segunda-feira, abril 30, 2007

Eleições em França: em jogo o futuro da esquerda?

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Os franceses preparam-se para escolher um novo presidente. Está em jogo, na minha opinião, uma orientação política para a Europa. A França sempre constituiu uma espécie de barómetro ideológico e político para os restantes países da União Europeia. Joga-se uma ideia de esquerda e de direita, mas também um estilo pessoal de fazer política.


À direita, Sarkozy radicaliza a luta contra a imigração, com um discurso intolerante e agressivo em nome da identidade nacional. O liberalismo económico é levado ao extremo e a nível internacional, há uma colagem à política externa da administração Bush. Definitivamente, não é esta a ideologia política que eu gostaria de ver como referência, até porque a actuação de Sarkozy, enquanto ministro do Interior, só endureceu a violência e as clivagens sociais. Espero que os franceses não esqueçam o contrato do primeiro emprego, e a tentativa de impor a precariedade laboral como norma.


À esquerda, Sególene Royal, propõe uma ideia de esquerda renovada, próxima do “socialismo de Blair” (e friso, entre aspas…), que contesta, por exemplo a semana de 35 horas de trabalho, mas simultaneamente mantém o discurso social. A proximidade a Blair, assusta-me em Sególene, mas a convicção com que defende um projecto de esquerda que promova a integração e a coesão social, leva-me a dar-lhe o benefício da dúvida. Um motivo de confiança, será sem dúvida, porque a alternativa é Sarkozy. O outro motivo é o meu desejo de ver uma política efectivamente de esquerda na Europa, à semelhança do que fez Zapatero.

Se Sarkozy ganhar, será uma longa caminhada no deserto para a esquerda europeia. Se Sególene ganhar, a esquerda poderá adquirir um novo alento, mas só se, a política que levar a cabo não for a falsa esquerda de Blair e Sócrates. Só o futuro o dirá, para já prefiro manter-me optimista e acreditar em Sególene. A ideia de esquerda precisa definitivamente de ser encarada com seriedade. Apesar das minhas reservas, espero que o seja com Sególene Royal.

Adenda: A ler o Manifesto dos Intelectuais de Esquerda no Libération, ou a tradução aqui.

sexta-feira, abril 27, 2007

"Little Road Trip"

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Foto de Mark Tucker

"Whirly gigs 2" - Atlanta Road Trip

terça-feira, abril 24, 2007

Pedras como pessoas?

Conversa com a pedra


Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar, quero ver-te por dentro,

saber como és,

respirar-te.


Vai-te embora - diz a pedra.

Estou fechada a sete chaves.

Mesmo feitas em pedaços

estaremos fechadas a sete chaves.

Mesmo reduzidas a areia

não deixaremos ninguém entrar.

Bato à porta da pedra.

Sou eu, deixa-me entrar.

Venho por pura curiosidade.

Só em vida tenho esta oportunidade.

Gostaria de passear-me pelo teu palácio,

depois visitar ainda a folha e a gota de água.

Não tenho muito tempo para tudo isto.

a minha mortalidade deveria comover-te.

- Sou de pedra — diz a pedra

e isso obriga à seriedade.

Vai-te embora.

Não tenho os músculos do riso.


Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Dizem que dentro de ti ha grandes salas vazias,

nunca vistas, belas para nada,

surdas, sem eco de quaisquer passos.

Confessa que pouco sabes a esse respeito.

Grandes salas vazias - diz a pedra,

mas lá não há lugar.

Belas, talvez, mas para além do gosto

dos teus pobres sentidos.

Podes conhecer-me mas nunca desfrutar-me

A minha superfície esta voltada para ti

mas o meu interior permanece de costas.

Bato a porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Não venho em busca de eterno asilo,

não sou infeliz

nem desabrigada,

o meu mundo é digno de regresso.

Entrarei e sairei de mãos vazias.

E como prova autentica da minha presença,

terei para exibir meras palavras

nas quais ninguém acreditará.

Não entrarás - diz a pedra.

Falta-te o sentido da partilha.

E nenhum outro sentido te substituirá o sentido da partilha.

Nem uma visão apurada e omnividente

te há-de valer sem o sentido da partilha.

Não entrarás, em ti esse sentido é mera concepção,

o gérmen, imaginação.

Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.

Não posso esperar dois mil séculos

para entrar sob o teu tecto.

- Se não acreditas em mim - diz a pedra -

vai ter com a folha, dir-te-á o mesmo.

Com a gota de água, o mesmo te dirá.

Por fim, pergunta a um cabelo da tua cabeça.

Estou prestes a soltar uma enorme gargalhada

mas não tenho o dom do riso.

Bato à porta da pedra.

- Sou eu, deixa-me entrar.


- Não tenho porta - diz a pedra.



Poema de
Wislawa Szymborska

In “Alguns gostam de poesia: antologia” p.125-129

segunda-feira, abril 23, 2007

Um ano de esperanças e sonhos

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Para mim os aniversários são sobretudo momentos de reflexão. Aproveito para olhar para trás e rever o que foi este blog. Será que as minhas expectativas foram goradas? Aquilo que eu disse que seria este blog, foi-o de facto? Há um ano atrás comecei o My Hopes and Dreams. Os meus motivos foram bastante egoístas, eram as minhas reflexões, as minhas ideias, a maneira como vejo o mundo. Na altura escrevi o seguinte:

Eu não acordei de repente a pensar, quero ser lida, quero passar uma mensagem ou quero alimentar o meu ego. Não é isso, eu não quero ser escritora, nem tenho talento e também já muito me convenci que não posso mudar o mundo.

Provavelmente só quero que as palavras deixem de rodopiar indefinidamente na minha cabeça e fiquem imóveis num écran… Isto dito assim até parece uma coisa séria, desiludam-se… na minha cabeça rodopiam muitas observações idiotas, muitas ironias e uma ou outra vez, há uma reflexão crítica e pertinente sobre a nossa sociedade (ainda que a maioria seja pouco reflectida e muito menos pertinente...)


Um ano depois e olhando para o que fui escrevendo, foi exactamente isso que aconteceu, muitas observações, ironias e uma outra vez uma reflexão mais ou menos pertinente sobre o mundo e a sociedade. Já a primeira frase, enfim… no fundo eu quero passar uma mensagem e acho que de alguma maneira posso mudar o mundo, se não fosse assim as minhas palavras ficariam só comigo. É triste e utópico, eu sei, mas por algum motivo este blog se chama “as minhas esperanças e sonhos”…

Mas é engraçado que nem tudo neste blog são utopias de quem quer mudar o mundo, existem análises muito duras e críticas da realidade, há aquilo que eu gosto de chamar angústia existencial com toda uma panóplia de poemas, músicas e fotos. E neste aspecto, o blog reflecte os altos e baixos da minha vida, de uma forma que eu não imaginei que acontecesse. Recordo os posts que eu gostei de escrever, os que saíram muito razoalvezinhos, os que geraram grandes discussões, os que me fizeram rir e os que não tendo sido escritos por mim, me tocaram de alguma forma.

O mais interessante deste ano que passou foi a surpresa. Eu nunca esperei que chegassem ao meu blog, perfeitos desconhecidos, que se tornaram comentadores e leitores frequentes. A sua presença traz um enriquecimento especial ao blog e a para mim tornaram-se figuras misteriosamente queridas e familiares.


Foi uma surpresa que outros blogs me linkassem e que achassem por bem referir os meus posts. Elogios como este, deixaram-me boquiaberta. Mas a maior surpresa foi um um ano de blogger, 250 posts, mais de 4000 visitas no contador. Podia ser um motivo de orgulho, mas sinto mais preocupação que alegria, porque não é fácil manter um nível mínimo de qualidade. E ao rever os posts mais antigos, senti essa perda de qualidade nos últimos 2 meses. Suponho que um blog, tal como a vida tenha altos e baixos, mas as boas memórias que acabei de escrever, são um incentivo para continuar e esperar por momentos mais inspiradores.

sexta-feira, abril 20, 2007

Novas oportunidades para quem?

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A mais recente campanha do governo de José Sócrates, chega a ser ridícula ou então vivemos em países diferentes. Em Portugal existem 56 mil licenciados desempregados e valoriza-se a qualificação? Estamos a incentivar as pessoas a investir na sua qualificação, quando não existe uma política de emprego que valorize essa qualificação? Incutir falsas expectativas é muito feio… E como se sentem as pessoas licenciadas, que se viram obrigadas a aceitar empregos que nada têm a ver com a sua formação académica, perante esta campanha do governo?

Este cartaz do BE, parece mais em conformidade com o país onde eu vivo…




quarta-feira, abril 18, 2007

Uma boa notícia

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Felizmente recebemos boas notícias. Não precisam de ser nossas, mas trazem um alento que nos contagia. É extremamente gratificante saber que há sonhos que se concretizam!

Neste post, quero desejar as maiores felicidades ao "Fio da Voz" e ao seu autor.
O livro deve sair nas próximas semanas e tem poemas tão bonitos, como este:

Morada

Não serei estrangeiro para nenhuma estrada
depois de atravessar
o limite onde tudo fica
depois de desaparecer na distância
do que nunca tinha visto.

Podem passar os séculos
sobre nebulosas de luz
e poderei esquecer o dorso
da terra suave que habito.





Nenhuma estrada me esquece
à sombra da sua rama.

Basta segui-las até à margem
onde vive o instante
e pisar as suas pedras
como se fossem minhas soberanas.


Joel Henriques

terça-feira, abril 17, 2007

"Gun control"??

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Será que o massacre na universidade da Virgínia, vai levar a um debate sério sobre a questão da posse de armas nos EUA? Estima-se que anualmente nos EUA, mais de 10 mil pessoas sejam baleadas mortalmente. Mas ao que parece os problemas sociais internos não são uma prioridade. Afinal, preocupante, preocupante é o terrorismo. E porquê afrontar o poderoso lobbie ligado à indústria do armamento e a influente NRA - National Riffle Association?


Talvez seja o momento adequado para rever o excelente documentário “Bowling for Columbine”… Aqui fica um pequeno excerto:



E fica a minha curiosidade, será que o tema “Gun Control” vai regressar ao debate político nos EUA?

Adenda: A resposta à minha questão:

«With so much violence occurring inside institutions that are supposed to house no violence at all, the same question comes up over and over again, still with no answer: What is being done in the U.S. for gun control?

The same question was asked right after the Virginia Tech massacre, in an interview held by the White House in Washington, and the same vague answer was given by the White House spokesperson:

"We've had a consistent policy of ensuring that the Justice Department is enforcing all the gun laws that we have on the books, and making sure that they're prosecuted the fullest extent of the law."

An even more evasive response was given by the spokesperson when asked if there should be a federal age of restriction to buy guns -- recently a law was approved in Texas where there's basically no age restriction on who can buy guns. Basically it means that nothing will change in terms of gun control policy in the U.S., arguably the easiest country to legally buy a weapon in.


In America's recent history, it seems that the people are more worried about gay marriage and immigration laws -- both attracted massive demonstrations with thousands of people in major American cities -- than with the safety of their families. For the 24 shootings that took place after Columbine, how many demonstrations took place and how many people went to them? How much coverage did they get in the news?»

domingo, abril 15, 2007

Mais tiques totalitários?

Além disso, o Governo australiano está a estudar o endurecimento das normas actuais quer para os trabalhadores estrangeiros quer para quem solicite asilo político no país, admitindo poder haver excepções por "considerações humanitárias", disse Howard à ABC.
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"Creio que deveríamos ter exigências o mais restritivas possível à escala nacional", acrescentou Howard, informando que o ministro da Saúde, Tony Abbot, está a ultimar essa política.»

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«A Austrália, um dos países com leis de imigração mais restritivas em todo o mundo, poderá vir a recusar asilo ou visto de imigração a portadores de HIV. A proposta é do primeiro-ministro John Howard, preocupado com o crescimento alarmante das taxas de infecção no país.
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Howard sublinha que esta norma não seria muito diferente da que proíbe a concessão de visto a doentes com tuberculose, mas David Puls, responsável centro de apoio jurídico a doentes de sida do estado de Nova Gales do Sul lembrou que o HIV não é considerado uma ameaça à saúde pública, tanto mais que, ao contrário do bacilo da tuberculose, não se transmite por via aérea.»

In Publico online


Compara-se a SIDA à tuberculose, como se o processo de contágio fosse idêntico. Será que as campanhas de prevenção do HIV, são assim tão dispendiosas? Mas isto é uma questão de saúde pública ou de restrição à imigração?
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Quando qualquer pretexto serve para discriminar, devemos começar a preocupar-nos…

sexta-feira, abril 13, 2007

Acontece… na Polónia

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Na Polónia vão se sucedendo medidas que atentam contra os direitos humanos, em especial contra a liberdade de expressão. Instalou-se uma atmosfera de intolerância que penaliza quem não perfilha uma determinada ideologia ultra-conservadora e católica. Assim na Polónia, existe uma lei que obriga todos os titulares de cargos públicos, professores, juízes, advogados e jornalistas a declararem se alguma vez colaboraram com o anterior regime comunista, sob pena, caso não cumpram este "registo de interesses", de serem impedidos de exercer a sua profissão.


Os professores estão expressamente proibidos a fazer qualquer referência à homossexualidade nas aulas, correndo o risco de serem despedidos ou presos se admitirem ser homossexuais. A homossexualidade é considerada pelo governo, imoral e contra-natura, daí a perseguição de associações de apoio aos direitos gay e a recente invasão de algumas delas por supostas ligações com pedofilia e pornografia infantil.


Imoral é também o divórcio e o aborto, mesmo em caso de violação ou de ameaça à saúde e vida da mulher. Ainda há bem pouco tempo, uma mulher que ficaria cega, caso levasse até ao fim a sua gravidez, foi impedida de proceder à interrupção voluntária dessa gravidez. Já a pena de morte não apresenta nada imoral, e todos os esforços estão a ser feitos para que seja introduzida no país.

Legenda: Os gémeos Kaczynski, respectivamente Primeiro-Ministro e Presidente da República da Polónia, brilhantes responsáveis pela "limpeza moral do país"

Os discursos anti-católicos são acerrimamente condenados, até porque se discute a consagração de Jesus Cristo como rei eterno da Polónia. Laicidade do Estado para quê? Porque não Buda, a rei eterno da Polónia? Maomé, não? Desculpem sair do registo sério, mas esta medida é tão eminentemente gozável, que eu não resisti…


Tudo isto é feito perante a passividade da União Europeia. Como o tema tem sido ignorado pela imprensa portuguesa, aconselho uma visita ao Devaneios Desintéricos, que tem imensos posts sobre o assunto. Basta clicar na tag Polónia. No Altermundo também encontram uma excelente síntese desta questão.


É precisamente do Devaneios, que parte uma iniciativa que eu aplaudo e passo a apoiar, trata-se de fazer chegar ao embaixador da Polónia o seguinte protesto, manifestando a nossa discordância com tudo o que tem acontecido naquele país:


"Exmo Sr Embaixador da Polónia,


Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos.


As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.


Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."


A enviar para o seguinte endereço de email: politica.embpol@mail.telepac.pt.
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Se não podemos impedir, podemos pelo menos demonstrar indignação.
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quarta-feira, abril 11, 2007

"Era tão bom dormir!"




Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.


Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.


Falem pouco, devagar.

Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.



O que quis? Tenho as mãos vazias,


Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.


O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.


O que vivi? Era tão bom dormir!





Poema de Álvaro de Campos

sábado, abril 07, 2007

Para quem tem dúvidas sobre a imigração

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Uma semana depois do cartaz xenófobo colocado no Marquês de Pombal, o Diário Económico revelou que os imigrantes que trabalham em Portugal contribuem 7% para a riqueza nacional, o equivalente a uma Portugal Telecom por ano ou a cinco Auto-Europas, ou seja, cerca de 11 mil milhões de euros. Isto apesar da exploração a que estão sujeitos, das dificuldades em obter a legalização, e da recusa dos bancos em fornecer empréstimos os imigrantes para compra de casa.

Segundo notícia do Diário Económico, os imigrantes em Portugal contribuem para 7% do PIB. Eduardo de Sousa Ferreira, professor catedrático do ISEG, explica que, apesar de só existirem dados concretos até 2005 que «apontavam para um contributo de 5% a 6%, mas a partir daí pode considerar-se os 7%, até porque os imigrantes ocupam agora funções mais qualificadas». O especialista lamenta no entanto a falta de informação causada pela ilegalidade em que muitos dos imigrantes permanecem.


Cartoon de Mike Keefe

Maria Lucinda Fonseca, investigadora do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, sustenta que os imigrantes, que deverão atingir o meio milhão este ano, «têm uma taxa de actividade mais elevada do que a restante população activa portuguesa, em parte devido à sua estrutura etária». A investigadora especifica que «os imigrantes representam actualmente cerca de 9% a 10% da população activa nacional apesar de serem menos de 5% da população portuguesa». Este facto determina que os imigrantes contribuam mais do que aquilo que beneficiam em termos de segurança social, pois apenas 2,5% dos pensionistas são imigrantes.


Também o contributo dos imigrantes enquanto consumidores tem permitido alimentar a procura interna, "indicador que até 2006 foi fundamental para sustentar o crescimento económico. Helena Rato, directora do departamento de investigação do Instituto Nacional de Administração, lamenta no entanto o facto de os imigrantes não poderem comprar casa, devido à atitude dos bancos que "temem incumprimentos nos empréstimos". A directora classifica essa atitude de "irracional" já que "a casa fica sob hipoteca", acrescentando que "a residência fixa é um requisito para a legalização". De facto são dezenas de milhares os imigrantes que não estão legalizados, ficando assim à mercê da exploração fácil e sem direitos sociais fundamentais.

sexta-feira, abril 06, 2007

Os marinheiros britânicos

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Cartoon de Petar Pismestrovic

CagleCartoons.com


terça-feira, abril 03, 2007

Falta de preparação

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Não estamos preparados para nada:
certamente que não para viver
Dentro da vida vamos escolher
O erro certo ou a certeza errada

Que nos redime dessa magoada
Agitação do amor em que prazer
Nem sempre é o que fica de querer
Ser o amador e a coisa amada?

Porque ninguém nos salva de não ser
Também de ser já nada nos resgata
Não estamos preparados para o nada:
Certamente que não para morrer

Gastão Cruz



In: A moeda do tempo, p.26.

Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 02, 2007

Devidamente visado pela Comissão de Censura

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Eu sei que ainda há poucos dias, fiz referência ao Gato Fedorento. Mas tenho que o fazer de novo, o programa é uma lufada de ar fresco na televisão portuguesa, e diria mais, na sociedade portuguesa. Com uma carga irónica, deliciosa, foi uma bofetada de luva branca nos saudosistas do Estado Novo.
Desde o carimbo visado pela censura no canto do écran, à adaptação “fedorenta” do célebre “Portugal Ressuscitado”, magnificamente interpretado por um Fernando Tordo, visivelmente emocionado. Genial, como sempre!! Um motivo de orgulho, sem carga irónica…

Mas pelos vistos, não fui só eu que achei o programa inspirador. O blog “O Bico de Gás” resolveu agradar aos salazaristas mais saudosos e foi revisto pela comissão de censura. Devidamente carimbado. Eu achei a ideia óptima e como também gosto de agradar… Cá está o carimbo. Este blog foi devidamente visado pela censura. Ironicamente…

Será que a moda pega? Quem apreciou a ironia, esteja à vontade para surripiar o carimbo… ;))