Ainda o Sexto Andar
Já deixei aqui a letra, agora vale a pena ouvir e ver o videoclip.
O álbum "Cintura" dos Clã, recomenda-se vivamente.
Some see things as they are and say "Why?" I dream things that never were and say "Why not?" George Bernard Shaw
Já deixei aqui a letra, agora vale a pena ouvir e ver o videoclip.
O álbum "Cintura" dos Clã, recomenda-se vivamente.
Postado por
Hopes
at
23:06
0
comments
Descritores: Angústia existencial, Clã, Musica
Já se torna um hábito irritante do Primeiro-Ministro, aplicar a expressão “momento histórico” a qualquer evento diplomático da presidência portuguesa da UE. Mas a questão principal aqui nem é o marketing político, mas sim o tratado em si e o que ele representa. A Europa dos direitos humanos e da solidariedade social não é consagrada neste Tratado.
O novo tratado não é mais que a nova versão da constituição europeia. Só foram eliminados pormenores menos importantes como o hino, a bandeira, a moeda e a própria palavra constituição. O que alguns povos já rejeitaram por referendo é lhes agora imposto por via parlamentar. O que tem este tratado de preocupante?
Existem poderes nas mãos do executivo ainda pouco claros e que escapam ao controlo do parlamento europeu, com os “procedimentos legislativos especiais” ou os “actos legislativos”. Estes podem incidir sobre concorrência, mercado interno, circulação de capitais e outras matérias fundamentais que ficam fora de controlo. Preocupante é também que a nomeação dos juízes europeus esteja dependente dos governos. O conselho de ministros, o conselho europeu e o parlamento não podem ser demitidos, nem dissolvidos. E pior, o Banco Central europeu não tem que prestar contas a ninguém.
A revisão da constituição fez-se sem os povos. Não nos podemos esquecer disto e devemos continuar a exigir que seja realizado um referendo. E convém ainda sublinhar que exigir um referendo ou dizer não a este Tratado, não é ser contra a unidade e o ideal europeu, é apenas exigir uma Europa mais democrática. Definitivamente, não é esta a Europa que eu quero.
Postado por
Hopes
at
23:14
0
comments
Descritores: Democracia, Direitos humanos, Europa, Política Internacional
Apesar de ser um tema recorrente na blogosfera e na imprensa, tenho que falar na cimeira UE-África. Alguma imprensa tem qualificado a cimeira como histórica e o nosso Primeiro-Ministro como uma espécie de máquina diplomática. Seríamos levados a pensar que todos os problemas do continente africano, se resolveram de um dia para o outro. Os ditadores sanguinários viraram paladinos dos direitos humanos. Tudo graças ao brilhantismo de José Sócrates.
E este é o melhor dos mundos! Darfur? Qual genocídio? Fome? Qual fome? Ditaduras? Quais ditaduras? Quase nos conseguem convencer que não era a ameaça da “invasão económica chinesa” que estava em causa nesta cimeira. Quase nos conseguem convencer que os direitos humanos são uma preocupação genuína. Quase...
Postado por
Hopes
at
23:26
1 comments
Descritores: África, Europa, Política Internacional
O que leva um grupo de pessoas a praticarem mortificações e disciplinas diariamente? Porque usam um cilício, praticam o celibato, chicoteiam-se semanalmente, tomam duches frios ou dormem em tábuas de madeira (no caso das mulheres)? Porque abdicam das idas ao cinema, ao teatro, ao futebol, aos concertos e dos livros do Saramago, do Jorge Amado e do Eça de Queirós (Marx e Engels nem se fala...)? E ainda têm que ouvir os sermões dos orientadores espirituais, que lhes chamam a atenção quando andam sozinhos de carro com uma mulher, que até é a própria irmã ou quando choram porque um recém nascido filho de um casal amigo, morreu subitamente na sua casa, porque isso é sinal de fraqueza. Porque não esquecem a Opus Dei no seu testamento?A revista Sábado tem um artigo em que expõe todos estes rituais e hábitos e tem alguns testemunhos de membros e ex-membros, mas nada no artigo responde às minhas questões. Quais são as motivações de quem adere à Opus Dei? Será a fé, o medo da condenação divina? Ou será uma questão mais materialista? Um dos entrevistados refere que quando abandonou a Opus Dei, as principais dificuldades que enfrentou foram «a falta de meios financeiros quando já não há laços com a instituição e o facto do trabalho estar ligado ao Opus Dei».
O artigo não explica as motivações dos que aderem à Opus Dei, pergunto-me porquê. Porque não se fala da influência da Opus Dei na sociedade e na política portuguesa e nas ligações ao poder económico? Espantosas ascensões na carreira, jogos de influência compensam andar de cilício na perna e um ou outro chicoteamento... Nesta perspectiva as taradices dos fanáticos, já parecem menos psicóticas... afinal não estamos nós numa sociedade materialista que privilegia quem tem poder e influência? Não me falem de fé e de espiritualidade, quando a Opus Dei pede aos seus membros uma referência no seu testamento.
Nota: Mais informações e testemunhos sobre a Opus Dei, neste site: http://www.opuslibros.org/
Postado por
Hopes
at
19:43
0
comments
Postado por
Hopes
at
23:59
0
comments
Descritores: EUA, Médio Oriente, Política Internacional

Postado por
Hopes
at
00:23
0
comments
Os australianos recusaram-se a eleger John Howard nas legislativas do passado sábado, preferindo o trabalhista Kevin Rudd. O estilo belicista de Howard, desde o início, um fiel aliado na estratégia da guerra contra o terror de George W. Bush, não convenceu os eleitores. Mas o que os australianos não perdoaram a Howard foi a legislação laboral, as celebres “Work Choices”. Perderam-se direitos laborais básicos, como a contratação colectiva e o direito à greve.
Também não deixa saudades a atitude hostil e conservadora de John Howard, relativamente aos imigrantes, à comunidade aborígene, às minorias e aos países vizinhos asiáticos. Chegou-se ao cúmulo de proibir asilo politico a estrangeiros com o HIV. A sua postura relativamente a Timor-Leste que chegou a ser neocolonialista, também é de má memória.
Postado por
Hopes
at
20:02
0
comments
Descritores: Austrália, Política Internacional
os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim."
José Luís Peixoto
Postado por
Hopes
at
00:02
0
comments
Descritores: José Luís Peixoto, Poesia
Postado por
Hopes
at
19:23
0
comments
Descritores: Ambiente, Política Internacional
D. José Policarpo (via Visão de 22 de Novembro)
E nós não queremos uma coisa dessas, pois não? Solavancos ainda podem provocar mudanças de mentalidades e isso até faz alergia à Igreja Católica. Bem se vê porque é que toda a polémica em torno da figura de Maria Madalena, tem sido tão mal digerida... Mas o Papa que não se preocupe, porque as mulheres católicas parecem não se importar muito com o facto de estarem afastadas das funções eclesiásticas.
João César das Neves (via Visão de 22 de Novembro)
Ora lá está, aceitar as desigualdades com naturalidade. É impressão minha ou isso não é muito coerente com o “todos são filhos de Deus, à sua imagem e semelhança”? Se calhar percebi mal... o mérito deve ter sido distribuído por Deus de uma forma desigual pela humanidade, uns são mais omnipotentes que outros...
Postado por
Hopes
at
22:17
2
comments
Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo
O mundo era meu sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado
Eu era feliz tinha os meus brinquedos
O anjo da guarda tirava-me os medos
Descobri o amor e vi nele o paraíso
Mas para ser expulso às vezes pouco é preciso
Podia ter tudo do bom e do caro
Que nada acodia ao meu desamparo
Sou a alma do mundo mais bem informada
Quanto mais me informo mais sei que sei nada
Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver a sonhar acordado
Não via tão claro o significado
E tudo seria bem mais complicado
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
Postado por
Hopes
at
23:28
1 comments
Descritores: Angústia existencial, Clã, Musica
Mais do que a existência ou não de uma supremacia da lei ou do estado sobre a liberdade de um órgão corporativo definir o seu código deontológico, para mim a questão central é como pode um código deontológico impor uma determinada concepção de vida humana, cuja definição não é cientificamente unânime e que se prende com uma questão de consciência individual e ética pessoal?
Pretende a Ordem dos Médicos condenar como falta de ética um profissional que leve a cabo um procedimento de IVG, será correcto punir ou expulsar quem não apresente objecção de consciência a tal prática e ainda por cima está no cumprimento da lei e a respeitar o Estado de Direito? O Bastonário garante que não o fará, no entanto acusará esse profissional de “falha grave” e poderá garantir que esse médico não será discriminado social e profissionalmente? Quantos médicos vão quebrar o código deontológico, para cumprir a lei? A resposta é óbvia e as intenções da ordem também.
A Ordem acusa o Estado de autoritarismo por exigir a alteração do Código Deontológico. Pergunto eu, o que é afinal mais autoritário: um Estado que pretende que um código deontológico respeite a liberdade de consciência e o estado de direito ou uma Ordem cujo código deontológico não respeita a liberdade de consciência e o estado de direito? Sendo que a posição dos objectores de consciência à IVG está prevista e legitimada na lei, porque deverão os que não partilham desse ponto de vista ser acusados de falta de ética ou de despeito pelo código deontológico da sua Ordem profissional?
Postado por
Hopes
at
23:51
0
comments
Descritores: Aborto, Moral, Política Nacional
Falam de viagens, roupas, férias na neve, iPpods, consolas, cartões de crédito, mas a política é tabu. «Não há nada que possamos fazer na política, de modo que não interessa falarmos nisso ou envolvermo-nos». A repressão de sublevações como a de Tiananmen é descrita como «certamente necessária”, não fosse a prosperidade económica ficar comprometida. Lá se iam os iPods, as consolas e os cartões de crédito, no fundo o que é verdadeiramente importante. O que interessa que esse conforto seja alimentado à custa da pobreza e sacrifício do mundo rural (recordo que já escrevi sobre este tema aqui).
Simon Elegant o repórter que recolheu estes testemunhos, deu ao artigo o nome de “Geração EU” e muito bem*. O materialismo e o hedonismo são os piores inimigos da democracia e da defesa dos direitos humanos. A geração Eu é muito evidente na China, mas não é um fenómeno exclusivo deste país. Basta olharmos em volta para verificarmos que o materialismo impera, leva ao conformismo e à apatia, toda a ética e sensibilidade social começa a passar para segundo plano. Não será a geração EU a grande ameaça à democracia e aos direitos humanos?
Postado por
Hopes
at
22:30
0
comments
Descritores: China, Materialismo, Política Internacional
[...] numa tacinha, achamos a nossa vida de hoje e qual o sentido da nossa vida de hoje, o que fazemos com ela, dias atrás de dias, o supermercado, o jantar no restaurante ao domingo, a maçada das crianças às vezes e não era bem isto que nos apetecia, não era bem isto o que tínhamos desejado, falta qualquer coisa, onde é que erramos, o que falhámos, não somos infelizes mas também não temos o que secretamente ansiávamos, os anos vão passando
(- o que tu cresceste)
E não temos o que secretamente ansiávamos, de vez em quando momentos tão vazios, de vez em quando, mesmo no meio dos outros, uma solidão tão grande, um desamparo, uma sensação de queda, esta dificuldade em respirar, porque a mobília sufoca, que vem e desaparece e volta, de vez em quando, sem motivo, vontade de chorar, não lágrimas grandes, não soluços, uma coisa vaga, uma pergunta
- E agora?
António Lobo Antunes “Nada de especial” in Visão de 8 de Novembro de 2007
Postado por
Hopes
at
23:37
1 comments
Descritores: Angústia existencial, Literatura
Postado por
Hopes
at
17:03
0
comments
Descritores: Paquistão, Política Internacional
«Ao passar por cima da capital iraquiana somos confrontados com uma névoa espessa que paira sobre a cidade. É muito difícil perceber se é neblina ou fumo libertado pelas bombas e pelos prédios incendiados. (...) são oito da manhã, mas nesta cidade deixou de haver horas, ou se as há contam-se ao ritmo das explosões e com a medida dos cadáveres que se acumulam.(...) Converso com um viajante, que parece ter mais de 50 anos, mas tem apenas 35. Faço a pergunta ritual “Chako mako?” (Isso vai ou não vai?). Com um sorriso desiludido responde: «Vai indo, carros armadilhados, atentados suicidas, franco-atiradores e tiros de rajada, cadáveres que se vêem pela rua de manhã, preços que disparam...». se é isso que vai indo, então o que é que não vai? A resposta sai lesta: «o governo não vai. A esperança não vai. A segurança não vai. A estabilidade não vai.»
Excerto de “Como sobreviver à violenta Bagdade” in Courrier International ed.134
Postado por
Hopes
at
22:02
0
comments
Descritores: Iraque, Política Internacional
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
Alexandre O´Neill
Poesias Completas
Postado por
Hopes
at
23:27
1 comments
Descritores: Alexandre O'Neill, Angústia existencial, Poesia
Quem ouviu o Presidente Putin, em Lisboa, falar de um Instituto para os direitos humanos na Rússia, esperaria uma posição firme contra a junta militar birmanesa. Atitude ingénua, de facto… A Rússia mantém contratos de armamento com aquele país, foram vendidos 15 caças e está em fase de negociação a construção de um sistema de defesa aérea com mísseis russos.
Em contrapartida, Moscovo obtém importantes concessões petrolíferas, como a exploração das jazidas de petróleo e gás birmanesas, para consolidar a sua posição no mercado europeu da energia.
Abdicar de tudo isto em nome dos direitos humanos, seria pedir muito, não era?
Moscovo opõem-se às sanções económicas contra Myanmar. É muito mais conveniente o Ministro dos Negócios estrangeiros russo recomendar “medidas para evitar um agravamento das tensões”, dando a entender que admite a repressão governamental para manter a estabilidade. É a real politik, interesses mais altos se levantam e estes nunca são os direitos humanos…
Postado por
Hopes
at
21:41
2
comments
Descritores: Birmânia, Direitos humanos, Política Internacional
«No Azerbeijão, há cada vez mais crianças enfezadas e recrutas que pesam 40 quilos. É devido à má nutrição, mas também ao desejo das mulheres grávidas de manter a linha». Para diminuir o nível de pobreza no país, o parlamento esta a preparar uma série de leis sobre a juventude e o desporto, a saúde das mulheres grávidas e a acústica. Os deputados esperam que a redução da espessura das paredes nas casas permita combater a violência doméstica.Hady Radjabli, deputado azerbaijanês in “Courrier Internacional” de 26/10/2007
Atribuir a culpa do nascimento de crianças subnutridas ao desejo das grávidas de manter a linha, muito interessante esta argumentação... A mulher azerbaijanesa é uma “fashion victim”, quem diria? Porquê falar de pobreza e fome, quando as mulheres (essas vaidosas…) só se preocupam com o corpinho?
Mas sejamos justos, pelo menos os deputados preocupam-se com a questão da violência doméstica. A redução da espessura das paredes é das medidas mais eficazes no combate à violência doméstica? Não percebi… Assim os vizinhos ouvem os gritos das mulheres e chamam a polícia ou vão ajudar? Espero que no Azerbaijão não tenham um ditado como o nosso “entre marido e mulher, não metas a colher…”
Postado por
Hopes
at
21:33
0
comments
Descritores: Mulher, Pobreza, Política Internacional
(...) Para Neilson, partes dos Estados Unidos podem vir a sofrer períodos de maior precipitação, seguidos de outros mais secos do que o normal: "À medida em que o planeta aquece, mais água se evapora dos oceanos e essa água tem cair nalgum lugar como precipitação", disse. "Isso pode levar, em certas alturas, a um maior crescimento da vegetação... Mas o aquecimento global e outras forças climáticas também vão criar secas periódicas. Se aparece uma fonte de ignição durante estes períodos, os incêndios podem tornar-se explosivos".
Para Neilson, "No futuro, incêndios catastróficos como o actual na Califórnia podem simplesmente ser uma parte normal da paisagem."
Em estudos realizados há cinco anos, Neilson e outros investigadores da Universidade do Estado do Oregon previram que o Oeste americano poderia tornar-se ao mesmo tempo mais húmido e mais seco no próximo século, condições que iriam levar a incêndios muito maiores do que jamais foram vistos na história recente.»
Postado por
Hopes
at
22:48
4
comments
Postado por
Hopes
at
23:23
0
comments
Descritores: EUA, Política Internacional, Sociedade
A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
Agora são apenas treze e dezasseis.
Alguns ainda vão a tempo de entrar,
outros de sair.
O terrorista passou para o outro lado da rua.
A esta distância fica a salvo de todo o mal
e vê tudo como no cinema:
Uma mulher de casaco amarelo - ela entra.
Um homem de óculos escuros - ele sai.
Rapazes de jeans - eles trocam impressões
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos.
O mais baixo - ele tem sorte, monta na scooter,
mas o mais alto - ele entra.
Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos.
Passa uma rapariga de fita verde no cabelo.
De repente, desaparece atrás do autocarro.
Treze e dezoito.
A rapariga já não se vê.
Terá sido estúpida ao ponto entrar?
Saberemos quando retirarem os corpos.
Treze e dezanove.
Ninguém parece querer entrar.
Em contrapartida sai um careca gordo.
Remexe nos bolsos como se procurasse algo
e quando faltam dez segundos para as treze e vinte
ele volta por umas reles luvas que esqueceu.
São treze e vinte.
O tempo, como ele demora
Está na hora.
Ainda não.
Sim, já está.
A bomba - ela explode.
Poema de WISLAWA SZYMBORSKA
In “Alguns gostam de poesia: antologia” p.175-176.
Postado por
Hopes
at
18:58
0
comments
Descritores: Direitos humanos, Sociedade, Terrorismo
«Foi aprovado pelo governo espanhol um novo regime de protecção social para os cerca de três milhões de trabalhadores por conta própria (designados como “autónomos”) actualmente no mercado de trabalho. A partir de 2009, estes trabalhadores passam a beneficiar de subsídio de desemprego caso se vejam obrigados a encerrar a sua actividade e vêem consagrado na lei o direito a férias.Em dia de manifestação contra as políticas económicas deste governo e por uma Europa mais social, convém olhar para o que fez o governo de Zapatero aqui mesmo ao lado. É possível combater a precaridade, haja vontade política. E este é só um pequeno exemplo…
Postado por
Hopes
at
18:12
0
comments
Descritores: Europa, Manifestação, Sociedade, Trabalho
Deve ter sido a primeira vez que não me ri dos Gato Fedorento. Não porque não tenham sido certeiros e geniais, mais uma vez… mas porque isto é demasiado trágico e verdadeiro para dar vontade de rir. Demasiadas vidas foram afectadas, demasiados direitos foram pisados para que a meta do défice de 3% fosse atingida. Esse bem maior, qual éden, qual nirvana… suponho que agora vamos todos viver felizes para sempre e não nos vão exigir mais sacrifícios. Vamos deixar de viver no país dos dois milhões de pobres, em que um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês. O país dos «novos pobres», pessoas com emprego, mas cujo salário não chega para as necessidades já não será o nosso.
Atingidos os 3%, este será o país onde qualquer dono de um banco pode perdoar 12 milhões de euros em dívidas ao próprio filho. Mas isto já acontece… querem ver que enquanto a maioria dos portugueses se sacrificava, outros já estavam no éden? Nada disso é importante, atingimos a meta dos 3% de défice!! O Éden agora será para todos e vamos viver no melhor dos mundos...
Postado por
Hopes
at
18:17
1 comments
Descritores: Economia, Pobreza, Política Nacional, Sociedade
«O eurodeputado Miguel Portas, discursando ontem no Parlamento Europeu, denunciou que o texto do futuro Tratado da União Europeia admite a entrada da pena de morte "pela porta do cavalo", já que o futuro Presidium da Convenção Europeia pode admitir excepções que Miguel Portas considera inaceitáveis. Por exemplo, os Estados podem restabelecer a pena de morte em caso de "perigo iminente de guerra", ou em caso de "revolta". Recordando o caso do imigrante brasileiro Jean Charles Meneses, assassinado em 2005, em pleno metro de Londres, Miguel Portas questiona se se tratou de lamentável equívoco ou de "algo a que o futuro Tratado acaba por dar legitimidade jurídica.»
Se já eram preocupantes os regimes de excepção à Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, da Polónia e do Reino Unido, o tratado também prevê a reintrodução da pena de morte em caso de “perigo iminente de guerra” ou de “revolta”. Sabendo que cada Estado terá a sua definição do conceito de “revolta”, devemos de facto, ficar com mais um motivo para preocupação... Parece demasiado incrível para ser verdade, mas os artigos do Tratado que poderão justificar a pena de morte são citados aqui. Vale a pena ler com atenção.
Postado por
Hopes
at
19:01
0
comments
Descritores: Direitos humanos, Europa, Tratado Constitucional
Postado por
Hopes
at
17:24
0
comments
Descritores: Democracia, Direitos humanos, Política Internacional
«(...) Havia vidas desgraçadas quando não existiam divórcios...
Havia e hoje também há. E agora até há mais. No tempo em que não havia divórcios, havia situações bastante dolorosas, mas a pessoa resignava-se. A mulher dizia: calhou-me este homem, não tenho outra possibilidade, vou fazer o que posso. Ao passo que hoje as pessoas querem safar-se de uma situação e caem noutras piores.
Na sua opinião, uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Depende do grau de agressão.
0 que é isso do grau de agressão?
Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.
Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso de gravidade suficiente para deixar um homem que a amava.»
A ICAR não veio ainda desmentir ou criticar este tipo de posição, por isso suponho que tais barbaridades sejam perfeitamente aceitáveis. Perante tais declarações, pergunto-me se as mulheres católicas vão ou não exigir uma mudança de mentalidades na instituição. Continuem a apoiar e a frequentar esta Igreja que vos ama, mas se levarem porrada não se queixem, ok?
Postado por
Hopes
at
00:00
2
comments