entre chavões e frases feitas, surgem por vezes o medo, a tristeza, o isolamento em que se vivia em Portugal nos anos 50. Uma costureira, muitas professoras primárias, donas de casa, algumas esposas de homens importantes do regime assinam as cartas.

Ao confrontar, hoje, estas mulheres com os fantasmas do passado, e graças a um material de arquivo inédito, Cartas a uma Ditadura é um mergulho perturbador no obscurantismo que dominou Portugal por mais de 50 anos.»





"Cartas a uma ditadura" - um filme de Inês de Medeiros


Vale a pena ver este documentário. Perceber o que se pensava na altura, perdura ainda hoje na cabeça destas mulheres. A moralidade atávica de uma senhora de bem que persuadiu a esposa de um dos empregados do seu marido, a voltar para casa, pois tinha abandonado o lar só porque o marido era alcóolico. Ainda hoje a senhora de bem, recorda com orgulho o que fez por essa família, porque a mulher tem de suportar tudo e não abandona o marido. Foi a Sintra de propósito buscar a esposa depravada. E com que orgulho e sentido de missão...


E essa coisa das democracias? Custou 100 mil contos a uma das senhoras de bem, que perdeu a sua indústria. E as desigualdades e as pessoas que morriam de fome? Não era bem assim... ajudavam-se essas pessoas nuns eventos de caridadezinha. As familias pobrezinhas em fila, as crianças... para receberem dois bolinhos e uma roupinha. E assim se vive ainda hoje de consciência tranquila!

domingo, agosto 03, 2008

Magalhães ou Classmate PC?

Temos sido bombardeados nos últimos dias, com uma enorme propaganda em torno do primeiro portátil português. O resultado do choque tecnológico, uma inovação totalmente tuga. Mais de 10 minutos do Jornal de sábado na RTP1 a falar de tal proeza... Só se esqueceram de nos informar que o Magalhães, mais não é que uma versão criada para o mercado português do Classmate PC, anunciado pela Intel há 4 meses atrás. Aliás este tipo de portátil, mais pequeno, resistente e barato já tinha sido lançado na Índia e na Inglaterra, com os nomes de MiLeap X e JumpPC. Também já existia há alguns anos, um projecto denominado “One Laptop per child” para dotar os países em desenvolvimento deste tipo de equipamento.


Não acho nada mal a ideia do portátil para crianças, mais barato e acessível. Não tentem é fazer dos portugueses idiotas, vendendo a ideia de choque tecnológico ou de inovação técnica portuguesa, quando a tecnologia não é nossa e o que existiu aqui mais não foi que uma parceria comercial. O mais irritante tique do governo Sócrates, a propaganda mediática, mais uma vez aqui em todo o seu esplendor... Enquanto isso os problemas fundamentais do país, não só não se resolvem, como se agravam...

sábado, agosto 02, 2008

Things you should know by now...

I'm so glad I've found this
I'm so glad I did
I'm so glad I've found this
I'm so glad I did

People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
People are fragile things, you should know by now
You'll speak when you're spoken to

It breaks when you don't force it
It breaks when you don't try
It breaks if you don't force it
It breaks if you don't try



Editors "Munich"

People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
People are fragile things, you should know by now

You'll speak when you're spoken to
With one hand you calm me
With one hand I'm still
With one hand you calm me
With one hand I'm still

People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
People are fragile things, you should know by now
You'll speak when you're spoken to

Ahhhhhhhhhhhh

You'll speak when you're spoken to
You'll speak when you're spoken to
He'll speak when he's spoken to
She'll speak when she's spoken to