terça-feira, novembro 25, 2008

Atentado à liberdade de expressão

O blogger DissidenteX recebeu esta notificação, porque escreveu alguns posts em que denunciava situações evidentes de incompetência e negligência no Hospital Amadora-Sintra. Todos os posts que escreveu visando o Amadora-Sintra, foram fundamentados até com documentação do próprio Hospital, não eram caluniosos ou injuriosos. Além disso, o Amadora-Sintra é publicamente conhecido pela má gestão e por vários casos graves de negligência médica (Façam o favor de me processar também…). Realmente parece que batemos no fundo, já não há liberdade de expressão e direito à crítica ou à indignação.



Para além de divulgar este escândalo e mostrar a minha solidariedade, peço a todos os leitores que façam o mesmo, está em causa a liberdade de expressão e a própria blogosfera enquanto espaço livre de intervenção cívica. Muitas vezes demonstrei preocupação com a progressiva perda de direitos e garantias, com a censura e com as ameaças à nossa liberdade de nos fazermos ouvir e de intervir na sociedade.

Este caso demonstra que as minhas preocupações fazem todo o sentido... Chegamos a isto, temos que lutar pelo direito à indignação e pelo exercício desse direito na blogosfera!



segunda-feira, novembro 24, 2008

Pequenas diferenças


Chegou-me por mail, não faço ideia quem foi o autor... Mas que é uma pessoa perspicaz, parece indiscutível...

terça-feira, novembro 18, 2008

Temos gaffe ou será um caso de "fugiu-lhe a boca para a verdade"?

A líder do PSD acha que suspender a democracia por 6 meses, era muito positivo:



Suspender a democracia e porque não? Só quem não se lembra desta Senhora no poder, é que pode ficar surpreendido. Tiques autoritários nunca lhe faltaram... Nunca me esqueci quando o Fernado Rosas disse num debate, que ela parecia um Salazar de saias... Nota-se! É tal a convicção que até se esqueceu do politicamente correcto...

É esta a alternativa ao vendedor da Vobis? Estamos bonitos, estamos...

sábado, novembro 15, 2008

Ainda a avaliação dos Professores

Os Professores voltaram a sair à rua, em mais uma impressionante manifestação contra a Ministra da Educação. Vale a pena ouvir o que os Professores contam que se está a passar nas escolas. Tenho ouvido muitas críticas da opinião pública, dizendo que os Professores não querem é ser avaliados como os restantes funcionários, o que me parece injusto.

Os Professores querem ser avaliados, não querem é ser mal avaliados. E se um Professor de Matemática vai avaliar um Professor de Biologia, não é isso que acontece? Colegas avaliados por colegas, que eventualmente disputam a mesma classificação num apertado regime de cotas? Não parece que estes factos possam conduzir a avaliações justas e isentas. Para já não falar das centenas de fichas e grelhas de avaliação, que os Professores passam horas a preencher, quando deviam estar a preparar aulas... Fiquei pasmada, quando uma Professora do ensino básico me contou que é ela que preenche o formulário online de 5 páginas, para pedir o Magalhães, para cada um dos seus alunos e um dos itens a referir é o seu próprio NIB??

O próprio Primeiro-Ministro disse que os Professores nunca antes tinham sido avaliados, o que é escandaloso. Para serem profissionalizados, os Professores passam por um ano de estágio, com dezenas de aulas assistidas por mais que um Professor, todo o material pedagógico produzido é visto e revisto, assim como todas as actividades realizadas. Claro que há Professores não profissionalizados, mas tomar o todo pela parte, é tudo menos justo.

Gostava de saber como iam reagir alunos e pais, se fossem avaliados desta forma?


Fonte da imagem: Blog "We have kaos in the garden"

terça-feira, novembro 11, 2008

A procura

As palavras nítidas só me pertencem
depois da partida.


Oferecem a sua pulsação
como o mar diante da terra.




Na sua ausência,
as pessoais certezas,
os afectos que me salvariam
acrescentam-se
aos objectos que esqueci,

Preciso da sua claridade imprevisível.
Preciso de alguém
que me devolva
cada poema que escrevi.


Joel Henriques

In "A claridade" - Editora Casa do Sul.


Espero que o sucesso da poesia do Joel seja proporcional ao seu talento!


quarta-feira, novembro 05, 2008

«Yes, we can!!» Can we, really?

E Obama é mesmo o novo presidente dos EUA! Confesso que depois dos ferozes ataques da campanha republicana que apelidavam Obama de socialista e distribuidor da riqueza, comecei a duvidar da vitória do Democrata. Os americanos têm uma alergia terrível à palavra socialismo, ou melhor tinham... Esta mudança de mentalidade é o que mais salta à vista nesta eleição. A mobilização dos eleitores demonstra uma genuína vontade de mudança. As pessoas perceberam as falhas do regime e exigem que a democracia signifique definitivamente direitos para todos.

A bola agora está do lado de Obama. Vai cumprir o que prometeu? Será tão bom governante como orador? As pessoas precisam de acreditar, sem dúvida. «Yes, we can!!» Can we, really? Pergunto eu... Obama será o heroi ou a fraude desta geração? Eu queria acreditar na mudança e o mundo também, mas são precisas mais que palavras.

Para já, deixem-nos acreditar que podemos...

sábado, novembro 01, 2008

Perdeu-se um excelente agente de vendas...

Eu não sei onde a Vobis e a Chip7 vão recrutar, mas eu sugeria o Palácio de S. Bento. José Socrátes seguia a sua vocação e os portugueses agradeciam. Evitava-se o vexame internacional de um governante vendedor de computadores. Bem, não teriamos o prazer de ver os sorrisos trocistas dos ministros de outros países a olhar de soslaio para o nosso Primeiro., enquanto este explica que todos os seus acessores utilizam o Magalhães (Yeah, right... coff, coff...). Mas por muito que se goste de gozar e ver ser gozado o Eng.º Socrátes, é a imagem do país que também saí prejudicada.

Por isso, empresas vendedoras de material informático, não deixem escapar este talento. Recrutem hoje! Este senhor até faz belas metáforas com a personagem do Tintim, alargando o segmento de clientes a todas as idades. Se não está aqui um génio de vendas, não sei onde está... Claro que os ministros estrangeiros não levaram nenhum Magalhães para casa... Será porque o Primeiro-Ministro falou de um computador ibero-americano, que na verdade tem componentes e software americanos e que já foi comercializado antes como Classmate PC...

Mas enfim, não é este pormenor que lhe retira o talento de vendas. Toda a gente sabe que um bom vendedor, usa sempre uma mentirinha, não é? Infelizmente para todos os portugueses, ganhou-se um Primeiro-Ministro e perdeu-se um excelente agente de vendas...

terça-feira, outubro 28, 2008

Labirinto

«... Acabamos por nos envaidecer com subentendidos que afinal mudam tudo, como um sinal negativo colocado discretamente à frente de uma soma; esmeramo-nos, neste ou naquele passo, em fazer de uma palavra mais audaciosa o equivalente a uma piscadela de olho, ao levantar da parra, ou ao descer da máscara, logo a seguir reposta, como se nadafosse. Opera-se então uma triagem entre os nossos leitores; os parvos acreditam em nós; outros supondo-se mais néscios que eles, repudiam-nos; os que ficam, aprendem a desenvencilhar-se no meio do labirinto, a saltar e a contornar os obstáculos da mentira.»


Marguerite Yourcenar, "A obra ao negro", Ed. D. Quixote, p. 88.


sábado, outubro 25, 2008

Nobreza de atitude

«Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.

A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.


Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.»


Ricardo Araújo Pereira, "Boca do Inferno", Visão de 23/10/2008.


quinta-feira, outubro 23, 2008

Tapa-sonhos


Se alguém tem dúvidas acerca de quem poderia, alguma vez, lembrar-se de fotografar a filosofia de pacote de um iogurte "Danone"... sim, fui eu que tirei a fotografia... :))

Eu sabia que alguma coisa me boicotava os sonhos... agora que era uma tampa de iogurte!!

Ou não... ou não...




segunda-feira, outubro 20, 2008

8 meses, 32 mulheres vítimas de violência doméstica



A propósito da Marcha Mundial das Mulheres, nunca é demais lembrar que em Portugal, e só de Janeiro a Agosto, morreram 32 mulheres vítimas de violência doméstica. Os abrigos da UMAR (União das Mulheres - Alternativa e Resposta) estão constantemente superlotados. São o único refúgio para as mulheres que sem autonomia financeira e sem qualquer protecção, se vêem obrigadas a abandonar a própria casa.

As mulheres continuam a auferir os salários mais baixos, são as mais afectadas pelo trabalho precário e pelo desemprego. São também as mulheres que mais se ocupam das tarefas domésticas e da educação das crianças.

Mais que um problema político, esta é sem dúvida uma questão de mentalidades, que é urgente mudar. Integrar a questão da igualdade de género e o problema da violência doméstica na disciplina de cidadania é um passo importante.

sábado, outubro 18, 2008

"Supercapitalism"... ora nem mais




Entrevista a Robert Reich, "The Daily Show with Jon Stewart", 16-10-2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

Erradicar a pobreza até dia 19


Está a decorrer uma iniciativa até domingo, denominada "Levanta-te e actua". Sendo a pobreza um problema dramático, que cresce de dimensão a cada dia que passa, considero positiva qualquer iniciativa que promova o activismo e que alerte para a gravidade deste flagelo. Ninguém pode dizer que não conhece os factos:

«980 milhões de pessoas vivem com menos de 75 cêntimos por dia e quase metade da população mundial (2,8 mil milhões) vive com menos de 1,5 € por dia.

Mais de 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome todos os dias... 300 milhões delas são crianças. Desses 300 milhões de crianças, apenas 8% são vítimas de secas ou outras situações de emergência; mais de 90% sofre de má nutrição de longo prazo e deficiências de micronutrientes.

A cada ano, seis milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completarem cinco anos de idade»


Até soa a cliché, mas atrás destes números estão seres humanos e pessoas reais marcadas pela angústia e pelo sofrimento. Muitas caminham ao nosso lado e nem as vemos. Elas são uma das razões de muitos dos posts deste blog. É por eles que eu critico o sistema e sugiro tomadas de posição. Não basta levantarmo-nos. É preciso mudar comportamentos todos os dias do ano, não só de 17 a 19 de Outubro.

É preciso que quem hoje se levanta, perceba como pode lutar contra o sistema no seu dia-a-dia. É preciso que não sejam coniventes com aqueles que têm milhões para salvar banqueiros, mas que nada fazem para resolver a questão da fome e da pobreza. Temos recursos suficientes para que ninguém morra de fome e possa sobreviver sem carências. Há é que perceber quem é que não quer ver esta evidência e porquê. E que tal aquelas 6 medidas que referi no post anterior, para começar?

quarta-feira, outubro 15, 2008

Ainda o "Zeitgeist" e a procura de alternativas


Numa altura em que se questiona, ou pelo menos devia questionar-se o sistema capitalista, parece-me importante voltar a falar do documentário "Zeitgeist: adendum". As duas horas de filme podem dissuadir até os mais curiosos, por isso vou sistematizar as principais questões que o filme aborda. Mais uma vez, refiro que encaro o filme com algum cepticismo e com espírito crítico, mas existem factos pertinentes que vale a pena analisar.

A parte inicial do documentário aborda o sistema financeiro e a forma como se gera lucro, através de taxas de juro, sem que realmente exista liquidez. Assim se cria um estado de dívida permanente que mantém os cidadãos reféns do sistema, numa nova forma de escravatura. O estado de dívida permanente também mantém uma subserviência dos países pobres relativamente aos países ricos. É analisada a forma como o FMI e o Banco Mundial, impõem aos países subdesenvolvidos politicas que os endividam ainda mais e comprometem o seu desenvolvimento e os seus recursos naturais. São abordados os casos dos países sul-americanos, do Irão e do Iraque e a forma com os EUA ingeriram na política interna destes países para garantir a sua supremacia económica.

Denuncia-se a forma como a lógica da persecução do lucro, gera corrupção e falta de ética, colocando o bem-estar da população sempre em último lugar. Apesar do progresso tecnológico, é o estado de escassez, pobreza e dívida permanente que gera lucro, logo é mantido, mesmo sendo contrário ao bem-estar geral.

A última parte e talvez a mais interessante, é a alternativa ao sistema capitalista, uma economia baseada em recursos e em tecnologia, e não no sistema financeiro, no dinheiro, no crédito e na dívida. Aposta-se na educação, cultura e investigação e na utilização racional dos recursos naturais, energias renováveis e avanço tecnológico, alterando culturas e mentalidades. É o que defendem os membros do "The Venus Project", que são entrevistados durante o filme e cujas propostas podem ser consultadas em pormenor no site.

Para mim é interessante verificar que existem pessoas mais utópicas que eu. Mas reconheço a importância destas propostas e confesso que adoraria viver numa sociedade assim organizada. O caminho para lá chegar é que não está bem esclarecido. O que se propõe é que a mudança está na atitude individual, mas será suficiente? Dão-se exemplos concretos de comportamentos facilitadores da mudança:

1. Expor as grandes instituições financeiras, boicotando os seus produtos financeiros como créditos e acções

2. Boicotar as principais cadeias noticiosas, procurando agências noticiosas livres e independentes, procurando defender a informação e a liberdade de expressão que se consegue através da Internet

3. Boicotar as instituições militares

4. Procurar a auto-suficiência energética, contradiando sobretudo as grandes companhias petrolíferas

5. Rejeitar o sistema político, devido à relação dúbia que existe entre lobbies económicos e governantes

6. Divulgar o que tem sido descrito junto de outros, procurando alertar consciências

Eu como utópica que sou, não posso deixar de concordar com estes seis pontos, caso contrário nem teria blog... Acho que a ideia fundamental é que mudar o sistema, começa por mudar a mentalidade. Mesmo tendo reservas em relação ao Venus Project, não sei o que os move, nem quem os financia, não podia deixar de divulgar o que me parece ser um excelente ponto de partida para questionar o actual sistema e pensar em alternativas.

segunda-feira, outubro 13, 2008

"There is no democracy"




Excerto do filme "The Network" (1976)

«There are no nations, there are no people (…) There is no democracy, there is no America. There is only IBM and ITT and Exxon, and those are the nations of the world today. The world is a college of corporations inexorably ruled by the laws of business. The world is business.»


sábado, outubro 11, 2008

Socialismo para os ricos, capitalismo selvagem para os pobres

Ignacio Ramonet sobre a Crise financeira, no "Le Monde Diplomatique":

«Prova do fracasso do sistema, tais intervenções do Estado – as maiores, em volume, da história económica – demonstram que os mercados não podem regular-se eles próprios. Os mercados destruíram-se por força da sua própria voracidade. Além disso, confirma-se assim uma lei do cinismo neoliberal: os lucros privatizam-se, mas socializam-se os prejuízos. Faz-se pagar aos pobres as excentricidades irracionais dos banqueiros, vendo-se os primeiros ameaçados, caso se neguem a pagar, com um empobrecimento ainda maior.


As autoridades norte-americanas correm a salvar os «banksters» («banqueiros gangsters») à custa dos cidadãos. Há meses, o presidente Bush negou-se a assinar uma lei que dava cobertura médica a nove milhões de crianças pobres, lei essa que teria o custo de 4 mil milhões de euros. Considerou isso um gasto inútil. Agora, para salvar os rufiões de Wall Street, nada lhe parece suficiente. Socialismo para os ricos, capitalismo selvagem para os pobres.


Este desastre acontece na altura em que há um vazio teórico nas esquerdas. Que não têm nenhum «plano B» para tirar proveito do descalabro. Em particular as da Europa, imobilizadas pelo choque da crise. Quando seria tempo de refundação e de audácia.


Quanto tempo irá durar esta crise? «Vinte anos, se tivermos sorte, menos de dez se as autoridades actuarem com mão firme», vaticinou o editorialista neoliberal Martin Wolf. Se existisse uma lógica política, este contexto deveria favorecer a eleição do democrata Barack Obama (se não for assassinado) para a presidência dos Estados Unidos, no próximo dia 4 de Novembro. É provável que o jovem presidente, como fez Franklin D. Roosevelt em 1930, lance um novo «New Deal» baseado num neokeynesianismo, confirmando o regresso do Estado à esfera económica. E trazendo por fim maior justiça social aos cidadãos. Caminhar-se-á assim rumo a um novo Bretton Woods. E a etapa mais selvagem e irracional da globalização neoliberal terá terminado.»


Será que termina mesmo? Já estive mais optimista... Atirar o dinheiro dos contribuintes para a banca, é bem mais fácil que mudar o sistema... O que é preocupante é que a esquerda não parece ter um plano B, infelizmente...


quarta-feira, outubro 08, 2008

Para pensar e questionar... II

Reparei que o "Zeitgeist adendum" está dividido em 13 partes. Para não sobrecarregar o blog de posts sobre o documentário, deixo o vídeo do filme na íntegra:

terça-feira, outubro 07, 2008

Não é giro questionar o evidente?

Hoje é um dia curioso. Um Estado pode ir à falência, e ainda por cima a Islândia. Parece que não se deve confiar demasiado no mercado, agora é tarde... E o pessoal começa a pensar se não deve levantar o dinheirito do banco, uma vez que os islandeses já não podem. Os Ministros vêm dar garantias. O Vítor Constâncio apela a que não se ouçam boatos. Eu não estaria preocupada com boatos, se fosse dona da Mota Engil e me chamasse Jorge Coelho. Ah... "friends in high places". Até estaria a chorar a rir, se fosse administradora do Leman Brothers e tivesse sido despedida por incompetência com milhões de dólares de indemnização, antes que a bomba da falência rebentasse.

Pois é, há sempre quem ganhe com a desgraça dos outros. E há sempre uns casmurros que não baixam as taxas de juro. Com a desgraça alheia vão ganhando também as petrolíferas, nem com estudos que demonstram práticas ilegais, as coisas mudam. Quando nem as evidências claras levam à mudança, como podemos esperar dias melhores?

Adenda: Será que posso usar activos tóxicos para pagar as minhas contas?


segunda-feira, outubro 06, 2008

Para pensar e questionar...

Zeitgeist é um filme perturbador, que questiona os fundamentos da nossa sociedade, da globalização e do o sistema capitalista. Procura as raízes de problemas tão actuais como a crise financeira e a profunda desigualdade a que estamos sujeitos. Vale a pena ver, nem que seja para discordar. Aqui ficam as 3 primeiras partes:



Parte 1



Parte 2



Parte 3

Inquietante, não? Deixem os vossos comentários, realidade ou teoria da conspiração? Devo postar os próximos episódios? Não se esqueçam de ir ao site do filme e ler a declaração de intenções e os objectivos do projecto. Tenho que pesquisar mais sobre os autores, por isso qualquer ajuda é bem vinda...

PS: Há uma versão legendada em português do primeiro filme... também interessante.



sábado, outubro 04, 2008

Para cidadãos iguais, direitos iguais?

Já falei aqui dos tiques autoritários do Governo PS. Estamos perante mais um exemplo, a imposição de disciplina de voto numa questão dita de consciência (que não sei se o será de facto...), como é a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Até o PSD dá liberdade de voto aos seus deputados... Caramba até nos EUA, os deputados do congresso tiveram liberdade de voto na questão do Plano Paulson, não existiu disciplina de voto para democratas e republicanos.


Este PS está a milhas do socialismo e do que deve ser a democracia. Isto porque um direito que deve ser de todos não está na agenda política do governo e foi trazido à Assembleia por outro partido. É mesquinhez e casmurrice. Nem sequer é uma questão ideológica, aqui ao lado os espanhóis aceitaram muito bem a proposta do PSOE. Em Portugal, perde-se uma boa oportunidade para caminhar no sentido de uma sociedade mais justa e igualitária. Para cidadãos iguais, direitos iguais? Não, não está na agenda do PS...

quinta-feira, outubro 02, 2008

A semana que mudou tudo

É pena que só se consiga ler um artigo bem fundamentado e com soluções concretas para a crise financeira, em inglês e num site pouco divulgado como o Open Democracy. O artigo chama-se "The week that changed everything" e foi escrito por Ann Pettifor, editora do "Real World Economic Outlook". Vale a pena ler o artigo na íntrega, no entanto vou tentar destacar alguns pontos importantes:


A teoria económica neo-liberal tem ignorado o papel da política financeira, enaltecendo a teoria do mercado livre de Friedman e ignorando as teorias Keynesianas. O resultado foi alimentarem três grandes ilusões:


1. As instituições bancárias não são insolventes

2. Permite-se que um receio injustificado de uma inflação alta, fundamente a manutenção de taxas de juro altíssimas, sobretudo quando se caminha para a deflação

3. Não se pensa em políticas economicas globais e a longo prazo


A autora aponta quatro soluções essenciais:

1. À semelhança do que fez Roosevelt nos anos 30, encerrar o sistema bancário para investigar e eliminar todos os produtos financeiros duvidosos, avaliando a verdadeira dimensão dos estragos

2. Fim da política de altas taxas de juro e da obcessão pela inflação para estimular a economia, não se trata de facilitar o crédito, mas torná-lo barato

3. Criar entidade reguladora fiável que represente os interesses de todos e não só os da alta finança

4. Voltar a um sistema de controlo de capitais ao nível internacional, à semelhança do BrettonWoods em 1947


Em suma, não é preciso inventar nada de novo, basta recordar o que foi feito após a Grande Depressão, a chamada era dourado dos mercados financeiros:

«To return to such a golden era, the money-lenders, speculators, and orthodox economists responsible for the gross failures exposed by the week that changed everything must stand aside - so that everything indeed can change, and for the better. »

Vamos ver até que ponto a ortodoxia neo-liberal muda...

quarta-feira, outubro 01, 2008

"Vejo a Rússia da minha casa..."

Correndo o risco de ser acusada de só falar das eleições norte-americanas e na Senhora Palin em particular, cá vai:



E como um não chega, porque há muita matéria-prima, cá vai outro:




Enfim... considerar o facto de «ver a Rússia de casa» como trunfo diplomático, demonstra conhecimentos profundos de política externa... :)))

Ok, já se tornou uma implicância de estimação...

segunda-feira, setembro 29, 2008

Oh my God!!


Cartoon gentilmente surripiado do blog "Cinco Dias"


sexta-feira, setembro 26, 2008

"I love the sound of you walking away..."

Jonh Mccain alega que precisa de um momento para meditar sobre a crise de financeira, evitando assim um debate numa altura em que perde terreno nas sondagens para Obama. Afirma só puder concentrar-se numa tarefa ao mesmo tempo, sabemos das dificuldades do sexo masculino com o multitasking, mas não é preciso exagerar... Muito conveniente, digo eu... Sobretudo se pensarmos, que o próprio McCain no ano passado proferiu numa entrevista: «A economia é algo que consigo compreender tanto quanto possível». Mas ele compreende o suficiente para um Republicano, que é como quem diz, viva o mercado livre e quanto menos Estado melhor.

Ao que parece o senador McCain também tem alguns escândalos financeiros no currículo. Na década de 80, pediu ao Senado que não investigasse o Lincoln Savings and Loan (curiosamente um chorudo contribuinte na sua campanha), que acabou por falir arrastando várias empresas para a bancarrota, com perdas superiores a 100 mil milhões de dólares.

Perante isto, o melhor mesmo é não falar de economia. A não ser que o senhor que fez o exorcismo à senadora Parvin, digo Palin, ainda esteja disponível e exorcize os demónios da economia e do mercado livre...





Notas: O título do post é de uma música chamada "Walk away" dos Franz Ferdinand, album "You could have it so much better" e a fonte da noticia sobre o Lincoln Savings and Loan, é o jornal Metro de hoje.


Adenda: À última hora McCain decidiu comparecer no debate, mas o post já está escrito e não me parece bem apagá-lo... Vamos ver se devia mesmo ter fugido ou não... Terá ido mesmo ao exorcista? Humm...

quarta-feira, setembro 24, 2008

Um Homem na multidão: para V.A.

«(...) A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.

Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas.

Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos. O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.

(...) Agora eu penso no que poderia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.
Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. (...)»

‘O Homem’, em ‘Contos Exemplares’ de Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, setembro 22, 2008

Um projectozinho chamado Edvige

Quase que me passava despercebido o último golpe de Sarkozy nas liberdades e garantias dos cidadãos. Chama-se EdvigeExploração Documental e Valorização de Informação GEral - e é um sistema de ficheiro policial, que integra todo e qualquer individuo maior de 13 anos, que exerça uma função política, sindical, religiosa ou económica. Na prática bastaria uma câmara de vigilância apanhar um cidadão numa manifestação política ou de latinha de grafitti na mão, para um ficheiro com o nome dessa pessoa ser imediatamente aberto no sistema.

E como se isso não fosse já de si incrível, o Sistema pode ser consultado por entidades públicas, e não só, que queiram verificar se um determinado individuo cumpre os requisitos para um determinado serviço ou missão daquela entidade. Isto é uma intervenção numa manifestação ou uma pintura mural aos 13 anos, podem comprometer o futuro profissional da pessoa em causa. Podem ler em pormenor os objectivos do programa, neste blog, que é também a fonte dessa belíssima imagem.

Espantosa ousadia, não? Até a ONU veio criticar o projecto. Felizmente e ao contrário de outros povos mediterrânicos, comodistas e pouco esclarecidos, os franceses mobilizaram-se contra o Edvige e reuniram 140 mil assinaturas em poucos dias através da Internet. Essa mobilização obrigou o executivo de Sarkozy a rever o projecto. Resta saber o que vai permanecer e se os franceses permitem...

E só mais uma observação, e que tal a atenção dada pelos nossos Média a este assunto? Será por acaso? E se seguiram o link para o blog, repararam que o post data de 18 de Julho e que já lamentava o menosprezo da comunicação social francesa pelo tema... Também é por acaso?

Faltam as cenas dos próximos capítulos...

sábado, setembro 20, 2008

Matar saudades...



In: "Seinfeld"


quinta-feira, setembro 18, 2008

Do alto do seu pedestal....


Esta espantosa frase já foi publicada aqui e aqui, mas acho que merece ampla divulgação. Portanto cá fica a peróla proferida por um Juiz de Instrução justificando a aplicação de uma determinada medida coactiva, via Devaneios Desintéricos:

"Auferindo apenas 450 Euros por mês, é meu sério entendimento que a arguida deverá ser alternadeira [sic] uma vez que ninguém sobrevive com semelhante quantia"

O elitismo na sociedade portuguesa e em particular nesta classe profissional, nunca deixa de me espantar. Não sabe o ilustre juiz quanto é o salário mínimo nacional ou quantos milhares de portugueses auferem reformas de 200 euros... Pela lógica, serão "chulos" em part-time?

Já não bastava a completa impunidade profissional, legalmente os juízes não podem ser responsabilizados pelas decisões tomadas, ainda existe um total desconhecimento da realidade social. Insensibilade, alheamento e arrogância... Está bem entregue a justiça portuguesa!