sexta-feira, dezembro 29, 2006

Feliz ano novo

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Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).



Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

A todos os meus leitores, comentadores e amigos, um grande 2007!!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

O ano de 2006 revisitado

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Habituei-me a chegar ao final do ano e a olhar para trás, tento perceber se o ano que termina me marcou de alguma forma. Vejo como a minha memória é selectiva. Recordo imediatamente um facto mau, a perda da minha amiga cuja falta continuo a sentir. Procuro alguma coisa de positivo, as pessoas novas na minha vida, espaços novos, mudanças...

Assaltam-me as incertezas, as inseguranças, as perdas, as desilusões, as palavras que não deviam ter sido ditas. Mas há o meu blog, que bem me fez o meu blog, as minhas palavras neste cantinho e as pessoas que me leram, que bem me soube cruzar o meu caminho com o delas... Até as reticências que espalhei por aqui me fazem sorrir, os acesos debates, os 34 comentários...

E no mundo, tanta coisa me inquietou e quero escolher o que mais me impressionou. É difícil, tento lembrar-me... Na minha mente as minhas músicas preferidas, as minhas séries preferidas, o filme que mais gostei, o que vi acontecer.... Aqui fica o ano de 2006, revisto pela minha memória subjectiva e selectiva:

A música
“First impressions of the earth” – The Strokes
“Black holes and revelations” – Muse
“Meds” – Placebo

O livro
“Antídoto” – José Luís Peixoto

O poema
“Nada sabemos” - Amália Bautista
“To Helena” – Ruy Belo

O filme
“Children of Men” – Alfredo Cuáron

A série
“Lost”
“Six feet under”

Preocupante…
Darfur, Iraque, Líbano... perante a passividade da ONU
Um politico que não olha a meios para eliminar adversários políticos
Um ditador condenado à morte, enquanto outros conhecem a impunidade
Medo em saquinhos de plástico no aeroporto
Aquele que poderia ter uma voz activa a nível mundial, prefere a intolerância ao diálogo e ao apaziguamento

Por cá, não menos preocupante…
Um governo socialista de direita
Agrava-se o fosso entre ricos e pobres
Os mesmos de sempre pagam a crise enquanto a banca e as grandes empresas têm lucros extraordinários
Entre o desemprego e a precaridade, escolhe-se a emigração
O olhar triste daqueles que deixaram de acreditar que o próximo ano será melhor

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz NATAL!!!

Para os meus excelentíssimos, infatigáveis, deslumbrantes, maravilhosos leitores e comentadores, os votos de um natal muito feliz!!!



Aqui fica o meu pequeno gesto:

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

quarta-feira, dezembro 20, 2006

"It’s the season to be jolly, falala,la,la,la..."

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Será que o Natal é mesmo sinónimo de alegria? Salvo raras excepções, não vejo sorrisos nos rostos das pessoas. O Natal está de tal forma associado ao materialismo, que só vem lembrar-nos do que não temos e que socialmente deveríamos ter. A sociedade consumista associa a felicidade, a uma panóplia de bens que é suposto termos, independentemente do facto de necessitarmos deles ou não.

E o que acontece às pessoas que não têm essa panóplia de bens, não se sentem inferiorizadas, esmagadas por uma realidade que os ultrapassa? Neste sentido o Natal esta a incutir alegria ou complexo de inferioridade? E o que dizer das caras sorridentes das pessoas que esperam e desesperam nas intermináveis filas de transito, junto aos centros comerciais? Alegria estampada também, na cara das super-donas de casa que passam o fim-de-semana natalício a cozinhar para 20 e tal pessoas, metade das quais nem queriam lá em casa...

Até o próprio conceito de passar o natal em família, é doloroso para as pessoas que por qualquer motivo se encontram sós. O imperativo social do Natal em família, não é psicologicamente tormentoso para quem tem de enfrentar a solidão? Para estas pessoas, o Natal acaba por ser uma quadra muito infeliz.

Esta análise pode dar a entender que não há um resquício de espírito natalício em mim. Não é verdade, eu gosto do Natal, não gosto é do que a nossa sociedade fez ao Natal. Gosto de ver um sorriso na cara das pessoas, quando se sentem felizes e agradecidas porque se lembraram delas. Dar é bom, é gratificante. Quando esquecemos estes sorrisos e a oferta é só uma hipocrisia ou uma troca de favores, não é Natal.

Eu quero um Natal diferente, o Natal dos pequenos gestos que façam as pessoas felizes!!

terça-feira, dezembro 19, 2006

"Schoolyard Tree"

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Foto de Rodney Graham
Vancouver 2002

sábado, dezembro 16, 2006

Pessoas complexas...

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Stacy: Hey!

House: Hi.

Stacy [stands up]: I'm going to talk to Mark tonight. And I'm going to stay here with you. [smiles and looks nervous]

House: DOn't do it.

Stacy: This isn't funny Greg.

House: I know.

Stacy [smile fades]: You... spent all these months chasing me. Now I'm here and you start running? What the hell changed?

House: Nothing. Nothing changes. I'm not going to change.

Stacy: Who asked you to?

House: Mark is willing to do whatever it takes. I'm not. Never was.

Stacy: Oh, now you're introspective? WEren't so analytical the other night.

House: You were happy with Mark. You'll be happy again.

Stacy: Shut up about Mark. What the hell's wrong with you?

House: I can't make you happy!

Stacy: What?

House: How do you think this is gonna end? We'll be happy for what? A few weeks, few months. And then I'll say something insensitive, or I'll start ignoring you. And at first it'll be okay. It's just House being House. And then at some point, you will need something more. You'll need someone who can give you something I can't. [Stacy sighs.] You know I"m right. I've been there before.

Stacy: Oh. Oh. It doesn't have to be.

House: It does. It does. [they sigh] I dont' want to go there again. I'm sorry, Stacy. [He leaves, and she exhales forcefully]



[cut to roof, Wilson finds House there, sitting on the wall]

Wilson: What did you tell her?

House: I told her she's better off without me.

Wilson: Huh. That's probably true.

[House takes out Vicodin and pops a couple]

Wilson: You're an idiot. You don't think she'd be better off without you.

House: Right. I sent her off on a whim.

Wilson: You have no idea why you sent her off. [House climbs down off the wall]

House: Don't do this.

Wilson: This was no great sacrifice! You sent her away because you've got to be miserable.

House [turning on him]: That kind of psycho-crap help get your patients through the long nights? Or is it just for you? Tough love make you feel good? Helping people feel their pain?

Wilson: You don't like yourself. But you do admire yourself. It's all you've got, so you cling to it. You're so afraid if you change, you'll lose what makes you special. Being miserable doesn't make you better than anybody else, House. It just makes you miserable. [he leaves]

END

"House MD", season two, episódio 211.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Parece-me apropriado...

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Corrupt
You're corrupt
Bring corruption to all that you touch
Hold
You behold
And be
holden for all that you've done
And spin
Cast a spell
Cast a spell on the country you run
And risk
You will risk
You will risk all their lives and their souls

And burn
You will burn
You will burn in hell, yeah you'll burn in hell
You'll burn in hell
Yeah you'll burn in hell
For your sins



And our freedom's consuming itself
What we've become
It's contrary to what we want

Take a bow

Death
You bring death, and destruction to all that you touch
Pay
You must pay
You must pay for your crimes against the earth
Yeah hex
Feed the hex
Feed the hex on the country you love

Now beg
You will beg
You will beg for their lives and their souls

Now burn
You will burn
You will burn in hell, yeah you'll burn in hell
You'll burn in hell
Yeah you'll burn in hell
You'll burn in hell
Yeah you'll burn in hell
For your sins

Muse
"Take A Bow"
Album Black holes and revelations (2006)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Humanidade, convicções e impunidade

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Chama-se “Children of Men” (“Os Filhos do homem”) de Alfonso Cuarón e mostra a debilidade da condição humana e das nossas convicções. A humanidade em 2027 debate-se com o problema da infertilidade e possível extinção, caindo num estado de total anarquia. É impressionante ver que as pessoas passeiam as suas vidinhas pacatas indiferentes às jaulas onde estão seres humanos como eles, só porque são emigrantes ilegais... e o grupo de activistas que luta contra esta situação, também acaba por abdicar das suas convicções.

Este filme explora a fraqueza da condição humana e a desculpabilização dos actos que hostilizam e excluem uma maioria, para que alguns eleitos mantenham os seus privilégios. A condição humana surge-nos em toda a sua complexidade. Todo o tipo de actos hediondos vão sendo cometidos e admitidos.

O filme é um excelente pretexto para discutir até que ponto o ser humano, abdica de toda a ética em situações extremas. A impunidade que vemos hoje em dia na nossa sociedade, assume em 2027 ainda maior protagonismo. Se hoje a nossa sociedade globalizada admite que se ganhem 342 milhões de euros com o tráfico de seres humanos, ou que 2% da população detenham 50% da riqueza mundial... será assim tão descabido que no futuro, milhares de emigrantes permaneçam enjaulados, perante a passividade daqueles que têm o privilegio de uma vida confortável?

E nós, o que faríamos? Escolhíamos uma vidinha confortável? Será que nos juntávamos ao grupo terrorista que reage à situação dos emigrantes, mas que compromete os seus próprios ideais, quando os fins justificam os meios? É muito cómodo e ingénuo, pensar que faríamos o que está certo... Parece-me que ninguém pode dizer com segurança, até que ponto se mantém fiel às suas convicções em situações limite. É uma questão que coloco a mim própria muitas vezes e sobre a qual só consigo especular.


«He who fights with monsters might take care lest he thereby become a monster. And if you gaze for long into an abyss, the abyss gazes also into you.»


Friedrich Nietzsche

domingo, dezembro 10, 2006

Esperança

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DEZ RÉIS DE ESPERANÇA

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, não bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão

sexta-feira, dezembro 08, 2006

É o que se chama "integrar"...

Ricky Gervais

domingo, dezembro 03, 2006

Democracia, conhecimento e estupidificação

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«As ditaduras opõem-se ao progresso do conhecimento em geral e ao das ciências humanas em particular. Não há investigação, avanço no domínio científico sem discussão, troca de ideias, imaginação sem entraves, elaboração livre de modelos etc. o que supõe necessariamente liberdade de pensamento, de trabalho e de opinião –tudo o que a ditadura reprime por principio. (…)

Porque continua a haver um certo divorcio entre conhecimento e democracia e, mais especificamente entre, conhecimento da democracia e prática democrática. (…) Um diagnóstico sumário é bastante para pôr em evidência o divórcio parcial, ainda existente no nosso país, entre conhecimento e democracia:

A ausência de um espaço de transmissão horizontal e vertical de conhecimentos no campo social. Horizontalmente, traduz-se pela falta de canais de comunicação entre os membros de uma comunidade científica, por exemplo. Verticalmente pela falta de mediações entre camadas sociais que permitam que o conhecimento especializado seja filtrado, traduzido em termos simples («vulgarizado»), transmitido e sedimentado na cultura «geral» popular. Por várias razões, esse espaço não existe em Portugal.»

José Gil, "Portugal e o medo de existir", p. 36-38.

Será que 40 anos de ditadura se inscreveram de forma tão dura na mentalidade portuguesa, que ainda hoje não sabemos discutir, trocar ideias, pensar livremente. Por isso somos tão conformistas, nunca estamos bem, vamos andando e isso é o natural. Vamos aceitando o que nos impingem, não nos permitimos querer mais, querer alguma coisa diferente, melhor?

Estupidificamos? Não temos acesso ao conhecimento, porque não há um espaço de mediação, em que o conhecimento seja filtrado, isto é, que se torne acessível ao comum dos mortais. O que se passa é que existe uma camada social da população que está excluida socialmente à partida e que não reune as ferramentas cognitivas para lutar contra a estupidificação.

A mim pessoalmente preocupam-me estas vítimas de um processo de inclusão socio-cultural que nunca foi feito. Podemos questionar se existirá vontade política para encetar esse processo de inclusão... Até aí, continuaremos a estupidificar, mas não há problema, vamos andando…

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia Mundial da Luta contra a Sida

World AIDS Campaign PSA


A propósito de SIDA, este testemunho tocante e dramático, publicado hoje no DN:
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«Não sabe de quando data a infecção. Só sabe que quando há cinco anos mais os tais quatro meses estava de férias no Alentejo come-çou com febres altas que não passavam. Foi ao hospital, fizeram-lhe análises e mandaram-na tomar aspirina e consultar o médico de família. Resolveu antes "ir para a terra", a ver se a mudança de ares funcionava. "Encontrei lá um doutor amigo e ele examinou-me, apalpou-me debaixo dos braços e nas virilhas e escreveu uma carta à minha médica de família. Disse-me: 'Espero que não seja o que eu estou a pensar'."
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Era. "A médica disse que era preciso fazer análises a tudo e perguntou-me se não me importava de fazer as do HIV também. E acusou. Depois disse-me que ficou um fim-de-semana inteiro às voltas sem saber como me dizer. Quando finalmente me deu a notícia fiquei em choque. Até que ela disse: 'Está a olhar para mim e não diz nada?' Aí desatei num pranto."A seguir, mandou chamar o marido. "Só lhe disse: estragaste a tua vida e a da tua mulher. E ele: 'O que é que eu fiz? É impossível."
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O rosto de Ana segura-se na dureza para não derrapar. "Vê bem com quem andaste", respondi-lhe. Sabe que ele nunca me pediu perdão? Nunca directamente. Até negou, nos primeiros dias. Depois já não dizia que sim nem que não. Não aceita conversação sobre isso." Suspira. O seu grande anseio, confessa, é que o marido fosse franco com ela." Mas não consegue olhar para mim cara a cara.
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(...) "Ele foi infiel muitas vezes e eu sabia. Temos uma intuição, não é? Naqueles dias em que ele nem me deixava dar-lhe um beijo, rejeitava-me, percebia logo que se passava alguma coisa. E no início, depois de ter o meu primeiro filho, ele saiu de casa durante um mês. Tive um esgotamento nervoso, fiquei toda partida por dentro. Uma vizinha viu-me naquele estado e disse-me: 'Quando ele voltar, nunca lhe pergunte por onde ele andou. Dói muito, mas tem de ser'.
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"Tinha de ser? "Nunca pensei que fosse possível fazê-lo mudar, confrontá-lo. Entreguei-me menina a ele, com 19 anos. Nunca tive outro homem. Nem sei se queria ter tido, o amor por ele é muito grande." Ainda? "Ainda." E ele, ama-a? "A mim não me diz, nunca. Mas diz a outras pessoas que é a coisa que mais adora." Suspira, faz silêncio. "Às vezes acho que não, que está comigo porque precisa de mim."
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Um longo caminho a percorrer na luta contra a SIDA e um longo caminho a percorrer pelas mulheres na luta pelos seus direitos e pela sua dignidade...

terça-feira, novembro 28, 2006

E o eleitor, tem voto na matéria?


Sinto-me indignada com o afastamento de Luísa Mesquita das comissões parlamentares que integrava - de Educação e de Negócios Estrangeiros, por ter recusado o pedido do partido para renunciar ao mandato de deputada. Enquanto eleitora do distrito de Santarém, pergunto-me que direito tem o PCP de afastar uma deputada eleita democraticamente. Já nem falo no profissionalismo e na competência que lhe é reconhecida no exercício da sua actividade, sobretudo na área da educação.

Dizem os constitucionalistas que é ilegal, mas isso, não impediu o PCP de afastar Luísa Mesquita. Que eu saiba segundo a Constituição, «o deputado é livre de exercer o seu mandato segundo a sua consciência», sem estar dependente de qualquer organização política. No entanto, o PCP, pede aos seus deputados que assinem uma declaração, em que aceitam colocar o seu lugar à disposição se a direcção o entender. Porquê?

Subscrevo inteiramente o que se diz no blog Arrastão sobre este tema:

Um deputado pode fazer o que entender com o seu mandato. Pode votar como entender, pode obedecer ou pode desobedecer ao seu partido. Pode ficar, pode ir embora. Pode ceder o seu lugar a outro. Podemos discordar ou concordar, mas no fim é o detentor do seu mandato que decide. E responde por isso. Esta é a única garantia que temos, enquanto eleitores, que é no Parlamento que o Parlamento se decide. É pequena a garantia, mas é a que sobra. O que não é aceitável é que quem não está no Parlamento e não foi eleito pelo voto se julgue dono dos lugares dos eleitos.

Sendo eu de esquerda, entristece-me que no PCP persistam estes tiques autoritários, e quem pense diferente seja politicamente afastado, independentemente da sua competência. Não percebo porque se promove a unanimidade, a obediência cega, a ausência de debate interno. A liberdade de expressão já não é um valor fundamental para quem se diz de esquerda?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Avalanche publicitária natalícia

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Cartoon de Plantu

domingo, novembro 26, 2006

Morreu Mário Cesariny

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Lembra-te
.

Lembra-te

que todos os momentos

que nos coroaram

todas as estradas

radiosas que abrimos

irão achando sem fim

seu ansioso lugar

seu botão de florir

o horizonte

e que dessa procura

extenuante e precisa

não teremos sinal

senão o de saber

que irá por onde fomos

um para o outro

vividos
 

"O operário" Mário Cesariny, 1947


Os meus poemas preferidos de Cesariny, já postados nestes blog, aqui e aqui.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Carrossel Dos Esquisitos

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Sou mais um no carrossel dos esquisitos
gente feia a girar
não é bonito?
juntos vamos celebrar
esta nossa palidez
que não dá p’ra disfarçar

como abutres no céu
são quase lindos
dois feiosos a rodar
gritando e rindo
são aberrações no ar
oh meu querido
fecha os olhos p’ra me beijar
que o mundo vai-se acabar




menos p’ra ti e p’ra mim
enquanto eu não te olhar
de tão perto assim
p’ra não me assustar

se uma bomba nuclear
tem a sua beleza
gente feia tem também
nem mesmo mata ninguém
que não mereça sim
morrer por ser ruim
por fazer sofrer
quem me quer assim

sobramos só nós dois
ninguém p’ra comparar
o nosso bolo de arroz
com champanhe e caviar

"Carrossel Dos Esquisitos" - Clã
John Ulhoa e Hélder Gonçalves

Nota: Felizmente para mim, os esquisitos são mais que dois, por isso não tenho de andar no carrossel sozinha... é que não é lá muito divertido...

terça-feira, novembro 21, 2006

Selecção natural das espécies


Pela primeira vez, neste blog: a vida selvagem. Imaginem um maravilhoso e impressionante ecossistema, denominado “concurso externo de ingresso para provimento de um lugar de …”. Impressionante porque este ecossistema conseguiu subverter todo o processo de selecção natural das espécies, como nós o conhecemos. Porque na realidade de externo, não tem nada. Toda a gente sabe que assim é, no entanto a comunidade científica continua a apelidá-lo de “concurso externo de ingresso para provimento de um lugar de …”, em vez de “concurso externo de ingresso para quem já está a contrato há 3 anos…” ou se quiséssemos ser precisos: “concurso externo de ingresso para o primo do irmão do sr. presidente…”.

Assim, devidamente reconhecido pela comunidade científica, este ecossistema é habitado por pequenas espécies incautas que na sua luta pela sobrevivência, acreditam tratar-se efectivamente de um “concurso externo de ingresso para provimento de um lugar de …”. Estes espécimes chegam a deslocar-se 200, 400 km e às vezes mais, para depois verificarem que mais não são que um objecto fundamental à reprodução do próprio ecossistema.


Segundo a comunidade científica, a selecção natural não se faz, se existir uma só espécie no ecossistema, logo existe um processo claro e transparente, em que, de entre inúmeros espécimes, só o mais capaz sobrevive. Quando na realidade, só uma espécie irá tirar partido deste ecossistema e já foi seleccionada à partida.


A selecção natural no ecossistema “concurso externo de ingresso para provimento de um lugar de …” é uma farsa a que toda a comunidade científica assiste impávida e serena. Deixemos a hipocrisia imperar e continuemos a brincar com a vida dos espécimes que alimentam este ecossistema.

domingo, novembro 19, 2006

sábado, novembro 18, 2006

Acabei de adoptar um gatinho!

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Nas minhas navegações pela net, descobri que se podem ter animais de estimação num blog, site pessoal ou myspace. O que é que isso tem de útil? Nada! Ajuda alguma organização de defesa dos animais? Não! Incentiva as pessoas a adoptar um animalzinho a sério? Talvez! Leva a um aumento do sentimento de respeito pelos animais e ao fim dos maus tratos e abandonos? Sem dúvida! Sem dúvida, este é o argumento que eu dou a mim própria para ter aqui o gatinho. Não é por ele brincar, saltar do cesto, comer, abanar a patinha... Não é por ser mesmo queridinho e muito, muito giro! Não que isso era muito de gaja, aqui não, estamos sempre a pensar num mundo melhor... e também temos consciência social!

E sem mais conversa inócua e vazia, eis a criatura em questão, o Dreamer:



adopt your own virtual pet!



Ele vai ficar hospedado neste blog, para já neste post, depois ficará na barra lateral. Qualquer visitante pode ir lá brincar com ele, basta andar com o rato à volta dele. Se clicarem em "more", podem até dar-lhe de comer. Isto pressupõe que venham cá todos os dias, para o bichinho não morrer de fome... ;)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Capricórnio a seus pés

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A noite transforma os sons, os gestos e as palavras. Os sons que pontilham aquilo que ouço seriam iguais, aos que durante o dia, se misturam uns com os outros. No entanto, aqui, são únicos e nocturnos. Os gestos são únicos e nocturnos. Quase em silêncio, digo: amor. Diante de mim essa palavra existe durante muito tempo na noite, entre os sons, entre os gestos. Existo eu e existem as paredes da casa. A solidão. Reflectida pelo espelho, começo a despir-me. (...) No espelho, a minha barriga, o meu peito e os meus ombros são como estivessem em carne viva. Tu nunca saberás que sou um monstro. A ternura e o desejo não são suficientes para vencer aquilo que é invencível.

Como o veneno, como Capricórnio, como o Inverno, suporto o segredo do que descubro sozinha. A pele do meu peito transparente, demasiado fina, é como os meus olhos a mostrarem tudo o que escondo. Eu sou um monstro. Como o veneno, como Capricórnio, como o Inverno, o meu caminho é inevitável. Eu sou um monstro. Nunca ninguém me passará os dedos pelos ombros. Os lábios. Nunca ninguém me fará carícias nos seios. Beijos. Eu sou um monstro. No meu quarto, neste quarto, continuarei a esperar que adormeça antes de me despir. Tu continuarás longe a imaginar-me sem entender. E a noite continuará para sempre reflectida neste espelho.


José Luís Peixoto, “Capricórnio a seus pés” in Antídoto. Lisboa: Temas e debates, 2003. pp. 47-48.

Imagem: Girl before a mirror de Pablo Picasso, 1932


segunda-feira, novembro 13, 2006

"Doença de Crunch"

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Mais uma daquelas conversas mirabolantes, escutada sem querer num transporte público. Dois rapazinhos com idades entre os 10 e os 11 anos, trocam experiências dolorosas de doenças gravíssimas que já padeceram apesar da tenra idade. E notem, tratam-se de crianças num autocarro e não de senhoras reformadas na sala de espera do centro de saúde.

Um dos meninos queixa-se que uma vez levou um murro no pâncreas, e teve que ir para o hospital e teve de ser operado, mas ainda teve de ficar lá duas semanas para os médicos confirmarem se o pâncreas estava efectivamente curado. Um aparte, neste momento, eu pensei, a sorte do miúdo esta estadia no hospital ter sido pré-Correia de Campos, senão a história do pâncreas ia sair cara....

Mas adiante, que o outro rapazinho também tem uma história patológica para contar:

«Já ouviste falar na doença de Crunch? Eu tenho isso, uma das minhas pernas tem 1.8 cm a menos que a outra, mas o meu caso não é grave. Eu sei de uma menina que a perna tinha 2.8 cm a menos e ela teve de ser operada. E esticaram-lhe os ossos, só que depois ela ia andar e aquilo partiu-se tudo e ela ficou com uma perna 10 cm mais pequena que a outra».

O drama e o horror na cara do rapazinho nº1, que ele tal como eu nunca ouviu falar na doença de Crunch, doença essa que transformava o internamento por murro no pâncreas numa maleita banal e inconsequente. Já para o Correia de Campos, a perspectiva de centenas de crianças padecendo da doença de Crunch, por esse país fora a pagar taxas de internamento, deve ser uma visão agradável.

Nesta altura passou-me pela cabeça, que o rapazinho nº2, sentisse já o grave sindroma do portuga adulto “a minha doença é sempre mais grave que a tua” e como lhe falta o vocabulário médico, achou por bem, baptizar a doença com o nome do seu chocolate preferido... Mas tanta patranha inconsequente da boca de um rapazinho de 10 anos? Eu que pensava que os temas favoritos dos meninos desta idade fossem playstation e playstation...

O meu comentário:

Ainda tentei formular uma explicação psico-sociológica para este fenómeno, mas sem resultados. Tentei lembrar-me de mim naquela idade e dos meus amigos e não me recordo de alguém ter sentido necessidade de inventar doenças, para impressionar o outro. Lembro-me que inventávamos, mentíamos, usávamos a imaginação para improvisar brinquedos e brincadeiras onde eles não estavam. E quando mentíamos, e inventávamos longas historias que nada tinham de verdade, eram os nossos sonhos, os heróis, os polícias, os detectives, os ladrões, os príncipes e as princesas...
Não era certamente a doença de Crunch... É só de mim ou isto é tudo muito estranho?


sábado, novembro 11, 2006

Bye Bye Rumsfeld Bye Bye

The Daily Show with Jon Stewart


Eis uma boa notícia! Especialmente dada pelo Jon Stewart, crítico e certeiro como sempre.
Mas a condenção para este senhor, não devia ser só política...
Aliás, vejo na SicOnline que Rumsfeld foi processado por um saudita detido em Cuba e onze iraquianos detidos em Bagdade... Acho muito bem e porque não as famílias dos soldados americanos mortos no Iraque lhes seguirem o exemplo? E porque não todo o povo iraquiano? E a lista podia continuar...

sexta-feira, novembro 10, 2006

As subtilezas da verdade

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A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com o mesmo perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta.

Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Excerto de "O corpo" de Carlos Drummond de Andrade.

terça-feira, novembro 07, 2006

"Indivisibilidade"

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Yves tanguy
"Indefinite divisibility"

domingo, novembro 05, 2006

"O despertar da China": um excelente documentário

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Duas vidas. Uma jovem promissora designer de moda a quem a vida sorri e todas as oportunidades se abrem. Uma desempregada ex-operária fabril, cuja casa foi expropriada pelo governo, para quem todas as portas se fecharam.

A jovem designer movimenta-se na Xangai moderna, cosmopolita, capitalista, compra Prada e tem uma casa nos luxuosos subúrbios da cidade. A ex-operária fabril circula pelos mercados tentando comprar comida ao mais baixo preço, vive com o filho num apartamento em que ocupa uma divisão e partilha as restantes com outras famílias. Lamenta não poder pagar um explicador ao filho, a educação surge como a única saída, mas também ela custa dinheiro. Mostra ao filho a Xangai do MacDonald’s, dividem um big mac, olham as montras «Um dia vais me comprar uma destas!», tentando esconder o receio de que esse sonho nunca se venha a concretizar…

A operária fabril desempregada tenta desesperadamente encontrar um advogado que a ajude a processar o Estado e a recuperar a indemnização que lhe devem pela expropriação da casa. «Uma decisão muito arriscada» comenta o repórter. E ficamos a conhecer o que sucede aos advogados que aceitam casos destes. Foi preso, a sua casa e todos os seus bens expropriados. A sua esposa agora despojada de tudo, balbucia comovida «o meu marido não queria dinheiro, não precisava de muita coisa, mas queria ajudar as pessoas…».

E o que tem a dizer sobre isto, a jovem designer a quem a vida corre bem? Será que sabe do fosso entre ricos e pobres? Ela sabe que a China é um país totalitário, mas não pode fazer nada contra isso, admite que nunca discute política com os seus amigos. Um dos seus amigos, diz optimista que será só uma questão de tempo, até todos partilharem da mesma prosperidade.

Um país, dois sistemas? Estas histórias mostram-nos o pior dos dois sistemas. O capitalismo selvagem, as desigualdades profundas são fomentadas por um poder autoritário, repressivo, que não olha a meios para atingir os seus fins…

Adenda: Quem estiver interessado em acompanhar o documentário, poderá vê-lo na RTP 2, aos domingos às 14:00 e às segundas-feiras às 23:30. Vale a pena...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Seriedade politica

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Cartoon de Quino gentilmente surripiado do blog "O Bico de gás"

terça-feira, outubro 31, 2006

Dia de Todos os Santos e Dia de Finados

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Nunca gostei de cemitérios. Sempre me pareceram lugares muito rectilíneos, monótonos, iguais. Uma sucessão de rectângulos brancos, mármore e mais mármore, como se a memória das pessoas que ali repousam fosse a mesma. Como se todas tivessem passado pela vida da mesma forma. As mesmas flores, o mesmo mármore, a mesma frase na lápide, como se a sua falta fosse sentida da mesma forma por todos.

Ainda que a morte possa ser o fim e que nada fique senão a memória, não deveria existir algo para além dos mármores brancos, rectilíneos, as mesmas jarras e as mesmas flores. Não podia ser de outra forma? Recordo os cemitérios-jardins norte-americanos. Não há mais nada senão relva e árvores, pequenas lápides dissimulam-se na paisagem. Dizem-me que é uma tentativa de ignorar a inevitabilidade da morte. Se calhar é, mas pelo menos não é branco, rectilíneo, simétrico, igual.

Eu não vou ao cemitério no dia 1 de Novembro. É como um ritual social completamente alheio ao verdadeiro significado da memória daqueles que perdemos. É um ritual conveniente. Como se nos outros dias, não tivéssemos de pensar naqueles que amamos e que partiram. Desculpa a indiferença perante a morte, que sentimos nos restantes 364 dias. Como se fosse desculpável, vivermos o nosso dia-a-dia apressado, indiferente às nossas perdas, desde que no dia 1 de Novembro nos lembremos delas.

Amanhã não vou ao cemitério, mas as minhas perdas estão comigo sempre. Não estão num lugar branco, rectilíneo, simétrico, igual. Não estão num lugar frio e distante que nada me diz, estão comigo e a sua memória surge quando eu menos espero, em vários momentos, em vários dias. Mais dias que 1 de Novembro...

segunda-feira, outubro 30, 2006

Palavras...

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Colagem com versos de Desnos, Maiakovski e Rilke


Palavras,

sereis apenas mitos

semelhantes ao mirto

dos mortos?

Sim,

conheço

a força das palavras,

menos que nada,

menos que pétalas pisadas

num salão de baile,

e no entanto

se eu chamasse

quem dentre os homens me ouviria

sem palavras?


Carlos de Oliveira

sábado, outubro 28, 2006

Memória de um concerto incrível

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Eu não sou crítica musical, portanto as únicas palavras que eu consigo proferir sobre este concerto, são as palavras banais: inesquecível, espectacular e incrível. Ora o concerto não foi banal, e qualquer comentário meu, nunca lhe faria justiça. O melhor que posso fazer, é deixar uma amostrazinha. Não foi fácil escolher uma música ou um momento do concerto, por isso acabei por decidir colocar aqui a música que mais tem a ver comigo, com este blog e espero, com as pessoas que vêm cá... "Invincible" e a respectiva letra:
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Muse Invincible Live


Follow through
Make your dreams come true
Don't give up the fight
You will be alright
Cause there's no one like you in the universe

Don't be afraid
What your mind consumes
You should make a stand
Stand up for what you believe
And tonight
We can truly say
Together we're invincible

During the struggle
They will pull us down
But please, please
Lets use this chance
To turn things around
And tonight
We can truly say
Together we're invincible

Do it on your own
It makes no difference to me
What you leave behind
What you choose to be
And whatever they say
Your souls unbreakable

During the struggle
They will pull us down
But please, please
Lets use this chance
To turn things around
And tonight
We can truly say
Together we're invincible

Together we're invincible

During the struggle
They will pull us down
Please, please
Lets use this chance
To turn things around
And tonight
We can truly say

Together we're invincible

Together we're invincible

Nota final: Não posso deixar de dizer que o concerto terminou com "Knights of Cydonia", de uma forma realmente inspiradora, com a seguinte frase a surgir repetidamente no écran:

The time has come to make things right

You and I must fight for our rights

You and I must fight to survive